O problema do BURNOUT autista não se resolve com psicoterapia ou medicação

Burnout autista: um problema bio-sócio-econômico e de justiça social que merece muita atenção

Embora o #burnout ocupacional seja parte da classificação internacional de doenças (CID) e considerado uma doença associada ao trabalho, os profissionais de saúde mental como psicólogos e psiquiatras pouco podem fazer para curar esse estado de esgotamento físico e mental.

+Quando o indivíduo atinge o estado de esgotar todos os seus recursos, o sistema social, econômico e de justiça falharam de alguma forma.

+O BURNOUT AUTISTA traz uma camada a mais que geralmente refere-se a meses ou anos de necessidade de apoio e adaptações razoáveis não atendidas. O autista em Burnout carrega uma trajetória de viver ignorando o seu próprio sistema neurobiologico, viver mascarando e tendo seu funcionamento atípico invisibilizado.

Autistas de menor nível de suporte e autistas com dupla excepcionalidade (AH/SD) são constantemente invalidados enquanto pessoas com deficiência.

Com apoios e acomodações razoáveis negadas e tendo destacadas apenas suas capacidades, eles vivem no limite até que sua máquina (o cérebro) começa a hiper aquecer e a desligar involuntariamente.

O autista então não consegue mais mascarar, ele adoece, se torna ainda mais sensível a estímulos emocionais, sensoriais, sua tolerância se reduz, ele se recolhe para se proteger, ele se isola, tem mais shutdowns e geralmente busca ajuda pois tem consciência do seu estado.

O que esse autista quer é acomodações. Ele quer respeito. Quer políticas públicas, quer que a lei seja cumprida. Um psicólogo não pode oferecer isso. Um psiquiatra também não. Não há medicamento para o burnout.

É preciso olhar de frente para essa epidemia que está acontecendo. Para grande quantidade de pessoas que estão perdendo habilidades por exaustão.

Não podemos tratar problemas políticos sociais e econômicos como se fosse apenas um problema que pode ser resolvido em terapia ou fármacos.

É preciso o direito ao descanso, ao lazer, adaptações no trabalho, respeito ao funcionamento neurobiologico de cada indivíduo, reconhecimento de questões de gênero que se sobrepõem muitas vezes a deficiência nos atendimentos de saúde e da justiça e, diante do adoecimento, redução de barreiras para o acesso ao auxílio por incapacidade temporária (atualmente o INSS é uma verdadeira corrida de obstáculos impossível para quem já está em estado de esgotamento).

Texto e ilustração: Luciana de Oliveira @luciana_menddonca CRP 19001845