Descarte a Sociedade que te descarta

E se a sua paixão for aquilo que te torna genial e capaz de transbordar exatamente o que o mundo ao seu redor mais necessita?

Parece um sonho fazer o que pra você é fluído e prazeroso, algo que seria egoísta, mas que por ser uma expressão autêntica dos seus desejos mais profundos acaba por ser abundante e beneficiar o seu entorno?

Em vez de aniquilar ou reprimir os instintos (como propõe a moral cristã), o objetivo é cultivá-los, elevá-los e torná-los forças vitais afirmativas.

Essa é a proposta de Nietzsche que concorda com as ideias contributivas do trabalho ideal de muitas correntes filosóficas, de Rumi à Marx.

O ser humano se enganou quando quis possuir, explorar e dominar sem limites. Isso não trouxe satisfação, muito pelo contrário, levou à destruição de si e da Terra.

A hora agora é de derrubar as barreiras que nos separam da comunhão com a vida.

Escreva LIVRE e concorra a uma sessão pré-diagnóstica de identificação de padrão e paixão.

#sociedadedodescarte#trabalhocompaixão#porumavidadeverdade

Expatriada: deu tudo certo, mas seu coração está em casa?

Você se desapegou da vida no Brasil, levou somente o essencial na mala pra construir uma vida a partir da sua essência fora do país. Conquistou seu espaço em um mercado ultraexigente e alcançou um patamar financeiro que você não imaginava que poderia e que a maioria considera o topo do sucesso. Hoje, você colhe os frutos de um bom faturamento ou salário em moeda forte e uma trajetória internacional admirável.

Mas, quando você está consigo mesma, você percebe que não está estável como parece, pois o sucesso financeiro divide espaço com a exaustão e o questionamento: onde eu estou aqui?

A carga mental de performar sem trégua, somada à solidão geográfica e à falta de rede de apoio, faz você apenas fazer, sem ser. As janelas de tempo com a família e amigos foram sacrificadas pelos fusos horários. O cansaço estranho na segunda-feira de manhã deixa claro que o dinheiro já não preenche o vazio de propósito. “Pra onde estou indo?” Você não sabe responder.

A direção que te conduziu pra fora agora falta e você sente urgência de voltar a ter o comando do seu tempo e da sua vida. Há um desejo que sussurra pra você usar toda a bagagem que adquiriu para fazer algo que, de verdade, importe para o mundo. Você sente essa vontade de canalizar sua energia e potencial para algo que te mova por dentro, algo que seja autêntico e apaixonante pra você e que, ao mesmo tempo, seja uma demanda do nosso mundo tão necessitado de mudança. Construir algo genuinamente seu, com total liberdade geográfica é o novo sonho… Mas o medo paralisa. Como abrir mão de uma estrutura que está funcionando e te mantém segura? Como se desapegar dos bônus, dos planos de saúde, dos benefícios ou da estabilidade de um negócio que você levou anos para estruturar?

Eu sei que a sua transição não começa em um plano de negócios. Ela começa no acolhimento do seu momento de vida, na gestão desse medo e no desenho de uma estratégia segura. Falo isso como alguém que já morou fora e que, em breve, irá partir novamente, e falo isso a partir da minha experiência nômade com filhos, dos meus dez anos de prática em psicoterapia clínica com profissionais expatriadas e do meu trabalho com projetos ODS da ONU.

O seu conhecimento global e o autoconhecimento que você adquiriu vivendo essa experiência inestimável que é morar e trabalhar fora do país é o seu maior ativo e você sabe disso. Portanto, não há qualquer necessidade de ficar presa a uma estrutura exaustiva para manter o seu padrão de vida e a sua segurança financeira.

Há uma antiga máxima que afirma que “o amor é a casa”, por isso, você só se sentirá em casa quando o amor estiver fluindo de você.

Qual será o próximo capítulo do seu legado? Se você está pronta para desenhar essa transição com segurança emocional e estratégica, o Método AMADA foi feito para você. Envie-me uma mensagem privada (DM) com a palavra TRANSIÇÃO para conversarmos sobre o seu momento e desejo de transformação.

#Expatriadas #MulheresLideres #CarreiraInternacional #TransicaodeCarreira #EmpreendedorismoFeminino #MulheresCorporativas #MetodoAMADA

Marketing perverso não é modelo pra quem é do bem

Você não precisa seguir todo e qualquer empresário, marketeiro ou líder só por conta dos seus resultados.

O marketing perverso vende quando não tem que vender.
Vende quando é momento de focar no coletivo, não no interesse próprio.

Vende na saúde…

Vende na doença…

Vende até a filha…

O perverso não considera o outro, USA-O.

Não respeita os limites do bom senso, da boa educação…

Se isenta de qualquer responsabilidade, porque lhe falta humanidade…

Por mais que seus resultados sejam cobiçosos…

Vale segui-lo para “ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma”?

Para não se deixar seduzir por esses falsos modelos de abundância, é preciso remover esses padrões que te conectam a pessoas “desalmadas” e descobrir a sua própria fonte, dentro de você.

Está pronta pro seu protagonismo?

Coronavírus: o exterminador do consumismo

Quando os canais de Veneza amanheceram claros e cheios de peixes (até cisnes voltaram pra lá), pelo vazio da multidão costumeira de turistas na cidade, o mundo percebeu a bênção por trás do mal Covid-19 para a humanidade.

Os shoppings estão fechados e não há mais onde desfilar as roupas, sapatos e acessórios de grife, pois o que mais usamos são roupas confortáveis de ficar em casa e pantufas, chinelos ou pés sem sapatos. Somente o necessário. Pra quê tanto comprávamos? Consegue ver por qual ralo o seu dinheiro escorria?
As viagens adiadas, mantém o dinheiro à salvo – que não servirá nem mesmo para pagar o melhor atendimento médico particular, pois logo a saúde o dinheiro não poderá comprar. O dinheiro já não pode comprar quase nada, porque há pouco onde ir e onde mostrar, e é bom salvá-lo, porque não se sabe o que será da economia.
Falando em economia, de repente, se fez tão óbvio zerar os impostos para adquirir os produtos mais necessários para a saúde geral… algo que sempre deveria haver sido óbvio. Mais importante do que ganhar sobre a saúde, hoje, é preservá-la.
Com a economia forçada de combustíveis, a natureza está nos mostrando que seres são os que realmente parasitam o planeta. Estes dias, a NASA divulgou duas imagens de satélite comparativas, retratando a qualidade do ar na China, em 20 de janeiro e em 25 de fevereiro deste ano, detectando reduções drásticas de dióxido de nitrogênio sobre o país.

Os carros estiveram todos nas garagens primeiro na China e agora vão entrando de férias pelo mundo todo, poupando o ar de poluentes e as nossas narinas. Onde é que estávamos indo tanto que, pudemos deixar de ir sem estar nos custando a vida? Foi o fato de ficarem em casa, que salvou as vidas de muitos chineses e o fato de cada vez mais pessoas terem que ficar em casa, sem poder utilizar veículos é que está salvando a vida do nosso planeta e de nossas futuras gerações.
Falando sobre nossas narinas, nunca estivemos tão atentos a elas, ao que é importante e que entra por elas – o que não inclui os perfumes importados, mas os microorganismos que não fisgam o olfato. Está sendo mais agradável sentir cheiro de desinfetante no ar, ter água sanitária na despensa e ver nosso vizinho de banho tomado, do que sentir o perfume francês do namorado.

Enquanto a humanidade está sem consumir e poluir em quarentena, o planeta Terra se reequilibra!

Até os prazeres comestíveis estão mais modestos. Afinal, pra quê sair pra comprar 100 gramas de presunto se isso pode custar sua infecção e a vida da sua família! Há mais criatividade na cozinha. Com uma batata se faz uma canoa (recheada com patê) e a gente não sabia!
Mais importante do que preparar a sala para receber as visitas, é abrir espaço pra montar quebra-cabeças com a filha. Não dá pra se distrair mais comendo porcaria, melhor pensar na saúde e comer o que fortifica.
Quantos hábitos inúteis mantínhamos! Quanto desequilíbrio ambiental à toa causávamos! Lembro-me, com vergonha, das tantas vezes que usava o carro pra “tomar um café” ou “dar uma voltinha”. “É rapidinho. Pra quê ir à pé?” Agora faço exercícios nas escadas do prédio para poder usar as pernas. Usar as pernas é importantíssimo e ficou restrito a um espaço reduzido. Academia sempre foi luxo! A onda, agora, é ginástica no chão da sala.
Até mesmo as instituições escola e empresa estão em questão: vale a pena tanto tempo, custo e vida nessas guaridas? Parecia tão imprescindível levar os filhos para ficarem reclusos em outro lugar aprendendo tão pouco e tão torto tantas vezes. Parecia impossível fazer o trabalho do escritório em casa. Hoje, já se torna uma grande questão.
Pra amanhã, combinei com a minha filha do meio de fazermos ginástica na sala, pintarmos uma tela juntas e jogarmos xadrez. Estou animada para fazer esse monte de coisas em casa com ela, que eu nunca imaginaria que coubesse num único dia… quando a gente tira o que não importa, sobra tempo para a vida!
COVID-19 está nos ensinando qual é a real prosperidade, qual o real avanço para a humanidade!
Santo Coronavírus: o padroeiro dos consumistas perdidos!

Eu, mãe solo de três, puérpera, longe da família e feliz

Por conta de tantas indagações e pedidos de conversa é que decidi explanar um pouco mais sobre minha condição e sobre as minhas conclusões e escolhas de mãe solo de três, que vive longe da família de origem.

Quase todas às vezes que saio com meus três filhos, ouço frases do tipo:

“Os três são seus? Como você consegue?”

“Eu não conseguiria, já sofro com um!”

“Meus Deus, que escadinha!”

“Ah, mas é bom porque cresce tudo junto né?”

“Agora parou né? Não vai querer mais, ou vai?”

Imaginem se soubessem que moro sozinha com os três, há mais de três horas de distância da família. Quando sabem, vem mais uma enxurrada de comentários:

“Mas você não tem medo?”

“Mas, e se acontece alguma coisa?”

“Tem hospital bom onde você mora?”

“Você não tem empregada todo dia!”

“Como você é corajosa!”

Na maioria das vezes eu tenho a boa vontade de compartilhar um pouco da minha realidade, afinal, não é uma curiosidade ruim, as pessoas querem aprender algo com a gente, querem entender como é possível vivermos felizes com certas dificuldades. Mas às vezes cansa, confesso, porque isso acontece em quase toda saída… coisas de Brasil. E, quando eu respondo breve (geralmente quando as questões não são feitas de forma amorosa), dificilmente contenta, mas daí quem tem que se contentar sou eu, né? 😉

O que eu gostaria de deixar claro é que o trabalho de uma mãe, principalmente a de crianças pequenas, como eu, é o maior trabalho do mundo (os motivos eu deixo pro vídeo abaixo), então, mais do que questionar, aproveite a oportunidade para auxiliar, para por em prática sua gentileza, seja puxando um carrinho no mercado enquanto a mãe segura o filho no colo (e mais dois no braço, no meu caso), seja dando o lugar na fila, porque embora seja lei, não é unanimidade (principalmente quando “falta” a fila preferencial ou quando não há fila, mas tumulto). Tenho a sensação de que algumas pessoas, ao ficarem questionando ou julgando as mães por aí afora, propositalmente (algumas inconscientemente), perdem a deixa para ajudar, ou arranjam motivos para não fazê-lo (“quem mandou ter três”, “quem mandou separar”, “por que não deixou na creche?”, “aqui não é lugar de criança”, etc). Ficar questionando demais ou fingir-se de morto, claro, cansa bem menos do que dar uma mãozinha, levando o carrinho do mercado de volta, por exemplo, e não toma nosso tempo tão curto com problemas que não são nossos, não é mesmo?

Sobre ter três filhos e de idades próximas, eu acho um fato inquestionável, mas muita gente questiona ou me considera “insustentável”, (mesmo eu tendo com eles uma vida que vai ter que compensar a metade do carbono da vida de muito adulto ou criança de classe média/alta de cidade grande), mas eu não ligo. Desde criança me imaginava uma mãezona de três amamentadora, com leite pra dar e vender e com uma família agitada e feliz. Se vou ter mais? Não penso nisso, mas sempre me aqueceu o coração a ideia de adoção… quem sabe.

Sobre morar longe da família, que está em São Paulo, eu acredito que a qualidade de vida de quem mora no litoral norte do estado, não tem preço (concordo com Caymmi quando cantava que “quem vem pra beira do mar nunca mais quer voltar”). Outro ponto, que quem já morou em São Paulo sabe, é que se você não mora perto da família, bem perto aliás, tipo, no bairro, é como se vocês morasses em cidades distintas, porque atravessar a cidade leva tanto tempo e estresse no trânsito, que pra ver parentes ou amigos que moram em outra zona da cidade, você tem que fazer uma baita programação com antecedência, isso, quando não falhamos, porque vida muito urbana nos consome.

Então, prefiro viajar pra Sampa uma vez ao mês com os três que tá ótimo. Visitamos todo mundo e eu tenho uma folguinha pra mim, porque sobra atenção pra eles.

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Meu trio na casa da vovó. Julho/2015.

Algumas vezes eu cheguei a pensar que poderia ser mais fácil se eu voltasse a morar perto da minha mãe, mas, pra isso, eu teria que pagar o preço de viver alarmada com medo da violência nos semáforos, teríamos que morar em apartamento e abdicar do espaço, teríamos que nos confinar às áreas comuns do condomínio e viver muito tempo dentro de um carro, pra ir de um lugar a outro, não teria liberdade em qualquer rua com as crianças e teria que morar, literalmente, do lado, pra ter essa “mão” no dia-a-dia (o que eu não acho legal pelo que enumerei até aqui ) ou nos veríamos apenas nos finais-de-semana, sendo assim, pra quê morar em São Paulo? Isso sem falar na diferença do ar, do ollhar, do mar…

Sobre a questão da segurança e da saúde eu garanto que quem mora na praia sofre muito menos com isso. Moro em um pequeno condomínio fechado, não por segurança, mas porque tem uma grande área gramada, lugar de sobra para a minha horta/pomar/plantas em vaso e para as crianças brincarem, é claro. Sobre assistência médica, não temos hospital bom na cidade, mas… não temos a violência das grandes cidades nem temos a parca qualidade de vida que adoenta muito mais, então…

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Estelinha. Fim de tarde na Praia de São Francisco, São Sebastião. Outubro/2015.

Quanto a morar em cidade pequena, sempre me falam “ah, mas não tem TUDO na sua cidade! Você não sente falta de NADA?”. Primeiro que “tudo” e “nada”, neste caso, são conceitos bem relativos. O que é tudo pra mim, como ter o mar ali ao lado, pode ser nada pra você que prefere ter uma farmácia na esquina de casa, o que é nada pra mim. Mas, nessa situação, eu prefiro responder expondo a realidade: que mal vou ao centro de São Sebastião, porque do lado de casa tem mercado, padaria e praia. Falta alguma coisa? Nem de farmácia eu preciso, porque não consumimos fraldas descartáveis e lencinhos, esse tipo de coisa que faz a gente ter que sair de pijamas pra comprar quando acaba. Fora que a cidade é pequena, então o centro tá logo ali, há 2 km. Quando procuro algo diferente, muito peculiar, eu providencio quando viajo. Mais uma desculpa pra viajar sempre. 🙂 Mas, no nosso dia-a-dia, falta nada. Hoje em dia tem de tudo em cidades pequenas e os pequenos produtores e comerciantes locais divulgam pela web seus produtos: essa vitrine virtual focada em nichos, equilibra bem a demanda e a oferta frente aos desejos dos consumidores locais.

Sobre a questão do “meu Deus, você sozinha com três crianças pequenas! E se acontece alguma coisa?” Ora, se acontecer alguma coisa eu grito, temos telefone, ligamos pra polícia, Samu e a turma toda da emergência. Fora que os vizinhos de cidades pequenas são muito mais próximos, muito mais disponíveis pra qualquer auxílio. O que eu não posso, na minha concepção, é viver sem qualidade de vida por ter medo de que algo extraordinário aconteça. Abandonei, gradativamente, nos últimos anos, essa necessidade urbana de buscar segurança material em excesso, principalmente por ser uma necessidade urbana, portanto, que não se aplica tanto mais a minha realidade caiçara.

Outro ponto que eu venho concebendo sobre esse excesso de proteção é que isso, na verdade, é uma ilusão. Ninguém está a salvo e quanto mais a gente se protege da morte, menos a gente vive. Em cidades grandes, grande parte do dinheiro vai para a proteção (dos bens e da vida): estacionamento, condomínio, seguros diversos, locais seguros, segurança de rua etc. Daí as pessoas trabalham muito pra pagar o aparato todo, isso quando não empata ou falta, e aí? Você usou uma boa parte do seu precioso tempo de vida trabalhando para conseguir capital para investir na proteção de si mesmo e dos seus pertences e nada mais, na verdade você não protegeu sua vida, você acabou com ela se protegendo a morte, que já é uma realidade pra você. Porque quanto mais coisas você tem, mais tempo você tem que perder para assegurar que elas continuem sendo suas. A vida é agora, sempre. Viver é Ser, não ter.

Outra coisa que eu aprendi com a minha situação de mãe solo de três é a parar de me vitimizar. Se é difícil pra mim, é mais difícil pra um monte de gente em outras diversas situações mundo afora, com certeza. Sou grata a tudo o que somos e temos e eu estou vivendo exatamente o que eu escolhi pra mim, assim como todo mundo… questão de fé. Outra coisa, nada é para sempre e, se nos animamos, tudo tende a melhorar mais rápido. Quando a gente para de se vitimizar, a vida fica inigualavelmente mais leve e alegre e bons ventos sopram muito mais.

Quantas vezes eu não pensei “Meu Deus! Nunca me imaginei nessa situação! Não é justo! Não mereço isso!” e muito mais pensamentos na mesma vibração, mas sabe o que esses pensamentos faziam? Me feriam, cada vez mais, e passei a perceber que o problema não estava na realidade em si, mas no que eu pensava sobre ela. Pensamentos plasmam. Não-mente me salvou. Orai e vigiai.  A minha realidade é que tenho filhos iluminados e amorosos, meus grandes professores, e, sem incorrer no erros da infantolatria e do autoritarismo, crescemos juntos e somos cada vez mais amor.

Tem uma antiga história Sufi, contada por Osho em seu livro Coragem: o prazer de viver perigosamente, que ilustra bem essa questão escolha/vitimização:

“Um homem estava muito oprimido pelo seu sofrimento. Ele costumava orar diariamente a Deus, “Porque eu? Todos parecem ser tão felizes, porque só eu estou sofrendo tanto?” Um dia, em grande desespero, ele orou a Deus, “Você pode me dar o sofrimento de qualquer um outro e estou pronto para aceitar isso. Mas leve o meu, não posso mais suportá-lo”.

Aquela noite ele teve um belo sonho, belo e muito revelador. Ele sonhou naquela noite que Deus aparecia no céu e dizia para todos, “Tragam todos os seus sofrimentos para o templo”. Todos estavam cansados de sofrer – na verdade todos tinham orado alguma vez ou outra, “Estou pronto para aceitar o sofrimento de qualquer um outro, porém leve o meu sofrimento, é demais, é insuportável”.

Assim todo mundo colocou seu próprio sofrimento em sacolas e levaram para o templo e todos pareciam muito felizes; o dia havia chegado, suas preces foram ouvidas. E esse homem também correu para o templo.

E então Deus falou, “Coloquem suas sacolas na parede”. Todos as sacolas foram colocadas na parede e então Deus declarou: “Agora vocês podem escolher. Podem pegar qualquer sacola”.

E a coisa mais surpreendente foi: que esse homem que tinha estado sempre orando, correu em direção a sua sacola antes que alguém mais pudesse escolhê-la! Ele contudo, ficou surpreso porque todo mundo correu para sua própria sacola e todos estavam contentes com a escolha. O que aconteceu? Pela primeira vez, todos viram a miséria dos outros, o sofrimento dos outros – as sacolas deles eram tão grandes, ou até mesmo maiores!

E o segundo problema era, as pessoas tinham se acostumado com os seus próprios sofrimentos. E agora escolher o sofrimento de outra pessoa – quem sabe que tipo de sofrimento estará dentro da sacola? Pra que se incomodar? Pelo menos você está familiarizado com o seu próprio sofrimento e você já está acostumado com ele, e ele é suportável. Por tantos anos você o tolerou – porque escolher o desconhecido?

E todos foram para casa felizes. Nada havia mudado, eles estavam trazendo o mesmo sofrimento de volta, mas todos estavam felizes e sorridentes e alegres porque conseguiram suas próprias sacolas de volta.

Pela manhã ele orou para Deus e disse, “Grato pelo sonho; nunca mais pedirei novamente. Tudo que você me tem dado é bom para mim, tem que ser bom para mim; eis porque você me deu isso”.”

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Nossa praia. Pontal da Cruz, São Sebastião. Junho/2015.

Uma amiga da Roda de Mães de São Sebastião um dia comentou comigo “ás vezes dá uma preguiça de vir pra roda, daí eu lembro de você e penso, ‘não, que isso, se a Mari vai com três porque eu não vou com a minha única?!'”. De outra irmãe eu ouvi também: “às vezes eu acho que não consigo mas daí eu penso ‘a Mari com três consegue! tenho que conseguir!'”.

É bom quando as pessoas se inspiram em nós, eu, também, me inspiro muito nos exemplos próximos. Sempre tem alguém com um fardo “maior” ou podemos pensar que cada um de nós carrega o que pode e decide carregar. Quando fica pesado eu peço ajuda, temos que pedir, de nada vale nos sacrificarmos e perdermos o brilho no olhar, a presença no presente.

Laura Gutman, em seu livro La Biografía Humana: una nueva metodología al servicio de la indagacion personal, me trouxe uma luz muito fortalecedora nesse processo de aceitação da maternidade solo, quando diz que:

não importa se nossa mãe (ou cuidadores) ‘fez tudo certinho’. Não importa se foi uma mãe fenomenal, calma, paciente, sacrificada ou justiceira. O que os filhos necessitam para criar seres alinhados com seu ser essencial e em profunda conexão consigo mesmos, é que seus cuidadores compreendam a si mesmos. Se não tivermos cuidadores adultos e maduros, conscientes de seus próprios estados emocionais e sua história, essa sabedoria não será derramada sobre as crianças. Por isso, é pouco provável que as crianças quando cresçam olhem para suas vidas em estado de total consciência.

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Encontro da Roda de Mães de São Sebastião. Junho/2015.

Falando nas amigas-mães, lembro de outro ponto importante na jornada solo das mães: a força dos grupos. Virtuais ajudam, presenciais salvam. A Roda que criamos na minha cidade atual me salvou muitas vezes no puerpério sombrio, lembrando que o fundo do poço é um perigo, mas também, (e, como diz minha mentora Paula Abreu) é libertador. Por isso que, tudo bem a gente ir até o fundo do poço, que é uma viagem quase que inevitável para grande parte das puérperas, mas tente não ficar sozinha por lá, pelo menos, não por muito tempo. Encontre outras mães, principalmente que também estão na fase sombria e as ajude, sim, ajude, porque até quando estamos lá no fundo, podemos ajudar, e, verificar essa nossa capacidade de ajudar alguém quando estamos na pior é que nos tira da pior, é o que faz começar a subir a cordinha que irá nos tirar do fundo do poço e nos levará para a situação de clareza.

E sempre siga o conselho de Frida: “onde não puderes amar, não te demores.”

Gratidão por ler! Com estimas de uma vida cada vez mais genuína pra você!

 

 

 

Acabe com o EXCESSO que acaba com a VIDA do seu bebê

Basta a gente saber que um bebezinho está a caminho que já começamos a ir atrás daquele monte de coisas dispendiosas que ele “precisa” para viver bem cuidado, não é mesmo? Afinal, somos mães e pais zelosos que desejamos o melhor para os nossos filhos. Porém, em vez de buscarmos, cada vez mais, uma conexão maior com o ser amado, que viaja durante 9 meses dentro de nós para aportar neste mundo, vamos, semana a semana, montando um universo com menos possibilidades para ele, lotado de coisas inúteis e sem significado, que interrompem o horizonte do seu olhar e seu caminho ao se movimentar.

Como um ser tão pequeno, que mede em torno de meio metro e pesa, em média, pouco mais de três quilos, pode, antes mesmo de neste mundo chegar, já “exigir” um enxoval de milhares de reais? Como um recém-nascido que só quer colo, mamar, dormir, afeto, coisas básicas que todo mamífero precisa, “exige” tanto?

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Na verdade, não, ele não exige nada, nós é que pensamos, erradamente, que nosso bebê precisa de toda essa parafernália que a indústria, o senso comum e a tradição social dizem que precisamos, de algum modo, providenciar.

Ter uma vida abundante junto ao novo integrante da família significa que não vamos entulhar nossa nova vida em família com um monte de coisas que só nos tomam tempo e dinheiro desnecessariamente.

Precisamos de muito dinheiro para investir em toda a estrutura que dizem ser necessária para o bebê, precisamos dedicar nosso precioso tempo de vida para organizar e limpar esse monte de coisas novas, muitas inúteis, e precisamos de espaço para dispor as baby tralhas todas, tarefa difícil na era dos “apertamentos”. Tarefa cruel aos que têm pouco tempo para estar com os filhos.

“Excesso de facilidades certamente traz excesso de dificuldades.” Lao-Tsé

Na verdade, preparar uma vida abundante, em que o bebê tenha todo o conforto que merece, significa que vamos preencher seu universo com coisas necessárias para que sobre espaço, dinheiro e tempo, o luxo maior de nossas vidas, para o que realmente importa, afinal, o que é mais importante do que presença na vida de uma criança?

O excesso de coisas não é sinal de riqueza, é falta de vida. 

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No artigo Bebê Livre de Consumismo, questionei o que um bebê realmente precisaria para viver bem e quais benefícios teríamos se evitássemos que nossos filhos, desde bebês, ingressassem num modo de vida consumista, entre outras reflexões.

Mas, apenas refletindo sobre os objetos que irão compor os cenários da nova vida em família, o que você, mãe/pai de primeira viagem,  pode fazer para livrar seu bebê do excesso de coisas, já que você não tem experiência do que ele realmente precisa? Como fazer o enxoval com o estritamente necessário para os primeiros meses de vida? Será mesmo que um bebê, com necessidades tão básicas, precisa de todo o sobejo propagandeado pelo mercado?

“O excesso de um grande bem torna-se um mal muito grande.” (Jean-Pierre Florian)

O primeiro passo é desconfiar. Desconfie da sua avó, da sua mãe, da sua tia, e também da sua sogra e das suas amigas mais íntimas e de todos os homens da sua família. As gerações anteriores já foram criadas na sociedade consumista, ouvindo, por exemplo, que existe leite materno fraco e que leite bom tem marca, que pra parir sempre precisa de médico e de hospital e que cosméticos para bebês são uma maravilha. Então, desconfie!

Outra postura libertadora é nunca, nunca mesmo, confiar na publicidade, porque o único objetivo dela é o de promover o consumo. Antes também, de confiar em fontes aparentemente imparciais, verifique se tais fontes não ganham dinheiro com publicidade de produtos do gênero (como certos blogs que pretendem “orientar” as calouras da maternidade sem deixar claro o que é publicidade do que não é).

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Você confia nessa publicidade? Embora, atualmente, as mensagens publicitárias sejam mais subliminares, o objetivo dessas continua o mesmo: despertar o desejo de consumo de algo desnecessário, e, às vezes, prejudicial.

Antes, sobretudo, de dar um passo em direção ao consumo, tenha a certeza de que o necessário para você e seu bebê é o necessário para você e seu bebê somente, ou seja, cada experiência mãe-bebê (e pais presentes também) é única, assim, cada família tem suas necessidades específicas de produtos para essa fase fusional, que é muito subjetiva.

Uma dica: quando ficar em dúvida da utilidade de algo, reflita se esse algo vale o tempo e o espaço da sua vida e do seu bebê que ele vai tomar. Por exemplo, seu bebê precisa mesmo de um trocador ou seria melhor ganhar o espaço desse trocador para que sobre área para vocês dançarem juntinhos?

Reflita, acima de tudo, no que VOCÊ gostaria que compusesse os ambientes que VOCÊS irão habitar, sem sequer lembrar do que os OUTROS dizem ser necessário. O que vocês consideram útil e agradável que haja?

Quando você desejou (ou irá desejar) ser surda

Ouvia tanto que meu bebê deveria mamar de 3 em 3 horas, como se ele fosse uma maquininha, e que eu conseguiria sim fazer home office full time e ainda cuidar dele, e que se ele “não deixava” era porque eu o mimava dando o peito a toda hora, então eu vivia estressada, tensa, principalmente porque, também, não dormia, porque também me diziam que ele tinha que dormir no quarto dele, no berço dele, longe de mim, então ele não dormia e eu, idem, até o desmame.

Para a nossa sociedade, o consumismo é a solução para maternar entre machismo e desconexão.

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Fernandinho de olho no móbile, com dois meses de vida. Maio/2009.

Maternar, que me diziam, era entreter ele como eu podia para que, segurando-o num braço e digitando com o outro, eu pudesse trabalhar, como boa mãe de família. E, em vez do respaldo das mulheres da família, como outrora acontecia, me diziam para dar-lhe chupeta que o acalmaria, mamadeira quando eu demorasse fora, para que utilizasse mobiles, para ele gostar do berço e ursinho ou paninho pra ele agarrar e dormir sem a minha companhia. Ah, e claro, vídeos animados “para bebês” no início das “papinhas”, para que ele ficasse “fortinho”.

Em suma, o mercado lhe daria a mãe que eu não poderia ser porque antes de ser mãe, eu tinha que ser máquina, gerar renda além de gerar um filho, gerar renda além de criar esse filho, relegar ao entretenimento com produtos a sua companhia.

Cada um tem a sua experiência de consumo com seu bebê, cada mãe/pai é única(o), cada bebê também, assim, cada mãe/pai-bebê tem suas necessidades particulares, desse modo, narro adiante alguns pontos da minha experiência com produtos para bebês, dizendo o que considero útil ou não e como deixei de consumir produtos que sempre foram ou que se tornaram dispensáveis pra mim, nos cuidados com meus bebês, para servir de inspiração a todos os presentes e futuros pais que querem, além de filhos mais libertos e felizes, uma relação com mais espaço, menos entulhada de coisas desnecessárias.

O excesso de coisas no universo infantil causa poluição visual e sonora, superestimula o bebê e superpovoa seu imaginário, abafando sua capacidade criativa, já que não há espaço para criar. Assim, os bebês ficam agitados, com sono comprometido e irritados quando não entretidos com algo, pois não sabem lidar com o vazio, com o tédio.

Antes, gostaria de deixar claro que de um filho para o outro também mudamos o que consumimos. Quem tem mais de um filho sabe muito bem que não usou exatamente as mesmas coisas com um e com outro, mas todas as mães têm a plena certeza de que, com a experiência, adquirimos praticidade e, consequentemente, menor necessidade de consumir produtos que “facilitam” (ou não) a nossa vida. Não estou falando aqui do caso de crianças com necessidades especiais, que envolve um tipo diferenciado de consumo, do qual sou totalmente leiga.

Abaixo tem três textos sobre o que é ou não necessário em termos de produtos, segundo a minha experiência. Basta clicar do lado direito no sinal de + para abrir.

O que te dizem que seu bebê precisa

Mães e pais de primeira viagem sofrem no bolso. O que não ganham no chá de bebê e “têm” que comprar é muita coisa. Berço, moisés, carrinho, bebê-conforto, cadeirão, só pra citar alguns dos produtos mais caros. Fralda de pano, toalha-fralda, fralda de boca, babador, cueiro, roupa de cama (até saia pra berço inventaram), só pra citar o excesso de panos. Falando nisso tem a vestimenta,  um montão de roupinhas minúsculas no tamanho e grandes no preço que serão usadas por poucos meses, talvez nem isso, sapatos desnecessários, já que o bebê só terá necessidade deles após aprender a andar, mas que irão estar lá entulhando seu guarda-roupas e sua mente até que você use os benditos uma única vez e se livre daquilo.

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Fernando no tapete de atividades, que eu considerava essencial. Maio/2009.

Sem falar em tudo ligado à amamentação e alimentação, como mamadeira, bico de mamadeira, escova para lavar mamadeira e pote térmico para guardar mamadeira, itens que a mãe que vai amamentar nunca irá usar, apesar de sempre ter alguém pra dizer que precisamos. Chuquinha ou mini-mamadeira, pra dar chá ou suco, muitas mães, como eu, nunca darão, porque após os seis meses de aleitamento exclusivo é mais indicado utilizarmos copos de transição, aqueles com bicos um pouco moles no início da introdução alimentar, para o bebê não machucar a gengiva, e mais rígidos após, que servem apenas para não derrubar muito o que estão bebendo.

Fora o resto, um montão de coisas como acessórios para segurança, potinho pra algodão, pra cotonete, pra água morna, garrafa-térmica, pendurador de chupeta e chupeta (que nunca chupará ou que será obrigado a gostar porque alguém falou que esse hábito acalma o bebê, como se os bebês não preferissem que pessoas o fizessem). E os brinquedos então? E tudo o que é feito para entreter, como tapetes de atividades e móbiles, porque se diz que é certo estimular o bebê a toda hora e não o fazer seria sinal de desamor… mas não. E por aí vai, inúmeros itens de consumo.

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Ana Julia bebendo suco no copinho de transição. Julho/2013.

Lembro-me de ter pedido auxílio para minha cunhada para me ajudar a fazer a lista do chá de bebê do meu primeiro filho, com base numa lista que imprimi de um site qualquer. Ela pegou a lista da minha mão e começou a riscar e dizer: “isso aqui você precisa, isso aqui não…”. Tudo bem! OK! Mas já desconfiava que nossa experiência não seria muito parecida. Mamadeiras, por exemplo, que ela me disse para pedir, eu sabia que nunca usaria e os cueiros que ela riscou porque nunca usou, eu sabia que usaria, pois tinha usado muito na minha experiência como babá fora do Brasil.

Alguns produtos praticamente indispensáveis como fraldas descartáveis, lencinhos umedecidos e pomada para “prevenção” de assaduras, já estão em cheque, anti-ecológicos ou prejudiciais à saúde, são, em suma, insustentáveis.

Só utilizei garrafa térmica, para preservar água morna para embebedar o algodão e usar nas trocas, com meus dois primeiros filhos, com minha terceira, agora, não, pois tivemos um ano de muito calor e ela já tem nove meses… não foi necessário. Em casa criei o hábito de lavá-la no chuveiro mesmo, rapidinho, em cada troca, algodão só usei bastante nos primeiros meses. Ou seja, economizei muito tempo ao não ter que me dar ao trabalho de todos os dias esquentar água e colocar na garrafa (que nem adquiri), e dinheiro, pois não tive que comprar pacotes e mais pacotes de algodão. Claro que, com o tempo frio, garrafa térmica e algodão são necessários pra sair de casa com o bebê, mas do contrário, acho pura tralha.

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Estela de fralda ecológica: descartável só em viagens. Agosto/2015.

Pomada para “prevenção de assaduras” é outro produto que aboli já com minha filha do meio, pois percebi que era devido ao seu uso que a pele não tinha a resistência necessária para não assar. Conto isso melhor aqui.

E há, claro, a fralda ecológica, tanto a de pano reutilizável, quanto a descartável mas com materiais biodegradáveis. Ao saber que um bebê gasta em média  5 mil fraldas desde o nascimento até o desfralde, que demoram mais de 400 anos pra se decompor, decidi que iríamos nos adaptar, pois não queria deixar um legado de mais de 10 mil fraldas pro mundo, que é o que já deixei até o momento.

Só não usei fraldas de pano desde meu primeiro filho por puro desconhecimento do produto e por tanto ouvir as lamúrias da minha mãe, tias e avós (“na nossa época só tinha fralda de pano, não tinha essa maravilha!”). Fraldas de pano são muito melhores que qualquer fralda descartável, pelos motivos: não vasa, absorve mais, portanto, troca-se menos (economia de tempo, água e produtos para lavagem), previne assaduras, pois o tecido em contato com a pele é mais saudável que materiais plásticos, dispensa o uso de cremes e pomadas de prevenção de assaduras; ecológico.

“Todo excesso traz, em si, o germe da autodestruição.” (Aldous Huxley)

O que seu bebê não precisa

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Exemplo de quarto de bebês para adultos.


Quarto de bebê para adultos
, com móveis demais, decoração pastel, quadrinhos e papel de parede na altura dos olhos dos adultos e outras tantas decorações e itens inúteis que o bebê nem sequer irá notar.

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Exemplo de quarto montessoriano.

No quarto montessoriano, por exemplo, o berço, que parece algo ultra necessário, é dispensável. Caso o berço seja o que você tenha escolhido para o seu bebê, certifique-se de comprar um de acordo com as normas do Inmetro, pois há risco de acidentes e sufocamento em berços inadequados. (Saiba como escolher um berço seguro) 

A Estela tem o berço que era da Ana Julia, que ganhou da vovó, mas serve mais como trocador, já que fazemos cama compartilhada.

Falando em trocador, hoje em dia estou tão prática, que nem trocador temos. A Estela é trocada em todo lugar,  na cama, no sofá e até no colo. Mas, caso você deseje ter um trocador, escolha um que seja seguro, a maioria não é. O próprio berço com a grade rebaixada é mais seguro para trocar o bebê do que aquele tipo de trocador que vem com a banheira embaixo e tem mais de 1 metro de altura. Num leve impulso do bebê o tombo é grande e o estrago pode ser maior ainda. Vale assistir a matéria.

Outra coisa que seu bebê não precisa é de muitos cosméticos. Hidratantes, óleos corporais, perfumes e afins são totalmente dispensáveis, não somente por serem supérfluos, mas principalmente, por agredirem a pele do bebê e tirarem do seu bebê aquele aroma incrível, divino e natural, inenarrável, que só tem quem acabou de chegar  do céu. O único cosmético que seu bebê “civilizado” precisa é de sabonete líquido, e bem pouco, já que até que possa começar a se movimentar e a se alimentar com sólidos, o que só ocorre após os seis meses de vida, ele só terá contato com o que levarmos até ele, ou seja, ele quase não se suja.

Minha filha mais nova acabou de completar 9 meses e só utilizou dois frascos de sabonete líquido. Isso porque acordei para um fato com o pediatra e neonatologista humanizado que acompanhou minha segunda filha no parto, o de que bebê novinho não precisa de sabão em excesso, porque não tem sujeira. Ele me orientou a usar sabonete somente quando percebesse oleosidade em excesso no cabelinho nos primeiros meses. Como ela levou um mês trocando de pele, eu dava muito banho com chá de camomila (fazia um copo de chá com 3 sachês e despejava no ofurô).

Me disseram que meu primeiro filho precisaria de chupetas e lhe deram várias, pois achavam que ele “mamava demais” e que chupeta o faria parar de “chupetar” a mim, mesmo eu dizendo que ele não pegava. Na verdade, eu não lhe dava, pois não o queria viciado em chupeta como eu fui e achava que esse vício tinha a ver com uma falta que eu não desejava que ele tivesse. Era o que eu acreditava na época. Depois agradeci imensamente à minha intuição quando li esse artigo. Tem coisas que a gente sabe sem saber.

Com o primeiro filho achava que precisava e utilizei protetores de berço. Depois que descobri o risco potencial de sufocamento do produto, minha segunda e terceira filha se safaram desse produto perigoso, como também do excesso de roupas de cama e brinquedos de pelúcia no berço. (Saiba mais)

Sabão para lavar roupas de bebê é algo que só utilizei no primeiro mês de vida dos três, enquanto lavei separadamente as roupas deles, depois utilizei sabão em pó comum, mas pouco, para deixar menos resíduos nas roupas, lavando mais vezes se necessário.

O que não te dizem e seu bebê precisa

Tudo o que é novo, da geração presente, sua avó, mãe, tia, não conhecem, então ninguém vai te dizer que você precisa já de antemão, vai mais de você decidir experimentar tendo sabido por alguma amiga ou lido nas redes sobre a utilidade de um produto x.

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Banho no colo. Março/2015.

Segundo banho da minha filha do meio, Ana Julia, no meu quarto da maternidade. Com direito a sachês de camomila.
Segundo banho da minha filha do meio, Ana Julia, no meu quarto da maternidade. Com camomila.

Balde de banho ou ofurô para bebês é um desses produtos atuais, simples e barato que tem “n” vantagens: ideal pra o banho dos primeiros meses, ocupa pouco espaço, é terapêutico, reduzindo mal-estares pelo bebê ficar em posição fetal em meio à água (ambiente familiar, similar ao que ele ficou por nove meses) e ele se sente seguro desse modo. Meus três filhos usaram muito até começarem a andar. A Estela, com 9 meses agora, foi a única que tomou muito banho no colo também e sempre adorou. Acho que banho no colo dispensa enumerar vantagens. Agora já curte a banheira dos irmãos, que passei a usar mais após começarem a engatinhar.

Para os bebês que têm cólica, óleo de massagem (vegetal, não mineral) também é algo acessível que, associado à Shantala, pode funcionar muito mais que remédios. Muitas vezes colo e balanço (dança, conexão) resolvem o mal-estar, por isso, antes de tratar a cólica, vale refletir com o Dr. Carlos González em seu artigo utilíssimo para quem passa por esse processo. Eu passei por isso com meu filho, não com minhas filhas e dava-lhe Shantala e balanço, que nem sempre resolvia (sem calma nada ajuda), e, por duas vezes, causou-lhe refluxo, por isso, vale ler o artigo.

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Estela no carregador, com alguns dias de vida.

E, falando em bebês que têm refluxo ou que têm qualquer problema respiratório e vivem com constipação, travesseiros anti-refluxo (os inclinados grandes que podem ir debaixo do colchão ou os pequenos que servem para colocar em cima dos carrinhos e no local de troca) são outro item barato e que impedem que seu bebê vomite e engasgue e auxiliam na respiração. São bons também porque possibilitam que o bebê veja melhor o que acontece ao redor quando está em repouso, mas claro, melhor perspectiva pra ver ao redor é de um bom colo.

Sobre colo, sling ou carregador de bebês é outro item que ninguém me disse que precisaria, tanto que só estou usando com minha terceira filha, após respeitar integralmente a necessidade de colo do bebê (ou aceitar o que eu já sabia, mas que “não me deixavam” fazer) o máximo de tempo possível e a minha necessidade de ter braços com três filhos. Temos três e usamos quase todos os dias, principalmente para caminharmos ou irmos ao parque. Há diversos vídeos e artigos na internet ensinando como usá-los e falando dos inúmeros benefícios, mas atenção, pesquise fontes confiáveis de produtos que respeitam a fisiologia do bebê, pois, caso contrário, podem causar danos à saúde dele.

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Fernando e Ana, com 2 anos de idade. A caminho da festa junina da escola e do desfile de 7 de setembro. Junho e Setembro de 2014.

Com minha segunda filha só passei a usar mais o carrinho, quando ela já não era mais uma recém-nascida, após completar um ano de idade, para longas caminhadas no bairro ou até a escola do irmão; funcionava para eu carregá-la quando ela se cansasse. Com a terceira, foi usado apenas para as sonecas diurnas dela, enquanto o carrinho era confortável, grande pra ela, até uns 5 meses. Atualmente, usamos apenas quando saímos para comer, já que nem todo lugar tem cadeira de alimentação apropriada.

Dormir no quarto dos pais e de preferência com os pais é o que o bebê precisa, então moisés, carrinho, uma cama maior, que caiba pai, mãe e bebê, sem risco do bebê ser sufocado, ou qualquer caminha improvisada (leia-se um colchão no chão, como orientado pela linha montessoriana) para que o bebê possa ficar junto à mãe toda a noite, é ultra necessário.

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Ana Julinha, com quase 5 meses na cadeirinha enquanto a mamãe jogava bola com o irmão no pátio do prédio. Outubro/2012.

Cadeirinha de repouso ou balanço para antes do bebê sentar ou até ele parar de tombar (ou carrinho, ou bebê-conforto, ou o cadeirão de alimentação). Nem tudo dá pra se fazer com o bebê no sling, como cozinhar, ou dar banho no irmão mais velho, por exemplo, e o bebê não quer ficar o tempo todo deitado, ele quer te ver e ver ao redor, então uma cadeirinha (ou carrinho, ou bebê-conforto, ou o cadeirão de alimentação) ajuda muito pra te dar braços e pra dar conforto a ele.

Vinagre claro, mais sabão em pó comum, serve para lavar as fraldas de pano e tecidos com resíduos alimentares, pois o vinagre é bactericida e fungicida sem ser insalubre como o cloro. Ajuda, também, a tirar a maior parte das manchas.

 

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Ana Julia em Paraty, na nossa viagem de mãe e filha. Outubro/2013.

Seria de grande utilidade para todas as mães, pais, cuidadores presentes ou futuros que leem este texto, se você pudesse compartilhar a sua experiência também, então, conte para todos, nos comentários  logo abaixo, o que você considerou ou não necessário na experiência com seu bebê.

Gratidão por ler! Namastê!
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