Porque a APAIXONADA NATA se conecta ao NARCISISTA ou PSICOPATA

Atração fatal entre o emocional e o racional

Pessoas que costumam se apaixonar facilmente e muitas vezes são mais propensas a se envolverem com parceiros que possuem traços de personalidade associados ao narcisismo e psicopatia, é o que mostram alguns estudos.

Em dois destes, foram investigadas as reações de 450 participantes a traços de um “parceiro romântico ideal” e à atratividade de vários perfis de namoro. Os pesquisadores deram atenção especial às classificações dos traços subjacentes ao narcisismo, psicopatia e maquiavelismo: manipulação, falta de sensibilidade e comportamentos de riscos.

Não surpreendentemente, pessoas que se apaixonam facilmente eram mais propensas a serem atraídas por qualquer pessoa nas avaliações. Mas ainda mais interessante foi a associação forte e única existente com a atração por pessoas com esses traços “sombrios”.

Com o narcisismo, especificamente, o apelo inicial é compreensível. Pessoas com traços narcisistas tendem a ser extrovertidas e enérgicas. Elas estão abertas a novas experiências, o que é emocionante e útil para os primeiros encontros, e muitas vezes se sentem confortáveis falando sobre uma ampla gama de tópicos, o que as ajuda a se envolverem facilmente com novos conhecidos. Além disso, sua visão grandiosa de si mesmas muitas vezes parece confiança, e elas tendem a ser fisicamente atraentes porque passam mais tempo cuidando de sua aparência.

Porém, não necessariamente uma pessoa que se apaixona facilmente irá se apaixonar por pessoas que possuem esses traços de personalidade, e sim que isso pode acontecer com mais frequência do que outros.

Lechuga, J. & Jones, D. (2021). Emophilia and other predictors of attraction to individuals with Dark Triad traits. Personality and Individual Differences. 168. 110318. 10.1016/j.paid.2020.110318.

O Narcisismo para a Psicanálise

O termo “narcisismo” foi utilizado pela primeira vez na área da psicanálise pelo alemão Paul Nacke em 1899. Ele fez uso desse termo para nomear o estado de amor de uma pessoa por si mesmo.

Para o pai da Psicanálise, Sigmund Freud, o narcisismo é uma fase do desenvolvimento das pessoas. É um estágio em que se verifica a passagem do autoerotismo – que é uma fase em que o ego ainda não existe -, ou seja, do prazer que é concentrado no próprio corpo, para eleição de outro ser como objeto de amor. Essa transição é importante porque o indivíduo adquire a habilidade de conviver com aquilo que é diferente e amar.

De acordo com Freud, todas as pessoas são narcisistas em certo ponto, já que elas contêm em si um ímpeto pela autoconservação.

Para Melanie Klein, o narcisismo seria um instinto destrutivo. O interesse narcisista representaria uma agressão dirigida ao objeto.

Jacques Lacan também trouxe grande contribuições ao tema narcisismo. Ele explicou o que chamou de “suposição de sujeito”, quando um bebê não se conhece, mas se percebe através de sua mãe e da imagem de filho que sua mãe gostaria de ter. Vê-se que a presença do outro é fundamental para o indivíduo se perceber.

Contudo, no momento em que o bebê, já maior, observa o seu próprio reflexo no espelho, ele passa a se reconhecer na imagem refletida, que ele acredita ser real. Nesse estágio, o eu se identifica a partir da imagem do outro. Pode-se afirmar que o estágio do espelho é uma simbologia narcísica, pois o sujeito se aliena em si mesmo.

As teorias acima entendem o narcisismo não como um transtorno, mas como parte do desenvolvimento e diferenciação do ego, mas dão pistas do que desenvolve o transtorno.