Mitos Sobre Desapegar e Ser Feliz

Não se pode ter tudo nesta vida — #sóquenão 

Na verdade, dá pra se ter tudo na vida sim, mas não o tempo todo, só porque duas experiências não podem ocupar o mesmo tempo e espaço. Mas, em alguns casos, dá pra se ter, ao mesmo tempo, trabalho e espiritualidade, como é o meu caso, porque faço o que amo. Dá também pra se ter, ao mesmo tempo, amor e espiritualidade, quando se vive uma relação saudável. Em geral, dá pra se conciliar tudo, quando temos consciência de quem somos e do que é importante para nós.

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Amar é, muitas vezes, se sacrificar – #sóquenão 

Essa interpretação de que amar é sofrer, muitas vezes, tem base na nossa cultura judaico-cristã e, também, tem embasamento nas ideias de amor romântico, estilo Romeu e Julieta. Mas, pra desfazer isso rapidinho basta observarmos a realidade, que é a seguinte: 1- Jesus não sofreu, porque ele é um iluminado e iluminados não sofrem; 2- o amor não é uma luta e uma conquista, isso são as narrativas românticas da humanidade. Então, separe o joio do trigo e veja a realidade: amar é um caminho para dentro, nosso parceiro romântico tem a ver com o quanto nos amamos.

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Não dá pra ter paixão e dinheiro no trabalho – #sóquenão 

Na verdade, o trabalho que pode te dar mais do que dinheiro mas abundância, é o trabalho que você ama. Você já descobriu as coisas que ama fazer e que até faria de graça? Se não, esse processo vai te ajudar. Se, por outro lado, você já sabe quais são os seus fazeres do coração e até já atua com o que ama, mas não consegue alavancar seu negócio por questões emocionais, esse livro vai te auxiliar a realizar uma verdadeira varredura emocional que vai te desbloquear para gerar abundância com o que você ama.

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Desapegar soa abrir mão, perder, e eu não quero perder, quero ganhar — #sóquenão 

Desapegar não é perder, é soltar o que não te faz bem e te rouba a energia para viver do jeito que você ama. Talvez, você seja uma pessoa um tanto insegura, que terá que aprender a se desapegar do controle, o que é um ótimo desafio a vencer porque controlar é pura ilusão, já que o único controle que detemos é sobre nós mesmos. Sobre os outros e o mundo: esquece! Pura ilusão. Mas, quando você aprende a aceitar a realidade tal como ela é, atuando na lei do mínimo esforço, aprende também a dirigir muito melhor sua vida para chegar aos resultados que te fazem bem de verdade e, melhor ainda: atrai as pessoas e realidades que combinam com você!

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Tempo lento: um ensinamento do tempo pandêmico

Das coisas que eu demorei pra respeitar em mim, é o meu tempo para cada coisa. Preste atenção s esse texto, que ele pode ser um espelho libertador pra você, do relógio alheio.

Tempo rápido pra escrever um livro. Tempo lento pra deixá-lo pronto.
Deu pra perceber pela foto que meu tempo é lento pra ficar no sol.
É lento, também, pra tomar um café.

Meus pais tinham o tempo rápido pra quase tudo – inclusive para estar com as filhas. Viviam no tempo do relógio, do cartão de ponto, do trabalho a qualquer custo, do modo de produção, não de criação. Mas eu sempre fui uma alma líríca, artística, que tinha que levantar cedo (o horror) para ler meus livros de filosofia no calabouço nada inspirador da escola.

Tempo lento para criar o alimento, com amor

Até há pouco tempo, meu tempo era rápido pra fazer comida, até que um dia resolvi prestar atenção na abuela, preparando sua famosa panqueça de maçã e canela, e descobri que tinha que ser lento pra cortar as maçãs e lascas finas e ficar mais gostosa, encaixadinha na massa, sem sair pra fora … pra ter o sabor e o acolhimento que só o tempo lento, com amor, proporciona.

Tempo rápido da paixão, bate forte o coração, pra eternamente se lembrar

Meu tempo é rápido pra eu mergulhar num amor profundo, quando me deparo com um mar irresistível para desbravar, mas é lento para desistir de amar. Só entendi o porquê disso quando a Verbenna Yin me explicou que tenho muita água no meu céu de nascimento e que a água se funde e se aprofunda por todos os poros até invadir tudo, se mesclar e chegar no ser total. Muita água tem que rolar – pelo olhos, inclusive – pra eu deixar de amar.

Tempo lento é estar, de verdade, é se conectar

Meu tempo é lento pra fazer música, pra boemia! A noite é sempre muito curta pra curtit, dançar, cantar e rir. Dançar não tem tempo, quando a gente entra no fluxo, vive em outra dimensão. Você não é mais a dançarina, mas a dança e aquele tempo que voou, fica pra sempre na memória.
No autoconhecimento, meu tempo é lento, no atendimento de coaching, por exemplo. Cada sessão é uma imensidão, mais ou menos como a dança, marca pra sempre, mas curto o momento. Papear é tempo lento, namorar então…

Tempo lento pra iluminar as sombras e clarear o caminho

Eu gosto de ir fundo, adoro acolher gente no poço e ajudar a decorá-lo ou a sair dele e ver as maravilhas do mundo que os espera, com as verdades reveladas e belas como as folhas que farfalham nas copas das árvores.
Tempo rápido pra dar conta do dia, tão rápido que nem sento, só pra digitar. Tempo rápido pra organizar a casa e tirar a sujeira , pra sobrar tempo lento pra criar.
Tempo lento no piano. Piano é um mundo paralelo… as notas são saborosas tocadas sem pressa. Com pressa, ninguém aprende música, ou tem que sempre retomar tudo e perde a gostosura. Tempo perdido tentar acelerar o ritmo de aprender a tocar e cantar. Uma boa música tocada mil vezes, no seu tempo, fica incrível. Uma boa música cantada mil vezes, no seu tempo, fica divinal.
Tempo lento pra sair o esmalte da unha, porque eu não tiro. Tempo lento para o que pode ter seu tempo, tempo lento pro frugal.
Tempo rápido pra tomar banho e não acabar com a água do mundo, a não ser quando existe dor, no corpo ou no interior. Aproveito o tempo lento e a água fervendo – pra cozer legume – pra levar minha dor.
Não dá pra fazer tudo ao mesmo tempo – isso é doença -, mas dá pra fazer tudo ao SEU tempo.
Qual é o SEU tempo pra cada coisa?

A Humanidade, de joelhos, olha pra dentro

Hoje, na nossa sessão de cinema, assistimos Vingadores, e tem uma cena muito interessante para refletirmos nesse momento de quarentena.
Na cena, Loki, de chifres reluzentes, como a personificação do diabo, diz para a multidão:

– Ajoelhem-se perante a mim! Eu disse… DE JOELHOS!

Todo mundo fica quieto e se ajoelha na frente dele. Para o que a Humanidade veio se ajoelhando até hoje? Loki levanta os braços, sorrindo.

– Assim não é mais fácil? Não é este o estado natural de vocês? A verdade não-dita da Humanidade é implorar por dominação. A tentação da liberdade diminui sua alegria de viver em uma briga louca por poder, por identidade. Vocês foram feitos para serem dominados. No fim, vocês sempre se ajoelharão.

Nossos desejos infindáveis, baseados na falsa ideia de separação, nos reduzem, adormecem nossa natureza divina. Mas há quem desperte, o que é retratado pelo idoso alemão que se levanta no meio da multidão e responde ao deus do caos, da trapaça e da mentira:

– Não perante homens como você.
– Não há homens como eu.
– Sempre haverá homens como você.
– Olhem para o seu ancião, povo! Que ele seja um exemplo.

Quem heroicamente enfrenta o caos criado pela Humanidade, hoje, são os idosos. Muitos estão partindo dessa jornada sem seus entes ao seu lado, sem ao menos uma despedida. Foram as crianças e os jovens das guerras e agora são os anciãos que se vão numa pandemia.

A cena termina com a chegada do Capitão América, que aparece bem a tempo de salvar o senhor idoso e compara Loki com os nazistas ao dizer: “Sabe, da última vez que estive na Alemanha eu vi um homem querendo se colocar acima dos demais. Nós acabamos discordando”.

A multidão que se ajoelha a Loki num evento luxuoso representa toda a Humanidade gananciosa, que deseja poder, status, sobrepujar os demais e que abdica da própria liberdade, em nome dos valores materiais.

A Humanidade do filme é a mesma que, agora, se ajoelha perante um mísero vírus, porque não respeitou os valores espirituais, que devem guiar nossa experiência terrena e destruiu, como consequência, o equilíbrio da nossa Terra.

Enquanto nossa mátria se reequilibra com a nossa saída de cena, que a gente olhe para dentro e se despoje de tudo o que é falso. Que nossa chama eterna brilhe cada vez mais reluzente, iluminando os caminhos da nossa Casa Terra, que é o nosso e de todos os nossos irmãos de jornada, porque não há separação, somos todos um.

O que fazer durante a quarentena?

*Do Livro Vermelho de C.G. Jung*
– Capitão, o menino está preocupado e muito inquieto devido à quarentena que o porto nos impôs.
– O que te inquieta, menino? Não tens comida suficiente? Não dormes o suficiente?
– Não é isso, Capitão. É que não suporto não poder ir à terra e abraçar minha família.
– E se te deixassem sair do navio e estivesses contaminado, suportarias a culpa de infectar alguém que não tem condições de aguentar a doença?
– Não me perdoaria nunca, mas para mim inventaram essa peste.
– Pode ser, mas e se não foi inventada?
– Entendo o que queres dizer, mas me sinto privado da minha liberdade Capitão, me privaram de algo.
– E tu te privas ainda mais de algo.
– Está de brincadeira, comigo?
– De forma alguma. Se te privas de algo sem responder de maneira adequada, terás perdido.
– Então quer dizer, que se me tiram algo, para vencer,  eu devo privar-me de mais alguma coisa por mim mesmo?
– Exatamente. Eu fiz quarentena há 7 anos atrás.
– E o que foi que tiveste de te privar?
– Eu tinha que esperar mais de 20 dias dentro do barco. Havia meses que eu ansiava por chegar ao porto e desfrutar da primavera em terra. Houve uma epidemia. No Porto Abril nos proibiram de descer. Os primeiros dias foram duros. Me sentia como vocês. Logo comecei a confrontar aquelas imposições utilizando a lógica. Sabia que depois de 21 dias deste comportamento se cria um hábito e em vez de me lamentar e criar hábitos desastrosos, comecei a comportar-me de maneira diferente de todos os demais. Comecei com o alimento. Me impus comer a metade do quanto comia habitualmente. Depois comecei a selecionar os alimentos de mais fácil digestão, para não sobrecarregar o corpo. Passei a me nutrir de alimentos que, por tradição histórica, haviam mantido o homem com saúde.O passo seguinte foi unir a isso uma depuração de pensamentos pouco saudáveis e ter cada vez mais pensamentos elevados e nobres. Me impus ler ao menos uma página a cada dia de um argumento que não conhecia. Me impus fazer exercícios sobre a ponte do barco. Um velho hindu me havia dito anos antes, que o corpo se potencializava ao reter o alento. Me impus fazer profundas respirações completas a cada manhã. Creio que meus pulmões nunca haviam chegado a tamanha capacidade e força. A parte da tarde era a hora das orações, a hora de agradecer a uma entidade qualquer por não me haver dado como destino, privações graves durante toda minha vida.
O hindu me havia aconselhado também a criar o hábito de imaginar a luz entrando em mim e me tornando mais forte. Podia funcionar também para as pessoas queridas que estavam distantes e, assim, integrei também esta prática na minha rotina diária dentro do barco.
Em vez de pensar em tudo que não podia fazer, pensava no que faria uma vez chegado à terra firme. Visualizava as cenas de cada dia, as vivia intensamente e gozava da espera. Tudo o que podemos obter em seguida não é interessante. Nunca. A espera serve para sublimar o desejo e torná-lo mais poderoso. Eu me privei de alimentos suculentos, de garrafas de rum e outras delícias. Me havia privado de jogar baralho, de dormir muito, de praticar o ócio, de pensar apenas no que me privaram.- Como acabou, Capitão?- Eu adquiri todos aqueles hábitos novos. Me deixaram baixar do barco muito tempo depois do previsto.- Privaram vocês da primavera, então?- Sim, naquele ano me privaram da primavera, e de muitas coisas mais, mas eu, mesmo assim, floresci, levei a primavera dentro de mim, e ninguém nunca mais pode tirá-la de mim.

Com quem você quer estar depois da quarentena?

Ninguém nos avisou de que íamos entrar em confinamento, por isso tivemos pouco tempo, ou quase nenhuma opção, pra decidir com quem iríamos passar esse período de reclusão.
Tivemos que continuar sozinhos ou mudar rápido pra casa de alguém, continuar com a família que escolhemos até o momento ou com os amigos com quem dividimos o mesmo teto.
Como está sendo esse STOP pra você? Recebi esses dias no WhatsApp uma imagem que dizia “Tô conversando com a minha esposa e ela parece ser gente boa!” e outra que mostrava a mãe em home office no computador com os três filhos amarrados e amordaçados no chão. Piadinhas à parte, o confinamento é a oportunidade de lançar um outro olhar aos nossos parceiros de morada, de conhecê-los mais profundamente, de bater papos mais profundos, de percebermos eles de forma diferente.
Com a rotina do dia-a-dia que estávamos acostumados, podíamos estar passando batido de conhecer nossos companheiros e de conviver com eles mais profundamente. Eu, por exemplo, percebi que minhas filhas não brigam se estão pintando juntas, mas que discutem o tempo todo quando estão disputando a televisão.
O homeschooling está permitindo aos pais conhecer um outro lado dos filhos, mais percebido (ou não) pelos seus professores. O homeoffice está permitindo aos parceiros conhecer mais o ofício um do outro, agregar ou atrapalhar a produção, e nos fazer dar mais valor aos nossos colegas de trabalho ou ao nosso novo modo flexível /tranquilo/colaborativo de trabalhar.
De quem você está sentindo falta durante o isolamento? Vai percorrer léguas e léguas para se encontrar com aquela pessoa distante que você percebeu que faz grande diferença na sua vida? Ou vai ficar mais aí mesmo no seu cantinho acolhido, com seus amados ou com a sua amada solitude?
Tem gente que vai perceber que o relacionamento acabou há tempos e que só percebeu isso porque não está mais distraído com as tantas coisas a fazer correndo na rotina. Tem gente que vai perceber que se cuidar melhor de suas plantinhas, elas se tornam muito mais viçosas e fortes e crescem para baixo e para cima.
Minhas gatas têm me ensinado muito a ter paz. São mestras em viver confinadas em apartamento. Muito mais mestras que muitos monges, tenho certeza. Tomam sol quando ele entra, relaxam quando o metabolismo alenta, pegam fogo quando ele atormenta: respeitam a si mesmas, sem rigidez na rotina.
O que você tem aprendido acerca das suas companhias e companheiros durante o isolamento? Quem tem valorizado a companhia? De quem se sente aliviado em se afastar? Quem está resgatando virtualmente ou no coração e deseja reencontrar quando tudo isso passar?
Coronavírus: o grande terapeuta de relacionamentos.

CORONAVÍRUS: a vida feliz não é a grande

A vida feliz não tem status, roupas de marca, viagens ambicionadas, nada de luxo. Ela acontece na simplicidade da sua vida reclusa, dentro de você.

Tem uma vizinha minha do prédio da frente fazendo ginástica no chão da sala em frente ao computador dando aula virtual pra outras pessoas, inclusive a mãe dela, porque, às vezes ela diz algo como “tem que fazer oito dessas mãe!”. Simpatizo-me com ela. É animada com o povo: “vamos lá gente!” Ela está no térreo e eu no sexto, e podia até fazer junto. Ela me faz sorrir, anima os outros, é verdadeira.
Os músicos famosos não estão mais nos grandes palcos com grandes produções, cantando para grandes públicos. Estão em casa ensaiando ou fazendo lives. Desceram do salto, estão de pantufas, querendo sua atenção daí onde você está, sem que precise sair do lugar. O covid-19 pôs todo mundo em casa, no mesmo nível de atuação.
Agora mesmo, tem um músico do prédio ao lado fazendo um show da varanda para o nosso condomínio. A arte vem salvando as pessoas da solidão e do medo, nas telas e nas sacadas. Que passemos a dar o devido valor à arte, que é militante, no nosso país.
Tenho minha filha do meio aqui na sala de casa, curtindo o desafio de fazer slime com menos ingredientes e vencendo a frustração de ter dado errado no meio da tarde. Agora já tá fazendo bubble pops toda contente.
Assisto de longe ou encontro às vezes no hall, os funcionários da limpeza do prédio. Estão sendo verdadeiros heróis, o tempo todo limpando tudo para nossa segurança. Esse trabalho “escondido” agora tem a atenção de todos e, mais do que nunca, a gratidão de todos.
É nos recônditos dos lares em confinamento e nas palavras escondidas nas mensagens e chamadas para nossos amados e amigos – que ninguém vê de verdade, só aquilo que a gente decide publicar por aí – , que está a vida feliz de verdade.
As redes sociais e internet estão sendo usadas para divulgar informações essenciais, promover aulas online, enviar trabalhos escolares, fazer home office. Não estão mais tão supérfluas como antes da pandemia. A tecnologia é grande, mas deve estar à serviço do que importa de verdade, e não a tanta distração que se cria.
Quanta saudade você está sentindo de quem teve a oportunidade de ver antes da reclusão e não viu? Quantos movimentos importantes você podia ter feito antes de estar cerrado em casa e perdeu tempo com outros menos?
A vida feliz, não é a grande, já disse o grande Bert Hellinger. É aquela que acontece dentro de você quando seu coração salta de alegria, quando pode extravasar em segurança suas lágrimas contidas, quando tem o ouvido de um amigo para as dores escondidas. Está em admirar o pôr-do-sol de uma tarde recolhida. A vida feliz é aquela em que você quer compartilhar o que tem de melhor com desconhecidos (como os músicos das varandas quarenteners) porque sabe que eles estão passando por momentos difíceis.
A vida feliz é a que se encerra em um barco, onde estamos todos unidos!