E a história só gera sofrimento porque ela não é totalmente verdadeira.
Se a história que te traz sofrimento é da sua infância, você pode ter mentido para não se desapegar de quem te feriu, porque a sua sobrevivência dependia do seu apego.
O apego é necessário para a sobrevivência até que o ser humano se torne autônomo em todos os aspectos: fisicamente, emocionalmente, mentalmente e espiritualmente.
Da mesma forma que o filhote de passarinho dificilmente sobrevive se cair do ninho e os mamíferos não sobrevivem se não mamam, o ser humano, até a vida adulta, não sobrevive se não se agarra em outros seres humanos – dos quais vai se desprendendo conforme vai se tornando capaz.
Então, você pode ter mentido pra si mesmo de que você não tinha o olhar atento e o tempo de qualidade dos seus pais porque você ainda não era “boa o bastante” para receber esse cuidado e não porque eles não tinham essa disponibilidade afetiva.
Embora a mentira de que “a culpa foi sua” por não receber o cuidado devido tenha lhe ajudado a se manter apegada a eles e sobreviver lá atrás, hoje em dia – e porque você tem uma racionalidade que questiona isso – ela apenas lhe causa sofrimento.
Então, o primeiro passo para erradicar o sofrimento, é descobrir a verdade por trás das histórias da infância e adolescência que martirizam; e lidar com toda a dor reprimida que virá à tona após a revelação.
E tão importante quanto essa revisão das histórias de quando ainda precisávamos do apego a qualquer custo, é fazermos uma revisão das histórias da vida adulta, reeditadas sobre as mesmas bases do autoengano .
Em vez de contar que foi “usada e abusada” por alguém sem qualquer responsabilidade sua, você vai reconhecer que por você acreditar que precisava “ser útil para ser amada”, você se permitiu ser usada na esperança de ser recompensada com o amor de quem não sabe o que é amar.
Recontar suas histórias à luz da sua própria consciência, reconhecendo a responsabilidade de cada envolvido, e se desapegando do drama é o que vai te liberar do passado para ser feliz no agora.
O que traz sofrimento não é o passado, é o apego. E nada melhor do que a verdade para soltar e fluir.
Está pronta para deixar seu sofrimento ir embora e poder ser feliz?
Empatia não é sofrer pelo outro, muito menos sofrer pelo que o outro está passando e não fazer nada para ajudar a mudar sua situação de dor, nem mesmo fazer demais pelo outro, tomando pra si o que compete a ele.
TUDO ISSO É SÓ O SEU EGO FERIDO EM OPERAÇÃO.
Então, o que é empatia e o que é esse sofrimento que você sente ao perceber o sofrimento do outro?
Há três tipos de empatia:
A mais básica é a cognitiva, a capacidade de compreender o outro.
Num nível mais profundo há a emocional, capacidade de sentir pelo outro.
E, no terceiro nível, há a empatia compassiva, aquela que busca agir para aliviar a dor do outro.
Portanto, a empatia, por si só, não gera sofrimento, mas mais compreensão do outro e conexão com o outro.
SE, então, ao olhar para o outro você entender e sentir a dor dele e sofrer junto com ele, não é por excesso de empatia que o seu sofrimento ocorre, é porque sua identificação com o outro disparou um gatilho que te fez sentir as suas próprias feridas não curadas.
Quando você se importa de verdade a respeito de uma situação de dor, você FAZ ALGO para aliviá-la, sem tomar para si o que é responsabilidade do outro.
Como, por exemplo, quando você cuida de uma pessoa doente enquanto ela ainda não pode cuidar de si mesma.
Se você sofre junto com o outro mas não faz nada para ajudar o outro, você está sofrendo apenas pela sua própria ferida que foi afetada pela sua identificação com o outro.
Você está sofrendo por algo que ocorreu no seu passado e do qual você ainda não se conscientizou.]
Se, por outro lado, você sofre junto com o outro mas faz demais para livrá-lo de seu sofrimento, invadindo sua autonomia, quem está no comando é o seu ego ferido, é o seu Complexo de Salvadora (que deseja gratidão ou reconhecimento por essa “caridade” em excesso).
Como o pai ou responsável que não permitiu que o filho adquirisse autorresponsabilidade suficiente porque o controlou demasiadamente afim de se realizar através do filho.
Empatia demais não existe, assim como amar demais não existe.
Só “ama demais” quem está ferido demais. Só se doa demais para o outro quem tem interesse em controlar o outro.
Quem sofre ao se doar para o outro é porque está esperando algo do outro. Não é um comportamento desinteressado. Não é amor.
Mas eu sofro até por desconhecidos, por pessoas em situação de rua, pelo genocídio! Por me sentir de mãos atadas para aliviar o sofrimento dessa gente!
Faça o que você pode para ajudar, sem se prejudicar. Sempre vai doer para quem se importa, porque a dor é inerente à vida e há dor no coração de quem sente.
Mas toda dor passa e o sofrimento é sempre opcional: na opção de se apegar ao próprio desejo.
Você não irá sofrer se tiver a consciência tranquila de que fez tudo o que podia para ajudar ao seu próximo.
VOCÊ SÓ É RESPONSÁVEL POR AQUILO QUE ESTÁ DIRETAMENTE AO ALCANCE DO SEU PODER DE AÇÃO.
Por isso a culpa é vaidade do ego e o sofrimento é inalienável.
Hipersensibilidade ao outro é necessidade de curar a si mesma.
Eu fui atrás de um diagnóstico e encontrei uma resposta que eu estava buscando há muito tempo.
Quem tá por aqui já há algum tempo talvez tenha visto eu compartilhar sobre minha descoberta dos meus traços narcísicos e dos meus traços borderlines, um tempo atrás.
Mas, eu nunca falei aqui do sentimento que eu tenho, desde sempre, de ser DIVERGENTE e da minha intensa sensibilidade, em vários sentidos.
Então, se você, também, sempre se sentiu meio E.T., oscilando entre atender aos PADRÕES e assumir sua “esquisitice”, vem comigo aqui…
Já ouviu falar da Síndrome do Viajante ou do Complexo de Nômade? Acho que não porque eu inventei isso agora, mas acho que você me entendeu. Sempre me senti uma viajante, e, quando não me sinto, dou um jeito de me sentir. O que quer dizer que eu sempre busco uma forma de estar numa situação de “novidade”.
(E não, não é caso de insatisfação narcísica e nem de TDAH)
E, por muitos anos da minha vida eu achei que eu tava errada… eu ouvi muito isso. Tava errado mudar tanto, de cidade, de trabalho, de interesse – mesmo que minhas possibilidades de APRENDIZADO já tivessem se esgotado – e também tava errado meu comportamento INSURGENTE.
Fui convidada a me retirar de duas escolas no “ginásio” e sempre fui “boa de briga” quando acontecia alguma injustiça. Não podia ver uma causa nobre que tava lá na Paulista, carregando bandeira).
(Sempre achei que isso se explicava com a minha “Comissão de Frente”: Sol em Áries, Ascendente em Aquário e Lua em Escorpião. Mas não…)
Corta pro início desse ano. Veio a onda do TDAH e eu – como muita gente – me identifiquei com os sintomas. Comprei todos os livros do Dr. Russel Barkley, devorei, e não caiu como uma luva, era mais uma saia justa, não era aquilo ainda.
Conjuntamente, eu comecei a atender muitas mães atípicas e muitos neurodivergentes e a identificação foi total. Comecei a desconfiar da atipicidade em muita gente da minha família e, por último, desconfiei: “acho que sou autista”.
Não dava mais pra achar, nem ler ia me dar um diagnóstico, e eu precisava de algo assim pra entender, de uma vez por todas, quem eu era além do que eu já sabia; e a ciência tá aí pra somar ao autoconhecimento.
E o que me fez procurar a profissional que eu procurei pra me avaliar foi uma memória que me veio à tona, nada à toa. Uma vez, por volta dos meus 13 anos, minha mãe me levou a um médico muito sensível e inteligente – chamado de “guru” por algumas pessoas – que me falou algo que foi muito fundo no meu coração e na minha consciência e que me fez chorar, no mesmo momento, porque me abriu um caminho de libertação.
Eu relatei as minhas alergias e sinusites recorrentes, o transtorno que era a escola e o quanto um trabalho voluntário estava me fazendo bem. Ele me receitou uma dieta sem aditivos, sem leite, etc – algo que estou retomando agora – percebeu meu movimento de fuga, e me disse o seguinte:
“Não tenha medo de ser inteligente. Esse trabalho que você tá fazendo te faz algum bem mas o que vai te ajudar mesmo é você não ter medo de aparecer, de incomodar, e se dedicar a estudar e brilhar.”
E me contou dos percalços que passou, porque incomodava outros colegas apenas por ser bom aluno, quando era estudante de medicina na Usp. (História que veio a ocorrer comigo na segunda graduação).
Eu não era boa aluna naquela época. Sentia-me completamente deslocada, mas sempre tive paixão pelo conhecimento e nunca parava de estudar o que me despertava o interesse.
Eu lia dicionário, bula de remédio, lista telefônica, enciclopédias, tudo o que me aparecia pela frente, mas não tratava de ir bem na escola. Achava que era porque eu não concordava com a instituição, com o excesso de regras, de formatação, e etc… na verdade, essa foi a desculpa que meu ego me deu a vida todinha.
A verdade mais profunda é que eu não queria ter um bom desempenho pra não “superar” quem vivia me falando que eu “devia ter tirado 10”.
Cheguei na Giovanna, especialista em AH/SD, relatando a minha desconfiança em TDAH / TEA… (olha o ato falho). Era só mais uma resistência minha em me aceitar como sou, porque eu aprendi que pra ser AMADA, eu:
tinha que me diminuir,
não podia crescer além de quem eu amava,
não podia saber mais do que quem eu amava,
enfim, não podia ser eu mesma, tinha que ser pequena, quieta, no meu canto, nunca no palco, pra não incomodar.
(E meu perfil de personalidade é “Protagonista” veja só que recalque eu vim a me imputar!)
Eu ainda insisti na possibilidade de autismo, por conta de certos traços e a Giovanna logo me disse “não, não, já descartei desde a primeira sessão”.
Foi uma grande quebra de padrão eu aceitar um resultado – e não um diagnóstico – que não me colocasse como alguém “deficiente”. Eu tenho minhas dificuldades, mas eu queria acreditar que eu tinha uma divergência que justificasse eu ficar no meu cantinho, sem incomodar quem se sente “acima”, a ponto de justificar minhas insurgências e me perdoar pela audácia de discordar, mas a verdade era quase que oposta.
Na devolutiva eu fiquei meio em espanto, mas me veio à lembrança, enquanto a Giovanna dizia que eu fazia parte de 2% dos adultos da minha faixa etária, uma frase de Marianne Williamson, em seu livro que é um verdadeiro tratado de “Retorno ao Amor”.
Ela diz:
“Nosso maior medo não é sermos inadequados. Nosso maior medo é saber que nós somos poderosos, além do que podemos imaginar. É a nossa luz, não nossa escuridão, que mais nos assusta. Nós nos perguntamos: “Quem sou eu para ser brilhante, lindo, talentoso, fabuloso?”. Na verdade, quem é você para não ser? Você é um filho de Deus. Você, pensando pequeno, não ajuda o mundo. Não há nenhuma bondade em você se diminuir, recuar para que os outros não se sintam inseguros ao seu redor. Todos nós fomos feitos para brilhar, como as crianças brilham. Nós nascemos para manifestar a glória de Deus dentro de nós. Isso não ocorre somente em alguns de nós; mas em todos. Enquanto permitimos que nossa luz brilhe, nós, inconscientemente, damos permissão a outros para fazerem o mesmo. Quando nós nos libertamos do nosso próprio medo, nossa presença automaticamente libertará outros.”
E só estou escrevendo isso porque entrei na ultima fase do luto da minha crença na minha “deficiência”, estou na aceitação. E, escrevo, também, porque desejo ver cada vez mais consciência acerca dessa divergência, em vez de cara torta, que interpreta inteligência acima da média como ostentação.
Qualquer talento deve ser honrado, não negado, pra benefício próprio e do mundo que nos rodeia e só o AMOR é digno de ostentação.
Eu sou divergente e, quem é divergente, não sente, não pensa e não se comporta como a maioria, e, portanto, não se identifica com a maioria, nem com a maior parte dos ambientes que foram feitos e são frequentados pela maioria. Dá pra entender a sensação de deslocamento que sentimos?
O isolamento a que isso pode nos levar?
As minhas altas habilidades – e a característica de confiar demais e sonhar com o melhor – me fizeram alvo de pessoas perversas e meu enquadramento como P.A.S. (Pessoa Altamente Sensível), que não é regra pra todo SD, me fizeram sofrer muito com relações com essas pessoas.
Sem vitimizações, porque reconheço meus traços e feridas narcísicas que me levaram a essas relações, só quero ressaltar que, mesmo me diminuindo a vida toda, nem assim consegui evitar pessoas vampirizadoras – ainda apegadas à cultura da escassez – que quiseram se aproveitar do que eu podia oferecer, porque, no meu padrão, havia a crença de SER ÚTIL PARA SER AMADA.
Fui vítima da cultura da servidão feminina que acomete milhões de mulheres (já atendi centenas com esse padrão).
Foi a desconstrução de padrão que eu mesma empreendi em mim que me tornou mais AMADA e livre desse encaixe e foi neste ano, através do laudo da avaliação neuropsicológica, que me libertei do padrão que eu ainda insistia em me apegar: de não crescer para não incomodar, pra não ser julgada como esnobe (como fui tantas vezes) e me afastar, ainda mais, da minha origem narcísica.
Mas daí eu pergunto a você o que Jesus perguntou há 2 mil anos atrás:
“Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?”
Ao que ele mesmo respondeu: “são todos aqueles que fizerem a vontade de Deus.”
E qual é a vontade de Deus senão a de que você se ame muito a ponto de se permitir crescer, ser quem você é e contribuir com o que você tem de melhor?
Boa individuação a todos!
Com muito amor,
Mariana.
PS: Fica aqui minha indicação da profissional, Giovanna Strobel, (@giovanna.cognos) se você se identificou com meu relato, e meu convite para que você conheça o Quebrando o Padrão, se liberte das relações que aprisionam e seja mais você!.
Ninguém nos avisou de que íamos entrar em confinamento, por isso tivemos pouco tempo, ou quase nenhuma opção, pra decidir com quem iríamos passar esse período de reclusão. Tivemos que continuar sozinhos ou mudar rápido pra casa de alguém, continuar com a família que escolhemos até o momento ou com os amigos com quem dividimos o mesmo teto. Como está sendo esse STOP pra você? Recebi esses dias no WhatsApp uma imagem que dizia “Tô conversando com a minha esposa e ela parece ser gente boa!” e outra que mostrava a mãe em home office no computador com os três filhos amarrados e amordaçados no chão. Piadinhas à parte, o confinamento é a oportunidade de lançar um outro olhar aos nossos parceiros de morada, de conhecê-los mais profundamente, de bater papos mais profundos, de percebermos eles de forma diferente. Com a rotina do dia-a-dia que estávamos acostumados, podíamos estar passando batido de conhecer nossos companheiros e de conviver com eles mais profundamente. Eu, por exemplo, percebi que minhas filhas não brigam se estão pintando juntas, mas que discutem o tempo todo quando estão disputando a televisão. O homeschooling está permitindo aos pais conhecer um outro lado dos filhos, mais percebido (ou não) pelos seus professores. O homeoffice está permitindo aos parceiros conhecer mais o ofício um do outro, agregar ou atrapalhar a produção, e nos fazer dar mais valor aos nossos colegas de trabalho ou ao nosso novo modo flexível /tranquilo/colaborativo de trabalhar. De quem você está sentindo falta durante o isolamento? Vai percorrer léguas e léguas para se encontrar com aquela pessoa distante que você percebeu que faz grande diferença na sua vida? Ou vai ficar mais aí mesmo no seu cantinho acolhido, com seus amados ou com a sua amada solitude? Tem gente que vai perceber que o relacionamento acabou há tempos e que só percebeu isso porque não está mais distraído com as tantas coisas a fazer correndo na rotina. Tem gente que vai perceber que se cuidar melhor de suas plantinhas, elas se tornam muito mais viçosas e fortes e crescem para baixo e para cima. Minhas gatas têm me ensinado muito a ter paz. São mestras em viver confinadas em apartamento. Muito mais mestras que muitos monges, tenho certeza. Tomam sol quando ele entra, relaxam quando o metabolismo alenta, pegam fogo quando ele atormenta: respeitam a si mesmas, sem rigidez na rotina. O que você tem aprendido acerca das suas companhias e companheiros durante o isolamento? Quem tem valorizado a companhia? De quem se sente aliviado em se afastar? Quem está resgatando virtualmente ou no coração e deseja reencontrar quando tudo isso passar? Coronavírus: o grande terapeuta de relacionamentos.
Quando os canais de Veneza amanheceram claros e cheios de peixes (até cisnes voltaram pra lá), pelo vazio da multidão costumeira de turistas na cidade, o mundo percebeu a bênção por trás do mal Covid-19 para a humanidade. Os shoppings estão fechados e não há mais onde desfilar as roupas, sapatos e acessórios de grife, pois o que mais usamos são roupas confortáveis de ficar em casa e pantufas, chinelos ou pés sem sapatos. Somente o necessário. Pra quê tanto comprávamos? Consegue ver por qual ralo o seu dinheiro escorria? As viagens adiadas, mantém o dinheiro à salvo – que não servirá nem mesmo para pagar o melhor atendimento médico particular, pois logo a saúde o dinheiro não poderá comprar. O dinheiro já não pode comprar quase nada, porque há pouco onde ir e onde mostrar, e é bom salvá-lo, porque não se sabe o que será da economia. Falando em economia, de repente, se fez tão óbvio zerar os impostos para adquirir os produtos mais necessários para a saúde geral… algo que sempre deveria haver sido óbvio. Mais importante do que ganhar sobre a saúde, hoje, é preservá-la. Com a economia forçada de combustíveis, a natureza está nos mostrando que seres são os que realmente parasitam o planeta. Estes dias, a NASA divulgou duas imagens de satélite comparativas, retratando a qualidade do ar na China, em 20 de janeiro e em 25 de fevereiro deste ano, detectando reduções drásticas de dióxido de nitrogênio sobre o país. Os carros estiveram todos nas garagens primeiro na China e agora vão entrando de férias pelo mundo todo, poupando o ar de poluentes e as nossas narinas. Onde é que estávamos indo tanto que, pudemos deixar de ir sem estar nos custando a vida? Foi o fato de ficarem em casa, que salvou as vidas de muitos chineses e o fato de cada vez mais pessoas terem que ficar em casa, sem poder utilizar veículos é que está salvando a vida do nosso planeta e de nossas futuras gerações. Falando sobre nossas narinas, nunca estivemos tão atentos a elas, ao que é importante e que entra por elas – o que não inclui os perfumes importados, mas os microorganismos que não fisgam o olfato. Está sendo mais agradável sentir cheiro de desinfetante no ar, ter água sanitária na despensa e ver nosso vizinho de banho tomado, do que sentir o perfume francês do namorado.
Enquanto a humanidade está sem consumir e poluir em quarentena, o planeta Terra se reequilibra!
Até os prazeres comestíveis estão mais modestos. Afinal, pra quê sair pra comprar 100 gramas de presunto se isso pode custar sua infecção e a vida da sua família! Há mais criatividade na cozinha. Com uma batata se faz uma canoa (recheada com patê) e a gente não sabia! Mais importante do que preparar a sala para receber as visitas, é abrir espaço pra montar quebra-cabeças com a filha. Não dá pra se distrair mais comendo porcaria, melhor pensar na saúde e comer o que fortifica. Quantos hábitos inúteis mantínhamos! Quanto desequilíbrio ambiental à toa causávamos! Lembro-me, com vergonha, das tantas vezes que usava o carro pra “tomar um café” ou “dar uma voltinha”. “É rapidinho. Pra quê ir à pé?” Agora faço exercícios nas escadas do prédio para poder usar as pernas. Usar as pernas é importantíssimo e ficou restrito a um espaço reduzido. Academia sempre foi luxo! A onda, agora, é ginástica no chão da sala. Até mesmo as instituições escola e empresa estão em questão: vale a pena tanto tempo, custo e vida nessas guaridas? Parecia tão imprescindível levar os filhos para ficarem reclusos em outro lugar aprendendo tão pouco e tão torto tantas vezes. Parecia impossível fazer o trabalho do escritório em casa. Hoje, já se torna uma grande questão. Pra amanhã, combinei com a minha filha do meio de fazermos ginástica na sala, pintarmos uma tela juntas e jogarmos xadrez. Estou animada para fazer esse monte de coisas em casa com ela, que eu nunca imaginaria que coubesse num único dia… quando a gente tira o que não importa, sobra tempo para a vida! COVID-19 está nos ensinando qual é a real prosperidade, qual o real avanço para a humanidade! Santo Coronavírus: o padroeiro dos consumistas perdidos!
Tirando quem ainda está ignorante sobre o grau de contaminação do coronavírus, observando as pessoas informadas, podemos ver seus valores expostos. O que é importante pra você? O modo como você está lidando com a pandemia, contanto que esteja devidamente informado do seu papel fundamental na contenção dela e saúde de todos, escancara o que você valoriza. Há quem se importe em confortar os amigos e enviar forças mesmo que via aplicativo de mensagens instantâneas, há quem se revolte com as sanções que está sofrendo sem sequer olhar à volta e estender a mão (simbolicamente, claro), para quem tem no entorno. Há quem dê de ombros para a SAÚDE, ou porque não entendeu ainda que é a sua própria, porque não valoriza manter-se informado, porque dá de ombros para o CONHECIMENTO, ou porque ainda está encerrado em seu fictício mundo INDIVIDUAL. Se você é um egoísta velado, agora está exposto. Se é solidário, não será mais mal interpretado. A SOLIDARIEDADE está à luz de todos, assim como a falta dela, ou a IGNORÂNCIA (que também é um valor, se você opta por continuar sem saber do necessário). Com minha mãe no grupo de risco, por sua situação de saúde, descobri mais ainda quanto ela é importante pra mim e para os meus filhos. Descobri o quanto o AMOR é CUIDADO. Com meus amigos que estão se sentindo sozinhos, em quarentena do outro lado do mundo ou trabalhando em hospitais com devoção e medo, descobri uma COMPAIXÃO genuína e admiração igual, pela batalha de cada um. Sinto-me convocada a apoiá-los, mesmo de longe, sinto o valor da AMIZADE. O vírus de coroa mostra seu poder de rei ao despertar valores que estavam há muito tempo adormecidos. A SAÚDE importa mais que o DINHEIRO, a CIÊNCIA importa mais que a religião, a FÉ na humanidade unida importa mais do que a OPOSIÇÃO. A SEGURANÇA é usada para zelar pela saúde e não para combater outros humanos, porque o inimigo é desumano, literalmente, e não há como combatê-lo com a violência, mas com ESTUDO e HUMANIDADE. Os interesses do INDIVIDUALISMO não duram mais que a vida do vírus no ar, e os governantes estão tendo que zerar impostos, dar bolsa-alimentação para os profissionais informais, ajudar outros países com pessoal de saúde, costurar máscaras em vez de itens supérfluos. O mundo está aprendendo a valorizar o que é NECESSIDADE de verdade e o que é produção e CONSUMO CONSCIENTE. Valorizo mais andar sob o sol, aqui mesmo, por entre os canteiros do meu condomínio, que agora estão tão perto e tão longe. Mas, reconheço meu privilégio de ter uma varanda, e agradeço a oportunidade de tomar sol sem sair de casa. Valorizo a minha MORADIA, mais do que antes, vendo pessoas sem teto totalmente expostas à pandemia. Valorizo a LIBERDADE de ir e vir, que já não posso ter mais, nessa necessidade de confinamento. Mas, agradeço ao meu TRABALHO, home office há anos, que não me trouxe adaptações urgentes, e me compadeço de quem tem que continuar a ir trabalhar. Valorizo até não ter coisas que eu não tinha e agora estou tendo, como a DESPREOCUPAÇÃO, o ÓCIO mental. Agora há a constante preocupação em limpar o tempo todo tudo para não haver contaminação. E, se antes já admirava profundamente a profissão de lixeiro e faxineiro, hoje, valorizo ainda mais a LIMPEZA, porque dela depende a nossa SAÚDE. Valorizo mais coisas que eu já tinha, como a PRESENÇA da minha FAMÍLIA. É muito bom estar muito com eles até a paciência acabar e termos que encontrar novas formas de se relacionar, de passar o tempo, de usar nossa CRIATIVIDADE. Valorizo a PAZ mental que eu tinha mais e às vezes a perdia à toa. Como perdemos tempo e energia com o que não tem importância! Valorizo a ATENÇÃO PLENA que estamos ganhando com essa mania de limpeza e fiscalização de hábitos. O motivo pra isso é duro, mas a lição é valiosa. Dou mais valor à VIDA com AMOR, sem tensões, sem enfrentamentos, solidária, DEMOCRÁTICA. A vida tem mostrado JUSTIÇA, distribuindo um vírus independente da situação econômica, credo, etnia. E, vejo eu que se não buscarmos ser mais justos, a natureza fabricará outra lição dolorida para aprendermos a sê-lo. E você, a que tem dado mais valor? A que tem aprendido a desapegar? Como está vendo sua atitude nisso tudo? O que está te movendo? O que está movendo o mundo?