Sem as FUTILIDADES nascem as ESTRELAS

No dia 24 de novembro de 2017, eu assisti a um trecho do Globo Repórter que tratava da Capadócia Brasileira, uma região de caatinga no estado do Piauí, que envolve o Parque Nacional da Serra da Capivara. No trecho, o repórter se achegava a duas senhorinhas irmãs que moravam ali no sertão, no meio do nada, em plena solitude. Ambas falavam pouco, demonstravam zero afetação, algo que salta aos olhos de nós, que no meio urbano, sucumbimos facilmente à pobres engrenagens.

Fiquei extasiada com a liberdade que transpiravam, embora, para olhos rasos, estivessem ilhadas no semi-árido e escassez de “oportunidades”. As duas vestiam simples vestidos azuis, bebiam água da fonte que era armazenada em dois grandes cântaros de barro, de uns 40 litros cada um, cobertos com uma tampa de estrado de madeira. Havia nos fundos da casa, “um típico terreiro nordestino”, onde estavam soltas as aves de criação, como perus e galinhas. E a mais nova, de 77 anos, ainda cuidava das plantas… estava tudo ali, tudo o que realmente precisavam pra viver: uma casa simples, horta, animais, nenhum Estado, nenhum médico.

Ouvir Estrelas
“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo,
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…
E conversamos toda a noite,
enquanto a Via-Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?
E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e e de entender estrelas”
OLAVO BILAC.

A mais nova nunca havia ido num hospital. A mais velha, ao ser perguntada se não lhe faltava o casamento, por ter optado envelhecer ao lado da irmã, disse que não, porque ao mesmo tempo que “uns dão certo, outros não”. Ao ser perguntava se tinha medo de violência ali, no meio do nada, decididamente respondeu que não, porque ali desconheciam violência.

Para estas duas senhoras, que nem sabem da minha existência, mas que a Existência as refletiu para ensinar-nos, a minha gratidão. Neste dia ouvi estrelas que me deixaram pálida de espanto e com o coração cheio de júbilo e esperança (depois de haver presenciado a fúria humana numa black friday, por acaso). Não há melhor poesia que sintetize a obviedade, alinhamento e esperança que me trouxeram (ao lado):

A simplicidade escancara os eixos. Muitas vezes você já deve ter tido a sensação de alívio ao se imaginar, num lapso de pensamento, sem todas as coisas e responsabilidades que você possui. Alguns sonhos comuns da atualidade, que invadem o imaginário das pessoas são:

“Florzinha”, simplicidade felina
  • um trabalho remoto, mais flexível de horário e sem a obrigação de presença física;
  • viajar o mundo (conhecendo maravilhas da natureza ou lugares luxuosos, ou ambos);
  • sair andando por aí como se não tivesse compromissos com pessoas ou contas a pagar;
  • viajar pelo espaço;
  • curtir a vida sem preocupação financeira.

Se esses sonhos já passaram ou vivem passando pela sua mente, pare e se apodere da causa dessa visitação, observe atentamente o excesso que há em sua vida e se pergunte: vale a vida que estou perdendo ter a posse disso tudo?

Não, é claro, ou você não estaria se sentindo preso.

Pergunte-se: se eu não tivesse essas coisas/responsabilidades todas que tenho em minha vida hoje, o que eu gostaria de estar fazendo (sem bloquear a visualização com impossibilidades como falta de dinheiro, tempo, etc)?

A boa notícia é que o coração é a bússola da consciência e, se você está se sentindo entulhado demais, é sinal de que os únicos fatores que ainda te impedem de continuar mantendo essas coisas na sua vida, são apenas mentais, não reais, como: crenças, valores e conceitos que não te servem mais.

Como nômade digital que sou há mais de 10 anos, como jornalista, blogger e coach, que já morou em 8 cidades e fez 20 mudanças de endereço, sou a prova viva de que é possível simplificar a vida e viver com mais propósito.

Ouça estrelas, seja sua real natureza, basta tirar essas coisas que te envolvem e te impedem de brilhar.

Bora descobrir o que te serve AGORA, para você ter clareza para tomar a atitude de se libertar? Coaching comigo via WhatsApp (11 984 355 500) ou aguarde pelo livro sobre DESAPEGO em produção. 😉 <3

 

Acabe com o EXCESSO que acaba com a VIDA do seu bebê

Basta a gente saber que um bebezinho está a caminho que já começamos a ir atrás daquele monte de coisas dispendiosas que ele “precisa” para viver bem cuidado, não é mesmo? Afinal, somos mães e pais zelosos que desejamos o melhor para os nossos filhos. Porém, em vez de buscarmos, cada vez mais, uma conexão maior com o ser amado, que viaja durante 9 meses dentro de nós para aportar neste mundo, vamos, semana a semana, montando um universo com menos possibilidades para ele, lotado de coisas inúteis e sem significado, que interrompem o horizonte do seu olhar e seu caminho ao se movimentar.

Como um ser tão pequeno, que mede em torno de meio metro e pesa, em média, pouco mais de três quilos, pode, antes mesmo de neste mundo chegar, já “exigir” um enxoval de milhares de reais? Como um recém-nascido que só quer colo, mamar, dormir, afeto, coisas básicas que todo mamífero precisa, “exige” tanto?

23A1854400000578-2855713-And_parents_are_advised_to_remove_any_soft_toys_from_a_baby_s_co-6_1417429401942

Na verdade, não, ele não exige nada, nós é que pensamos, erradamente, que nosso bebê precisa de toda essa parafernália que a indústria, o senso comum e a tradição social dizem que precisamos, de algum modo, providenciar.

Ter uma vida abundante junto ao novo integrante da família significa que não vamos entulhar nossa nova vida em família com um monte de coisas que só nos tomam tempo e dinheiro desnecessariamente.

Precisamos de muito dinheiro para investir em toda a estrutura que dizem ser necessária para o bebê, precisamos dedicar nosso precioso tempo de vida para organizar e limpar esse monte de coisas novas, muitas inúteis, e precisamos de espaço para dispor as baby tralhas todas, tarefa difícil na era dos “apertamentos”. Tarefa cruel aos que têm pouco tempo para estar com os filhos.

“Excesso de facilidades certamente traz excesso de dificuldades.” Lao-Tsé

Na verdade, preparar uma vida abundante, em que o bebê tenha todo o conforto que merece, significa que vamos preencher seu universo com coisas necessárias para que sobre espaço, dinheiro e tempo, o luxo maior de nossas vidas, para o que realmente importa, afinal, o que é mais importante do que presença na vida de uma criança?

O excesso de coisas não é sinal de riqueza, é falta de vida. 

kid-asleep-toys-everywhere

No artigo Bebê Livre de Consumismo, questionei o que um bebê realmente precisaria para viver bem e quais benefícios teríamos se evitássemos que nossos filhos, desde bebês, ingressassem num modo de vida consumista, entre outras reflexões.

Mas, apenas refletindo sobre os objetos que irão compor os cenários da nova vida em família, o que você, mãe/pai de primeira viagem,  pode fazer para livrar seu bebê do excesso de coisas, já que você não tem experiência do que ele realmente precisa? Como fazer o enxoval com o estritamente necessário para os primeiros meses de vida? Será mesmo que um bebê, com necessidades tão básicas, precisa de todo o sobejo propagandeado pelo mercado?

“O excesso de um grande bem torna-se um mal muito grande.” (Jean-Pierre Florian)

O primeiro passo é desconfiar. Desconfie da sua avó, da sua mãe, da sua tia, e também da sua sogra e das suas amigas mais íntimas e de todos os homens da sua família. As gerações anteriores já foram criadas na sociedade consumista, ouvindo, por exemplo, que existe leite materno fraco e que leite bom tem marca, que pra parir sempre precisa de médico e de hospital e que cosméticos para bebês são uma maravilha. Então, desconfie!

Outra postura libertadora é nunca, nunca mesmo, confiar na publicidade, porque o único objetivo dela é o de promover o consumo. Antes também, de confiar em fontes aparentemente imparciais, verifique se tais fontes não ganham dinheiro com publicidade de produtos do gênero (como certos blogs que pretendem “orientar” as calouras da maternidade sem deixar claro o que é publicidade do que não é).

publicidade-antia
Você confia nessa publicidade? Embora, atualmente, as mensagens publicitárias sejam mais subliminares, o objetivo dessas continua o mesmo: despertar o desejo de consumo de algo desnecessário, e, às vezes, prejudicial.

Antes, sobretudo, de dar um passo em direção ao consumo, tenha a certeza de que o necessário para você e seu bebê é o necessário para você e seu bebê somente, ou seja, cada experiência mãe-bebê (e pais presentes também) é única, assim, cada família tem suas necessidades específicas de produtos para essa fase fusional, que é muito subjetiva.

Uma dica: quando ficar em dúvida da utilidade de algo, reflita se esse algo vale o tempo e o espaço da sua vida e do seu bebê que ele vai tomar. Por exemplo, seu bebê precisa mesmo de um trocador ou seria melhor ganhar o espaço desse trocador para que sobre área para vocês dançarem juntinhos?

Reflita, acima de tudo, no que VOCÊ gostaria que compusesse os ambientes que VOCÊS irão habitar, sem sequer lembrar do que os OUTROS dizem ser necessário. O que vocês consideram útil e agradável que haja?

Quando você desejou (ou irá desejar) ser surda

Ouvia tanto que meu bebê deveria mamar de 3 em 3 horas, como se ele fosse uma maquininha, e que eu conseguiria sim fazer home office full time e ainda cuidar dele, e que se ele “não deixava” era porque eu o mimava dando o peito a toda hora, então eu vivia estressada, tensa, principalmente porque, também, não dormia, porque também me diziam que ele tinha que dormir no quarto dele, no berço dele, longe de mim, então ele não dormia e eu, idem, até o desmame.

Para a nossa sociedade, o consumismo é a solução para maternar entre machismo e desconexão.

DSC02275
Fernandinho de olho no móbile, com dois meses de vida. Maio/2009.

Maternar, que me diziam, era entreter ele como eu podia para que, segurando-o num braço e digitando com o outro, eu pudesse trabalhar, como boa mãe de família. E, em vez do respaldo das mulheres da família, como outrora acontecia, me diziam para dar-lhe chupeta que o acalmaria, mamadeira quando eu demorasse fora, para que utilizasse mobiles, para ele gostar do berço e ursinho ou paninho pra ele agarrar e dormir sem a minha companhia. Ah, e claro, vídeos animados “para bebês” no início das “papinhas”, para que ele ficasse “fortinho”.

Em suma, o mercado lhe daria a mãe que eu não poderia ser porque antes de ser mãe, eu tinha que ser máquina, gerar renda além de gerar um filho, gerar renda além de criar esse filho, relegar ao entretenimento com produtos a sua companhia.

Cada um tem a sua experiência de consumo com seu bebê, cada mãe/pai é única(o), cada bebê também, assim, cada mãe/pai-bebê tem suas necessidades particulares, desse modo, narro adiante alguns pontos da minha experiência com produtos para bebês, dizendo o que considero útil ou não e como deixei de consumir produtos que sempre foram ou que se tornaram dispensáveis pra mim, nos cuidados com meus bebês, para servir de inspiração a todos os presentes e futuros pais que querem, além de filhos mais libertos e felizes, uma relação com mais espaço, menos entulhada de coisas desnecessárias.

O excesso de coisas no universo infantil causa poluição visual e sonora, superestimula o bebê e superpovoa seu imaginário, abafando sua capacidade criativa, já que não há espaço para criar. Assim, os bebês ficam agitados, com sono comprometido e irritados quando não entretidos com algo, pois não sabem lidar com o vazio, com o tédio.

Antes, gostaria de deixar claro que de um filho para o outro também mudamos o que consumimos. Quem tem mais de um filho sabe muito bem que não usou exatamente as mesmas coisas com um e com outro, mas todas as mães têm a plena certeza de que, com a experiência, adquirimos praticidade e, consequentemente, menor necessidade de consumir produtos que “facilitam” (ou não) a nossa vida. Não estou falando aqui do caso de crianças com necessidades especiais, que envolve um tipo diferenciado de consumo, do qual sou totalmente leiga.

Abaixo tem três textos sobre o que é ou não necessário em termos de produtos, segundo a minha experiência. Basta clicar do lado direito no sinal de + para abrir.

O que te dizem que seu bebê precisa

Mães e pais de primeira viagem sofrem no bolso. O que não ganham no chá de bebê e “têm” que comprar é muita coisa. Berço, moisés, carrinho, bebê-conforto, cadeirão, só pra citar alguns dos produtos mais caros. Fralda de pano, toalha-fralda, fralda de boca, babador, cueiro, roupa de cama (até saia pra berço inventaram), só pra citar o excesso de panos. Falando nisso tem a vestimenta,  um montão de roupinhas minúsculas no tamanho e grandes no preço que serão usadas por poucos meses, talvez nem isso, sapatos desnecessários, já que o bebê só terá necessidade deles após aprender a andar, mas que irão estar lá entulhando seu guarda-roupas e sua mente até que você use os benditos uma única vez e se livre daquilo.

DSC02267
Fernando no tapete de atividades, que eu considerava essencial. Maio/2009.

Sem falar em tudo ligado à amamentação e alimentação, como mamadeira, bico de mamadeira, escova para lavar mamadeira e pote térmico para guardar mamadeira, itens que a mãe que vai amamentar nunca irá usar, apesar de sempre ter alguém pra dizer que precisamos. Chuquinha ou mini-mamadeira, pra dar chá ou suco, muitas mães, como eu, nunca darão, porque após os seis meses de aleitamento exclusivo é mais indicado utilizarmos copos de transição, aqueles com bicos um pouco moles no início da introdução alimentar, para o bebê não machucar a gengiva, e mais rígidos após, que servem apenas para não derrubar muito o que estão bebendo.

Fora o resto, um montão de coisas como acessórios para segurança, potinho pra algodão, pra cotonete, pra água morna, garrafa-térmica, pendurador de chupeta e chupeta (que nunca chupará ou que será obrigado a gostar porque alguém falou que esse hábito acalma o bebê, como se os bebês não preferissem que pessoas o fizessem). E os brinquedos então? E tudo o que é feito para entreter, como tapetes de atividades e móbiles, porque se diz que é certo estimular o bebê a toda hora e não o fazer seria sinal de desamor… mas não. E por aí vai, inúmeros itens de consumo.

ana-copo
Ana Julia bebendo suco no copinho de transição. Julho/2013.

Lembro-me de ter pedido auxílio para minha cunhada para me ajudar a fazer a lista do chá de bebê do meu primeiro filho, com base numa lista que imprimi de um site qualquer. Ela pegou a lista da minha mão e começou a riscar e dizer: “isso aqui você precisa, isso aqui não…”. Tudo bem! OK! Mas já desconfiava que nossa experiência não seria muito parecida. Mamadeiras, por exemplo, que ela me disse para pedir, eu sabia que nunca usaria e os cueiros que ela riscou porque nunca usou, eu sabia que usaria, pois tinha usado muito na minha experiência como babá fora do Brasil.

Alguns produtos praticamente indispensáveis como fraldas descartáveis, lencinhos umedecidos e pomada para “prevenção” de assaduras, já estão em cheque, anti-ecológicos ou prejudiciais à saúde, são, em suma, insustentáveis.

Só utilizei garrafa térmica, para preservar água morna para embebedar o algodão e usar nas trocas, com meus dois primeiros filhos, com minha terceira, agora, não, pois tivemos um ano de muito calor e ela já tem nove meses… não foi necessário. Em casa criei o hábito de lavá-la no chuveiro mesmo, rapidinho, em cada troca, algodão só usei bastante nos primeiros meses. Ou seja, economizei muito tempo ao não ter que me dar ao trabalho de todos os dias esquentar água e colocar na garrafa (que nem adquiri), e dinheiro, pois não tive que comprar pacotes e mais pacotes de algodão. Claro que, com o tempo frio, garrafa térmica e algodão são necessários pra sair de casa com o bebê, mas do contrário, acho pura tralha.

IMG_20150801_114032
Estela de fralda ecológica: descartável só em viagens. Agosto/2015.

Pomada para “prevenção de assaduras” é outro produto que aboli já com minha filha do meio, pois percebi que era devido ao seu uso que a pele não tinha a resistência necessária para não assar. Conto isso melhor aqui.

E há, claro, a fralda ecológica, tanto a de pano reutilizável, quanto a descartável mas com materiais biodegradáveis. Ao saber que um bebê gasta em média  5 mil fraldas desde o nascimento até o desfralde, que demoram mais de 400 anos pra se decompor, decidi que iríamos nos adaptar, pois não queria deixar um legado de mais de 10 mil fraldas pro mundo, que é o que já deixei até o momento.

Só não usei fraldas de pano desde meu primeiro filho por puro desconhecimento do produto e por tanto ouvir as lamúrias da minha mãe, tias e avós (“na nossa época só tinha fralda de pano, não tinha essa maravilha!”). Fraldas de pano são muito melhores que qualquer fralda descartável, pelos motivos: não vasa, absorve mais, portanto, troca-se menos (economia de tempo, água e produtos para lavagem), previne assaduras, pois o tecido em contato com a pele é mais saudável que materiais plásticos, dispensa o uso de cremes e pomadas de prevenção de assaduras; ecológico.

“Todo excesso traz, em si, o germe da autodestruição.” (Aldous Huxley)

O que seu bebê não precisa

quarto-de-bebe-safari-000000000000010Db_zpsc8deeff7
Exemplo de quarto de bebês para adultos.


Quarto de bebê para adultos
, com móveis demais, decoração pastel, quadrinhos e papel de parede na altura dos olhos dos adultos e outras tantas decorações e itens inúteis que o bebê nem sequer irá notar.

quarto-montessori-janeiro-2013-imagem_14
Exemplo de quarto montessoriano.

No quarto montessoriano, por exemplo, o berço, que parece algo ultra necessário, é dispensável. Caso o berço seja o que você tenha escolhido para o seu bebê, certifique-se de comprar um de acordo com as normas do Inmetro, pois há risco de acidentes e sufocamento em berços inadequados. (Saiba como escolher um berço seguro) 

A Estela tem o berço que era da Ana Julia, que ganhou da vovó, mas serve mais como trocador, já que fazemos cama compartilhada.

Falando em trocador, hoje em dia estou tão prática, que nem trocador temos. A Estela é trocada em todo lugar,  na cama, no sofá e até no colo. Mas, caso você deseje ter um trocador, escolha um que seja seguro, a maioria não é. O próprio berço com a grade rebaixada é mais seguro para trocar o bebê do que aquele tipo de trocador que vem com a banheira embaixo e tem mais de 1 metro de altura. Num leve impulso do bebê o tombo é grande e o estrago pode ser maior ainda. Vale assistir a matéria.

Outra coisa que seu bebê não precisa é de muitos cosméticos. Hidratantes, óleos corporais, perfumes e afins são totalmente dispensáveis, não somente por serem supérfluos, mas principalmente, por agredirem a pele do bebê e tirarem do seu bebê aquele aroma incrível, divino e natural, inenarrável, que só tem quem acabou de chegar  do céu. O único cosmético que seu bebê “civilizado” precisa é de sabonete líquido, e bem pouco, já que até que possa começar a se movimentar e a se alimentar com sólidos, o que só ocorre após os seis meses de vida, ele só terá contato com o que levarmos até ele, ou seja, ele quase não se suja.

Minha filha mais nova acabou de completar 9 meses e só utilizou dois frascos de sabonete líquido. Isso porque acordei para um fato com o pediatra e neonatologista humanizado que acompanhou minha segunda filha no parto, o de que bebê novinho não precisa de sabão em excesso, porque não tem sujeira. Ele me orientou a usar sabonete somente quando percebesse oleosidade em excesso no cabelinho nos primeiros meses. Como ela levou um mês trocando de pele, eu dava muito banho com chá de camomila (fazia um copo de chá com 3 sachês e despejava no ofurô).

Me disseram que meu primeiro filho precisaria de chupetas e lhe deram várias, pois achavam que ele “mamava demais” e que chupeta o faria parar de “chupetar” a mim, mesmo eu dizendo que ele não pegava. Na verdade, eu não lhe dava, pois não o queria viciado em chupeta como eu fui e achava que esse vício tinha a ver com uma falta que eu não desejava que ele tivesse. Era o que eu acreditava na época. Depois agradeci imensamente à minha intuição quando li esse artigo. Tem coisas que a gente sabe sem saber.

Com o primeiro filho achava que precisava e utilizei protetores de berço. Depois que descobri o risco potencial de sufocamento do produto, minha segunda e terceira filha se safaram desse produto perigoso, como também do excesso de roupas de cama e brinquedos de pelúcia no berço. (Saiba mais)

Sabão para lavar roupas de bebê é algo que só utilizei no primeiro mês de vida dos três, enquanto lavei separadamente as roupas deles, depois utilizei sabão em pó comum, mas pouco, para deixar menos resíduos nas roupas, lavando mais vezes se necessário.

O que não te dizem e seu bebê precisa

Tudo o que é novo, da geração presente, sua avó, mãe, tia, não conhecem, então ninguém vai te dizer que você precisa já de antemão, vai mais de você decidir experimentar tendo sabido por alguma amiga ou lido nas redes sobre a utilidade de um produto x.

mae-estela
Banho no colo. Março/2015.

Segundo banho da minha filha do meio, Ana Julia, no meu quarto da maternidade. Com direito a sachês de camomila.
Segundo banho da minha filha do meio, Ana Julia, no meu quarto da maternidade. Com camomila.

Balde de banho ou ofurô para bebês é um desses produtos atuais, simples e barato que tem “n” vantagens: ideal pra o banho dos primeiros meses, ocupa pouco espaço, é terapêutico, reduzindo mal-estares pelo bebê ficar em posição fetal em meio à água (ambiente familiar, similar ao que ele ficou por nove meses) e ele se sente seguro desse modo. Meus três filhos usaram muito até começarem a andar. A Estela, com 9 meses agora, foi a única que tomou muito banho no colo também e sempre adorou. Acho que banho no colo dispensa enumerar vantagens. Agora já curte a banheira dos irmãos, que passei a usar mais após começarem a engatinhar.

Para os bebês que têm cólica, óleo de massagem (vegetal, não mineral) também é algo acessível que, associado à Shantala, pode funcionar muito mais que remédios. Muitas vezes colo e balanço (dança, conexão) resolvem o mal-estar, por isso, antes de tratar a cólica, vale refletir com o Dr. Carlos González em seu artigo utilíssimo para quem passa por esse processo. Eu passei por isso com meu filho, não com minhas filhas e dava-lhe Shantala e balanço, que nem sempre resolvia (sem calma nada ajuda), e, por duas vezes, causou-lhe refluxo, por isso, vale ler o artigo.

10953398_948125975205816_8258265759628393524_n
Estela no carregador, com alguns dias de vida.

E, falando em bebês que têm refluxo ou que têm qualquer problema respiratório e vivem com constipação, travesseiros anti-refluxo (os inclinados grandes que podem ir debaixo do colchão ou os pequenos que servem para colocar em cima dos carrinhos e no local de troca) são outro item barato e que impedem que seu bebê vomite e engasgue e auxiliam na respiração. São bons também porque possibilitam que o bebê veja melhor o que acontece ao redor quando está em repouso, mas claro, melhor perspectiva pra ver ao redor é de um bom colo.

Sobre colo, sling ou carregador de bebês é outro item que ninguém me disse que precisaria, tanto que só estou usando com minha terceira filha, após respeitar integralmente a necessidade de colo do bebê (ou aceitar o que eu já sabia, mas que “não me deixavam” fazer) o máximo de tempo possível e a minha necessidade de ter braços com três filhos. Temos três e usamos quase todos os dias, principalmente para caminharmos ou irmos ao parque. Há diversos vídeos e artigos na internet ensinando como usá-los e falando dos inúmeros benefícios, mas atenção, pesquise fontes confiáveis de produtos que respeitam a fisiologia do bebê, pois, caso contrário, podem causar danos à saúde dele.

car
Fernando e Ana, com 2 anos de idade. A caminho da festa junina da escola e do desfile de 7 de setembro. Junho e Setembro de 2014.

Com minha segunda filha só passei a usar mais o carrinho, quando ela já não era mais uma recém-nascida, após completar um ano de idade, para longas caminhadas no bairro ou até a escola do irmão; funcionava para eu carregá-la quando ela se cansasse. Com a terceira, foi usado apenas para as sonecas diurnas dela, enquanto o carrinho era confortável, grande pra ela, até uns 5 meses. Atualmente, usamos apenas quando saímos para comer, já que nem todo lugar tem cadeira de alimentação apropriada.

Dormir no quarto dos pais e de preferência com os pais é o que o bebê precisa, então moisés, carrinho, uma cama maior, que caiba pai, mãe e bebê, sem risco do bebê ser sufocado, ou qualquer caminha improvisada (leia-se um colchão no chão, como orientado pela linha montessoriana) para que o bebê possa ficar junto à mãe toda a noite, é ultra necessário.

2012-10-22_19-15-33_241
Ana Julinha, com quase 5 meses na cadeirinha enquanto a mamãe jogava bola com o irmão no pátio do prédio. Outubro/2012.

Cadeirinha de repouso ou balanço para antes do bebê sentar ou até ele parar de tombar (ou carrinho, ou bebê-conforto, ou o cadeirão de alimentação). Nem tudo dá pra se fazer com o bebê no sling, como cozinhar, ou dar banho no irmão mais velho, por exemplo, e o bebê não quer ficar o tempo todo deitado, ele quer te ver e ver ao redor, então uma cadeirinha (ou carrinho, ou bebê-conforto, ou o cadeirão de alimentação) ajuda muito pra te dar braços e pra dar conforto a ele.

Vinagre claro, mais sabão em pó comum, serve para lavar as fraldas de pano e tecidos com resíduos alimentares, pois o vinagre é bactericida e fungicida sem ser insalubre como o cloro. Ajuda, também, a tirar a maior parte das manchas.

 

ana-paraty
Ana Julia em Paraty, na nossa viagem de mãe e filha. Outubro/2013.

Seria de grande utilidade para todas as mães, pais, cuidadores presentes ou futuros que leem este texto, se você pudesse compartilhar a sua experiência também, então, conte para todos, nos comentários  logo abaixo, o que você considerou ou não necessário na experiência com seu bebê.

Gratidão por ler! Namastê!
_________________________________________________________________
Conheça o treinamento online que vai fazer você tomar conta do seu MUNDO.

MENOS coisas para MAIS infância

ou Porque devemos parar de encher nossos filhos de coisas 

Quando viajamos com os filhos, levamos uma parcela muito pequena daquilo tudo que a gente tem em casa. Algumas peças de roupa, alguns pares de sapatos, produtos de higiene pessoal, alguns brinquedos, enfim, o necessário para passarmos o tempo da viagem e o que couber na mala ou no porta-malas. E, embora as crianças tenham muitas coisas, na viagem não faz falta, não é mesmo? Então, por que insistimos em ter tantas coisas em nossos lares que nos tomam tanto tempo em limpeza e organização? Por que permitimos que nossos filhos tenham tanto, que nem consigam usar tudo o que têm?

Vivemos num momento em que crianças têm brinquedos demais, telas demais, atividades demais e mães e pais de menos, ócio de menos, criatividade de menos, e, por tudo isso, felicidade de menos.

Vivemos em um tempo de abundância de recursos, seguido de uma fase de escassez. Falando da classe média,  se  para nossos avós faltaram, para nossos pais houve o racionamento, para nós permaneceu o medo da falta (inflação) e nossos filhos sofrem com o excesso, resultado de todo um passado de escassez que os precedeu.

Todos sabemos da urgência de se equilibrar a balança dos recursos econômicos. O ideal para todos nós seria sem a falta, nem o excesso, mas com necessário para vivermos tranquilos, abandonando (quem já não abandonou) o hábito doentio de perder a vida em busca de posses.

Há a necessidade premente de se diminuir brinquedos, informação e entretenimento da vida de nossas crianças, para que elas tenham tempo e espaço para serem infantes plenamente, e, para que num futuro bem próximo, não sofram com a escassez de recursos, como a amostra que já tivemos com as crises hídrica e energética.

1471358_701252646559818_1309088104_n
Fernando na pista de bicicross de Caraguatatuba. Novembro/2013.

Dar coisas ou presença?

É fácil agradar aos filhos com coisas, mas não é o mais inteligente a se fazer. Apesar de nos deixar livres para executarmos nossos afazeres (pelo menos enquanto eles estiverem entretidos com o novo),  dar muitas coisas aos nossos filhos nos exige mais dinheiro e mais tempo trabalhando para conseguirmos o tal dinheiro para comprarmos as tais coisas. Ou seja: é um ciclo sem fim, onde cada vez mais nos tornamos escravos do consumo, para que possamos nos tornar livres.

Outro fator negativo de se acostumar os filhos com muitos produtos, serviços ou produções, no caso de mídia, é criarmos neles duas falsas percepções:

– de que sempre é necessário se ter muito para se estar satisfeito

– de que não há paz, nem alegria sem entretenimento

Ambas, totalmente falsas, porque a paz e a alegria genuínas encontram-se no estado de conexão, quando nosso SER é pleno, independente das coisas que nos rodeiam.

Visualize isso através de duas imagens: seu filho em frente à TV e seu filho brincando, principalmente ao ar livre. Deu pra sacar o que é estar conectado? O que é estar presente?

O excesso de coisas nunca sacia, porque a real necessidade é de afeto, de compartilhamento, de presença. 

Quantas vezes damos brinquedos ao invés de brincarmos? Quantas vezes ligamos a TV para entreter os filhos em vez de pararmos por alguns instantes para saciar-lhes as demandas com a devoção de quem ama? Quantas vezes lemos juntos ou simplesmente conversamos com olhos nos olhos? Quantas vezes não alimentamos nossas crias em frente a uma tela, porque perdemos de tal maneira a capacidade de nos conectarmos com eles, que é mais fácil fazê-los comer absorvendo informação, distraídos, que ensinar-lhes a comer com gosto. Ou mesmo, quantas vezes não desfrutamos juntos de momentos de ócio?

O excesso que bloqueia

Outro prejuízo de termos um “cofre do Tio Patinhas” de coisas, ou seja, de termos tantas coisas a ponto de não conseguirmos utilizar tudo o que temos é nos perdermos de nós mesmos. Preenchendo nosso espaço exterior com excesso de coisas, preenchemos, igualmente, nosso espaço mental com excesso de estímulos aos nossos sentidos, como obstáculos no caminho ao encontro do nosso eu interior.

2012-11-28
Ana Julia com quase 6 meses, divertindo-se com a mamãe.

No caso das crianças, promover aquela “entulhada” de brinquedos que torna difícil atravessar a sala ou o quarto, ou ter tantos brinquedos ocupando o espaço que seria para brincar, ou até mesmo o entretenimento sem pausa, preenche o universo infantil com coisas, símbolos e experiências prontas, não dando espaço para a criatividade individual, tão preciosa, única, ilimitada, que traz a paz e a alegria genuínas, premissa primordial para o processo criativo, que as possibilitam transformar a realidade, criar um mundo novo.

As piores consequências dessa falta de espaço para o SER CRIANÇA podem ser a hiperatividade, o TDH, entre outras que surgem do bloqueio da energia criativa.

É possível evitarmos o estado de entretenimento? Sim. Quando passamos a dar mais importância para o SER, há espaço para a conexão e não há mais a necessidade de tantas coisas para promover a distração, já que podemos SER. O pai brinca, a mãe lê história, a criança cria, o alucinante perde o palco. O excesso sai da vida de quem se permite SER mais e só resta o essencial.

O que nós merecemos?

Se queremos filhos felizes, precisamos, antes, estarmos felizes. Não adianta enchermos a nós e a eles de coisas, como prova do nosso amor, do tipo “eu mereço um sapato novo, afinal, me esforço tanto” e “ele merece um brinquedo novo, afinal, blá blá blá”. Na verdade, nós merecemos muito mais que coisas, merecemos estar livres delas.

Consumir demais e estimular esse querer sem fim dando mau exemplo para os filhos, contribui para nossa infelicidade, já que estamos vivenciando um materialismo cada vez maior, significando erradamente que o amor está no ter, e não no ser e compartilhar.

Por mais que coisas novas nos deem picos de excitação, são efêmeros, rápidos demais. Às vezes chegamos em casa, provamos de novo, largamos no armário e a alegria já passou, e a gente já precisa de algo novo pra se alegrar. Além disso, o consumismo é viciante, porque precisamos sempre consumir de novo para conseguirmos a sensação maravilhosa. Um sapato novo faz a gente feliz por uma semana, depois disso já é velho e não excita mais. Isso sem falar no bolso, haja renda pra viver comprando. Melhor bancar coisas melhores, viagens talvez. Fora que depois desse comportamento abusivo, você estará com uma casa cheia de tralhas, com seu dinheiro suado empregado nessas coisas inúteis e com os recursos escassos transformados em lixo abundante. Consciência pesa.

2012-10-15
Foto relâmpago da brincadeira na sala. Outubro/2012.

Dizer sim ao excesso de coisas, é dizer sim à desconexão, à distância entre pais, mães e filhos, à distância entre o que estamos sendo e o que realmente somos.

Dar menos coisas exige, na razão direta, três atitudes dos pais:

– Nos relacionarmos mais com eles;

– Propiciar-lhes mais experiências e

– Auxiliá-los a lidar com o tédio/ócio necessários.

E, óbvio, ser capaz de fazer tudo isso consigo antes de fazer com os filhos.

Atente para a possibilidade de que a falta de tempo e espaço para mais compartilhamento, mais experiências e mais tédio/ócio seja pelo excesso de coisas desnecessárias em suas vidas.

Nunca se esqueça de que esta vida é apenas uma viagem, por isso, quanto mais leves nossas malas estiverem, mais longe poderemos ir.

Namastê! <3

2011-08-06_15-50-49_382
No Parque Ibirapuera, descobrindo que os cisnes comiam flores, em Jun/2011.

 Para refletir:

Onde está o excesso na sua casa e na rotina da sua família?

Com que frequência e de que maneira você compartilha sua presença com seus filhos?

Seus filhos praticam alguma atividade criativa?

Seus filhos conseguem ficar sozinhos, sem estímulos exteriores?

O excesso de consumo é prejudicial tanto a cada indivíduo quanto ao planeta. A felicidade não está no possuir.

_________________________________________________________________
Conheça o treinamento online que vai fazer você tomar conta do seu MUNDO.

Como dissémos “não” ao consumismo infantil

Para incrementar o último artigo, Como dizer “não” para o consumismo dos filhos, gostaria de compartilhar como foi o início da nossa experiência de dizer “não” ao excesso de consumo e “sim” à vida realmente rica. Segue adiante:

Caminhando e contemplando. Em Dez/2011.
Caminhando e contemplando. Em Dez/2011.

Vejo a enorme diferença no quesito “consumismo” do meu primeiro filho para a segunda. Com ele eu ainda consumia muito e não conseguia dizer “não” para todos os pedidos, nem para todos os “maus presentes”, mesmo sabendo que ele não precisava de mais um carrinho, nem de mais um DVD. Como eu ainda consumia em excesso, não achava justo da minha parte dizer “não filho, você não precisa de mais”, se a mamãe aqui, ainda esbanjava. Discursar aos filhos para viverem com menos, despendendo futilidades (lembrando que palavras ensinam e exemplos arrastam), é dar um verdadeiro MBA de como ser egoísta.

Conheça o treinamento online que vai fazer você tomar conta do seu MUNDO.

Acontece que no auge dos seus 2 anos e meio, querendo todos os carrinhos do mundo, mudamos de São Paulo para Ubatuba.

Naquela época, em julho de 2011, eu havia me desligado de um emprego num escritório na Paulista e ido morar dois meses depois no litoral norte. Passei a viver apenas de home office e teríamos que aprender a viver com menos… com mais na verdade.

Conversando com as flores, em Jul/2011.

São Paulo é uma cidade que, como a maioria das megalópoles, está toda estruturada para estabelecer um estilo de vida baseado no consumismo, onde quase todo lazer depende de consumir, onde é necessário se esforçar para dizer não ao consumismo de todo dia, principalmente se se está acostumado a esse tipo de vida desde que se nasceu.

Percebo, hoje, que esse processo de mudança de São Paulo para uma cidade menor e essa mudança drástica no estilo de vida que levávamos foi tão difícil, porque o nosso consumismo, como o da maioria das pessoas, estava diretamente associado à desconexão: nossa conosco mesmo e dos pais e mães com seus filhos.

Tratei de modificar a mim mesma antes de começar com o discurso de mãe sustentável do tipo “mas você já tem tantos desses, não precisa de mais um” ou “sorvete só no final de semana”. Mesmo depois que diminui meu consumo pessoal drasticamente, demorou para que o Fernando abandonasse o vício de comprar toda vez que saíamos, ou melhor, demorou para que ele descobrisse outras maneiras muito mais legais de se entreter, ou de aprender a lidar com o tédio… uma lição ainda em curso.

Rio Itamambuca, Ubatuba, Dez/2011.

Foram muitos shows em portas de lojas, muito choro e ranger de dentes. E tratei de ter muita paciência, confesso que às vezes não tive, pois eu fui a maior responsável pela adicção dele, que nem sempre foi alimentada por mim, na maioria das vezes não, mas todas elas, sim, eu permiti. Fosse com festa de aniversário em buffet caríssimo, com presentes todo final de semana ou doces em excesso, ou apenas deixando a livre oferta para o consumo indisciplinado de televisão.

Essa experiência de negação, que no início foi muito desgastante, me ensinou a oferecer outras coisas melhores para ele, mas que ele não sabia, e que eu já não vivia desde a infância. Em vez de insistir no enfrentamento que interrompia a comunicação, alterando os ânimos até a histeria, sem, óbvio, gerar bom resultados, aprendi a mudar o foco dele de coisas para experiências, aprendi a estar com ele, como há muito tempo eu não estava.

Toda criança é curiosa e anseia por experiências novas, mas, acima de tudo, toda criança necessita de pais e mães presentes, não de corpo, de alma. Como eu tinha muito mais tempo com ele, passamos a nos relacionar mais e fortalecemos nossa conexão; e consegui lhe mostrar que haviam coisas muito mais interessantes para viver e que seriam muito mais divertidas que possuir qualquer porcaria. 

Intrigado com o peixe. Itamambuca, Ubatuba. Novembro/2011.

Detox no olhar

Mas não foi só isso. Antes de ser uma experiência de mudança no estilo de vida, de saída da rota do mercado avassalador, foi uma experiência de desintoxicação, de libertação do excesso, da necessidade de estar sempre envolvido com o exterior.

Crianças que, como meu filho, foram o primeiro filho, neto, bisneto, sobrinho, são autuadas o tempo todo porque,  como é de se esperar, todos querem paparicá-la. Só que o excesso de mimos a la paulistana faz com que a criança não consiga estar só nunca, não consiga se encontrar. De tanto ganhar coisas, atenção, entretenimento, a criança tem seu universo amontoado por coisas das quais ele nem sabe se gosta, se lhe apetece ou agrada.

O Fernando foi aprendendo a diminuir o ritmo, a olhar pra coisas entediantes pra ele como o horizonte, o mar, a floresta… foi aprendendo a parar, e, aos poucos, começou a gostar. Claro que muitas vezes se irritava com o marasmo, o que já era de se esperar de uma criança que desde bebê foi acostumada a se alimentar em frente a telas, a ganhar coisas sem fim, que não sabia o que era tédio, que não tinha paciência para todas as coisas que exigissem pausa no entretenimento, como escovar os dentes, colocar meias, pentear o cabelo, etc.

Contudo, com o passar do tempo, ele começou a aprender a ser feliz com menos coisas, pudera! Estávamos em Ubatuba e ele tinha mais a mim e mais a ele mesmo.

A pracinha “encantada” do centro de Ubatuba. Parada obrigatória. Novembro/2011.

Mostrar um outro “lugar” para seu filho olhar, tirar os olhos dele do objeto de desejo mostrando a ele novos horizontes é derrotar, além do consumismo, o autoritarismo que só brada “nãos” e a desconexão que hoje impera entre mães, pais e filhos, e vivenciar a autoridade de mães e pais que guiam seus tutelados para uma direção mais feliz.

No litoral, à medida em que consumíamos menos, nos aproximávamos mais e convivíamos mais, compartilhando nosso tempo e espaço.

Mudar o foco do consumo para a experiência, para a atividade física (brincadeiras) ou intelectual (jogos) em vez da passividade (eletrônicos), para o olhar nos olhos profundo, para o olhar a natureza e brincar nas areias da praia, para a companhia além da coexistência, é a saída mais inteligente para um caminho menos consumista e mais vívido, para uma vida de mais amor entre pais, mães e filhos.

Praia da Almada, Ubatuba, Jan/2012.

A praia, o rio, o parquinho, os livros, as flores, os pássaros e as borboletas foram nossos grandes aliados nesse processo de desapego.

Assim, se eu pudesse resumir como dizer não para o consumismo infantil numa só afirmação seria “sendo mais você mesmo”. Quem prefere ser a ter, não tem tempo pra ir demais a shoppings, pra comprar o que não precisa, não tem tempo pra ver TV. Dando o exemplo, os filhos seguem e, em vez de pais e mães consumistas, teremos pais e mães presentes e conectados, e filhos igualmente. Entretanto, é claro que há um sistema prisional que se impõe, ocorre que pais e mães livres, são naturalmente atuantes e desarticuladores do sistema vigente, e é sobre novas atitudes que estamos falando aqui.

Não às amarras, sim à vida!

Namastê! <3

Praia do Centro de Ubatuba. Dezembro/2011.

_________________________________________________________________
Conheça o treinamento online que vai fazer você tomar conta do seu MUNDO.

15 atitudes para criar tempo já

e fazer o que realmente importa:

Leia também Como criar tempo.

1. Elimine os relógios: da parede, do pulso, do carro, eles são os sentinelas da prisão da qual você tem que sair.

“Em vez de sentirmos a presença invisível de um imenso relógio na parede, denunciando-nos os minutos, as horas que estamos perdendo com essa conversa com nosso amigo, com nossos filhos, com as pessoas que vêm falar conosco, em vez de percebemos em toda parte os olhos desse deus-velocidade a nos vigiar e a nos cobrar rapidez, troca contínua de situações, saltando por cima de coisas atrás de coisas, em vez de nos submetermos voluntariamente a esse terror vácuo, um dia poderíamos começar a sentir o tempo, o presente, o prazer da permanência, do não-pensar-no-futuro, do deixar-a-coisa-passar. A satisfação de poder perder tempo e sentir um gosto novo de, pela primeira vez, estar presente no planeta.” (Ciro Marcondes Filho, Perca Tempo – É no lento que a vida acontece)

2. Utilize outros meios de aviso: há inúmeros aplicativos para celular que podem te auxiliar mas há também a boa e velha agenda. Eu utilizo o Google Calendar que me avisa com a antecedência necessária meus compromissos. Obs: Não caia na armadilha de agendar coisas demais, porque em vez de a agenda funcionar como um alerta para fazer o que deve ser feito, na hora em que tem que ser feito e liberar sua mente das preocupações, pode também funcionar como uma lista imensa de coisas nada importantes realmente para a sua felicidade. Há pessoas (como eu) que caem na armadilha de encher a agenda de “linguiça” e ficar “sem tempo” para realizar o mais importante: fazer o que faz o coração vibrar, amar, ficar de boa, etc.

3. Durma cedo e ponha seus filhos (se tiver) pra dormir cedo: a vida rende pela manhã. Se não der pra dormir pouco depois que a noite cai, não durma após a meia-noite. Dormir no dia seguinte não é muito natural. Aproximemo-nos dos ciclos naturais, dos nossos ciclos. Por mais que você seja noturno, você não é um morcego, nem uma coruja, então, durma. Para nós, adultos, dormir cedo ainda previne a ansiedade e a obesidade. Quanto aos seus filhos, crianças devem “dormir com as galinhas” por muitos motivos: crescer o que tiver que crescer (a maior produção do GH, o hormônio do crescimento é sempre à noite, das 21 às 4 horas da manhã e quando a criança não está na cama neste horário, a produção de GH declina e ela cresce menos); fortalecer os ossos com o sol da manhã (dormindo tarde, consequentemente, acordarão tarde e perderão essa bênção matinal, já que por meio do sol, nosso organismo obtém a vitamina D e, com ela, melhora a absorção do cálcio, fortalecendo os ossos); ajustar o relógio biológico (a melatonina, hormônio que estimula o sono e indica ao cérebro que é noite, é produzido das 20 às 21h30, depois deste horário a criança volta a se agitar, embora ainda continue com sono, e é difícil convencê-la de que ainda é hora de dormir, pois a mensagem do organismo já passou); melhorar a capacidade de aprendizagem e ajudar a memória.

Caminhada matinal no Pontal, com o suave som das ondas.
Caminhada matinal no Pontal, com o suave som das ondas.

4. Destralhe sua casa, trabalho e carro: elimine superfícies planas, gavetas e portas. Dê o que é útil para os outros mas não para você, até aquelas taças lindas se você não bebe, ou vai ter que, pelo menos, perder tempo todo mês para mantê-las limpas. Se desfaça do que está velho sendo possível casa de traças (saúde não tem preço). Se livre daquelas roupas que nunca mais irão te servir. Dê prazo para o que tem dúvida se te serve pra algo, por exemplo,  um ano para aquele vestido de festa, um mês para aquela calça jeans. Conserte o que te é útil e só está atuando como entulho. Tire do seu ambiente o que somente está tomando espaço e te custa tempo para organizar e limpar de vez em quando. (Logo escreverei sobre como destralhei minha casa e, consequentemente, minha vida. 🙂 )

5. Organize suas coisas: depois de destralhar é hora de organizar o que sobrou, o que te serve e te faz bem. Aplicar um consumo saudável nessa hora ajuda e muito. Não tem preço o tempo que você economiza de procurar suas chaves quando você tem um porta-chaves. Utilize também ganchos de teto, porta e parede: são baratos, pequenos, portáteis, somente para aquele bem útil (não são itens de acumulação) e são fáceis de localizar. Troque armários por módulos abertos: estantes, prateleiras, nichos. Você acha com mais facilidade, usa o que tem utilidade, percebe o que não tem e o destralhe se torna um hábito até que sua casa e/ou trabalho fiquem muito mais enxutos. Em locais úmidos, essa mudança também impede que as coisas cheirem mal e até mofem, além de ventilar mais, sendo menos propício para traças, baratas, roedores, etc.

6. Limite sua conexão virtual: esse é um desafio pra muita gente, pra mim inclusive. Além de economizar tempo, permanecer menos tempo logado te dá mais liberdade de conexão interior, e exterior, com o mundo real. Desligue os avisos de What’s up, Facebook, Instagram, etc. Discipline-se quanto a este item. Tecnologia vicia, excesso de informação também. Adquira hábitos saudáveis como acessar a internet apenas após o almoço ou manter o celular fora de alcance enquanto dorme. Sem um celular nas mãos dá pra se apreciar melhor o firmamento, sentir a brisa no seu rosto, perscrutar mais fundo a carinha dos seus filhos. <3

7. Elimine os apêndices: sabe aquele projeto que é sempre adiado? Aquela tarefa que vive na sua agenda mas que você nunca consegue tempo para executá-la? Desista, elimine de vez da sua agenda, das suas metas, da sua vida. Pare de pensar no que não é importante AGORA e otimize sua vida para o que realmente importa. Use a procrastinação para manter o seu FOCO.

DSC04338 (2)

Continuar lendo 15 atitudes para criar tempo já