Porque as ORELHAS são delas e os FUROS da sociedade

Tempo de leitura: 14 minutos

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Resolvi escrever esse artigo para levantar uma polêmica que não cessa em grupos virtuais de mães, entre feministas e conservadoras. Porque mais do que apreciar o fogo das ideias em combate e a depuração de preconceitos, eu aprecio orelhas sem furos de crianças pequenas, porque, ao vê-las, eu vejo uma criança (uma menina) que não experimentou um procedimento de submissão e eu vejo pais com maior capacidade de respeitarem seus filhos tal como são, com autonomia sobre o próprio corpo, com liberdade para fazerem suas próprias escolhas.

Sempre gostei de usar brincos, na verdade, não me gosto sem, tiro-os para tomar banho e para dormir, somente. Na adolescência gostava tanto, que, quando tinha doze anos, decidi eu mesma fazer mais um furo em cada orelha, em casa, com agulha e algo que usei para assepsia, porque, apesar de adorar mais brincos, sempre, também, me desesperou a situação de confiar meu corpo a alguém para qualquer procedimento invasivo, ainda mais sem necessidade. Sou do tipo que desmaia quando tenho que tirar sangue ou tomar soro e estou meio abalada,  ainda mais se for com um mínimo de hostilidade. Também sou do tipo que preferia nunca ter passado por uma (desne)cesárea.

Mas, durante a minha primeira infância, não devo ter dado muita bola para brincos. Lembro-me por volta dos 6 anos, de brincar com as bijus da minha mãe. Antes disso, só me recordo do incômodo ao dormir, de enroscarem, me machucarem às vezes e de ter perdido muitos… lembro que ficava chateada quando perdia, quando ouvia minha mãe falar que eu tinha perdido mais um, não entendia como isso ocorria… sentia culpa. Não tinha maturidade pra lidar com essa responsabilidade de usar brincos e preservá-los. Incômodos de uma menininha, de muitas, com certeza, de menino algum, certamente.

Gostaria de ter feito eu mesma meus primeiros dois furos.

Não somente pelo que acho importante para mim é que respeito a integridade física das minhas filhas, pelo menos até que elas tenham as regras delas, somente permitirei que intervenham no corpo delas, por motivo de saúde.

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Não permiti que furassem as orelhas das minhas duas meninas e não havia pensado nessa questão até que ganhei o primeiro par de brincos para a mais velha. Na ocasião, recebi, agradeci, por educação, e os guardei, onde até hoje estão. Quando qualquer pessoa me falava em brincos nela, antes de ela nascer, eu simplesmente emudecia, não dava corda e seguia, assim, sem queimar os miolos com isso. Sentia como uma violação ao direito dela sobre o próprio corpo, que nem ainda entre os que falavam sobre a intervenção estava. Me soava horroroso, violento, machista. Já sentia que não o faria, embora nem sequer elaborasse um pensamento claro a respeito.

Depois de um parto roubado e de descobrir as muitas intervenções que meu primeiro filho havia sofrido sem necessidade desde antes de nascer, eu tinha muito mais coisas importantes para me ocupar, que tinham a ver com o bem-estar dela, com a saúde e integridade física dela. Pensar em furá-la sem necessidade seria um contrassenso absurdo, oposto a tudo o que eu estava buscando.

Eu já tinha um menino de 3 anos, que teve suas orelhas respeitadas, e sua integridade física até onde meu limitadíssimo esclarecimento alcançava na época, porque, então, eu não faria o mesmo com a minha filha? Ainda mais naquele momento de VBAC vitorioso e munida de informações suficientes para escolher as intervenções na minha recém-nascida que eu julgasse estritamente necessárias. Só por se tratar de uma  menina?! Que abuso! Não, obrigada não.

Quando a auxiliar de enfermagem veio me dar um cartão e oferecer furar as orelhinhas dela no dia em que ela abarcou neste mundo, eu mal esbocei uma resposta, achei o próprio oferecimento um tanto invasivo, desagradável. Quase pensei, enquanto ela fazia propaganda muito sorridente: “que folga entrar aqui e se oferecer para furar a minha filha sem qualquer abertura para isso”. Peguei o cartãozinho, não esbocei uma palavra sequer, dei um risinho de lábios cerrados e disse adeus em pensamento. Na verdade, eu era só risos, estava no céu de Anita! 😀

Não quero dizer aqui que toda mãe que submete as filhas ao procedimento de furar as orelhas o faça porque é machista, vaidosa, violenta ou fraca, não. Como um procedimento de rotina que é, furar as orelhas das filhas é uma daquelas escolhas inconscientes que a gente faz ao longo da vida e às vezes nunca chega a perceber que poderia ter agido diferente, que a escolha não era nossa na verdade.

Talvez eu tenha percebido que pudesse escolher não colocar brincos na minha filha e remeter essa escolha futura a ela, pela desnecesárea que sofri, sentindo no próprio corpo a dor e a violação desnecessárias, e pela informação que acessei sobre o excesso de intervenções praticadas de praxe nos recém-nascidos. Isso tudo me ajudou a criar  consciência do quão importante é respeitarmos os limites físicos do outro.

Escolhi para ela um parto humanizado, e um pós-parto sem colírio de prata, sem aspiração, sem banho com sabão, sem corte precoce do cordão, sem vitamina K , sem vacinas. Porque raios eu iria permitir furar as orelhinhas dela por vaidade, costume, “feminilidade”?

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Minhas meninas, em junho deste ano.

Lendo nas redes sociais sobre  acidentes diversos causados por brincos em recém-nascidos, encontrei relatos importantes:

“Minha mãe furou a minha quando era RN, disse que não chorei, só que depois com 5 meses enroscou no lençol e ela não viu, cortou e abriu toda, disse que eu berrava de dor, ela se arrepende demais por causa disso. Somente com 12 anos fiz a cirurgia pra reparar. Sou contra furar orelha, pela dor que o bebê pode sentir e acho uma invasão, você não sabe se ela vai querer, deixa ela crescer e decidir se quer ou não furar.” (Julia Bertolini)

Não esqueço até hoje a carinha da Laura quando furou a orelha. Hoje, jamais faria de novo. Me arrependo muito. Fui tão firme em todas as minhas decisões em relação a chegada dela (fizemos parto domiciliar) que não entendo até agora porque fiz isso. Atualmente ela não usa mais brinco, pois se mostrou algo perigoso. No inverno ela enroscou o brinco no meu casaco e foi um tormento para tirar. Ela tem agora 1 ano e 7 meses e não fica mais quietinha. Prefiro não arriscar…” (Catia Hueto Fantin)

Acho válido quem procura acupunturista para furar as orelhinhas para evitar possíveis danos à saúde da bebê, e quem sabe, a dor ao furar, porque uma bebê pequena responde de maneiras diversas à dor, mas essa atitude, além de não impedir que o bebê continue correndo riscos variados por usar brincos, e de não evitar o incômodo do brinco na hora de dormir, mamar, etc, continua transgredindo o direito de escolha dela sobre o próprio corpo.

É muito muito difícil definir dor mesmo em adultos que conseguem explicar o que estão sentindo. É uma vivência física e ao mesmo tempo extremamente subjetiva. Não dá MESMO pra dizer que alguma intervenção física dói muito ou pouco. Especialmente em bebês. Uma coisa é acreditar que o seu bebê não sentiu baseado na sua experiência, outra coisa é afirmar que bebê novinho não sente dor.” (Rachel Merino)

“Furei da minha filha, por questões pessoais, culturais. Hoje, se tiver mais uma filha, não sei se furaria. Como as meninas disseram, lutei tanto para ela nascer sem intervenções…. me senti invadindo o corpinho dela. Minha experiência: foi enfermeira em casa, passou anestésico, tudo como manda o figurino…bebéia chorou horrores. Me arrependi tanto, na hora mesmo (quase que não permiti furar a outra orelhinha). Se você tem dúvidas, não fure. Se te incomoda dormir com brinco, por que não incomodaria sua filha? A decisão é de cada uma mas é importante problematizar sim. E dizer que bebês não sentem dor? Ah não. Bebês podem reagir de diferentes formas frente a dor, o que não significa dizer que eles não sentem. “(Nádia Castro Alves)

Aliás, o que você está ensinando para a sua filha sobre “meu corpo, minhas regras” quando você mesma não respeita o corpo dela?

O que você está ensinando a sua filha sobre não-violência, quando você comete um ato violento contra ela em nome… do que mesmo?

“Não furei e não vou furar. Não furaram o meu e eu acho ótimo ter podido escolher.” (Yara Tropea)

“Sem contar que já mais velhas, se optarem por furar, vão se achar no máximo da conquista e lembrarão disso como desafio superado.”(Ana Carolina Arruda)

Acho muito interessante a criança poder decidir sobre o próprio corpo. A vida será cheia de momentos de decisões, esse sera apenas mais um”. (Debora Roggia)

Há dores que, pelo bem da saúde dos filhos, não podemos evitar que sofram, como o teste do pezinho, por exemplo e tantas outras intervenções necessárias à saúde deles, como as vacinas. Só que até vacinas podem ser administradas de formas mais amenas, tanto do ponto de vista físico quanto psicológico.

Mas sobre dores desnecessárias, por que não evitá-las?

“Sou mãe de 4 filhos. Dois meninos e duas meninas. E pago minha língua sempre. Nunca tinha pensado no mal em furar as orelhas das minhas filhas. A terceira coloquei com 1 mês. A pequena chorou, gritou de dor e de susto. Eu feliz por vê-la com um brilhozinho. Passei álcool e não tivemos alguma reação, mas aquele choro desnecessário dela sempre esteve entalado. Com a caçula foi diferente. Mudei. Não quero lhe causar nenhum mal. Não quero lhe causar nenhuma dor desnecessária. Ela é linda sem brinco. Quando crescer pode pedir e vou levá-la pra colocar. Para a mais velha já expliquei o que aconteceu e pedi desculpas.”(Flávia Alves)

Para mim a naturalização (ou humanização, se preferir) deve ocorrer desde a concepção até a morte, sem exceções, e o primeiro passo que devemos dar em direção a ela é respeitar os limites individuais, todos eles, e principalmente o óbvio: o corpo.

Se o livre-arbítrio é algo natural, faculdade inata que nos possibilita escolher o que nos diz respeito, se pai e mãe são nossos tutores naturais, para nos proteger nos primeiro anos de vida e para sempre nos conduzir a nossa própria essência divina, impor modelos não é algo natural, é um mal costume humano.

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A ridícula, em voga, “Escola de Princesas”, sempre com vagas esgotadas antes mesmo de iniciar as “aulas” nas cidades em que chega: adestrando meninas.

A sociedade que impõe brincos às meninas é a mesma que diz a elas para que se comportem como “moças”, para que contenham sua expressão corporal o tempo todo (“fechem a pernas!”), para que não usem cabelos curtos, para que comam, andem e falem como “moças”, é a mesma que decreta brinquedos e brincadeiras “de menina” e “de menino”,  que separa bens de consumo, principalmente brinquedos e vestuário, por gênero e a mesma que promove concursos infantis de beleza, que as comparam incessantemente à princesas lindas e indefesas. Isso, só para citar alguns exemplos.

“Tem gente que diz que a filha sentiu dor e tem gente que diz que não sentiu. Pra algumas deu problema, deu alergia, outras não. Da mesma forma, pra algumas pode fechar, pra outras não. Ou seja, há um risco. Eu, pessoalmente, acho improvável que um bebê não sinta dor, pra mim parece mais plausível que por ser tão pequenininho ainda não saiba bem reagir à dor ou algo assim. Seja como for, dá pra concordar que tem um risco, né? E pra que correr todo esse risco? em nome da sua vaidade? Sendo que quem vai pagar o pato (ou não, tá, mas pode muito bem ser que sim) é sua filha? E outra: tem muita gente que diz que é cultural e blá blá blá. Bem, muitas coisas são culturais. Acho que nós aqui já passamos do ponto de reproduzir tudo o que os outros fazem no automático. Vale pensar, vale refletir. vale a coragem de deixar um hábito de lado por uma decisão mais consciente. Pra constar: não furei a da minha filha. E nem a do meu filho. E se eu furasse a dela não conseguiria fugir de pensar em porque é que raios submeti a minha filha a uma mutilação, só por ser mulher. Mulher, como eu. Se a gente for ver a partir do viés do machismo dá pano pra manga.” (Elisa Motta Iungano)

O que você quer? Contribuir para a manutenção dessa sociedade machista através desse ato de violência infantil feminina ou mudar essa realidade dando liberdade de escolha às nossas meninas, às suas filhas, às futuras mulheres, desde crianças? Para mudar, não é necessário gastar energia defendendo o direito da sua filha e a sua postura, pois quando agimos com consciência, não precisamos nos defender, compartilhamos se temos vontade, e tocamos em frente. Basta mudar de assunto quando te falarem de brincos nela, dizer ‘não’ caso se ofereçam diretamente para furar e guardar os brincos que, porventura, ganhar. Agir diferente sem muito falar. 

Tapamos os furos que a sociedade tem ao não cometê-los nós mesmos.

Porque não furar

Pra resumir, os motivos pelos quais não se deve furar as orelhas das bebês (e meninas pequenas):

– desrespeito ao corpo alheio,

– desrespeito ao direito de escolha alheio,

– dor desnecessária,

– risco de acidente,

– desconforto desnecessário nos primeiros anos de vida (mamar, dormir, brincar),

– tornar o órgão ligado a região do furo mais vulnerável, em organismos mais sensíveis, segundo o médico acupunturista Jou Ell Jia, da Associação da Medicina Tradicional Chinesa do Brasil, em São Paulo. (Fonte)

– imposição de padrões de beleza.

“Eu sou uma feminista e todos nós deveríamos ser feministas, porque feminismo é uma outra palavra para igualdade.” (Malala Yousafzai)
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15 Comentários


  1. oi Gostei do texto, não concordo com tudo mas isso deixo para mim.
    Porém concordo sobre o ato de não furar a orelha de uma criança.
    Minha mãe também não furou milha orelha quando criança. Somente após completar 12 anos idade que ela me considerou madura para escolher, falou dos pros e contras e após eu dizer que sim ela e meu pai compraram meu primeiro brinco (tinha ganhado outros de outras pessoas, porém aquele é que considero meu primeiro brinco, pois foi comprado pelos meus pais)o dia em que furei foi um dia muito feliz como diz no seu texto uma vitoria, na época não entendia o porque dos meus pais não terem furado mas hoje entendo e concordo e se eu tiver uma filha algum dia quero proporcionar isso a ela também.


  2. Tenho as orelhas furadas e adoro, acho que nao ha nada de errado nisso. Quando tiver uma filha certamente irei furar!
    Mais respeito quem opta por nao fazer o mesmo.


  3. Esse post me lembrou constantemente um acontecimento de anos atrás, quando morei na ásia. um belo dia quando contei a uma amiga que tinha acabado de ter uma menininha linda que no Brasil ela estaria de brincos ela me olhou e arregalou os olhos “brincos? furar um BEBÊ? que coisa de maluco. isso seria como passar batom na minha filha apenas para que todo o mundo saiba que ela é mulher. quando na verdade ela nem é, é apenas um bebê”. Percebi então a dificuldade que era das brasileiras expatriadas tentando furar orelhas de meninas pequenas e recem nascidas. As levando até tatuadores/perfuradores de piercing que se recusavam a furar bebês e crianças pequenas. Tentando furar sozinhas. Correndo riscos de infecções.

    E não é que fazia muito sentido? Em alguns países as crianças são vistas apenas como crianças. Não sei atestar se isso maior lá ou se vinha do background dela. Mas a verdade é que tiramos das crianças o direito de serem apenas crianças quando as vestimos como mini adultos. Quando as incentivamos a terem bolsinhas, maquiagem, brincos, sandálias de salto. Quando dizemos aos meninos para não chorarem. Que eles precisam ser fortes. Inserimos desde muito cedo esse monte de estereótipos que nos foram enfiados goela a baixo, sem nem pensar muito sobre.

    Me botou em posição de pensar pq fazemos isso no Brasil e acredito que a minha amiga possa ter acertado em cheio. Temos a necessidade extrema de separar os gêneros dos pequenos. Comprar um enxoval de bebê sem saber o gênero é quase impossível aqui, e vocês lembrarão. Até banheiras plásticas são feitas basicamente em duas cores, rosa e azul. Tudo está segmentado. Todos os presentes vem assim. Eles crescem e isso não dimuinui muito. Desde a mais tenra idade estes estímulos guiam a criança. Hoje penso que se um dia eu engravidar provavelmente não vou querer saber o sexo. Para impedir essa expectativa. Para que de alguma forma barre uma enxurrada de pensamentos doidos culturais estereotipados, mas que provavelmente não vai resolver muito a longo prazo. Vejo dentro da minha família, brincos e pulseiras de ouro para recém-nascidos, vestidos desconfortáveis e milhões de acessórios sendo comprados para um bebê que nem nasceu. É muita idealização. E se meu/minha filha(o) for transgênero? E essas expectativas? Ficam como?

    Na Coréia do sul, (um país que muitas vezes é hipócrita e muito conservador em relação a igualdade de gêneros e sexualização feminina) os pais que possuem crianças pequenas de orelhas furadas são inclusive mal vistos. Normalmente as meninas furam suas orelhas no ensino fundamental ou no ensino médio. Quase como um rito de passagem, perto da puberdade. é uma escolha e uma expectativa social. Mas dar voz para que as crianças percebam e entendam essas cobranças e os julgamentos ao qual todos somos submetidos significa prepara-los para o mundo. Além de dar chance de agirem diferente!


    1. Gratidão Helena, por compartilhar sua experiência e visão que enriquecem e ampliam o tema. O sexismo e a adultização, creio eu, pelo que consigo saber de alguns países da Europa e dos EUA, é muito pior no Brasil, e agora com você expondo sobre um ângulo asiático, reforçam esse pensamento. Quando morei nos EUA, percebi o quanto as roupas de bebês eram mais confortáveis que as nossas, o quanto eles se preocupavam mais com o bem-estar dos bebês (nesse quesito, pelo menos), mais do que nós aqui, que fabricamos saídas de maternidade e demais roupinhas e acessórios tão incômodos para um corpinho recém saído do mundo da água, que mais quer ficar aninhadinho à mãe. Furar as orelhas é apenas um costume dentre tantos outros que incomodam um bebê no seu apenas ser bebê, que forçam uma adaptação precoce e desnecessária aos costumes do mundo adulto. Como você bem disse, as expectativas que colocamos nos filhos são um grande problema, pois não dão espaço para que eles apenas sejam eles mesmos. Muito bom você colocar que os pais que furam as meninas pequenas são mal vistos na Coréia do Sul, ajuda muito na reflexão dos pais daqui que se recusam a ver esse ato como algo anti-natural. Namastê Helena! Sua casa aqui também. 🙂


  4. Mariana, parabéns pela coragem em seu post! Difícil é achar uma mulher esclarecida e corajosa como você! Parabéns sem limites!


    1. Dayane! Namastê! Gratidão pelo incentivo! São mensagens como a sua que me animam cada vez mais a escrever com devoção. Se você se identifica é porque tem tudo isso que notou dentro de si também. Somos da mesma tribo! <3


  5. Estamos vivendo uma segunda idade media , onde as mulheres se auto mutilavam ,
    bem como os homens ,numa satisfacao da sociedade e religiao .
    Nada mais seguro , que manter todos no trilho do trem , e’ mais conveniente e facil .
    Assim teremos um vida sem mais trabalho ,pois pensar cansa .
    Concordo com aquelas que deixam o livre arbitrio para as/os RN , mas e as cores
    que sao impostas aos RN nas vestimentas e a religiao que ja foi escolhida para
    ela ,bem como o time de futebol . E’ muito mais facil seguir a manada .


    1. Sim Roberto… passam-se séculos e certas coisas permanecem, como certos conceitos e práticas… de que é preciso marcar o corpo das mulheres para diferenciá-las dos homens desde bebês, de que seja feito isso com as mulheres e não com os homens. Falando de mim, meus filhos usam todas as cores de roupas, vivem confundindo o sexo deles e eu não me importo. Religião é outra coisa que não me acho no direito de impor, mas acho fundamental buscarmos para nós e para eles uma vida mais “ligada” com o sagrado, independente de qual religião eles irão escolher, se escolherem alguma. Sim… é mais fácil ser igual do que sermos autênticos. Namastê! Seja sempre bem-vindo! 🙂


  6. Meu pai nao deixou furarem minhas orelhas quando bebe (foi uma guerra na familia.)
    Hoje com 28 anos, nem penso em fazer isso, nunca me fez falta usar brinco. Minhas filhas nao terao orelhas furadas por mim de maneira alguma, e serao desencorajadas a faze-lo atualmente por motivos religiosos.


  7. Eu furei da minha filha e me arrependi no mesmo momento. Queria voltar no tempo… Mesmo eu seguindo todas as recomendações de furar só com 3 meses, de levar num lugar reconhecido, etc… Ela chorou… e aquilo me cortou o coração… me perguntava porquê fiz aquilo com ela… e me arrependi muito… ela até teve uma inflamação e tirei… só me resta pedir desculpas para ela… hoje em dia, não ligo para as pessoas que falam para colocar novamente porque vai fechar o furo… pode fechar… quando ela quiser colocar, ela coloca… se eu tiver mais uma filha, vou deixar o poder de decisão para ela… não vou errar novamente… me arrependo todos os dias quando lembro daquela cena de eu fazendo algo para ela que não era vontade dela, nem para o bem dela…

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