DESACELERAR para o tempo em que a VIDA ACONTECE

Se tem uma coisa que a gente aprende convivendo com gatos e cachorros, quando os amamos, é a relaxar. Uma das gatinhas sabe passar horas sob a sombra na relva daqui de casa, a cachorra adora ficar deitada na grama debaixo do carro e a outra gata quase não faz nada durante o dia pra ficar alerta a noite toda.

Eles relaxam, fazem o que o corpo pede, respondem ao ambiente externo ora se protegendo, ora relaxando, ora vigiando possíveis ameaças.

Gulosa adubando

Nós, humanos urbanos, permanecemos num estado de tensão constante, que não nos permite nem vigiar bem, nem perceber bem o que ocorre externamente, muito menos relaxar quando deveríamos.

Parece que se não corrermos seremos pegos ou mesmo dizimados. Mas a maior parte desses medos e ameaças é totalmente surreal, derivados de um passado que nos fez entrar no sistema corrente e que impregnou nosso modus operandi.

A vida na natureza é pacata, como o nome do tigre “preguiçoso” do He-Man. Na verdade, pacato quer dizer “que ou quem tem natureza ou índole não agitada ou não agressiva”, como primeiro significado.

Bom, tô escrevendo aqui para assumir que , infelizmente, não aprendi com os bichinhos, não como deveria. A Existência generosa me deu a oportunidade de conviver com eles para aprender, pois, como sempre, nos brinda com a chance de aprender pelo amor. Preferi a segunda opção: aprender pela dor. No meu caso, pela dor pela qual a maioria de nós tem mais apego: a dor no bolso.

Eu vim pra Serra da Cantareira em janeiro deste ano, depois de uma temporada de 2 anos em São Paulo,  e continuei a fazer correria. Correria para “dar conta da lista de afazeres diários”, correria para cobrar dos meus filhos que dessem conta dos afazeres diários deles. Correria para fazer almoço (o que resulta em comida ruim que ninguém quer, com razão). Correria para levar para a escola… e foi aí que eu me estrepei.

Não dá pra fazer correria em ruas de terra com rachaduras profundas se não se tem um carro alto e 4×4, mas eu fiz, ariana arriscadora que sou, e a vida, por aí, me ensinou. Seguem as lições que me ensinaram com dor (por opção minha) a desacelerar.

As estradas “lentas” de imagens eternas

1ª lição:

Atolamos eu e uma das minhas filhas num dia de chuva. Enchi-me de barro, enchi o carro de barro. Folhas e galhos sob a roda que jogava tudo pra trás e eu sentei cansada de tentar. De repente, avisto um carro descendo a rua com cuidado, ao passar por mim, o sujeito me disse: “moça, é perda de tempo tentar tirar o carro daí, por isso não vou nem te ajudar, por isso que eu não gosto de morar nesse lugar. Esse lugar é abandonado, ninguém cuida disso daqui. Chama o guincho, porque só ele pra tirar você desse lugar.” Eu, que estava sorrindo achando que ia receber ajuda, fiquei atônita e paralisada até ele sumir do meu olhar. Entrei no carro, olhei pra minha filha e falei: vou tirar esse carro daqui agora! (Ariana apressada e inconformada que sou). Coloquei uns tijolos baianos atrás da roda e saí. Ufa! Mas o pneu já era, levantou até linhas de nylon que eu nem sabia que existiam dentro dele. Dirigi até a borracharia rezando pro pneu não estourar, troquei pelo step e, dias depois, tive que adquirir dois pneus semi-novos. Primeira dor no bolso devido a correria.

Paisagens da volta da escola no pôr-do-sol

2ª lição:

Atrasada para a escola, pego a estrada após uns dias fortes de chuva e sinto aquela porrada de uma pedra sob o carro. Rodas intactas, nenhuma luz no painel. Sigo pra escola com aquele ronco alto da frente do carro. Na mecânica descubro: amassou o carter e quebrou o radiador. Segunda dor no bolso, mais dolorida, devido a correria.

3ª lição:

Um barulhinho incômodo que o carro já fazia, piorou. Vou pra mecânica e descubro: o cárter amassou mais e não dá pra desamassar, tem que substituir. Terceira dor no bolso, mais amena, devido a correria, hora de aprender, né?

“Quando você repete um erro, não é um erro novamente: é uma decisão.” Paulo Coelho

Fora as dores no bolso consecutivas, sofri e fiz sofrer dores no corpo e na alma, devido a correria pelo alto grau de exigência que eu estava impondo a mim e a meus filhos. Pela terceira segunda-feira consecutiva eu sentia tonturas, enjoo, sensação de que ia desmaiar. Era meu corpo no limite do estresse com seus altos níveis de cortisol que me pedia para desacelerar.

As formigas de casa ensinam que é passo-a-passo que grandes cargas podem ser carregadas

O encontro com aquele moço do dia do atolamento foi Providencial, como tudo na vida, e me fez pensar o quanto eu amo esse lugar, o quanto quero morar aqui e cuidar daqui. Mas demorei a chegar à conclusão de que se quero viver bem aqui, tenho que respeitar as estradas de terra, com o tempo que levam para serem atravessadas sem dor, que é o tempo que nos permite que observemos as borboletas que nos cruzam na estrada, de todas as cores, tamanhos, danças e sons (sim!, porque aqui temos estaladeiras), que é o tempo que nos permitiu parar para ver o rio que nos alinha em parte do caminho e que deixa a estrada sempre molhada, que é o tempo que nos permite descobrirmos pássaros, esquilos, macacos ou outros habitantes da serra.

Lembrei de uma lição de Chico Xavier de que havia esquecido, (porque achava que não era pra mim, que não me considerava urbana por achar que saí de São Paulo… mas não deixava São Paulo sair de mim). Ele dizia que os engarrafamentos das grandes cidades surgiram para que as pessoas aprendessem a parar, já que correndo demais nos perdemos de nós mesmos e do nosso propósito dessa existência.

A glória de ser porto da transformação

Mas só mudei de atitude mesmo depois da

4ª lição:

No dia em que minha mais nova, a mais espuleta e impávida dos três, ficou com febre e dor de cabeça de madrugada e me deu um medo tremendo de que fosse algo grave, que eu finalmente decidi reduzir a marcha. Fiquei cuidando dela de madrugada e enxerguei a obviedade de que apenas estarmos vivos e com saúde já era o mais maravilhoso presente de Deus na nossa vida. Olhei mentalmente para cada um dos meus filhos verifiquei o quanto são seres maravilhosos, o quanto são as pessoas mais especiais que conheço, o quanto é um presente excepcional ter a oportunidade de conviver com cada um, o quanto a vibração deles me oferta um patamar bem acima do mundo em que vivemos e o quanto era tudo pra mim poder viver nessa vibração. Em suma, refleti sobre o que era mais importante na nossa vida e que eu estava deixando passar.

Estava correndo tanto que tanto eu quanto ela estávamos ficando doente. Estava correndo tanto, que estava perdendo o tempo de abraçar demoradamente (aqueles mais de 20 segundos que fazem curar), estava correndo tanto que não estava mais perdendo tempo com os risos que estavam muito escassos no meu rosto ultimamente.

Decidi estar mais presente, acompanhando cada afazer com o tempo que lhe competia e com foco, decidi diminuir meu grau de exigência comigo mesma e minha lista de coisas a cumprir e decidi acompanhá-los nas tarefas deles até que se torne um hábito natural para cada um.*

Decidi, por fim, sairmos bem antes para irmos à escola sem tensão, sem dores no bolso e aproveitando a oportunidade de contemplarmos juntos a Cantareira cheia de vida e encantos que é o nosso novo lar.

*Na minha concepção, que se alinham às pedagogias Waldorf e Montessori, as crianças devem participar dos afazeres domésticos na medida da capacidade deles, e assistidos com paciência para aprenderem com satisfação, mas também devem ter o tempo sagrado do brincar livre respeitado. Mas como o excesso de exigências estavam interrompendo a presença, as coisas não estavam alinhadas ao que tenho fé.

“É nos momentos de decisão que o seu destino é traçado.” Anthony Robbins

Aos meus filhos

Eu não sou a mãe que “mata os peixes”, sou aquela que enche o apartamento de plantas e adota dois gatos, tenta dar conta de tudo mas vive deixando vocês abrindo a porta da geladeira mil vezes procurando coisa porque não fez mercado, nem compra quase porcaria… a mãe natureba apressada.

Perdão meus filhos. Eu não sou a mãe que mima, deixo isso para a avó de vocês. Mas, sabe de uma coisa? A avó de vocês, quando era minha mãe, também não tinha tempo pra me mimar, e quem fazia isso era a minha avó Estrella, a bisa de vocês.

Mas, umas coisas importantes eu aprendi convivendo com a minha mãe sem ela dizer uma única palavra.

Ela quase não reclamava, mas sempre me parecia muito triste e cansada e, muitas vezes, eu achava que a culpa era minha… mas pior do que sentir aquela culpa confusa, era não ter a mínima ideia do que fazer para ajudá-la e deixar de ser um peso pra ela.

Uma das coisas que eu aprendi (muito tarde, por sinal), é que a culpa nunca é das crianças! Saibam disso. Nunca acreditem nisso porque não é verdade. Eu só descobri isso quando virei adolescente, mas só tive certeza mesmo quando virei mãe. Outra coisa que aprendi com ela, vendo-a triste e cansada, é que a gente não pode abandonar os nossos sonhos.

Sempre que eu perguntava pra ela o que ela queria ser quando ela era criança (porque sem saber de nada, só sentindo tudo como as crianças sabem fazer, eu queria desenterrar a alegria dela), ela me respondia que queria ser bailarina, e sorria um pouco, ainda meio triste.

Então eu decidi, num momento da minha vida, quando eu percebi que eu estava tendo uma vida parecida com a dela, de trabalhar trabalhar, criar filho sem ser feliz, um tempinho depois que você, Fernando, nasceu, que eu ia viver de outra maneira, pra tentar ser feliz.

Só que, como eu não tinha aprendido isso em casa, com meus pais, muito menos na escola, eu fui tentando encontrar a felicidade por uns caminhos desconhecidos e, às vezes, bem tortos na vida, como se eu tivesse num labirinto. Às vezes, parecia que eu tinha escolhido um caminho que ia me levar pra um lugar legal, mas passava um tempo e eu dava de cara com um paredão, num beco sem saída, e tinha que voltar para trás para tentar outro caminho.

E fui andando assim até o dia em que aprendi que ser feliz e viver nossos sonhos é algo que a gente não tem que tentar, mas decidir, igual as crianças fazem quando decidem ir ao parquinho, ou quando decidem a brincadeira do momento.

O lema da Cinderella moderna está certíssimo: a gente tem que ter coragem e ser gentil. Quando a gente para de ter medo, de hesitar andar pelo desconhecido caminho dos nossos sonhos (desconhecido porque é só nosso, ninguém no mundo jamais andou por ele antes, por isso é tão especial!), a gente não está mais num labirinto, o cenário muda como num passe de mágica e somos transportados para um campo aberto, e tudo fica mais claro.

Não que, de repente, tudo fique fácil, nada disso. A Cinderella, por exemplo, ralou muito, o Tony Stark atraiu ainda mais inimigos e a Rapunzel teve que aprender a andar no chão. Dá um trabalhão ainda (como o livro que a mamãe tá escrevendo). Mas a diferença de andar com coragem, amor e liberdade é que esse jeito de andar nos traz alegria, faz o coração bater forte, porque traz novidades o tempo todo e faz a gente construir uma coisa bonita, que pode ser admirada por outras pessoas e que pode ajudá-las a ouvir o coração delas e seguir o caminho da alma delas. 

Jesus nos ensinou a não por a nossa candeia sob o alqueire, que quer dizer a mesma coisa que não colocar a luz da nossa alma escondida debaixo do cobertor… Quando deixamos nossa luz brilhar, iluminamos e ajudamos a todos que estão perto de nós, assim como fez o Groot em Guardiões da Galáxia.

Então, pra resumir, o que eu queria dizer pra vocês são duas coisas: PERDÃO E ATENÇÃO!

Eu sei como deve ser difícil pra vocês ter uma mãe que escreve livros que tomam o tempo dos filhos, porque tem que pesquisar e precisa de silêncio que toma o tempo da conversa e do compartilhar. Perdão porque deve ser quase insuportável ter uma mãe jornalista ativista, que perde muito tempo fazendo campanha, escrevendo notícias, só pra ver o povo entender melhor e sem ganhar dinheiro a mais pra gente passear no fim de semana.

Vocês são filhos de uma nova era e eu me sinto no dever de ser aquela que vai resolver a transição , quebrar com os fantasmas do passado pra não deixar eles avançarem pra era de vocês… Perdão porque não sou a mãe que vai ralar pra fazer dinheiro pra gente viajar no fim do ano ou pra levar vocês na Disney (apesar de eu já ter ido ao castelo da Cinderella), ou pra torrar tudo no shopping no final de semana.

Eu sou a mãe chata que critica vídeo-game, minimalista compulsiva, que dá livro de ciência e mitologia, e insiste que não precisam de 90% dos desejos que despertam em vocês através das propagandas.

E sou a mãe sortuda também, porque vocês já se afeiçoaram à leitura, à pintura (que tomou as paredes e portas do apartamento) e ao brincar sem tecnologia. Tenho muita sorte de poder trazer mais música pra vida de vocês e tenho sorte de deixar escrito em palavras o que não sei explicar dizendo, hoje, pra vocês.

Agora sobre a ATENÇÃO:

Não dá pra ter tudo o tempo todo. Tem dias que eu sou a mãe que acerta a mão na cozinha, tem dias que ou come o que tem e tá ruim ou abre a geladeira mil vezes pra ver se uma mágica acontece. (Mas dá pra ter tudo a seu tempo).

Apesar de eu errar muito, o que eu quero mesmo do fundo do coração que vocês vejam, é que eu sou uma mãe que vive os sonhos e incentiva vocês a viverem os seus, mesmo sendo só eu e vocês e vocês sentirem falta de mais da minha atenção, da comida boa todos os dias e de mais coisinhas caras do que eu consigo dar.

Eu sei que vocês sentem falta, mas toda frustração fortalece e ensina a gente a conquistar por nós mesmos. Se eu não viver o que está no meu coração, eu é que irei faltar e ficarei triste, igual minha mãe era, e eu acho que isso é o que as crianças menos querem: uma mãe triste.

Não que eu tenha deixado totalmente de ser triste ou irritada. Muitas vezes eu sou essas coisas que assombram todo mundo. Eu sou também a mãe louca que quer dar conta de tudo e às vezes dá conta de quase nada e até fica doente. Peço perdão por esses momentos também, porque é nessas horas que eu falho… e, como toda mãe-heroína, eu não gosto de falhar, me arrependo muito e choro, como agora escrevendo isso tudo… e, muitas vezes, depois que vocês dormem.

Mas, apesar disso também, eu tenho meu momentos felizes e estou construindo um sonho importante pra mim, e é isso que eu quero que vocês façam da vida de vocês, que vocês sigam o que está no coração de vocês, o que traz alegria, o que pode fazer bem a outro alguém também.

É difícil e nem todo dia a gente consegue dar conta de tudo da vida (e do sonho também), mas o importante é continuar se guiando pelo coração com coragem e gentileza (endurecer sin perder la ternura jamás). Uma vida sem sonhos é mais fácil, mas é mais pesada e não faz sorrir.

Não virem zumbis por um tempão como eu virei, achando que o sonho era difícil ou que não era o meu destino. O sonho é o caminho e o nosso tesouro está sempre onde está nosso coração (como ensinou Paulo Coelho em O Alquimista). Não se abalem com a geladeira vazia às vezes, porque  além de isso fazer a mamãe correr no McLixo que vocês adoram, o importante é não deixar o coração esvaziar, negando o sonho que pulsa dentro dele.

É com essas pedrinhas do caminho, chamadas frustrações, que a gente vai firmando nossa estrada e juntando pra construir nosso castelo do amanhã.

Com amor infinito,

Mamãe.

 

Nesta vida não se pode ter tudo… verdade?

Quando usamos o argumento-crença de que “nessa vida não se pode ter tudo”, no momento em que ensinamos algo aos nossos filhos (principalmente em situações de consumo), saibamos que para o inconsciente deles o que fica é a mensagem de que “não podemos ter tudo na vida”.

Então, no futuro, quando eles chegarem perto de terem tudo o que precisam para serem felizes, começarão a se auto-boicotar, porque é isso que o inconsciente deles lhes diz para fazerem, na melhor das intenções (crenças são verdades pra quem as tem!), para que confirmem a crença, ensinadas por nós, mães e pais.

As crenças são, muitas vezes, ensinadas, por nós, seus progenitores, mas, são estabelecidas através da repetição (tanto discursal, quanto comportamental), ou de momentos de impactos emocionais (situações fortes, tanto boas, como um nascimento de um filho, por exemplo, quanto más, quanto uma reprovação escolar).

Nossas sinapses nervosas viciadas nos levam a termos comportamentos que confirmem nossas crenças.

Por isso que, ao identificarmos e questionarmos crenças limitantes, mudando-as para outras melhores, nosso comportamento muda.

Preste atenção se, quando está tudo bem (profissionalmente, afetivamente, financeiramente, etc) você promove alguma atitude para boicotar o seu pleno bem-estar e fazer valer a sua crença de que “não se pode ter tudo nessa vida”.

Questione-se, vigie-se, transforme-se e ensine melhor aos seus filhos.

As possibilidades são muito maiores quando acreditamos que não apenas “podemos ter tudo” como “merecemos ter tudo” de bom dessa vida.

‪#‎crençaslimitantes‬ ‪#‎desenvolvimentopessoal‬ ‪#‎abundância‬‪#‎quebreopadrão‬ ‪#‎crieonovo‬

Publicado no Facebook em 2 de março de 2016.

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O que FALTA para AMAmentarmos MAIS

#54dias #AMAmentar #leitematernoéomelhoralimento 

Desde que tomei ciência de que a média de amamentação exclusiva no Brasil é de apenas 54 dias, sendo que o recomendado pela OMS e pelo Ministério da Saúde é de 6 meses de aleitamento EXCLUSIVO (estendido até dois anos ou mais), resolvi questionar: Por que o Brasil amamenta tão pouco? Tão pouco, digo, com relação ao ideal, não em comparação com o resto do mundo.

Bom, eu sei a resposta, todas nós que amamentamos sabemos. Mas pouco ou nada sabem (ou preferem não saber), aqueles que podem ajudar a mudar essa parca média de 54 dias de amamentação exclusiva.

Recentemente, um estudo publicado na publicação médica britânica The Lancet  apontou o Brasil como país referência mundial em aleitamento materno, com média de 14 meses de aleitamento estendido. É uma boa notícia notarmos que somos referência? Sim, contudo devemos nos atentar ao principal: o tempo ideal de aleitamento materno é de 24 meses ou mais.

Sabendo dos inúmeros benefícios da amamentação pelo tempo indicado pela Organização Mundial de Saúde e dos temíveis males da carência dela para uma pessoa durante toda a sua presente jornada, meu desejo é que cada vez mais pessoas se mobilizem para que as mães AMAmentem mais seus filhos, assim mesmo, com o AMA em maiúsculo, porque amamentar é mesmo um ato de amor, e, para darmos algo, temos que primeiro ter esse algo pra dar.

Caso você desconheça os inúmeros benefícios da amamentação conforme orientada pela OMS, vou citar alguns ao longo do texto.

Ana Julia mamando
Anita e a pega correta, na primeira mamada da vida. (Junho/2012)

 Amamentar por mais de 6 meses faz bem à saúde mental da infância à adolescência, segundo estudo coordenado pela Universidade do Oeste da Austrália. Segundo os pesquisadores, substâncias presentes no leite (como a leptina) ajudam a combater o estresse. O contato e o vínculo entre mãe e filho promovido pelo aleitamento também têm um efeito positivo no desenvolvimento psicológico da criança. (Fonte: Crescer)

Pra começar, eu gostaria de esclarecer que foi bastante trabalhoso pra mim amamentar meus três filhos (com fases muito difíceis), e continua sendo uma tarefa que exige bastante dedicação e energia, já que eu continuo amamentando minha filha mais nova e pretendo continuar por mais ou menos o dobro de meses do que ela já mamou (ela está com 13 meses agora e eu com 53 de amamentação).

A minha maior dificuldade em amamentar não se deveu, nem se deve, às mastites, rachaduras, febres, furos, dutos entupidos, “empedramentos”, etc que eu tive, mas sim às grandes culpadas pela maioria das mães desistirem da amamentação antes do tempo ideal. Já sabem quais são?

Pesquisas sugerem que crianças amamentadas, quando submetidas a testes neurológicos, incluindo a medida do quociente de inteligência (QI), têm uma pequena vantagem em relação às não-amamentadas. (Fonte: gestantesaudavel)

Pausa para mamada
Estela babando leite, em pausa para mamada durante viagem, aos quase seis meses. (Julho/2015)

Já foi demonstrado que o leite materno pode proteger em longo prazo a adultos de alergias, obesidade, colite, alguns tipos de câncer ou asma. (Fonte: guiainfantil)

Assim, eu decidi escrever esse texto pra quem quer enxergar os fatos:

FATO 1: a melhor atitude de nutrição (em todos os seus aspectos) de uma mãe para com um filho é amamentá-lo.

FATO 2: as mulheres no Brasil o fazem muito pouco por falta de APOIO (mais que por falta de informação).

FATO 3: as indústrias de fórmulas e alimentos infantis se aproveitam dessa falta de apoio às lactantes e suprem a falta (de força) com PRODUTOS. Aproveitam-se, inclusive, da falta de informação, e fortalecem a desinformação.

Dito isso, vamos questionar crenças?

Amamentar é um ato de amor. Sim, o é, mas canso de ouvir essa máxima que recai apenas sobre a mãe, dando a impressão de que se a mãe não amamenta é porque não ama seu filho. Acredito que não é massacrando a mãe que se doa sozinha e sem apoio suficiente que vamos conseguir amamentar mais nossas crianças e futura nação. Se assim fosse, teríamos conquistado uma média de amamentação bem mais satisfatória até o momento e não esses míseros quase dois meses de aleitamento exclusivo.

Apoiar a lactante é um ato de amor. Essa é a nova ideia que temos que difundir, porque para AMAmentar temos que ser nutridas também, não só de água e alimento físico mas de apoio e atenção, principalmente. Claro que existem as “raçudas” como eu, que não tiveram apoio do companheiro ou de quem quer que seja para seguir amamentando o considerado necessário e mesmo assim o fizeram, fazendo das fibras coração e vertendo amor líquido, mesmo sem receber apoio. Mas, cada um é cada um sempre tem alguém em situação pior que a nossa e todos temos limites diferentes. O fato sobre toda a questão, todavia, é um só: com apoio é mais fácil.

Fernandinho mamando com 6 meses
Fernando com 6 meses… de aleitamento exclusivo. (Setembro/2009)

Para as nutrizes, a amamentação previne fraturas por osteoporose, artrite reumatóide e esclerose múltipla. (Fonte: gestantesaudavel)

Eu não decidi escrever esse texto para desconstruir mitos. Há muitos textos que contém todas as informações científicas necessárias para se provar que o leite materno é inigualável a qualquer fórmula que existe no mercado, embora os mitos do leite fraco e afins contribuam para que as brasileiras não amamentam o suficiente. E não quero falar para o 1% de mulheres que, de fato, não pode amamentar por motivos físicos, porque existem muitas informações científicas para respaldá-las e preservá-las da culpa, e também não quero falar para as mulheres que não querem amamentar acima de qualquer informação arrebatadora acerca do néctar divino que é o leite materno e do ato de amor e de cura que é amamentar, tanto para o bebê quanto para a mãe. E, mais ainda, não quero fazer “discurso elitista” de que é só querer pra fazer.

Então, esse texto é para apoiar as mulheres que querem amamentar mais que a média brasileira, mas que não têm força, ânimo, descanso necessários para deixar o leite jorrar, para deixar o amor fluir em forma física através do seu chacra coronário, se auto-alimentando de amor e fornecendo o excedente desse amor em líquido para o seu filho. Mas acima disso, é direcionado para os pais, familiares, amigos, empregadores, sociedade como um todo que não apoiam ou que o fazem de forma insatisfatória, para os que:

– não têm que amamentar em jejum (após amamentar a noite toda) e sentir muita fome, antes de colocar qualquer alimento na boca.

– não sentem sede e, muitas vezes não conseguem buscar um copo d’água, porque possuem em seu colo um bebêadormecendo.

– não têm que levantar muitas vezes à noite para, além de amamentar, beber água e urinar o excedente.

– não sentem sono, fadiga (mental inclusive) e dores no trabalho, seja em casa ou em empresa, por muitos meses e até anos, por não dormirem o suficiente, porque amamentam de madrugada e não conseguem compensar o sono durante o dia.

– não podem se afastar de outro ser por mais de 1 ou 2 horas por seis meses, a não ser que tirem e estoquem leite antes e nem pode ir e vir, a todos os lugares que quiserem, pelo bem dele.

Leite materno é economicamente vantajoso para a família, que não tem que investir uma grande quantidade de dinheiro por ano em leite artificial, em torno de R$250,00 por mês, R$3.000,00 por ano, no primeiro ano de vida. Isso sem contar com as mamadeiras, limpadores especiais ou energia necessária para esterilizar todo o material do bebê. 

leite-materno-para-doença
O leite da esquerda é o normal, enquanto o da direita foi produzido depois do resfriado do bebê. O leite de Mallory mudou a coloração da noite para o dia. Clique para ler a matéria.

O leite materno protege as crianças contra doenças crônicas tais como Diabetes Mellitus tipo I, doenças cardiovasculares, doença celíaca, doença de Crohn, obesidade e linfoma infantil. (Fonte: gestantesaudavel)

Amamentar, como vemos até aqui não é apenas dar o seio para o outro mamar, afinal, o que o bebê irá mamar se suas mães não estão alimentadas, hidratadas, descansadas e nutridas de amor? Sem recebermos o que também necessitamos de outras fontes, temos que abdicar das nossas próprias necessidades para darmos para o nosso bebê. Só que, na maioria dos casos, a fonte seca (literalmente até) e amamenta-se menos, delegando a alimentação dos seres humanos a uma fórmula industrial muito inferior, extraída de outro animal ou da soja (que nunca na história serviu para alimentar bebês) e outros vegetais, e sem anticorpos, nutrientes e amor humanos.

Vivemos num mundo yang, machista, em que as mulheres estão na condição de exploradas, sacrificadas. Ninguém se dói por uma mãe trabalhar o dia todo e acordar a noite toda pra amamentar, enquanto muitos pais (e também avós, tios, padrinhos, etc) do filho nem se dão conta disso, afinal, é papel da mulher que quer amamentar! Se quer, que banque! Não é mesmo? Por essa crença é que não chegamos à média de amamentação ideal. Na maior parte dos casos, apenas a mãe está dedicada a alimentar o seu filho com o que há de melhor: seu próprio leite, que pode e deve ser nutrido por todos ao seu redor.

 Amamentar protege a mãe contra o câncer de mama e de ovário e reduz o risco de a mulher desenvolver síndrome metabólica (doenças cardíacas e diabetes) após a gravidez, inclusive para aquela que teve diabetes gestacional; segundo estudo publicado na American Journal of Obstetrics.

Pra finalizar, o que eu queria fortalecer aqui é que o que falta para que as brasileiras amamentem mais são, apenas, duas coisas: APOIO E INFORMAÇÃO.

O pai que apóia a mãe que amamenta, ama o filho, a família que apoia a mãe que amamenta, ama seus descendentes, a sociedade que apoia a mãe que amamenta zela pelos seus cidadãos e pelo meio ambiente, já que amamentar é (como parir naturalmente) um ato de sustentabilidade.

A informação arrebatadora sabe, daquelas capazes de fazer pessoas se mexerem para buscarem um copo d’água ou providenciarem um assento pra lactante, mas, sobretudo, e, principalmente, criarem espaços nos locais de trabalho para amamentação e ordenha e se mobilizarem a favor de leis que favoreçam a amamentação por mais tempo, conforme essas que vieram ao longo do texto, devem ser amplamente difundidas por nós, parcela da sociedade que tem consciência do quanto é benéfico para todos, que todos sejamos mais amamentados.

 A grande vantagem do aleitamento materno é que protege o bebê contra catarros, meningite, otite, bronquiolite, pneumonia, diarréia e outras doenças. (Fonte: guiainfantil)

E, como podemos fazer isso? Através das nossas conversas e atitudes diárias, na rua, no trabalho, nas esperas, nas redes e aplicativos sociais.

Com apoio e informação, a indústria de fórmulas e farinhas enriquecidas com o seu rico dinheirinho para engrossar o caldo da mamadeira fica sem função e logo teremos uma licença-maternidade maior que seis meses (que possibilitará que os seis meses iniciais da licença sejam de aleitamento exclusivo) e uma licença-paternidade suficiente para apoiar a mãe e facilitar a paternidade ativa desde o início, e não a piada de cinco dias que é.

auxiliar-nutriz

O ato de amamentar diminui os níveis de colesterol total, colesterol LDL e triglicerídeos, enquanto os níveis de HDL se mantêm elevados, bem como melhora do metabolismo dos carboidratos das lactantes. (Fonte: gestantesaudavel)

Todos os textos destacados, como o que está no parágrafo acima, fazem parte do que eu quis que você soubesse (INFORMAÇÃO), para que fizesse o que diz todo o resto (APOIAR).

Por um mundo de mães e filhos nutridos com o que há de melhor: leite materno e amor.

Com amor.

#apoioparaamamentar #apoieumanutriz #amequemamamenta #águaparalactantes #apoieumalactante

Clique aqui se quiser baixar o Manual de Aleitamento Materno da UNICEF.

Partida para renascer: meu parto Estelar

nascimento-estelaToda gravidez muda uma mulher. O primeiro filho nos torna mães, mas todos os seguintes nos tornam mais mães, mais mulheres (seres criadores), mais nós mesmas. Todo puerpério (no meu caso, a gestação também) traz sombras e preciosas revelações sobre o nosso eu interior.

Tenho três filhos, e toda a gestação, parto e pós-parto deles me transformaram muito, mas meu último parto, a vinda da Estela, cavocou as fibras mais profundas do meu Ser, tanto pelo Ser dela como pelo meu novo Ser, que despontava como resultado de intensas transformações anteriores e se concretizava com a presença dela.

Minhas transformações anteriores foram devidas, principalmente, ao advento do meu primogênito tão afim (mas mais criativo, apurado e sutil… e tão corajoso, para vir da forma que veio e me transportar ao mundo mãe),  e da minha primeira menina, que trouxe em si e para mim uma imensidão de consciência e inovação. Ambos gênios da autenticidade.

Se, durante minha última gestação me encontrei com minha sombra face a face, como nunca tinha tido a oportunidade anteriormente, com absoluta certeza, haveria de acontecer um parto muito forte, que revolucionaria a mim mesma.

Alguns meses após o parto, que aconteceu no início da madrugada do dia 26 de janeiro de 2015, tive um momento de forte recordação, em que, pela primeira vez, consegui transcrever aquele ensejo em que transitei fora do físico, em estado alterado de consciência, durante o período conhecido como expulsivo: os últimos instantes da partida, a despedida entre a união total dos seres e a encarnação.

Relembrei os acontecimentos interiores de forma tão intensa na ocasião, que é como se eu estivesse lá, naquela sala de parto de novo, observando o que somente eu e minha desembarcante (da nave-mãe e de uma metade no astral) e embarcante (neste planeta) vivenciamos.

Obs: A ocitocina sintética que me aplicaram, fazia-me voltar à consciência através de sua forçosa dor, quando, em alguns lapsos eu pensava que morreria, ou não, talvez, e partia novamente pra instância da coragem e da vida.

Eu sou força,

sou natureza,

sou explosão.

Eu sou o mar em tempestade,

(às vezes um barco),

sou revolução.

Você se alinha,

se encaminha,

desce e gira,

e já não posso ver.

Sou luz, sou toda sua luz,

sou portal de luz,

e você é quase toda você.

Parte de mim um túnel,

receptor de muita luz.

Energia intensa em fluxo.

Turbilhão.

Criação em exercício.

Sinto suas camadas se aproximando,

vindo as mais etéreas de cima

e a corpórea e mais alguma de mim.

Ainda há um fio

enquanto o círculo sagrado queima.

E quando você o passa,

com a última onda fulminante,

sinto a sua encarnação,

através do meu Ser.

Sou deusa,

sou mãe,

sou natureza.

E partimos.

Você chora.

Está encerrada,

limitada,

aterrada.

Te seguro sem jeito.

Você tem frio.

Estrela na madrugada terrena sente.

Parto contigo ofuscada.

Fico no limbo, dormente.

Ainda não posso renascer.

Nascer contigo é aterrador,

é partir com todo o progresso,

é despojar-me de todo o resto,

é ser tudo novo de novo,

sem nenhum saber,

só ser,

e ser amor,

só ser amor.

Já não sou mais eu,

não sou mais com você.

Aquela presença que fusionava em minha personalidade já não há mais,

está fora de mim.

Sou eu de novo,

sou um eu novo.

Não sei quem sou agora.

Sou um bebê.

Tudo é novo

de novo.

Estou nua e crua

como a Lua morta.

Carrego em meus minguantes braços

seu reflexo solar.

Meu bebê estelar,

ser de luz a iluminar

ininterruptamente meu Ser.

Re-ensina-me a viver.

Estrelava em minha barriga.

Trouxe à luz todas as sombras.

Fez-me gritar, ranger, chorar.

Derrubou meu ego

como um sol à pino

acaba com qualquer sombra.

Parto estrelada,

iluminada por ti.

Parto e sigo partindo

com todos os resquícios

do velho caminho:

as certezas,

as razões,

as crenças.

Parto meu orgulho,

todos os dias,

no seu profundo olhar.

Reparto meu amor

cada vez mais.

Parto meu ego sabido

para deixar sua luz, em mim, entrar.

Parto meu corpo energético

e me curvo ao seu pequeno físico,

para com sua luz

me banhar,

renascer

Estelar!

Ser de luz elevada,

seu nome: Estela!

Nota do nosso 1º aniversário no Facebook

20151130_godaHá 1 ano eu quase morri, eu me senti morrer (algumas vezes), partir-me, sair do meu corpo e ainda assim permanecer aqui. Eu tinha que me abrir, romper-me, despojar-me de cascas duras e antigas de uma vez por todas, porque através de mim, aportava neste orbe uma estrela serena, doce, profunda, livre… uma alma muito mais iluminada que esta aqui, que teve que enfrentar o luto do ego ainda na gestação e que teve que se entregar totalmente para o desconhecido da vida e aceitar de uma vez por todas viver de verdade.

Estela chegou em 26 de janeiro de 2015, após um trabalho de parto em que, por vezes, me senti sair do corpo e entrar no limiar da morte física. Eu ia e voltava com a força da Natureza que me ajudava a abrir o caminho para a chegada dela. Fiquei por 7 dias em estado semi-letárgico… eu renascia, como ela, reaprendia a viver.

Me senti aberta por muitos dias… o rompimento foi tão profundo que levou um certo tempo pra eu criar alguma casca e voltar a me movimentar normalmente.., meus movimentos estavam limitados, assim como os dela. Além do períneo, que, apesar de íntegro, estava “aberto”, eu não podia ser sem um ego novo e alguma máscara. Eu pouco falava, aos poucos criava alguma película protetora, aos poucos enxergava, aos poucos eu era eu e a via, tão grande e encerrada num corpo tão pequeno e definido, mas que extravasava no olhar, no sorriso e no toque a sua imensidão.

Há um ano essa alma-irmã, que nesta vida é também filha, vem me ensinando a partir para o desconhecido, a viver só no presente, a ser maior, a ir além de tudo o que é comum, “correto”, aceito, a ser totalmente verdadeira, a optar sempre pelo amor.

GRATIDÃO ETERNA pela dádiva de ser mãe dos meus três professores do amor, mas hoje, em especial, gratidão pelo aniversário de um ano da chegada da nossa estrela, que inundou de amor nossos corações, nos fez renascer e nos uniu ainda mais.

A encarnação dos espíritos

O Espiritismo ensina de que maneira se opera a união do Espírito com o corpo, na encarnação.

Pela sua essência espiritual, o Espírito é um ser indefinido, abstrato, que não pode ter ação direta sobre a maté- ria, sendo-lhe indispensável um intermediário, que é o envoltório fluídico, o qual, de certo modo, faz parte integrante dele. É semimaterial esse envoltório, isto é, pertence à matéria pela sua origem e à espiritualidade pela sua natureza etérea. Como toda matéria, ele é extraído do fluido cósmico universal que, nessa circunstância, sofre uma modificação especial. Esse envoltório, denominado perispírito, faz de um ser abstrato, do Espírito, um ser concreto, definido, apreensível pelo pensamento. Torna-o apto a atuar sobre a matéria tangível, conforme se dá com todos os fluidos imponderáveis, que são, como se sabe, os mais poderosos motores.

O fluido perispirítico constitui, pois, o traço de união entre o Espírito e a matéria. Enquanto aquele se acha unido ao corpo, serve-lhe ele de veículo ao pensamento, para transmitir o movimento às diversas partes do organismo, as quais atuam sob a impulsão da sua vontade e para fazer que repercutam no Espírito as sensações que os agentes exteriores produzam. Servem-lhe de fios condutores os nervos como, no telégrafo, ao fluido elétrico serve de condutor o fio metálico.

Quando o Espírito tem de encarnar num corpo humano em vias de formação, um laço fluídico, que mais não é do que uma expansão do seu perispírito, o liga ao gérmen que o atrai por uma força irresistível, desde o momento da concepção. À medida que o gérmen se desenvolve, o laço se encurta. Sob a influência do princípio vito-material do gérmen, o perispírito, que possui certas propriedades da matéria, se une, molécula a molécula, ao corpo em forma- ção, donde o poder dizer-se que o Espírito, por intermédio do seu perispírito, se enraíza, de certa maneira, nesse gérmen, como uma planta na terra. Quando o gérmen chega ao seu pleno desenvolvimento, completa é a união; nasce então o ser para a vida exterior.

(A Gênese, Allan Kardec)

 Gratidão por ler! Namastê!

Clique aqui se quiser me conhecer como DOULA.

Como eu resolvi viver do que amo sem voltar atrás

Após eu escrever meu último artigo, em que descrevi um pouco da minha realidade de mãe solo de três, longe da família e feliz, alguns questionamentos surgiram por parte de alguns leitores e resolvi compartilhar um pouco mais do meu atual processo de busca por uma vida que amo, o que inclui, claro, sustentar essa vida que amo, ou seja: trabalhar no que amo. 

…5, 4, 3, 2, 1! 2016 chegou, algo mudou?

Minha contagem regressiva não é a do ano novo, não acabou com a entrada em 1º de janeiro, nem corre até o fim do Carnaval, ou até o fim das férias, ela acontece todos os dias, porque todos os dias o sol nasce e se põe no horizonte e a cada dia a gente se aproxima do fim desta grande oportunidade que é essa jornada na Terra.

Sempre estamos contando regressivamente: “depois que eu me formar”, “até meu filho crescer”, “até ele entrar na escola”, , “depois que eu encontrar companhia”, “até o meu cabelo enrolar”, etc: procrastinação! Sempre estamos adiando, sempre estamos contando regressivamente em datas “cabalísticas” como se alguma mágica fosse acontecer num estalar de dedos e toda a nossa vida fosse mudar de uma hora para a outra, com o aparecer de uma fada madrinha ou de um príncipe encantado como na história da pobre Cinderella… evidências nada mágicas mostram que sacrificados só são recompensados quando saem da posição de vítimas e passam a ser autores da própria história.

A realidade é que, realmente, energias circulam, movimentos ocorrem o tempo todo no Universo, mas você minha/meu cara(o) amiga(o) tem um grande poder chamado livre-arbítrio, o que quer dizer que se você decidir virar uma pedra enquanto o Big Bang cria um novo mundo, você vai ser essa pedra até quando puder aguentar se enrijecer e, caso não esteja na mesma sintonia desse novo mundo que se cria à sua volta, pode voar pra fora dele e se tornar  um asteroide inerte qualquer na escuridão universal. A vida é movimento, nossa real contagem é progressiva, mas você pode optar não se mexer e ficar aí apenas coexistindo… e sofrer, afinal, nós já sabemos o que é viver infeliz, e, justamente por ser tratar de algo conhecido é que a infelicidade não nos assusta.

A realidade é que vivemos conduzidos pelo medo e não pelo amor. O medo busca segurança acima de tudo, o amor busca o desconhecido, as roupas novas para vestir a nossa alma quando cresce.

Todos os dias fazemos escolhas, conscientes, ou não, e são essas escolhas que criam o nosso universo pessoal. Todos os dias podemos escolher fazer algo para que nossa vida se pareça mais conosco ou, simplesmente, podemos  continuar fazendo coisas que aprendemos a fazer e que não têm nada a ver com o que realmente somos.

Por exemplo, você sonha em trabalhar com o que ama mas continua fazendo o que não ama, todos os dias, em vez de meditar na Travessia do divino Milton “já não sonho, hoje faço com meu braço o meu viver”. Porque a única diferença entre o que você é e o que você quer ser, é o seu fazer.

Porque se você vê, está em você e se você não manifesta isso é porque não quer.

A minha contagem regressiva

Para exemplificar o que quero compartilhar aqui, a minha contagem regressiva pessoal está acontecendo desde que pedi exoneração do meu cargo público e decidi investir em trabalhos que amo, e, ainda mais, numa vida mais verdadeira para mim e para a minha família, com ambientes e fazeres que mais combinam com o nosso eu interior, independentemente do sistema macro em que estamos mergulhados e das crenças mais padronizadas que banham a todos nós como membros de uma sociedade.

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No workshop Os 7 segredos do parto, dizendo adeus à velhos ciclos e olá a um novo e melhor.

Algumas pessoas andaram me questionando recentemente como consigo viver “como eu quero”, como pago minhas contas e sustento meus três filhos: “mas como essa mãe/mulher se sustenta economicamente falando? Tem custo de moradia, alimentação, transporte, lazer, saúde, vestuário. Existe um recorte de classe a se levar em conta…”

Bom, primeiro devo esclarecer que não vivo exatamente da forma como quero, mas estou dando os passos corajosos que faltam para que todo o apego pertença somente ao passado e para que um universo imenso esteja ao meu alcance e ao dos meus filhos (porque nesta fase da vida deles, o que eles vivem é muito uma extensão do que eu própria estou vivendo).

Algo que eu já assimilei, é que escolher conscientemente é necessário para se ser feliz e não tem nada a ver com facilidades. Na realidade, é muito difícil remar contra a maré, é muito difícil ser a gente mesmo o tempo todo, mesmo porque, nos conhecemos muito pouco, e, pra piorar, nos identificarmos o tempo todo com a nossa mente, com o nosso ego e com as nossas tantas máscaras que usamos (tipo aquele nosso eu que está nas redes sociais ou nos “bom dias” mornos que dizemos), nada disso somos nós e apenas desapegando disso tudo que nós não somos é que poderemos ser nós mesmos e viver de acordo com o nosso ser: isso sim é sucesso e felicidade! Sim, porque é muito difícil abandonar a nossa velha companheira, a infelicidade e buscar o nosso próprio sucesso, que não tem nada a ver com conceitos-padrão.

Pra quem pensa que pra mim é fácil, que sou uma privilegiada da Existência (com a minha “vida natureba whiskas sachê”, como já me disseram… e me fizeram gargalhar, agradeço), nunca tive a facilidade, por exemplo, de cuidar dos meus filhos sem pensar em prover o lar materialmente, pelo contrário, sempre fui a maior responsável por isso (muitas vezes a única, por vários períodos). (Deixo claro que acho muito justo pra quem pode e quer viver de pensão alimentícia, já que o cuidado que a mãe tem com os filhos e, muitas vezes, com um lar também, é um trabalho que demanda muito mais do que muitos outros desempenhados longe da família.)

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A espera de Estela. Setembro/2014.

Sendo assim, desde um ano atrás, alguns meses após eu ingressar no serviço público, grávida, comecei a poupar dinheiro. Eu já vivia há alguns anos uma vida muito mais simplificada do que tive a maior parte da minha vida (conto isso melhor aqui) e, acumulando meus rendimentos do serviço público com de serviços de comunicação que me mantinham fazendo home office há 7 anos, consegui me propor a poupar.

Primeiro a poupança seria para o parto domiciliar da Estela, o que acabou não acontecendo, pois mudei de ideia na reta final e decidi tê-la pelo SUS, então o dinheiro ficou lá, guardado. Depois, foi-me crescendo a ideia de que eu não queria voltar a trabalhar batendo ponto todos os dias e ficando 9 horas fora de casa, com minha bebê tão pequena e mais dois filhos pequenos sem pais presentes… atende-los apenas à noite quando eu chegasse do trabalho e nos finais de semana… definitivamente, isso não era vida pra mim, nem pra eles. Depois percebi que até mesmo financeiramente, retornar ao serviço não valeria a pena, pois eu teria que pagar escola integral para os três e as entradas e saídas acabariam empatando. Um luto no quinto mês do ano seguido da internação do meu filho foi a gota d’água: eles precisavam de mim e eu ficaria com eles acima de tudo, nem que eu tivesse que vender côco na praia ou estender minha esteira de miçangas. E outra, meus filhos merecem uma mãe feliz, se eu quero que eles sejam felizes, tenho que dar o exemplo de felicidade.

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Meus despertos. Junho/2015.

Comecei a escrever este blog para me encontrar, compartilhar todas as minhas ideias borbulhantes puerperais, ouvir o retorno disso tudo que eu ecoava e para encontrar em mim o meu, na verdade “os meus” trabalhos ideais futuros: flexíveis, de jornada reduzida e que eu amasse, sobretudo.

Li muito nas madrugadas, participei de webnários, escrevi um décimo do que gostaria. Viajei para alguns lugares, conversei muito com leitores, com amigos, fiz amigos, fiz cursos e continuo estudando.

Aos poucos a tensa neblina e ocasionais cumulus nimbus do puerpério foram abrindo frestas para a clareza e comecei a escolher. Escolhi novos novos trabalhos e me capacitar para eles, resolvi a nossa nova cidade-residência e resolvi, também, continuar a escrever e cada vez mais.

Só que, desde setembro de 2015, com o meu desligamento do serviço regular, que veio após fim da licença maternidade mais um mês de férias, também parei de receber meus rendimentos regulares tanto do cargo público quanto do cargo contratado. Tanto o serviço estável quanto o durável fecharam seu ciclo na minha vida e passei a utilizar as reservas da minha poupança para custear as despesas da minha família. Assim, até elas acabarem, (o que eu não gostaria que acontecesse), eu já tenho que ter começado a conquistar fundos provenientes dos meus novos empenhos, em outras palavras, meus novos trabalhos terão que estar dando retorno em dinheiro.

Como diz minha amada mentora Paula Abreu, “hoje nós vivemos numa cultura permeada por opções, incluindo a opção de ‘reiniciar’ e ‘desfazer’. Queremos, para tudo, ter um plano de escape. Mas, em certos momentos da vida, o que precisamos é ir em frente. Se não queimamos os barcos e sempre deixamos espaço para recuar, também permitimos a hesitação, o medo, a autosabotagem e a resistência. Quando sucesso e fracasso são as únicas alternativas, você não tem escolha a não ser ir até o fim. Se os barcos estão queimados, você está totalmente comprometido. Seu coração e sua mente estão cem por cento focados, sem distrações. Sem olhar para trás.”

Então, de barcos queimados, defronte a um imenso mar e em contagem regressiva para começar a receber o necessário para bancar a vida que escolhemos e progressiva para ter uma vida integralmente de verdade, é que lanço meu abraço à vida e minha gratidão a todos vocês que fizeram parte desse processo, e me preparo com muito amor, garra, fé e, cada vez mais, com verdade, para conquistar esse novo território prometido ao meu Ser procurador, sem chances de voltar atrás.

Feliz novo ciclo pra mim, e pra você, seja quando for, mas que seja de verdade, lembrando que todo dia é dia de viver uma vida de verdade.

Deixo vocês com a Parábola do Semeador, um ótimo não-pensamento/ ensinamento para meditarmos e nos colocarmos no nosso próprio rumo:

Naquele dia, saindo Jesus de casa, assentou-se à borda do mar. E vieram para ele muita gente, de tal sorte que, entrando em uma barca, se assentou, ficando  toda a gente de pé na ribeira; e lhes falou muitas coisas por parábolas, dizendo: Eis aí que saiu o que semeia a semear. E quando semeava, uma parte das sementes caiu junto da estrada, e vieram às aves do céu, e comeram-na. Outra, porém, caiu em pedregulho, onde não tinha muita terra, e logo nasceu, porque não tinha altura de terra. Mas saindo o sol se queimou, e porque não tinha raiz, se secou. Outra igualmente caiu sobre os espinhos, e crescendo os espinhos, a afogaram. Outra enfim caiu em boa terra, e dava fruto, havendo grãos que rendiam a cento por um, outros a sessenta, outros a trinta. O que tem ouvidos de ouvir, ouça. (Mateus, XIII: 1-9 ). Ouvi, pois, vós outros, a parábola do semeador. Todo aquele que ouve a palavra do Reino e não a entende, vem o mau e arrebata o que se semeou no seu coração; este é o que recebeu a semente junto da estrada. Mas o que recebeu a semente no pedregulho, este é o que ouve a palavra, e logo a recebe com gosto; porém, ele não tem em si raiz, antes é de pouca duração, e quando lhe sobrevêm tribulação e perseguição por amor da palavra, logo se escandaliza. E o que recebeu a semente entre espinhos, este é o que ouve a palavra, porém os cuidados deste mundo e o engano das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutuosa. E o que recebeu a semente em boa terra, este é o que ouve a palavra e a entende, e dá fruto, e assim um dá cento, e outro sessenta, e outro trinta por um. (Mateus, XIII: 18-23).

Coragem! Namastê!

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