O Padrão da Grandiosidade | Merecimento

Quando se crê ser superior, mais merecedor do que os outros e gera destruição

A grandiosidade é o padrão disfuncional perseguido por milhões.

É o modelo a ser seguido segundo a cultura ocidental.

Quem quer estar entre os mais bem-sucedidos, famosos ou ricos?

Muita gente.

Quem gosta de se sentir poderoso, de ter muitos seguidores e de constatar sua influência sobre os outros?

Muita gente.

E não ver a grandiosidade como uma disfuncionalidade mas como um modelo a ser seguido é o que coloca sociopatas no poder, aumenta o alcance de influencers que “vencem na vida” independente da ética, torna o mundo mais violento do que a natureza pode suportar e fada a humanidade à autodestruição.

O desejo por estar acima da grande maioria das pessoas, por ver o mundo de cima, por ter ou fazer o máximo que o dinheiro pode comprar tem origem no sentimento de DEFECTIVIDADE que todo narcisista carrega.

Mas isso não é motivo para permitir que ele viva quebrando as regras de convivência pacífica e colocando em risco a dignidade e a vida humana.

Ele precisa ser parado para que as pessoas possam ao menos EXISTIR.

“Eu não sou coveiro!”
(Jair Messias Bolsonaro)

O grandioso é um buraco negro de insatisfação e destruição.

As regras não se aplicam a ele e ele as muda conforme bem entende.

Tem delírios de grandeza e um sentimento de autoimportância suprema.

O desejo do grandioso não leva em consideração o que é realista ou sustentável, o que as pessoas julgam como razoável ou o custo para os outros.

Ele se considera merecedor de satisfação ilimitada por se considerar superior aos demais.

O grandioso pervade com intensidade os espaços privados – como o da sexualidade – com as armas que tem, para conquistar o poder que deseja.

Não se importa em influenciar perniciosamente as pessoas para atingirem seus objetivos pessoais.

Seja a erotização infantil

Seja o vício, quebra financeira e até morte por jogos de azar.

Seja o distúrbio de imagem e o consumismo que envenena

Seja o ódio a um povo, etnia, religião ou outro grupo de pessoas diverso de si e que atrapalha seus interesses…

Vende a ideia mentirosa de que você precisa ser reconhecida por nomes grandiosos, precisa ter o shape padrão e ter autoridade para ganhar atenção e se sentir amada

Só pra manter você entretida nessa BUSCA pelo que não realiza enquanto lhe dá palco e dinheiro.

Mas de que formas o grandioso o envolve para conquistar o poder, que é seu maior objetivo:

  • Demonstrando ser o realizador daquilo que você deseja (ou aprendeu a desejar?)
  • Colocando-se como facilitar/salvador para que você também realize (ou ele apenas ganhe insumos e apoio?)
  • Esbanjando carisma, cordialidade e benevolência de performance
  • E, por fim, ganhando a sua confiança e investimento de energia, dinheiro ou atenção (para manter seu reinado)

E o que você pode fazer para não cair na rede desse predador?

Descobrindo os seus próprios desejos grandiosos, aspectos grandiosos da personalidade – como o autoritarismo, o autocontrole insuficiente ou o orgulho – pois é através deles que você se conecta com a mentalidade e os projetos da pessoa grandiosa que está no poder, contribui para os objetivos daninhos dela e perde a GRANDEZA da sua própria vida, que nada tem a ver com poder.

Para encontrar a sua vida grande, conectada com a sua essência e o propósito que está no seu coração, e parar de dar insumo para os grandiosos que destroem a humanidade, clique em AMADA.

Quem me vê, assim, livre, não imagina a treta que foi me libertar: minha relação com um narcisista perverso

Ele efetuou o Grooming logo de cara. Triangulação.

Disse que havia percebido que a outra era “muito carente” e que havia me escolhido. Não com essas palavras, se não soaria muito mal pra mim, mas foi o que ele fez. Mesmo porque, a outra estava muito mais longe e impedida do que eu de lhe fornecer suprimentos.

Ele criou este cenário buscando acionar em mim o medo de perdê-lo e a sensação de incapacidade e de inferioridade… na mosca!

Exigi que ele não falasse com mais ninguém se quisesse me encontrar. Ele mentiu que o faria e esse “trato” me forçou a ceder mais do que eu deveria pra ele… Ele fazia as coisas de um jeito que só ele ganhava, sempre, mas que parecia que eu me respeitava. Não me respeitava nada.

Lembro-me da primeira despedida. No último dia, eu já chorava ao ver o lago sentada ao lado dele tomando uma cerveja no fim de tarde e, depois, no último  jantar. Ele estava frio, quase sem me olhar nos olhos e se conectar comigo profundamente, pra me acalmar. Estranhamente esquivo pra quem deveria estar afetuoso… isso denotava uma natureza fria, mas foi apenas uma das muitas bandeiras vermelhas que eu ignorei logo no início da relação.

Eu acelerei tudo. Tive pressa de compromisso. Eu disse “eu te amo” no primeiro encontro que foram 4 dias intensos de relação. Eu o deixei viciado em mim e ele me deixou nele. Não era amor, era desespero por vinculação da minha parte e prazer sem limites da dele… Ele soube como gerar isso em mim retendo desde o início.

Eu insistia, ele resistia, mas cedia – ou eu pensava que cedia.

Eu sedenta por comprometimento, ele por suprimento. 

Sei que o idealizei e também o desvalorizei após me decepcionar com a queda da fantasia diante do homem que aparecia à minha frente. Não que ele também não tivesse mentido sobre quem era, mas eu também mostrei só meu lado bom.

Ele se revelou um procrastinador, cheio de compulsões e obcecado por controlar os outros ao seu redor, e por sua imagem ilibada de bom pai, bom filho e ex marido exemplar “traído” e algoz da ex.

E eu me revelei a heroína que nunca daria conta de tudo se não tivesse a validação do parceiro. Não dei conta e ele me culpou. Ele não fez nada do que disse que faria e eu o culpei.

Ele mentiu sobre querer uma relação compromissada, mas eu também entrei em negação. Neguei a realidade daquele que só cedia às minhas necessidades sob muita pressão e que, no final, não assumia a mim, a relação e muito menos um compromisso de crescimento conjunto.

“Amei demais” quem, apenas, me sugou demais e depois me descartou como se eu fosse nada quando já tinha encontrado outra “heroína” pra lhe servir mais.

Uma paciente

A mendiga e o Samurai: sobre uma relação com um narcisista perverso

Um bravo samurai japonês, depois de vencer diversas batalhas, anunciou que iria se casar. Belo e forte, atraiu diversas mulheres que desejavam conquistar seu coração. Mas nenhuma riqueza ou beleza foi capaz de convencê-lo.

Um dia, uma jovem maltrapilha apareceu no palácio e disse ao samurai:

“Não tenho nada material para lhe oferecer. Porém, amo-o muito e, se me permitir, demonstrarei meu amor, passando cem dias em sua varanda, sem comer ou beber nada, exposta à chuva, sereno, sol e frio à noite. Se eu aguentar esses 100 dias, você me fará a sua esposa”.

O samurai, surpreso (embora não comovido) disse: “Eu aceito. Se uma mulher pode fazer tudo isso por mim, ela é digna de ser minha esposa”.

Dito isto, a mulher começou seu sacrifício.

Os dias começaram a passar e ela bravamente suportou as piores tempestades, o frio e a fome. De tempos e tempos, o samurai abria a porta e acenava, encorajando-a a continuar.

O 99º dia chegou e todos do reino se preparavam para o grande casamento.

Porém, faltando apenas uma hora para completar o desafio, a moça olhou tristemente para o samurai e retirou-se.

Ao chegar em casa, seu pai perguntou a ela porque havia desistido. E ela respondeu:

”Permaneci por 99 dias e 23 horas em sua varanda, suportando todos os tipos de calamidades e ele foi incapaz se me liberar desse sacrifício. Ele meu viu sofrendo e só me encorajou a continuar, sem mostrar nem um pouco de compaixão pelo meu sofrimento. Eu esperei todo esse tempo por um vislumbre de bondade e consideração que nunca veio. Então eu entendi: uma pessoa tão egoísta, imprudente e cega, que só pensa em si mesma, não merece meu amor!”

Isso nos faz refletir: quando você ama alguém e sente que para manter essa pessoa ao seu lado você tem que sofrer, sacrificar sua essência e até implorar, mesmo que doa, se retire. E não tanto porque as coisas ficam difíceis, mas porque quem não faz você se sentir valorizado, quem não é capaz de lhe doar o melhor de si mesmo, será incapaz de retribuir o compromisso e a entrega que você dispensou a ele e, DEFINITIVAMENTE, você merece um amor do tamanho de si”.

Porque a APAIXONADA NATA se conecta ao NARCISISTA ou PSICOPATA

Atração fatal entre o emocional e o racional

Pessoas que costumam se apaixonar facilmente e muitas vezes são mais propensas a se envolverem com parceiros que possuem traços de personalidade associados ao narcisismo e psicopatia, é o que mostram alguns estudos.

Em dois destes, foram investigadas as reações de 450 participantes a traços de um “parceiro romântico ideal” e à atratividade de vários perfis de namoro. Os pesquisadores deram atenção especial às classificações dos traços subjacentes ao narcisismo, psicopatia e maquiavelismo: manipulação, falta de sensibilidade e comportamentos de riscos.

Não surpreendentemente, pessoas que se apaixonam facilmente eram mais propensas a serem atraídas por qualquer pessoa nas avaliações. Mas ainda mais interessante foi a associação forte e única existente com a atração por pessoas com esses traços “sombrios”.

Com o narcisismo, especificamente, o apelo inicial é compreensível. Pessoas com traços narcisistas tendem a ser extrovertidas e enérgicas. Elas estão abertas a novas experiências, o que é emocionante e útil para os primeiros encontros, e muitas vezes se sentem confortáveis falando sobre uma ampla gama de tópicos, o que as ajuda a se envolverem facilmente com novos conhecidos. Além disso, sua visão grandiosa de si mesmas muitas vezes parece confiança, e elas tendem a ser fisicamente atraentes porque passam mais tempo cuidando de sua aparência.

Porém, não necessariamente uma pessoa que se apaixona facilmente irá se apaixonar por pessoas que possuem esses traços de personalidade, e sim que isso pode acontecer com mais frequência do que outros.

Lechuga, J. & Jones, D. (2021). Emophilia and other predictors of attraction to individuals with Dark Triad traits. Personality and Individual Differences. 168. 110318. 10.1016/j.paid.2020.110318.

O Narcisismo para a Psicanálise

O termo “narcisismo” foi utilizado pela primeira vez na área da psicanálise pelo alemão Paul Nacke em 1899. Ele fez uso desse termo para nomear o estado de amor de uma pessoa por si mesmo.

Para o pai da Psicanálise, Sigmund Freud, o narcisismo é uma fase do desenvolvimento das pessoas. É um estágio em que se verifica a passagem do autoerotismo – que é uma fase em que o ego ainda não existe -, ou seja, do prazer que é concentrado no próprio corpo, para eleição de outro ser como objeto de amor. Essa transição é importante porque o indivíduo adquire a habilidade de conviver com aquilo que é diferente e amar.

De acordo com Freud, todas as pessoas são narcisistas em certo ponto, já que elas contêm em si um ímpeto pela autoconservação.

Para Melanie Klein, o narcisismo seria um instinto destrutivo. O interesse narcisista representaria uma agressão dirigida ao objeto.

Jacques Lacan também trouxe grande contribuições ao tema narcisismo. Ele explicou o que chamou de “suposição de sujeito”, quando um bebê não se conhece, mas se percebe através de sua mãe e da imagem de filho que sua mãe gostaria de ter. Vê-se que a presença do outro é fundamental para o indivíduo se perceber.

Contudo, no momento em que o bebê, já maior, observa o seu próprio reflexo no espelho, ele passa a se reconhecer na imagem refletida, que ele acredita ser real. Nesse estágio, o eu se identifica a partir da imagem do outro. Pode-se afirmar que o estágio do espelho é uma simbologia narcísica, pois o sujeito se aliena em si mesmo.

As teorias acima entendem o narcisismo não como um transtorno, mas como parte do desenvolvimento e diferenciação do ego, mas dão pistas do que desenvolve o transtorno.