O Padrão da Defectividade e Vergonha

Quando a comparação gera vergonha e estancamento

Por que uma pessoa começa a acreditar que não é boa o suficiente, nem digna de amor e atenção?

Por que ela não recebeu isso.

Em vez de entender que o outro não lhe deu o que ela precisava porque ele não tinha para lhe dar, ela entendeu que não recebeu isso do outro porque não fez por merecer.

E isso ocorre por um mecanismo de defesa muito básico em que a própria mente da criança mente pra ela de que a culpa dela não receber o que precisa é dela e não do seu cuidador.

E a mente faz isso para que a criança não perca sua confiança no seu cuidador, pois se isso ocorrer, ela irá se afastar dele e correrá muitos riscos mortais.

Então, pra sobrevivência infantil, essa MENTIRA ajuda, mas pra autoestima ela é uma lástima.

O Padrão da Defectividade e Vergonha se apresenta em pessoas que mantiveram a convicção de não serem adequadas ao padrão exigido, desejáveis, admiráveis e etc.

E isso se dá, principalmente, pela falta de conexão com o filho, escuta ativa, acolhimento e orientação atenta, bem como pelo criticismo ou elevado patamar de exigência dos pais ou cuidadores, passando para o filho a crença de que seu valor depende da sua entrega.

Outro fator que contribui bastante para o estabelecimento desse padrão disfuncional é a presença de irmãos ou outras crianças com quem a criança se compara e chega à conclusão de que os outros são mais fortes, belos, sábios ou bons do que ele, segundo os critérios da família ou da sociedade da época.

E é claro que tudo isso perpassa pela própria tendência do indivíduo em se comparar.

O conto de Andersen, O Patinho Feio, explica bem a razão desse padrão.

O ovo do cisne foi parar no ninho da pata que o chocou e o criou como se fosse seu filho. Este, porém, quando nasceu, passou a se perceber diferente de seus irmãos e aquém das habilidades deles.

Embora a mãe não o tratasse com desdém, ele sofreu bullying dos irmãos por sua aparência e performance, e, sofrendo, decidiu se afastar da família.

Neste trecho da história percebemos que o que nos faz sermos valorizados e acolhidos pelo grupo é a nossa semelhança a eles e não, necessariamente nossas habilidades.

E isso se deve a um outro mecanismo de defesa natural, para a maioria das espécies, que faz admitir o sutilmente diferente como uma ameaça, como alguém que pode concorrer com você e superá-lo.

Daí o bullying, a rechaça sem que se tenha feito nada pra isso.

Seguindo a estória, o patinho feio chega a um lago de marrecos, que, embora fossem diferentes dos seus familiares, eram orgulhosos de si mesmos – que é quando ele descobre que eles não eram os únicos modelos – embora não seja acolhido por eles e nem tenha encontrado afinidade ali.

Aqui há a revelação de que os padrões de beleza, excelência, valor são ditados pelo grupo predominante, e que é algo que difere de lugar pra lugar, o que faz que as referências do “patinho” sejam questionadas e aptas à mudança.

Passado um tempo, já maior e transformado em sua aparência, aportando em um lago de cisnes, o “patinho” reconhece na água sua semelhança com aquelas outras aves, que, igualmente, o reconhecem como um deles.

Neste “final feliz”, ele se percebe belo e majestoso porque se vê através do outro que ele admira.

Primeiro vê os cisnes e os considera lindíssimos, depois olha pro reflexo e vê que é como eles.

Ou seja: só podemos reconhecer nossa real beleza e valor e nos conectarmos com nossos afins, quando nos desapegamos daqueles que não nos reconhecem porque, simplesmente, não são como nós.

Essas referências e conceitos que foram recebidos ou formados na origem são o que se precisa mudar para encontrar a si mesma, às próprias potencialidades, encontrar seu “lago dos cisnes” e viver a sua bella vita.

Está pronta para encontrar que é importante pra você e se desapegar do que você aprendeu que era, reconhecer as suas potencialidades e criar a sua vida bela?

O Padrão do Abuso

Quando o mal é familiar, a invasão e a desconfiança são constantes

O abuso é grande, gentil e parece acolhedor no início. Mas a única intenção do abuso é sugar, extrair e viver da predação de quem é inocente e vulnerável.

O padrão do abuso aparece na vida de pessoas que sofreram abuso na infância e adolescência – enquanto eram ingênuas – e ainda não o processaram por completo, permitindo a aproximação do abusador familiar, confundindo sua invasão com compartilhamento e sua agressão com carinho.

Quando o abuso – essa experiência tão ambígua que parece afeição mas que machuca – não foi nomeado e a vítima não foi liberada da culpa que carrega por ter permitido, de algum modo, a ação do abusador, ela permanece confusa, novos predadores não são identificados, e ele volta a ocorrer na vida adulta.

O maior desafio a vencer para quem apresenta esse padrão é o de desistir do afeto que vem através do abuso, pois é esse desejo por esse afeto ferino – o único conhecido, na maioria das vezes – que potencializa os efeitos da sedução do abusador e que desligam os instintos de proteção de quem se tornou uma presa.

Ele só é tão magnético assim porque tem o que você deseja…

Pessoas com esse padrão acreditam que abuso e amor estão sempre juntos e que precisam dar algo importante de si para serem amadas.

E é essa mentalidade que fortalece o desejo de ser amada pelo abusador, a baixa das defesas diante dele, facilitando o caminho para a predação.

O fato difícil de aceitar mas que devolve o poder para a vítima é que seus pais ou cuidadores foram seus primeiros abusadores.

Seja negligenciando cuidados básicos, seja faltando com a orientação e proteção, deixando a criança ou adolescente vulnerável, seja superprotegendo e não permitindo que se conectasse com seus próprios instintos e capacidades, seja agredindo com palavras e gestos, normalizando a agressão.

Quem aprende que os próprios pais ou cuidadores não são confiáveis, pois podem ferir, enganar, dissimular, humilhar, tirar vantagem de quem deveriam preservar, vive desconfiado, aceitam comportamentos inaceitáveis de outras pessoas – em relações afetivas, principalmente – e adquirem um comportamento controlador, que não lhe permite se conectar com a vida.

Para identificar predadores à distância, encontrar o afeto respeitoso e se conectar com o acolhimento da vida, clique em AMADA.

O Padrão Disfuncional da Dependência

“Não sou capaz de viver sem ele(a)”

A dependência pode ocorrer em perfis opostos quanto ao próprio narcisismo, tanto em pessoas grandiosas, que têm necessidade de serem constantemente atendidas, quando em pessoas excessivamente modestas, desacreditadas de sua própria capacidade de se suprir.

Contudo, ambas têm em comum a enorme INSEGURANÇA com a própria solidão e o desespero ao terem que lidar com a FALTA DO OUTRO.

Revelando isso ou não, todo aquele que apresenta a disfuncionalidade da dependência não confia na própria capacidade de lidar com as responsabilidades diárias de maneira competente sem ajuda de outras pessoas.

O que engloba tanto tomar boas decisões, quanto cuidar de si mesma, enfrentar desafios, ou dar conta de tarefas cotidianas mais simples.

Pode operar tanto na pessoa que depende de restaurante ou de um cozinheiro para se alimentar bem, quanto na pessoa que não toma uma decisão sem consultar alguém de confiança, naquela que prefere morar com os pais porque não tem coragem de ser autônoma, ou na que só sossega o coração e a cabeça quando alguém lhe aponta o que fazer.

A sensação de inutilidade e o medo de ficar sem o outro supridor são constantes, o que leva a pessoa que tem esse padrão a ter uma vida reduzida de sentido e realizações e apegada a coisas que não lhe preenchem.

A causa desse padrão está na AUTOESTIMA enfraquecida de quem o apresenta, minada no momento da formação da sua individualidade.

Vale se perguntar:

“O que aconteceu, quando e com quem pra eu passar a acreditar que eu não conseguiria cuidar de mim e da minha vida sem auxílio?”

Para curar o que te tornou insegura na sua capacidade de cuidar de si e da sua vida e fortalecer sua autonomia e integridade, clique em AMADA.

O Padrão Disfuncional do Abandono

Quando o medo da solidão e da instabilidade comandam a vida

Uma boa narrativa para exemplificar esse padrão é a de João e Maria (Hänsel und Gretel).

Os irmãos ficaram órfãos de mãe, perderam o pai para a madrasta e foram abandonados devido a escassez de recursos.

Sofreram 3 abandonos por 3 motivos diferentes.

Por uma fatalidade perderam a mãe mas o trauma não teria sido tão grande se o pai os tivesse acolhido.

Contudo, o que o pai fez foi trocá-los pela madrasta e optar por abandoná-los no meio da floresta quando a escassez material os abateu.

Mesmo assim, as crianças ainda tentaram voltar pra casa – o mesmo movimento de pessoas que têm esse padrão.

Quem não se cura do abandono sofrido na infância, seja através da ausência física, seja através da indisponibilidade emocional, seja através da instabilidade gerada por um genitor alcoólico, vai tentar “voltar pra casa” para ser acolhido.

De que forma? Das mais variadas.

Pessoas que sofrem desse padrão, comumente, buscam ajuda financeira dos pais na vida adulta, adquirem alguma adicção que necessite de atenção parental (como o álcool), desenvolvem uma vida instável para justificar o “retorno”, voltam a morar com os pais por conta de alguma “fatalidade”, enfim, dão um jeito de conseguir esse amparo que faltou no passado no presente.

Nessa trajetória, alem de estarem sempre conduzidos pelo medo da falta do outro, o que os leva a situações críticas de real falta de recursos materiais ou emocionais, gerando-lhes provações que poderiam ser evitadas, os Joãos e Marias da vida real, fatalmente encontram “A bruxa da floresta”, com sua casa lotada de doces.

Qualquer semelhança com a realidade daqueles que buscam prazeres efêmeros como doces, telas e álcool, para taparem buracos emocionais e encontram abusadores não é mera coincidência.

Abusadores como as indústrias de falsos alimentos como os refrigerantes, as farmacêuticas dos analgésicos que matam, as Big Techs que distraem do presente ou como o cara que faz o love bombing pra te “engordar pra comer depois”, estão sempre prontos para acolher essas “crianças perdidas”.

Por isso, é sempre bom lembrar o grande ensinamento da narrativa antiga: ninguém salvou João e Maria, foram eles mesmos que angariaram CORAGEM para salvarem a si mesmos.

Quando eles voltam pra casa, não voltam pra pedir proteção e amparo do pai, voltam restaurados, trazendo consigo os recursos que conquistaram por si mesmos e por compaixão àquele pai que estava miserável, pois conseguiram perdoar-lhe e porque ainda necessitavam dele até crescerem.

Se você se identificou com esse padrão, verifique se já conquistou ESTABILIDADE material e emocional, se já venceu o MEDO DA SOLIDÃO e se já parou de procurar AJUDA e AMPARO NO OUTRO.

E verifique algo muito importante: se você está ajudando seus pais para conquistar o amparo emocional que não recebeu lá atrás, porque isso ainda é demanda do padrão do abandono.

Não dá pra levar o tesouro da bruxa pro pai pra ele te amar por causa do que você lhe dá, não por quem você é, pois isso ainda é uma relação baseada na ilusão de falta e no interesse em preenchê-la através do outro.

Para parar se se sentir perdido e amedrontado e voltar pra sua verdadeira casa, que está na sua conexão com o seu próprio poder e com a Existência, clique em AMADA.