Você come mais emoções que as sente e nem se deu conta disso

Nós já estamos na era em que as emoções mediatizadas suplantam as emoções reais. É o que constato eu, aqui, na megalópole. Pelo menos quanto ao tempo linear, passamos  mais tempo vivenciando emoções através da mídia que através de experiências nossas, presenciais.

A cada dia que passa, vejo o quanto já estamos vivenciando o way of life do filme Wall-E (Disney/Pixar 2008). No filme, após entulhar a Terra de lixo e poluir a atmosfera com gases tóxicos, a humanidade deixou o planeta e passou a viver em uma gigantesca nave, onde os seres humanos se tornaram apenas consumidores e não apenas de bens e alimentos, mas de experiências mediatizadas, de emoções, estando incapazes de viver experiências de um pra um ou coletivamente com interação presencial, experiências reais, físicas, presentes, como olhar nos olhos, conversar pessoalmente, trocar carícias, multiplicar-se inclusive, ou seja: fadados a extinção.

Consumidores solitários e inconscientes, autodestrutivos.

O filme mostra que nosso descaso com o planeta em que vivemos cresce na mesma medida em que cresce a nossa incapacidade de presença, amparada pelo abuso do uso da tecnologia. Quando as chamadas relações primárias se extinguem, aquelas em que precisamos estar juntos no mesmo tempo e espaço, toda a Humanidade se extingue também.

Estamos como no filme: nunca tivemos tanta informação e nunca tivemos tão pouco tempo e espaço para aplicar o que agregamos de conhecimento, tão pouco tempo e espaço para vivenciar com corpo, mente e espírito, porque criamos um sistema de vida em que a própria vida integral é banida. Pelo contrário, o excesso de conhecimento é uma forma de sabotagem tanto dos que querem o controle das mentes, quanto de nós para conosco. Isso porque o mero conhecimento do funcionamento das coisas não nos torna livre delas, precisamos agir de acordo com aquilo que sabemos, precisamos aplicar na prática.

Da mesma forma que nem todas as pessoas separem seu lixo para a reciclagem, a maioria não separa suas emoções para estudá-las e verificar o que serve e o que deve ser reciclado, preferem engoli-las com refrigerante e pipoca na frente do telão, ou devorá-las consumidos pelo feed farto de emoções seguras.

Consumimos emoções através das telas, dos vídeos com narrativas que conectam com nosso coração carente de experiências reais. Lembro-me de uma entrevista da atriz Ana Paula Arósio sobre como foi interpretar uma protagonista do clássico Os Maias numa minissérie televisiva, ao que ela respondeu “eu senti a tragédia de não ter uma tragédia”.

Ficamos cada um em uma tela dentro de casa, emocionados com os personagens das historinhas dos vídeos que vem por whatsapp, ou pelo feed da rede social, ou até pela antígona TV que se adapta a cada dia às narrativas midiáticas, mas não conversamos com nosso neto, filha, irmão, pai, mãe que está ali, bem ao nosso lado, compartilhando o mesmo sofá ou a mesma mesa de jantar.

Viver uma narrativa como aquela que está ali perfeita na nossa portabilidade, cheia de significados, com quem está presente (e é aquela pessoa real, cheia de imprevisibilidades), é extremamente difícil. A narrativa pronta é bem mais confortável, segura, garantida. Pra quê correr o risco de viver de verdade,não é mesmo? Certamente, a que está à mão irá satisfazer a nossa necessidade de consumo emocional, já a real, irá lidar com nossas reações e presença, algo muito mais trabalhoso e desafiador, mas muito mais verdadeiro e engrandecedor. 

Consumo. Essa é a palavra. Consumimos emoções, consumimos histórias, consumimos identificações. Seja numa tela, ou num copo de vanilla latte, cinnamon latte, ou o luxo de emoções do momento, oferecidas em forma líquida e doce, portátil, fácil e agradável de consumir.

Não encontramos satisfação total numa experiência real se, também, não a compartilhamos, tornando-a produto para outro consumir

Como dizia Capitão Planeta (um desenho pró meio ambiente da década de 90), “o planeta é de vocês!”, ou mesmo, como diz a gênese da Bíblia “Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra”, ou seja: tomem conta do planeta, a liberdade e a responsabilidade por ele é toda nossa. Mas, assim como devoramos nossas emoções, devoramos igualmente o planeta. O que fazemos com o mundo de fora é, irremediavelmente, reflexo do que fazemos com o mundo de dentro, e estamos consumindo tudo de todas as formas. Engolimos e jogamos pra nossa face oculta, pro nosso inconsciente, assim como o fazemos com o lixo que geramos no planeta, que, uma vez colocado à disposição do lixeiro, vai pra algum local oculto dos espaços que habitamos.

Ontem eu estava no parquinho do prédio com minhas filhas. Haviam dois outros pais entorpecidos pelas telas dos celulares. Quando as crianças ofegantes e risonhas lhes dirigiam a palavra, eles respondiam sem emoção, monossilabicamente… é, a mídia entorpece, a superinformação é como uma feijoada, deixa você devagar e sonolento.

Mas, eu estava presente, com celular ausente e lidava naturalmente com minhas filhas e as amiguinhas, e, aos poucos, aqueles pais foram olhando cada vez menos para as telas e interagindo conosco, até que as guardaram nos bolsos. A nossa presença, automaticamente, liberta outros.

Então, o melhor que você pode fazer pelo mundo agora, para que ele não se torne o grande lixão de Wall-E e tenhamos que nos mudar daqui para continuarmos consumindo incessantemente comida, informações, bens e emoções e nos fadarmos a extinguir as relações físicas e, por fim, toda a humanidade, para não termos filhos zumbis e para que sua vida não passe batido como qualquer uma dessas historinhas que você vê pelas telas e depois de uns dias já esqueceu, o melhor que você pode fazer por você agora é ESTAR PRESENTE, ESTAR NO AQUI AGORA. Seja você aqui e agora. Para isso, limite sua conectividade. Você precisa de você, os seus precisam de você, o planeta precisa de você.  

Namastê!

Não desista, salve a minha vida!

Não há competição. Não disputamos as mesmas conquistas. Sequer caminhamos o mesmo caminho.
A ideia de que devemos competir uns com os outros, na medida em que a admitimos, apenas serve para nos segregar e, consequentemente, para nos enfraquecer.

“Competição” é apenas uma ideia, só que comprada por milhões, aí é que está o problema: muita gente lutando contra adversários irreais, transformando nosso meio ambiente numa arena, quando, na verdade, nós mesmos é que somos o nosso real oponente e a luta real é interna.

“Competição” é só uma ideia vendida pelos que têm o interesse de possuírem sozinhos a efemeridade (fama, dinheiro, status), invertendo a verdade de que a cooperação é que empodera e derrama bênçãos reais a todos.

Quando acreditamos na ideia de competição, no mesmo momento em que nos percebemos como oponentes, nos escondemos – pois faz 08f00c7b885afc13992cb17a783412e0parte do momento da luta protegermos nossas fragilidades – , e quem mais perde com essa nossa atitude ostracista somos nós mesmos, pois, ao nos fecharmos em nós mesmos, perdemos a oportunidade de nos conhecermos mais, de colocarmos luz na nossa parte acobertada: nossa maior parte.

Igualmente, ao crermos que a competição é uma fatalidade, perdemos a capacidade de nos reconhecermos no outro igual, perdemos nossa humanidade, e, em vez de utilizarmos nosso poder criativo, abusamos do nosso poder destrutivo, nos tornamos destruidores (de tudo, de todos e de nós mesmos), buscamos poder para estarmos numa condição “melhor”, porque seja o que for que você deseja, se você compete é porque você quer só pra si e/ou acredita que há pouco do que você deseja para todos.

Olhai os lírios do campo, como eles crescem! Não trabalham nem fiam, e eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, nunca se vestiu como qualquer um deles. Se Deus, pois, assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé?” (Mateus 6)

Todo e qualquer tipo de poder sempre acaba pela própria movimentação da vida, que é cíclica por natureza, demore o tempo que for para que a volta se complete. Além disso, ao estar em condições superiores, você só poderá conquistar a genuína alegria se, em vez de sobrepujar a outros quando estiver por cima, distribuir seus recursos excedentes, que fatalmente retornarão pra você, quando estiver no ponto baixo da roda da vida.

“Tudo o que está junto se separa
Tudo o que sobre desce
Todo encontro termina em partida
Toda vida termina em morte”
UDANAVARGA

389ffe859e3e375e20524669022c89bcAtravés do conhecimento executamos a maior forma de competir e aprisionar. Através de elucubrações mentais aprisionamos a nós e a outros dentro de formatos que dão a impressão de limitude das possibilidades de vida, quando, na verdade, trata-se apenas de limites mentais, sendo que o fato é que podemos sempre ir além do que conseguimos através da mente.

Assim, é através do entendimento que executamos a maior forma de libertar. Ultrapassando o nível mental e atingindo o nível consciencial.

Tal ideia te traz paz ou pena? Se traz pena é porque é uma ideia limitada, fechada nos limites da mente, se traz paz é porque é uma ideia aberta, que admite a verdade da vida.

Falando em verdade, uma delas é que quanto mais pessoas despertarem, ou seja, ultrapassarem o nível mental e alcançarem um nível maior de consciência, mais você estará liberto.

Perceba quantas pessoas te inspiraram ao longo do caminho. A derrota de alguém quando observada, apenas ensina, e de forma muito generalizada onde os perigos estão, porque as consequências são reflexos exatos dos atos cometidos, ou seja: a lição é sempre customizada para o aprendiz.

o avanço de alguém vai iluminando trilhas que não enxergávamos, que ensinam, a quem pode observar tal caminhar, novas maneiras de dar os passos e libertam a todos para caminharem mais além.

Por isso, ore para que todos consigam e ajude sempre que estiver ao seu alcance.

Quando não pudemos fazer por nós, e isso nos empedernir, percebamos que sempre poderemos fazer por alguém, porque há sempre necessidades ao nosso alcance.

Fazer por todos que pudermos e sempre que pudermos é ajudarmos a nós mesmos, é garantirmos a nós mesmos a abundância plena.

Lembrei-me de uma cena de um filme (Pay it Forward – A Corrente do Bem), em que uma pessoa estende a mão para que a outra, decidida a tirar a própria vida, não pule. A frase que a faz convencer a outra de aceitar ajuda é “salve a minha vida”. Assista:

Que aproveitemos sempre a oportunidade de auxílio quando nos sentirmos com os passos travados, já que de todos os pontos do nosso caminho avistaremos companheiros de jornada em situações necessitadas e sempre haverá a oportunidade de auxiliarmos, de onde estivermos.

Acender a própria chama ilumina quem está ao redor, é acender a luz do mundo.

A lei do retorno é linda!

Bons frutos a todos!

Namastê!
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Não seja perfeccionista, seja PERFEITO

Ser perfeccionista é ser mais imperfeito do que já somos. Porque, ao nos exigirmos apenas “dar conta de tudo”, vide todas as demandas que assumimos nos nossos vários papéis sociais (de mãe, pai, filho, trabalhador, donos de casa, etc), e com um nível de exigência alto muitas vezes, não “perdemos” o tempo necessário com o que é importante.

 Corremos demais para dar conta das urgências e deixamos as importâncias para depois. Como assim?? Explico. Urgente, por exemplo é você pagar as contas, comprar comida, alimentar-se e aos seus dependentes, etc. Importante, por outro lado, é você fazer aquele trabalho que ama, brincar com seus filhos, movimentar seu corpo, etc., ou fazer as atividades urgentes com presença e amor e não no piloto automático.

As principais coisas da vida exigem tempo, esse nosso bem maior e, como podemos ser presentes, inteiros, intensos se estamos preocupados em fazer TUDO e, muitas vezes, com PERFEIÇÃO. Não. Fora que esse ‘tudo’ pode não ter fim, e muitas vezes, não tem mesmo. Passa dia, após dia, após dia e o que é mais importante não teve espaço nos nossos dias.

Dar conta de tudo e fazer tudo perfeito é anti-natural. Basta olharmos para a natureza, onde cada ser faz o que pode e não quer dar conta do bioma inteiro.

Quem insiste em dar conta de “tudo”, mesmo o fazendo sem perceber, tem que, inevitavelmente, acelerar os passos, só que, quando há aceleração dos processos naturais, há um risco muito maior de as coisas não saírem tão boas.

Quem aí já assistiu ao filme Click, onde o protagonista Adam Sandler passa a acelerar demais seus dias com um controle remoto mágico e descobre que estava perdendo seu bem maior: seu tempo com quem lhe importava.

O mais importante PRA VOCÊ não pode ficar de fora dos seus dias porque é para essas coisas ou pessoas que você está dando conta de todas as outras, e não o contrário. O sistema em que vivemos faz com que tendamos a inverter as coisas, por isso temos que estar ALERTAS!

Assumir que se é ruim com umas coisas e bom com outras é um exemplo de atitude que nos ajuda a utilizarmos nosso tempo com o que mais gostamos, afinal, ninguém tem obrigação de ser bom com tudo, muito menos de gostar de tudo. Por exemplo, eu sou péssima pra limpar cozinha, mas sou inteira no cozinhar.

Entretanto, o que é essencial, o que faz com que nossa atitude perante a vida mude e, por consequência, nossa própria vida seja melhor, é ter foco no que se escolhe e sempre, SEMPRE dar prioridade ao que vive no coração.

Um dia uma amiga me disse “nossa, não sei como você arranja tempo pra escrever esses textões, eu com uma filha não arranjo!”. Eu apenas sorri, mas o fato é que arranjo tempo porque ESCOLHO arranjar tempo, porque escrever e compartilhar as minhas descobertas com o mundo é importante pra mim, e outra, quando não “arranjamos tempo” para determinada demanda em nossa vida, de duas uma: ou existem coisas mais importantes na nossa escala de valores e estamos sendo fiéis a elas (o que o coaching é fera em descobrir), ou estamos vivendo no piloto automático, na inércia de cumprir o cotidiano pré-determinado, arranjando tempo “extra” apenas para o que é urgente.

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Araçoiaba da Serra. Abril/2016.

Eu, por exemplo também, sou péssima em dar conta de todas as demandas de casa (sem excelência mesmo), dos filhos, do trabalho e do companheiro, (de mim mesma então, nem se fale), mas sou ótima quando escolho algumas delas pra fazer e faço SEM PRESSA.

Percebo meu perfeccionismo quando:

– me estresso por não ter dado conta de tudo,

– corro demais e me esqueço das minhas necessidades fisiológicas (o que contribui para aumentar a irritação),

– sorrio menos,

– elevo meu tom de voz ao não conseguir controlar o fluxo dos acontecimentos,

– digo muito ‘não’ aos meus filhos no que é mais importante pra eles: a minha presença.

O que é mais importante do que estar com quem mais amamos e por inteiro?

Essa mania de perfeição, de “pera só um pouquinho que eu só vou fazer mais essa coisa e já vou”, o dia passa e não passamos tempo com nossos amores. Assim, somos perfeccionistas mas não perfeitos.

Sejamos perfeitos, como nos aconselhava o Mestre. E o que é ser perfeito senão ser imperfeito no que não tem importância e ser o melhor que podemos ser nas nossas importâncias e com os nossos importantes?

É impossível a onipresença em nosso estado humano, ou seja, é impossível darmos conta de tudo e de forma perfeita. Mas é possível escolhermos fazer o mais importante para nós e estarmos serenos com relação ao que não damos conta no momento, é possível , igualmente, delegarmos funções e termos paciência para realizar cada coisa a seu tempo.

Todos somos feitos do mesmo néctar interior, todos somos centelhas divinas caminhando rumo a potencializar nossa essência de amor, ou seja, nós já somos perfeitos e deixa eu te contar uma coisa: você nunca vai dar conta de tudo, porque a própria natureza material é que te limita e isso não é à toa,  isso é normal! Nós não temos que dar conta de tudo, pois o único que dá conta de tudo é o Criador.

Tudo tem seu tempo para lavar, secar, cozinhar, maturar, brotar, florir, nascer, dormir, acordar… e essa mania de perfeição, que não respeita o tempo natural, apenas nos limita para desfrutar a vida, pois nos tira do momento presente.

Sê perfeito, sê presente, sê consciente, escolha o que mais te importa, sempre.

Namastê!

“Mas eu vos digo: Amai os vossos inimigos, fazei bem ao que vos tem ódio, e orai pelos que vos perseguem e caluniam. Para serdes filhos de vosso Pai que está nos Céus; o qual faz nascer o seu sol sobre bons e maus, e vir chuva sobre justos e injustos. Porque se vós não amais senão os que vos amam, que recompensas haveis de ter? Não faz os publicanos também o mesmo? E se vós saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis nisso de especial? Não fazem também assim os gentios? Sede vós logo perfeitos, como também vosso Pai celestial é perfeito.”
(Mateus, V: 44 e 46-48).

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