O Padrão Disfuncional do Abandono

Quando o medo da solidão e da instabilidade comandam a vida

Uma boa narrativa para exemplificar esse padrão é a de João e Maria (Hänsel und Gretel).

Os irmãos ficaram órfãos de mãe, perderam o pai para a madrasta e foram abandonados devido a escassez de recursos.

Sofreram 3 abandonos por 3 motivos diferentes.

Por uma fatalidade perderam a mãe mas o trauma não teria sido tão grande se o pai os tivesse acolhido.

Contudo, o que o pai fez foi trocá-los pela madrasta e optar por abandoná-los no meio da floresta quando a escassez material os abateu.

Mesmo assim, as crianças ainda tentaram voltar pra casa – o mesmo movimento de pessoas que têm esse padrão.

Quem não se cura do abandono sofrido na infância, seja através da ausência física, seja através da indisponibilidade emocional, seja através da instabilidade gerada por um genitor alcoólico, vai tentar “voltar pra casa” para ser acolhido.

De que forma? Das mais variadas.

Pessoas que sofrem desse padrão, comumente, buscam ajuda financeira dos pais na vida adulta, adquirem alguma adicção que necessite de atenção parental (como o álcool), desenvolvem uma vida instável para justificar o “retorno”, voltam a morar com os pais por conta de alguma “fatalidade”, enfim, dão um jeito de conseguir esse amparo que faltou no passado no presente.

Nessa trajetória, alem de estarem sempre conduzidos pelo medo da falta do outro, o que os leva a situações críticas de real falta de recursos materiais ou emocionais, gerando-lhes provações que poderiam ser evitadas, os Joãos e Marias da vida real, fatalmente encontram “A bruxa da floresta”, com sua casa lotada de doces.

Qualquer semelhança com a realidade daqueles que buscam prazeres efêmeros como doces, telas e álcool, para taparem buracos emocionais e encontram abusadores não é mera coincidência.

Abusadores como as indústrias de falsos alimentos como os refrigerantes, as farmacêuticas dos analgésicos que matam, as Big Techs que distraem do presente ou como o cara que faz o love bombing pra te “engordar pra comer depois”, estão sempre prontos para acolher essas “crianças perdidas”.

Por isso, é sempre bom lembrar o grande ensinamento da narrativa antiga: ninguém salvou João e Maria, foram eles mesmos que angariaram CORAGEM para salvarem a si mesmos.

Quando eles voltam pra casa, não voltam pra pedir proteção e amparo do pai, voltam restaurados, trazendo consigo os recursos que conquistaram por si mesmos e por compaixão àquele pai que estava miserável, pois conseguiram perdoar-lhe e porque ainda necessitavam dele até crescerem.

Se você se identificou com esse padrão, verifique se já conquistou ESTABILIDADE material e emocional, se já venceu o MEDO DA SOLIDÃO e se já parou de procurar AJUDA e AMPARO NO OUTRO.

E verifique algo muito importante: se você está ajudando seus pais para conquistar o amparo emocional que não recebeu lá atrás, porque isso ainda é demanda do padrão do abandono.

Não dá pra levar o tesouro da bruxa pro pai pra ele te amar por causa do que você lhe dá, não por quem você é, pois isso ainda é uma relação baseada na ilusão de falta e no interesse em preenchê-la através do outro.

Para parar se se sentir perdido e amedrontado e voltar pra sua verdadeira casa, que está na sua conexão com o seu próprio poder e com a Existência, clique em AMADA.

Os charlatões dominaram a internet porque há uma compulsão por mentiras

Tem muito profissional bom em muitas áreas, mas o que mais se destaca é o charlatão. O que mais cresce é o charlatão e, por conseguinte, é o que mais enriquece também.

O charlatão tem mais seguidores porque ele conta as mentiras que as pessoas querem ouvir.
Ele mente que tem um caminho fácil mas que só ele sabe esse caminho, e que o que ele sofreu você não precisará sofrer, porque ele encontrou a fórmula mágica que irá te livrar da dor e te levar ao Paraíso. Te lembra alguma coisa esse enredo? É essa ladainha que muita gente quer ouvir e ouvir e ouvir.

E com esse papo messiânico, o charlatão vende, e vende muito, e com parte desse dinheiro ele reinveste em anúncios e vende cada vez mais, fazendo com que o pequeno que fala a verdade passe batido, como um item pequeno num leilão de anúncios muito apelativo.

O pequeno, que fala a verdade, vende menos, aparece menos, faz um trabalho menor do que poderia se tantos não comprassem milagres.

O charlatão se anuncia como aquele que ajudou na cura do câncer, tal qual o João de Deus, aquele mesmo que foi preso por tráfico de órgãos e pessoas. Porque na essência,eles são do mesmo tipo: obcecados por dinheiro e poder, frios e calculistas.

O charlatão vende muito porque vende mentiras, e as pessoas compram a mentira, porque ela é doce. Tal qual a casa da bruxa da floresta que no final só quer mesmo é engolir quem ela seduz.

E assim o bom profissional contribui menos, ou até desiste, não por duvidar do próprio trabalho, mas por não ter mais forças para lutar contra a mentira e se manter ativo.

Conheço uma excelente psicóloga que virou boleira, um maravilhoso analista que virou granjeiro. “Lidar com as galinhas – disse-me ele – é muito mais seguro, cansei de lidar com os rastros da constelação e com esses coaches bandidos”.

O fato é que não basta o bom trabalho, comprovado, responsável, nada salvacionista, que, pelo contrário, lembra às pessoas que o poder e a liberdade é delas, sempre será e sempre foi para continuar lutando nesse teatro de vampiros.

É preciso que cada um se atente para o óbvio: “essa ladainha toda não me ajudou em nada, não me transformei, não graças a esse tipo”.

E parar de jogar o dinheiro conquistado com trabalho justo, na mão desses vendilhões do templo.

Pra te ajudar a sair dessa triangulação, eu gravei uma vídeo-aula em que ensino como funciona esse esquema milionário de enganação, pra você ficar mais atento a ponto de não ser sugado pra ele.

Eu vendo o meu produto no final, mas eu não quero que você o compre. Pode até sair antes de eu falar nele. Apenas aproveite o trabalho de uma profissional comprometida com a verdade, e se liberte.

“Os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos.” Nelson Rodrigues.

Na beira da praia eu sentei, chorei, me decidi e me perdoei

Uma noite eu fui pra beira da praia, sentei, olhei o mar e chorei.

“É tudo tão lindo aqui e, no entanto, eu fui tão infeliz…”

Eu tinha vivido uma relação muito sofrida, não entendia totalmente o porquê dela, mas chegara a hora de eu tomar uma decisão.

Contemplando o mar e a natureza costeira naquela noite linda e animada em minha volta, os sentimentos eram confusos. Eu via a beleza da natureza, a alegria dos outros, que estavam se relacionando bem com a vida e a pureza do meu coração. 

Por que eu não podia participar daquele banquete da vida? Tudo aquilo que estava acontecendo comigo parecia muito INJUSTO e eu tinha a plena certeza de que eu não MERECIA o que estava vivendo.

Seguido a essa constatação, a RAIVA genuína tomou conta de mim – como o prenúncio de um AMOR mais PODEROSO que estava crescendo – e eu sentia que havia chegado o momento de eu quebrar um padrão, me perdoar e tomar uma DECISÃO.

<a href="https://br.freepik.com/fotos-gratis/fogueira-brilhante-ilumina-paisagem-escura-de-inverno-gerada-por-ia_43125803.htm#query=night%20beach%20fire&position=5&from_view=search&track=ais&uuid=5363bbd1-53f9-45ca-a342-9d653cfc96c8">Imagem de stockgiu</a> no Freepik

E, naquela noite, na beira do mar que havia testemunhado a história que eu tinha vivido até ali, eu disse mais ou menos assim.

“Eu não entendo o porquê disso tudo ainda, mas eu sei que o meu coração é verdadeiro e cheio de amor pra compartilhar. Me ajude a entender tudo o que eu preciso pra me libertar, eu quero enxergar! Porque eu prometo que vou sair desse lugar muito mais próspera do que quando eu vim pra cá!”

E assim se fez.

Naquele dia eu decidi parar de reclamar da minha dor e começar a agir de todas as formas que eu sabia para tomar as rédeas da minha vida e me tornar a pessoa abundante que eu sabia que eu já era em essência.

Sem planejar exatamente o que eu faria, eu comecei a ser mais eu e, olhando pra trás, percebi que havia tomado 3 atitudes coordenadas:

1ª Dediquei-me a entender tudo o que eu tinha vivido, obstinadamente. Estudei tudo sobre o outro mas muito mais sobre mim mesma e fui descobrindo o meu PADRÃO de sentir, pensar, agir e me relacionar, e, automaticamente, passei a estar mais atenta a tudo e a tomar escolhas diárias mais conscientes, autênticas e empoderadas.

2ª Foquei no que eu queria do fundo do meu coração trabalhar, mesmo estando numa situação de “não poder escolher”, já que estava quase sem recursos financeiros. Mas não havia outra opção. Eu sabia o quanto eu era capaz de realizar quando me decidia a fazer algo e sabia que só o que eu amava fazer me preencheria de amor. Além disso, ao me dedicar ao meu trabalho do coração, não haveria brechas para uma relação idealizada entrar numa falta de propósito, pois ele não haveria.

3ª Passei a resgatar o meu prazer de estar comigo mesma em muitas situações que eu não conseguia me sentir bem sozinha. No começo não foi gostoso, porque quando a gente tá viciado, só o vício “sacia” – igual passar a comer vegetais quando se está viciado em doces -, mas aos poucos eu fui sutilizando meus sentidos, reaprendendo a relaxar, percebendo-me acolhida pela brisa do mar, pelo sol, pelo espetáculo do céu, pela terra que eu pisava, pelo vento das matas e a perceber que eu nunca estava só realmente.

Descobrindo meu mapa de apegos, vendo no papel como minhas emoções, mente e comportamentos estavam interligados num padrão automático que me levava sempre para a mesma armadilha eu descobri também minhas ROTAS DE DESAPEGO e comecei a me desapegar do que me impedia de viver em abundância, dia após dia, a me sentir mais eu  mesma e a realizar tudo que eu desejava.

Trabalhando no meu trabalho do coração eu consegui pôr meus talentos em prática, desenvolvê-los, a comungar da TRANSFORMAÇÃO com cada pessoa com que eu me conectava e aprendi a RECEBER como eu não tinha ainda aprendido na vida.

Resgatando minha relação comigo mesma eu nunca mais me senti pequena, vazia ou faltante. Minha autoestima e autoconfiança cresceu e as minhas relações foram pra um patamar de abundância.

Depois de alguns anos desse momento em que o Deus de amor ouviu minha prece e abençoou minha escolha eu tomei outra decisão, a de criar o Quebrando o Padrão, para facilitar esse processo de apropriação de si mesmo e de viver mais consciente, para mais pessoas.

Mas antes de começar a produzi-lo eu decidi ouvir as pessoas além do ambiente de terapia e, nisso, minha face jornalista foi muito aplicada. Eu sabia que as pessoas se identificavam com a minha experiência, ouvia isso continuamente, mas eu precisava me identificar mais profundamente com a experiência delas, para entender todas as formas necessárias de ajudá-las a quebrarem seus padrões e viverem, definitivamente, suas vidas de verdade.

E assim se fez.

Há pouco mais de um mês, novas pessoas, todos os dias, entram com coragem no processo e a cada encontro e tarefa, apropriam-se mais de si mesmas e liberam suas relações para o amor e a prosperidade.

E, agora, todos nós, juntos, aguardamos você com braços abertos, resultados fortalecedores e fé na autotransformação!

Vem com a gente aqui!

Como eu quebrei meu padrão de ser “menor”

Eu fui atrás de um diagnóstico e encontrei uma resposta que eu estava buscando há muito tempo.

Quem tá por aqui já há algum tempo talvez tenha visto eu compartilhar sobre minha descoberta dos meus traços narcísicos e dos meus traços borderlines, um tempo atrás.

Mas, eu nunca falei aqui do sentimento que eu tenho, desde sempre, de ser DIVERGENTE e da minha intensa sensibilidade, em vários sentidos.

Então, se você, também, sempre se sentiu meio E.T., oscilando entre atender aos PADRÕES e assumir sua “esquisitice”, vem comigo aqui…

Já ouviu falar da Síndrome do Viajante ou do Complexo de Nômade? Acho que não porque eu inventei isso agora, mas acho que você me entendeu. Sempre me senti uma viajante, e, quando não me sinto, dou
um jeito de me sentir. O que quer dizer que eu sempre busco uma forma de estar numa situação de “novidade”.

(E não, não é caso de insatisfação narcísica e nem de TDAH)

E, por muitos anos da minha vida eu achei que eu tava errada… eu ouvi muito isso. Tava errado mudar tanto, de cidade, de trabalho, de interesse – mesmo que minhas possibilidades de APRENDIZADO já tivessem se esgotado – e também tava errado meu comportamento INSURGENTE.

Fui convidada a me retirar de duas escolas no “ginásio” e sempre fui “boa de briga” quando acontecia alguma injustiça. Não podia ver uma causa nobre que tava lá na Paulista, carregando bandeira).

(Sempre achei que isso se explicava com a minha “Comissão de Frente”: Sol em Áries, Ascendente em Aquário e Lua em Escorpião. Mas não…)

Corta pro início desse ano. Veio a onda do TDAH e eu – como muita gente – me identifiquei com os sintomas. Comprei todos os livros do Dr. Russel Barkley, devorei, e não caiu como uma luva, era mais uma saia justa, não era aquilo ainda.

Conjuntamente, eu comecei a atender muitas mães atípicas e muitos neurodivergentes e a identificação foi total. Comecei a desconfiar da atipicidade em muita gente da minha família e, por último, desconfiei:
“acho que sou autista”.

Não dava mais pra achar, nem ler ia me dar um diagnóstico, e eu precisava de algo assim pra entender, de uma vez por todas, quem eu era além do que eu já sabia; e a ciência tá aí pra somar ao autoconhecimento.

E o que me fez procurar a profissional que eu procurei pra me avaliar foi uma memória que me veio à tona, nada à toa. Uma vez, por volta dos meus 13 anos, minha mãe me levou a um médico muito sensível e inteligente – chamado de “guru” por algumas pessoas – que me falou algo que foi muito fundo no meu coração e na minha consciência e que me fez chorar, no mesmo momento, porque me abriu um caminho de libertação.

Eu relatei as minhas alergias e sinusites recorrentes, o transtorno que era a escola e o quanto um trabalho voluntário estava me fazendo bem. Ele me receitou uma dieta sem aditivos, sem leite, etc – algo que estou retomando agora – percebeu meu movimento de fuga, e me disse o seguinte:

“Não tenha medo de ser inteligente. Esse trabalho que você tá fazendo te faz algum bem mas o que vai te ajudar mesmo é você não ter medo de aparecer, de incomodar, e se dedicar a estudar e brilhar.”

E me contou dos percalços que passou, porque incomodava outros colegas apenas por ser bom aluno, quando era estudante de medicina na Usp. (História que veio a ocorrer comigo na segunda graduação).

Eu não era boa aluna naquela época. Sentia-me completamente deslocada, mas sempre tive paixão pelo conhecimento e nunca parava de estudar o que me despertava o interesse.

Eu lia dicionário, bula de remédio, lista telefônica, enciclopédias, tudo o que me aparecia pela frente, mas não tratava de ir bem na escola. Achava que era porque eu não concordava com a instituição, com o excesso de regras, de formatação, e etc… na verdade, essa foi a desculpa que meu ego me deu a vida todinha.

A verdade mais profunda é que eu não queria ter um bom desempenho pra não “superar” quem vivia me falando que eu “devia ter tirado 10”.

Cheguei na Giovanna, especialista em AH/SD, relatando a minha desconfiança em TDAH / TEA… (olha o ato falho). Era só mais uma resistência minha em me aceitar como sou, porque eu aprendi que pra ser AMADA, eu:

  • tinha que me diminuir,
  • não podia crescer além de quem eu amava,
  • não podia saber mais do que quem eu amava,
  • enfim, não podia ser eu mesma, tinha que ser pequena, quieta, no meu canto, nunca no palco, pra não incomodar.

(E meu perfil de personalidade é “Protagonista” veja só que recalque eu vim a me imputar!)

Eu ainda insisti na possibilidade de autismo, por conta de certos traços e a Giovanna logo me disse “não, não, já descartei desde a primeira sessão”.

Foi uma grande quebra de padrão eu aceitar um resultado – e não um diagnóstico – que não me colocasse como alguém “deficiente”. Eu tenho minhas dificuldades, mas eu queria acreditar que eu tinha uma divergência que justificasse eu ficar no meu cantinho, sem incomodar quem se sente “acima”, a ponto de justificar minhas insurgências e me perdoar pela audácia de discordar, mas a verdade era quase que oposta.

Na devolutiva eu fiquei meio em espanto, mas me veio à lembrança, enquanto a Giovanna dizia que eu fazia parte de 2% dos adultos da minha faixa etária, uma frase de Marianne Williamson, em seu livro
que é um verdadeiro tratado de “Retorno ao Amor”.

Ela diz:

“Nosso maior medo não é sermos inadequados. Nosso maior medo é saber que nós somos poderosos, além do que podemos imaginar.
É a nossa luz, não nossa escuridão, que mais nos assusta. Nós nos perguntamos: “Quem sou eu para ser brilhante, lindo, talentoso, fabuloso?”.
Na verdade, quem é você para não ser? Você é um filho de Deus.
Você, pensando pequeno, não ajuda o mundo. Não há nenhuma bondade em você se diminuir, recuar para que os outros não se sintam inseguros ao seu redor.
Todos nós fomos feitos para brilhar, como as crianças brilham. Nós nascemos para manifestar a glória de Deus dentro de nós. Isso não ocorre somente em alguns de nós; mas em todos.
Enquanto permitimos que nossa luz brilhe, nós, inconscientemente, damos permissão a outros para fazerem o mesmo.
Quando nós nos libertamos do nosso próprio medo, nossa presença automaticamente libertará outros.”

E só estou escrevendo isso porque entrei na ultima fase do luto da minha crença na minha “deficiência”, estou na aceitação. E, escrevo, também, porque desejo ver cada vez mais consciência acerca dessa
divergência, em vez de cara torta, que interpreta inteligência acima da média como ostentação.

Qualquer talento deve ser honrado, não negado, pra benefício próprio e do mundo que nos rodeia e só o AMOR é digno de ostentação.

Eu sou divergente e, quem é divergente, não sente, não pensa e não se comporta como a maioria, e, portanto, não se identifica com a maioria, nem com a maior parte dos ambientes que foram feitos e são frequentados pela maioria. Dá pra entender a sensação de deslocamento que sentimos?

O isolamento a que isso pode nos levar?

As minhas altas habilidades – e a característica de confiar demais e sonhar com o melhor – me fizeram alvo de pessoas perversas e meu enquadramento como P.A.S. (Pessoa Altamente Sensível), que não é regra pra todo SD, me fizeram sofrer muito com relações com essas pessoas.

Sem vitimizações, porque reconheço meus traços e feridas narcísicas que me levaram a essas relações, só quero ressaltar que, mesmo me diminuindo a vida toda, nem assim consegui evitar pessoas
vampirizadoras – ainda apegadas à cultura da escassez – que quiseram se aproveitar do que eu podia oferecer, porque, no meu padrão, havia a crença de SER ÚTIL PARA SER AMADA.

Fui vítima da cultura da servidão feminina que acomete milhões de mulheres (já atendi centenas com esse padrão).

Foi a desconstrução de padrão que eu mesma empreendi em mim que me tornou mais AMADA e livre desse encaixe e foi neste ano, através do laudo da avaliação neuropsicológica, que me libertei
do padrão que eu ainda insistia em me apegar: de não crescer para não incomodar, pra não ser julgada como esnobe (como fui tantas vezes) e me afastar, ainda mais, da minha origem narcísica.

Mas daí eu pergunto a você o que Jesus perguntou há 2 mil anos atrás:

“Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?”

Ao que ele mesmo respondeu: “são todos aqueles que fizerem a vontade de Deus.”

E qual é a vontade de Deus senão a de que você se ame muito a ponto de se permitir crescer, ser quem você é e contribuir com o que você tem de melhor?

Boa individuação a todos!

Com muito amor,

Mariana.

PS: Fica aqui minha indicação da profissional, Giovanna Strobel, (@giovanna.cognos) se você se identificou com meu relato, e meu convite para que você conheça o Quebrando o Padrão, se liberte das relações que aprisionam e seja mais você!.

Para se libertar do sintoma que é a relação abusiva descubra suas causas (para não repeti-la mais)

A escolha das nossas relações são sintomas. Como eu me relaciono comigo e com o Outro são sintomas. Minha dependência emocional é sintoma. A depressão ou estado de melancolia é sintoma. A dificuldade em deixar para trás o que me faz mal é sintoma. Insegurança é sintoma. Busca por validação é sintoma.

E os sintomas nos trazem sofrimento.

Existem inúmeras formas de mascarar os sintomas:

  • Entrar em novas relações após o rompimento de uma relação abusiva.
  • Fazer uso de medicação (Se não for de extrema necessidade).
  • Ocupar meu dia para não pensar.
  • Fazer cursinhos com os títulos “cure sua ferida emocional em 5 passos” “te ensino como acabar com o ciclo de repetição”

O que quero dizer com isso?

Bem, quando maquiamos algo que comprovadamente foi gerado na infância, quando não vamos naquele lugar “consertar os furos” (dar novos significados para os fatos), tirar água do barco se torna exaustivo e sem nenhum resultado prático.

Os sintomas são pistas. São eles que nos permitem rastrear o que lá atrás foi danificado e com isso temos a oportunidade de fazer o reparo adequado.

“Ah, mas eu me livrei do relacionamento abusivo e não precisei de nada disso!”

Sim, você tirou água do barco em um nível que conseguiu navegar. Por um período! Os furos, você identificou? Fez o reparo?

Faça psicoterapia para o barco não voltar a afundar.

Quem me vê, assim, livre, não imagina a treta que foi me libertar: minha relação com um narcisista perverso

Ele efetuou o Grooming logo de cara. Triangulação.

Disse que havia percebido que a outra era “muito carente” e que havia me escolhido. Não com essas palavras, se não soaria muito mal pra mim, mas foi o que ele fez. Mesmo porque, a outra estava muito mais longe e impedida do que eu de lhe fornecer suprimentos.

Ele criou este cenário buscando acionar em mim o medo de perdê-lo e a sensação de incapacidade e de inferioridade… na mosca!

Exigi que ele não falasse com mais ninguém se quisesse me encontrar. Ele mentiu que o faria e esse “trato” me forçou a ceder mais do que eu deveria pra ele… Ele fazia as coisas de um jeito que só ele ganhava, sempre, mas que parecia que eu me respeitava. Não me respeitava nada.

Lembro-me da primeira despedida. No último dia, eu já chorava ao ver o lago sentada ao lado dele tomando uma cerveja no fim de tarde e, depois, no último  jantar. Ele estava frio, quase sem me olhar nos olhos e se conectar comigo profundamente, pra me acalmar. Estranhamente esquivo pra quem deveria estar afetuoso… isso denotava uma natureza fria, mas foi apenas uma das muitas bandeiras vermelhas que eu ignorei logo no início da relação.

Eu acelerei tudo. Tive pressa de compromisso. Eu disse “eu te amo” no primeiro encontro que foram 4 dias intensos de relação. Eu o deixei viciado em mim e ele me deixou nele. Não era amor, era desespero por vinculação da minha parte e prazer sem limites da dele… Ele soube como gerar isso em mim retendo desde o início.

Eu insistia, ele resistia, mas cedia – ou eu pensava que cedia.

Eu sedenta por comprometimento, ele por suprimento. 

Sei que o idealizei e também o desvalorizei após me decepcionar com a queda da fantasia diante do homem que aparecia à minha frente. Não que ele também não tivesse mentido sobre quem era, mas eu também mostrei só meu lado bom.

Ele se revelou um procrastinador, cheio de compulsões e obcecado por controlar os outros ao seu redor, e por sua imagem ilibada de bom pai, bom filho e ex marido exemplar “traído” e algoz da ex.

E eu me revelei a heroína que nunca daria conta de tudo se não tivesse a validação do parceiro. Não dei conta e ele me culpou. Ele não fez nada do que disse que faria e eu o culpei.

Ele mentiu sobre querer uma relação compromissada, mas eu também entrei em negação. Neguei a realidade daquele que só cedia às minhas necessidades sob muita pressão e que, no final, não assumia a mim, a relação e muito menos um compromisso de crescimento conjunto.

“Amei demais” quem, apenas, me sugou demais e depois me descartou como se eu fosse nada quando já tinha encontrado outra “heroína” pra lhe servir mais.

Uma paciente