Marketing perverso não é modelo pra quem é do bem

Você não precisa seguir todo e qualquer empresário, marketeiro ou líder só por conta dos seus resultados.

O marketing perverso vende quando não tem que vender.
Vende quando é momento de focar no coletivo, não no interesse próprio.

Vende na saúde…

Vende na doença…

Vende até a filha…

O perverso não considera o outro, USA-O.

Não respeita os limites do bom senso, da boa educação…

Se isenta de qualquer responsabilidade, porque lhe falta humanidade…

Por mais que seus resultados sejam cobiçosos…

Vale segui-lo para “ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma”?

Para não se deixar seduzir por esses falsos modelos de abundância, é preciso remover esses padrões que te conectam a pessoas “desalmadas” e descobrir a sua própria fonte, dentro de você.

Está pronta pro seu protagonismo?

Coronavírus: o exterminador do consumismo

Quando os canais de Veneza amanheceram claros e cheios de peixes (até cisnes voltaram pra lá), pelo vazio da multidão costumeira de turistas na cidade, o mundo percebeu a bênção por trás do mal Covid-19 para a humanidade.

Os shoppings estão fechados e não há mais onde desfilar as roupas, sapatos e acessórios de grife, pois o que mais usamos são roupas confortáveis de ficar em casa e pantufas, chinelos ou pés sem sapatos. Somente o necessário. Pra quê tanto comprávamos? Consegue ver por qual ralo o seu dinheiro escorria?
As viagens adiadas, mantém o dinheiro à salvo – que não servirá nem mesmo para pagar o melhor atendimento médico particular, pois logo a saúde o dinheiro não poderá comprar. O dinheiro já não pode comprar quase nada, porque há pouco onde ir e onde mostrar, e é bom salvá-lo, porque não se sabe o que será da economia.
Falando em economia, de repente, se fez tão óbvio zerar os impostos para adquirir os produtos mais necessários para a saúde geral… algo que sempre deveria haver sido óbvio. Mais importante do que ganhar sobre a saúde, hoje, é preservá-la.
Com a economia forçada de combustíveis, a natureza está nos mostrando que seres são os que realmente parasitam o planeta. Estes dias, a NASA divulgou duas imagens de satélite comparativas, retratando a qualidade do ar na China, em 20 de janeiro e em 25 de fevereiro deste ano, detectando reduções drásticas de dióxido de nitrogênio sobre o país.

Os carros estiveram todos nas garagens primeiro na China e agora vão entrando de férias pelo mundo todo, poupando o ar de poluentes e as nossas narinas. Onde é que estávamos indo tanto que, pudemos deixar de ir sem estar nos custando a vida? Foi o fato de ficarem em casa, que salvou as vidas de muitos chineses e o fato de cada vez mais pessoas terem que ficar em casa, sem poder utilizar veículos é que está salvando a vida do nosso planeta e de nossas futuras gerações.
Falando sobre nossas narinas, nunca estivemos tão atentos a elas, ao que é importante e que entra por elas – o que não inclui os perfumes importados, mas os microorganismos que não fisgam o olfato. Está sendo mais agradável sentir cheiro de desinfetante no ar, ter água sanitária na despensa e ver nosso vizinho de banho tomado, do que sentir o perfume francês do namorado.

Enquanto a humanidade está sem consumir e poluir em quarentena, o planeta Terra se reequilibra!

Até os prazeres comestíveis estão mais modestos. Afinal, pra quê sair pra comprar 100 gramas de presunto se isso pode custar sua infecção e a vida da sua família! Há mais criatividade na cozinha. Com uma batata se faz uma canoa (recheada com patê) e a gente não sabia!
Mais importante do que preparar a sala para receber as visitas, é abrir espaço pra montar quebra-cabeças com a filha. Não dá pra se distrair mais comendo porcaria, melhor pensar na saúde e comer o que fortifica.
Quantos hábitos inúteis mantínhamos! Quanto desequilíbrio ambiental à toa causávamos! Lembro-me, com vergonha, das tantas vezes que usava o carro pra “tomar um café” ou “dar uma voltinha”. “É rapidinho. Pra quê ir à pé?” Agora faço exercícios nas escadas do prédio para poder usar as pernas. Usar as pernas é importantíssimo e ficou restrito a um espaço reduzido. Academia sempre foi luxo! A onda, agora, é ginástica no chão da sala.
Até mesmo as instituições escola e empresa estão em questão: vale a pena tanto tempo, custo e vida nessas guaridas? Parecia tão imprescindível levar os filhos para ficarem reclusos em outro lugar aprendendo tão pouco e tão torto tantas vezes. Parecia impossível fazer o trabalho do escritório em casa. Hoje, já se torna uma grande questão.
Pra amanhã, combinei com a minha filha do meio de fazermos ginástica na sala, pintarmos uma tela juntas e jogarmos xadrez. Estou animada para fazer esse monte de coisas em casa com ela, que eu nunca imaginaria que coubesse num único dia… quando a gente tira o que não importa, sobra tempo para a vida!
COVID-19 está nos ensinando qual é a real prosperidade, qual o real avanço para a humanidade!
Santo Coronavírus: o padroeiro dos consumistas perdidos!

Sem as FUTILIDADES nascem as ESTRELAS

No dia 24 de novembro de 2017, eu assisti a um trecho do Globo Repórter que tratava da Capadócia Brasileira, uma região de caatinga no estado do Piauí, que envolve o Parque Nacional da Serra da Capivara. No trecho, o repórter se achegava a duas senhorinhas irmãs que moravam ali no sertão, no meio do nada, em plena solitude. Ambas falavam pouco, demonstravam zero afetação, algo que salta aos olhos de nós, que no meio urbano, sucumbimos facilmente à pobres engrenagens.

Fiquei extasiada com a liberdade que transpiravam, embora, para olhos rasos, estivessem ilhadas no semi-árido e escassez de “oportunidades”. As duas vestiam simples vestidos azuis, bebiam água da fonte que era armazenada em dois grandes cântaros de barro, de uns 40 litros cada um, cobertos com uma tampa de estrado de madeira. Havia nos fundos da casa, “um típico terreiro nordestino”, onde estavam soltas as aves de criação, como perus e galinhas. E a mais nova, de 77 anos, ainda cuidava das plantas… estava tudo ali, tudo o que realmente precisavam pra viver: uma casa simples, horta, animais, nenhum Estado, nenhum médico.

Ouvir Estrelas
“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo,
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…
E conversamos toda a noite,
enquanto a Via-Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?
E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e e de entender estrelas”
OLAVO BILAC.

A mais nova nunca havia ido num hospital. A mais velha, ao ser perguntada se não lhe faltava o casamento, por ter optado envelhecer ao lado da irmã, disse que não, porque ao mesmo tempo que “uns dão certo, outros não”. Ao ser perguntava se tinha medo de violência ali, no meio do nada, decididamente respondeu que não, porque ali desconheciam violência.

Para estas duas senhoras, que nem sabem da minha existência, mas que a Existência as refletiu para ensinar-nos, a minha gratidão. Neste dia ouvi estrelas que me deixaram pálida de espanto e com o coração cheio de júbilo e esperança (depois de haver presenciado a fúria humana numa black friday, por acaso). Não há melhor poesia que sintetize a obviedade, alinhamento e esperança que me trouxeram (ao lado):

A simplicidade escancara os eixos. Muitas vezes você já deve ter tido a sensação de alívio ao se imaginar, num lapso de pensamento, sem todas as coisas e responsabilidades que você possui. Alguns sonhos comuns da atualidade, que invadem o imaginário das pessoas são:

“Florzinha”, simplicidade felina

  • um trabalho remoto, mais flexível de horário e sem a obrigação de presença física;
  • viajar o mundo (conhecendo maravilhas da natureza ou lugares luxuosos, ou ambos);
  • sair andando por aí como se não tivesse compromissos com pessoas ou contas a pagar;
  • viajar pelo espaço;
  • curtir a vida sem preocupação financeira.

Se esses sonhos já passaram ou vivem passando pela sua mente, pare e se apodere da causa dessa visitação, observe atentamente o excesso que há em sua vida e se pergunte: vale a vida que estou perdendo ter a posse disso tudo?

Não, é claro, ou você não estaria se sentindo preso.

Pergunte-se: se eu não tivesse essas coisas/responsabilidades todas que tenho em minha vida hoje, o que eu gostaria de estar fazendo (sem bloquear a visualização com impossibilidades como falta de dinheiro, tempo, etc)?

A boa notícia é que o coração é a bússola da consciência e, se você está se sentindo entulhado demais, é sinal de que os únicos fatores que ainda te impedem de continuar mantendo essas coisas na sua vida, são apenas mentais, não reais, como: crenças, valores e conceitos que não te servem mais.

Como nômade digital que sou há mais de 10 anos, como jornalista, blogger e coach, que já morou em 8 cidades e fez 20 mudanças de endereço, sou a prova viva de que é possível simplificar a vida e viver com mais propósito.

Ouça estrelas, seja sua real natureza, basta tirar essas coisas que te envolvem e te impedem de brilhar.

Bora descobrir o que te serve AGORA, para você ter clareza para tomar a atitude de se libertar? Coaching comigo via WhatsApp (11 984 355 500) ou aguarde pelo livro sobre DESAPEGO em produção. 😉 <3

 

Acabe com o EXCESSO que acaba com a VIDA do seu bebê

Basta a gente saber que um bebezinho está a caminho que já começamos a ir atrás daquele monte de coisas dispendiosas que ele “precisa” para viver bem cuidado, não é mesmo? Afinal, somos mães e pais zelosos que desejamos o melhor para os nossos filhos. Porém, em vez de buscarmos, cada vez mais, uma conexão maior com o ser amado, que viaja durante 9 meses dentro de nós para aportar neste mundo, vamos, semana a semana, montando um universo com menos possibilidades para ele, lotado de coisas inúteis e sem significado, que interrompem o horizonte do seu olhar e seu caminho ao se movimentar.

Como um ser tão pequeno, que mede em torno de meio metro e pesa, em média, pouco mais de três quilos, pode, antes mesmo de neste mundo chegar, já “exigir” um enxoval de milhares de reais? Como um recém-nascido que só quer colo, mamar, dormir, afeto, coisas básicas que todo mamífero precisa, “exige” tanto?

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Na verdade, não, ele não exige nada, nós é que pensamos, erradamente, que nosso bebê precisa de toda essa parafernália que a indústria, o senso comum e a tradição social dizem que precisamos, de algum modo, providenciar.

Ter uma vida abundante junto ao novo integrante da família significa que não vamos entulhar nossa nova vida em família com um monte de coisas que só nos tomam tempo e dinheiro desnecessariamente.

Precisamos de muito dinheiro para investir em toda a estrutura que dizem ser necessária para o bebê, precisamos dedicar nosso precioso tempo de vida para organizar e limpar esse monte de coisas novas, muitas inúteis, e precisamos de espaço para dispor as baby tralhas todas, tarefa difícil na era dos “apertamentos”. Tarefa cruel aos que têm pouco tempo para estar com os filhos.

“Excesso de facilidades certamente traz excesso de dificuldades.” Lao-Tsé

Na verdade, preparar uma vida abundante, em que o bebê tenha todo o conforto que merece, significa que vamos preencher seu universo com coisas necessárias para que sobre espaço, dinheiro e tempo, o luxo maior de nossas vidas, para o que realmente importa, afinal, o que é mais importante do que presença na vida de uma criança?

O excesso de coisas não é sinal de riqueza, é falta de vida. 

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No artigo Bebê Livre de Consumismo, questionei o que um bebê realmente precisaria para viver bem e quais benefícios teríamos se evitássemos que nossos filhos, desde bebês, ingressassem num modo de vida consumista, entre outras reflexões.

Mas, apenas refletindo sobre os objetos que irão compor os cenários da nova vida em família, o que você, mãe/pai de primeira viagem,  pode fazer para livrar seu bebê do excesso de coisas, já que você não tem experiência do que ele realmente precisa? Como fazer o enxoval com o estritamente necessário para os primeiros meses de vida? Será mesmo que um bebê, com necessidades tão básicas, precisa de todo o sobejo propagandeado pelo mercado?

“O excesso de um grande bem torna-se um mal muito grande.” (Jean-Pierre Florian)

O primeiro passo é desconfiar. Desconfie da sua avó, da sua mãe, da sua tia, e também da sua sogra e das suas amigas mais íntimas e de todos os homens da sua família. As gerações anteriores já foram criadas na sociedade consumista, ouvindo, por exemplo, que existe leite materno fraco e que leite bom tem marca, que pra parir sempre precisa de médico e de hospital e que cosméticos para bebês são uma maravilha. Então, desconfie!

Outra postura libertadora é nunca, nunca mesmo, confiar na publicidade, porque o único objetivo dela é o de promover o consumo. Antes também, de confiar em fontes aparentemente imparciais, verifique se tais fontes não ganham dinheiro com publicidade de produtos do gênero (como certos blogs que pretendem “orientar” as calouras da maternidade sem deixar claro o que é publicidade do que não é).

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Você confia nessa publicidade? Embora, atualmente, as mensagens publicitárias sejam mais subliminares, o objetivo dessas continua o mesmo: despertar o desejo de consumo de algo desnecessário, e, às vezes, prejudicial.

Antes, sobretudo, de dar um passo em direção ao consumo, tenha a certeza de que o necessário para você e seu bebê é o necessário para você e seu bebê somente, ou seja, cada experiência mãe-bebê (e pais presentes também) é única, assim, cada família tem suas necessidades específicas de produtos para essa fase fusional, que é muito subjetiva.

Uma dica: quando ficar em dúvida da utilidade de algo, reflita se esse algo vale o tempo e o espaço da sua vida e do seu bebê que ele vai tomar. Por exemplo, seu bebê precisa mesmo de um trocador ou seria melhor ganhar o espaço desse trocador para que sobre área para vocês dançarem juntinhos?

Reflita, acima de tudo, no que VOCÊ gostaria que compusesse os ambientes que VOCÊS irão habitar, sem sequer lembrar do que os OUTROS dizem ser necessário. O que vocês consideram útil e agradável que haja?

Quando você desejou (ou irá desejar) ser surda

Ouvia tanto que meu bebê deveria mamar de 3 em 3 horas, como se ele fosse uma maquininha, e que eu conseguiria sim fazer home office full time e ainda cuidar dele, e que se ele “não deixava” era porque eu o mimava dando o peito a toda hora, então eu vivia estressada, tensa, principalmente porque, também, não dormia, porque também me diziam que ele tinha que dormir no quarto dele, no berço dele, longe de mim, então ele não dormia e eu, idem, até o desmame.

Para a nossa sociedade, o consumismo é a solução para maternar entre machismo e desconexão.

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Fernandinho de olho no móbile, com dois meses de vida. Maio/2009.

Maternar, que me diziam, era entreter ele como eu podia para que, segurando-o num braço e digitando com o outro, eu pudesse trabalhar, como boa mãe de família. E, em vez do respaldo das mulheres da família, como outrora acontecia, me diziam para dar-lhe chupeta que o acalmaria, mamadeira quando eu demorasse fora, para que utilizasse mobiles, para ele gostar do berço e ursinho ou paninho pra ele agarrar e dormir sem a minha companhia. Ah, e claro, vídeos animados “para bebês” no início das “papinhas”, para que ele ficasse “fortinho”.

Em suma, o mercado lhe daria a mãe que eu não poderia ser porque antes de ser mãe, eu tinha que ser máquina, gerar renda além de gerar um filho, gerar renda além de criar esse filho, relegar ao entretenimento com produtos a sua companhia.

Cada um tem a sua experiência de consumo com seu bebê, cada mãe/pai é única(o), cada bebê também, assim, cada mãe/pai-bebê tem suas necessidades particulares, desse modo, narro adiante alguns pontos da minha experiência com produtos para bebês, dizendo o que considero útil ou não e como deixei de consumir produtos que sempre foram ou que se tornaram dispensáveis pra mim, nos cuidados com meus bebês, para servir de inspiração a todos os presentes e futuros pais que querem, além de filhos mais libertos e felizes, uma relação com mais espaço, menos entulhada de coisas desnecessárias.

O excesso de coisas no universo infantil causa poluição visual e sonora, superestimula o bebê e superpovoa seu imaginário, abafando sua capacidade criativa, já que não há espaço para criar. Assim, os bebês ficam agitados, com sono comprometido e irritados quando não entretidos com algo, pois não sabem lidar com o vazio, com o tédio.

Antes, gostaria de deixar claro que de um filho para o outro também mudamos o que consumimos. Quem tem mais de um filho sabe muito bem que não usou exatamente as mesmas coisas com um e com outro, mas todas as mães têm a plena certeza de que, com a experiência, adquirimos praticidade e, consequentemente, menor necessidade de consumir produtos que “facilitam” (ou não) a nossa vida. Não estou falando aqui do caso de crianças com necessidades especiais, que envolve um tipo diferenciado de consumo, do qual sou totalmente leiga.

Abaixo tem três textos sobre o que é ou não necessário em termos de produtos, segundo a minha experiência. Basta clicar do lado direito no sinal de + para abrir.

O que te dizem que seu bebê precisa

Mães e pais de primeira viagem sofrem no bolso. O que não ganham no chá de bebê e “têm” que comprar é muita coisa. Berço, moisés, carrinho, bebê-conforto, cadeirão, só pra citar alguns dos produtos mais caros. Fralda de pano, toalha-fralda, fralda de boca, babador, cueiro, roupa de cama (até saia pra berço inventaram), só pra citar o excesso de panos. Falando nisso tem a vestimenta,  um montão de roupinhas minúsculas no tamanho e grandes no preço que serão usadas por poucos meses, talvez nem isso, sapatos desnecessários, já que o bebê só terá necessidade deles após aprender a andar, mas que irão estar lá entulhando seu guarda-roupas e sua mente até que você use os benditos uma única vez e se livre daquilo.

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Fernando no tapete de atividades, que eu considerava essencial. Maio/2009.

Sem falar em tudo ligado à amamentação e alimentação, como mamadeira, bico de mamadeira, escova para lavar mamadeira e pote térmico para guardar mamadeira, itens que a mãe que vai amamentar nunca irá usar, apesar de sempre ter alguém pra dizer que precisamos. Chuquinha ou mini-mamadeira, pra dar chá ou suco, muitas mães, como eu, nunca darão, porque após os seis meses de aleitamento exclusivo é mais indicado utilizarmos copos de transição, aqueles com bicos um pouco moles no início da introdução alimentar, para o bebê não machucar a gengiva, e mais rígidos após, que servem apenas para não derrubar muito o que estão bebendo.

Fora o resto, um montão de coisas como acessórios para segurança, potinho pra algodão, pra cotonete, pra água morna, garrafa-térmica, pendurador de chupeta e chupeta (que nunca chupará ou que será obrigado a gostar porque alguém falou que esse hábito acalma o bebê, como se os bebês não preferissem que pessoas o fizessem). E os brinquedos então? E tudo o que é feito para entreter, como tapetes de atividades e móbiles, porque se diz que é certo estimular o bebê a toda hora e não o fazer seria sinal de desamor… mas não. E por aí vai, inúmeros itens de consumo.

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Ana Julia bebendo suco no copinho de transição. Julho/2013.

Lembro-me de ter pedido auxílio para minha cunhada para me ajudar a fazer a lista do chá de bebê do meu primeiro filho, com base numa lista que imprimi de um site qualquer. Ela pegou a lista da minha mão e começou a riscar e dizer: “isso aqui você precisa, isso aqui não…”. Tudo bem! OK! Mas já desconfiava que nossa experiência não seria muito parecida. Mamadeiras, por exemplo, que ela me disse para pedir, eu sabia que nunca usaria e os cueiros que ela riscou porque nunca usou, eu sabia que usaria, pois tinha usado muito na minha experiência como babá fora do Brasil.

Alguns produtos praticamente indispensáveis como fraldas descartáveis, lencinhos umedecidos e pomada para “prevenção” de assaduras, já estão em cheque, anti-ecológicos ou prejudiciais à saúde, são, em suma, insustentáveis.

Só utilizei garrafa térmica, para preservar água morna para embebedar o algodão e usar nas trocas, com meus dois primeiros filhos, com minha terceira, agora, não, pois tivemos um ano de muito calor e ela já tem nove meses… não foi necessário. Em casa criei o hábito de lavá-la no chuveiro mesmo, rapidinho, em cada troca, algodão só usei bastante nos primeiros meses. Ou seja, economizei muito tempo ao não ter que me dar ao trabalho de todos os dias esquentar água e colocar na garrafa (que nem adquiri), e dinheiro, pois não tive que comprar pacotes e mais pacotes de algodão. Claro que, com o tempo frio, garrafa térmica e algodão são necessários pra sair de casa com o bebê, mas do contrário, acho pura tralha.

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Estela de fralda ecológica: descartável só em viagens. Agosto/2015.

Pomada para “prevenção de assaduras” é outro produto que aboli já com minha filha do meio, pois percebi que era devido ao seu uso que a pele não tinha a resistência necessária para não assar. Conto isso melhor aqui.

E há, claro, a fralda ecológica, tanto a de pano reutilizável, quanto a descartável mas com materiais biodegradáveis. Ao saber que um bebê gasta em média  5 mil fraldas desde o nascimento até o desfralde, que demoram mais de 400 anos pra se decompor, decidi que iríamos nos adaptar, pois não queria deixar um legado de mais de 10 mil fraldas pro mundo, que é o que já deixei até o momento.

Só não usei fraldas de pano desde meu primeiro filho por puro desconhecimento do produto e por tanto ouvir as lamúrias da minha mãe, tias e avós (“na nossa época só tinha fralda de pano, não tinha essa maravilha!”). Fraldas de pano são muito melhores que qualquer fralda descartável, pelos motivos: não vasa, absorve mais, portanto, troca-se menos (economia de tempo, água e produtos para lavagem), previne assaduras, pois o tecido em contato com a pele é mais saudável que materiais plásticos, dispensa o uso de cremes e pomadas de prevenção de assaduras; ecológico.

“Todo excesso traz, em si, o germe da autodestruição.” (Aldous Huxley)

O que seu bebê não precisa

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Exemplo de quarto de bebês para adultos.


Quarto de bebê para adultos
, com móveis demais, decoração pastel, quadrinhos e papel de parede na altura dos olhos dos adultos e outras tantas decorações e itens inúteis que o bebê nem sequer irá notar.

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Exemplo de quarto montessoriano.

No quarto montessoriano, por exemplo, o berço, que parece algo ultra necessário, é dispensável. Caso o berço seja o que você tenha escolhido para o seu bebê, certifique-se de comprar um de acordo com as normas do Inmetro, pois há risco de acidentes e sufocamento em berços inadequados. (Saiba como escolher um berço seguro) 

A Estela tem o berço que era da Ana Julia, que ganhou da vovó, mas serve mais como trocador, já que fazemos cama compartilhada.

Falando em trocador, hoje em dia estou tão prática, que nem trocador temos. A Estela é trocada em todo lugar,  na cama, no sofá e até no colo. Mas, caso você deseje ter um trocador, escolha um que seja seguro, a maioria não é. O próprio berço com a grade rebaixada é mais seguro para trocar o bebê do que aquele tipo de trocador que vem com a banheira embaixo e tem mais de 1 metro de altura. Num leve impulso do bebê o tombo é grande e o estrago pode ser maior ainda. Vale assistir a matéria.

Outra coisa que seu bebê não precisa é de muitos cosméticos. Hidratantes, óleos corporais, perfumes e afins são totalmente dispensáveis, não somente por serem supérfluos, mas principalmente, por agredirem a pele do bebê e tirarem do seu bebê aquele aroma incrível, divino e natural, inenarrável, que só tem quem acabou de chegar  do céu. O único cosmético que seu bebê “civilizado” precisa é de sabonete líquido, e bem pouco, já que até que possa começar a se movimentar e a se alimentar com sólidos, o que só ocorre após os seis meses de vida, ele só terá contato com o que levarmos até ele, ou seja, ele quase não se suja.

Minha filha mais nova acabou de completar 9 meses e só utilizou dois frascos de sabonete líquido. Isso porque acordei para um fato com o pediatra e neonatologista humanizado que acompanhou minha segunda filha no parto, o de que bebê novinho não precisa de sabão em excesso, porque não tem sujeira. Ele me orientou a usar sabonete somente quando percebesse oleosidade em excesso no cabelinho nos primeiros meses. Como ela levou um mês trocando de pele, eu dava muito banho com chá de camomila (fazia um copo de chá com 3 sachês e despejava no ofurô).

Me disseram que meu primeiro filho precisaria de chupetas e lhe deram várias, pois achavam que ele “mamava demais” e que chupeta o faria parar de “chupetar” a mim, mesmo eu dizendo que ele não pegava. Na verdade, eu não lhe dava, pois não o queria viciado em chupeta como eu fui e achava que esse vício tinha a ver com uma falta que eu não desejava que ele tivesse. Era o que eu acreditava na época. Depois agradeci imensamente à minha intuição quando li esse artigo. Tem coisas que a gente sabe sem saber.

Com o primeiro filho achava que precisava e utilizei protetores de berço. Depois que descobri o risco potencial de sufocamento do produto, minha segunda e terceira filha se safaram desse produto perigoso, como também do excesso de roupas de cama e brinquedos de pelúcia no berço. (Saiba mais)

Sabão para lavar roupas de bebê é algo que só utilizei no primeiro mês de vida dos três, enquanto lavei separadamente as roupas deles, depois utilizei sabão em pó comum, mas pouco, para deixar menos resíduos nas roupas, lavando mais vezes se necessário.

O que não te dizem e seu bebê precisa

Tudo o que é novo, da geração presente, sua avó, mãe, tia, não conhecem, então ninguém vai te dizer que você precisa já de antemão, vai mais de você decidir experimentar tendo sabido por alguma amiga ou lido nas redes sobre a utilidade de um produto x.

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Banho no colo. Março/2015.

Segundo banho da minha filha do meio, Ana Julia, no meu quarto da maternidade. Com direito a sachês de camomila.
Segundo banho da minha filha do meio, Ana Julia, no meu quarto da maternidade. Com camomila.

Balde de banho ou ofurô para bebês é um desses produtos atuais, simples e barato que tem “n” vantagens: ideal pra o banho dos primeiros meses, ocupa pouco espaço, é terapêutico, reduzindo mal-estares pelo bebê ficar em posição fetal em meio à água (ambiente familiar, similar ao que ele ficou por nove meses) e ele se sente seguro desse modo. Meus três filhos usaram muito até começarem a andar. A Estela, com 9 meses agora, foi a única que tomou muito banho no colo também e sempre adorou. Acho que banho no colo dispensa enumerar vantagens. Agora já curte a banheira dos irmãos, que passei a usar mais após começarem a engatinhar.

Para os bebês que têm cólica, óleo de massagem (vegetal, não mineral) também é algo acessível que, associado à Shantala, pode funcionar muito mais que remédios. Muitas vezes colo e balanço (dança, conexão) resolvem o mal-estar, por isso, antes de tratar a cólica, vale refletir com o Dr. Carlos González em seu artigo utilíssimo para quem passa por esse processo. Eu passei por isso com meu filho, não com minhas filhas e dava-lhe Shantala e balanço, que nem sempre resolvia (sem calma nada ajuda), e, por duas vezes, causou-lhe refluxo, por isso, vale ler o artigo.

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Estela no carregador, com alguns dias de vida.

E, falando em bebês que têm refluxo ou que têm qualquer problema respiratório e vivem com constipação, travesseiros anti-refluxo (os inclinados grandes que podem ir debaixo do colchão ou os pequenos que servem para colocar em cima dos carrinhos e no local de troca) são outro item barato e que impedem que seu bebê vomite e engasgue e auxiliam na respiração. São bons também porque possibilitam que o bebê veja melhor o que acontece ao redor quando está em repouso, mas claro, melhor perspectiva pra ver ao redor é de um bom colo.

Sobre colo, sling ou carregador de bebês é outro item que ninguém me disse que precisaria, tanto que só estou usando com minha terceira filha, após respeitar integralmente a necessidade de colo do bebê (ou aceitar o que eu já sabia, mas que “não me deixavam” fazer) o máximo de tempo possível e a minha necessidade de ter braços com três filhos. Temos três e usamos quase todos os dias, principalmente para caminharmos ou irmos ao parque. Há diversos vídeos e artigos na internet ensinando como usá-los e falando dos inúmeros benefícios, mas atenção, pesquise fontes confiáveis de produtos que respeitam a fisiologia do bebê, pois, caso contrário, podem causar danos à saúde dele.

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Fernando e Ana, com 2 anos de idade. A caminho da festa junina da escola e do desfile de 7 de setembro. Junho e Setembro de 2014.

Com minha segunda filha só passei a usar mais o carrinho, quando ela já não era mais uma recém-nascida, após completar um ano de idade, para longas caminhadas no bairro ou até a escola do irmão; funcionava para eu carregá-la quando ela se cansasse. Com a terceira, foi usado apenas para as sonecas diurnas dela, enquanto o carrinho era confortável, grande pra ela, até uns 5 meses. Atualmente, usamos apenas quando saímos para comer, já que nem todo lugar tem cadeira de alimentação apropriada.

Dormir no quarto dos pais e de preferência com os pais é o que o bebê precisa, então moisés, carrinho, uma cama maior, que caiba pai, mãe e bebê, sem risco do bebê ser sufocado, ou qualquer caminha improvisada (leia-se um colchão no chão, como orientado pela linha montessoriana) para que o bebê possa ficar junto à mãe toda a noite, é ultra necessário.

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Ana Julinha, com quase 5 meses na cadeirinha enquanto a mamãe jogava bola com o irmão no pátio do prédio. Outubro/2012.

Cadeirinha de repouso ou balanço para antes do bebê sentar ou até ele parar de tombar (ou carrinho, ou bebê-conforto, ou o cadeirão de alimentação). Nem tudo dá pra se fazer com o bebê no sling, como cozinhar, ou dar banho no irmão mais velho, por exemplo, e o bebê não quer ficar o tempo todo deitado, ele quer te ver e ver ao redor, então uma cadeirinha (ou carrinho, ou bebê-conforto, ou o cadeirão de alimentação) ajuda muito pra te dar braços e pra dar conforto a ele.

Vinagre claro, mais sabão em pó comum, serve para lavar as fraldas de pano e tecidos com resíduos alimentares, pois o vinagre é bactericida e fungicida sem ser insalubre como o cloro. Ajuda, também, a tirar a maior parte das manchas.

 

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Ana Julia em Paraty, na nossa viagem de mãe e filha. Outubro/2013.

Seria de grande utilidade para todas as mães, pais, cuidadores presentes ou futuros que leem este texto, se você pudesse compartilhar a sua experiência também, então, conte para todos, nos comentários  logo abaixo, o que você considerou ou não necessário na experiência com seu bebê.

Gratidão por ler! Namastê!
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Porque as ORELHAS são delas e os FUROS da sociedade

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Resolvi escrever esse artigo para levantar uma polêmica que não cessa em grupos virtuais de mães, entre feministas e conservadoras. Porque mais do que apreciar o fogo das ideias em combate e a depuração de preconceitos, eu aprecio orelhas sem furos de crianças pequenas, porque, ao vê-las, eu vejo uma criança (uma menina) que não experimentou um procedimento de submissão e eu vejo pais com maior capacidade de respeitarem seus filhos tal como são, com autonomia sobre o próprio corpo, com liberdade para fazerem suas próprias escolhas.

Sempre gostei de usar brincos, na verdade, não me gosto sem, tiro-os para tomar banho e para dormir, somente. Na adolescência gostava tanto, que, quando tinha doze anos, decidi eu mesma fazer mais um furo em cada orelha, em casa, com agulha e algo que usei para assepsia, porque, apesar de adorar mais brincos, sempre, também, me desesperou a situação de confiar meu corpo a alguém para qualquer procedimento invasivo, ainda mais sem necessidade. Sou do tipo que desmaia quando tenho que tirar sangue ou tomar soro e estou meio abalada,  ainda mais se for com um mínimo de hostilidade. Também sou do tipo que preferia nunca ter passado por uma (desne)cesárea.

Mas, durante a minha primeira infância, não devo ter dado muita bola para brincos. Lembro-me por volta dos 6 anos, de brincar com as bijus da minha mãe. Antes disso, só me recordo do incômodo ao dormir, de enroscarem, me machucarem às vezes e de ter perdido muitos… lembro que ficava chateada quando perdia, quando ouvia minha mãe falar que eu tinha perdido mais um, não entendia como isso ocorria… sentia culpa. Não tinha maturidade pra lidar com essa responsabilidade de usar brincos e preservá-los. Incômodos de uma menininha, de muitas, com certeza, de menino algum, certamente.

Gostaria de ter feito eu mesma meus primeiros dois furos.

Não somente pelo que acho importante para mim é que respeito a integridade física das minhas filhas, pelo menos até que elas tenham as regras delas, somente permitirei que intervenham no corpo delas, por motivo de saúde.

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Não permiti que furassem as orelhas das minhas duas meninas e não havia pensado nessa questão até que ganhei o primeiro par de brincos para a mais velha. Na ocasião, recebi, agradeci, por educação, e os guardei, onde até hoje estão. Quando qualquer pessoa me falava em brincos nela, antes de ela nascer, eu simplesmente emudecia, não dava corda e seguia, assim, sem queimar os miolos com isso. Sentia como uma violação ao direito dela sobre o próprio corpo, que nem ainda entre os que falavam sobre a intervenção estava. Me soava horroroso, violento, machista. Já sentia que não o faria, embora nem sequer elaborasse um pensamento claro a respeito.

Depois de um parto roubado e de descobrir as muitas intervenções que meu primeiro filho havia sofrido sem necessidade desde antes de nascer, eu tinha muito mais coisas importantes para me ocupar, que tinham a ver com o bem-estar dela, com a saúde e integridade física dela. Pensar em furá-la sem necessidade seria um contrassenso absurdo, oposto a tudo o que eu estava buscando.

Eu já tinha um menino de 3 anos, que teve suas orelhas respeitadas, e sua integridade física até onde meu limitadíssimo esclarecimento alcançava na época, porque, então, eu não faria o mesmo com a minha filha? Ainda mais naquele momento de VBAC vitorioso e munida de informações suficientes para escolher as intervenções na minha recém-nascida que eu julgasse estritamente necessárias. Só por se tratar de uma  menina?! Que abuso! Não, obrigada não.

Quando a auxiliar de enfermagem veio me dar um cartão e oferecer furar as orelhinhas dela no dia em que ela abarcou neste mundo, eu mal esbocei uma resposta, achei o próprio oferecimento um tanto invasivo, desagradável. Quase pensei, enquanto ela fazia propaganda muito sorridente: “que folga entrar aqui e se oferecer para furar a minha filha sem qualquer abertura para isso”. Peguei o cartãozinho, não esbocei uma palavra sequer, dei um risinho de lábios cerrados e disse adeus em pensamento. Na verdade, eu era só risos, estava no céu de Anita! 😀

Não quero dizer aqui que toda mãe que submete as filhas ao procedimento de furar as orelhas o faça porque é machista, vaidosa, violenta ou fraca, não. Como um procedimento de rotina que é, furar as orelhas das filhas é uma daquelas escolhas inconscientes que a gente faz ao longo da vida e às vezes nunca chega a perceber que poderia ter agido diferente, que a escolha não era nossa na verdade.

Talvez eu tenha percebido que pudesse escolher não colocar brincos na minha filha e remeter essa escolha futura a ela, pela desnecesárea que sofri, sentindo no próprio corpo a dor e a violação desnecessárias, e pela informação que acessei sobre o excesso de intervenções praticadas de praxe nos recém-nascidos. Isso tudo me ajudou a criar  consciência do quão importante é respeitarmos os limites físicos do outro.

Escolhi para ela um parto humanizado, e um pós-parto sem colírio de prata, sem aspiração, sem banho com sabão, sem corte precoce do cordão, sem vitamina K , sem vacinas. Porque raios eu iria permitir furar as orelhinhas dela por vaidade, costume, “feminilidade”?

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Minhas meninas, em junho deste ano.

Lendo nas redes sociais sobre  acidentes diversos causados por brincos em recém-nascidos, encontrei relatos importantes:

“Minha mãe furou a minha quando era RN, disse que não chorei, só que depois com 5 meses enroscou no lençol e ela não viu, cortou e abriu toda, disse que eu berrava de dor, ela se arrepende demais por causa disso. Somente com 12 anos fiz a cirurgia pra reparar. Sou contra furar orelha, pela dor que o bebê pode sentir e acho uma invasão, você não sabe se ela vai querer, deixa ela crescer e decidir se quer ou não furar.” (Julia Bertolini)

Não esqueço até hoje a carinha da Laura quando furou a orelha. Hoje, jamais faria de novo. Me arrependo muito. Fui tão firme em todas as minhas decisões em relação a chegada dela (fizemos parto domiciliar) que não entendo até agora porque fiz isso. Atualmente ela não usa mais brinco, pois se mostrou algo perigoso. No inverno ela enroscou o brinco no meu casaco e foi um tormento para tirar. Ela tem agora 1 ano e 7 meses e não fica mais quietinha. Prefiro não arriscar…” (Catia Hueto Fantin)

Acho válido quem procura acupunturista para furar as orelhinhas para evitar possíveis danos à saúde da bebê, e quem sabe, a dor ao furar, porque uma bebê pequena responde de maneiras diversas à dor, mas essa atitude, além de não impedir que o bebê continue correndo riscos variados por usar brincos, e de não evitar o incômodo do brinco na hora de dormir, mamar, etc, continua transgredindo o direito de escolha dela sobre o próprio corpo.

É muito muito difícil definir dor mesmo em adultos que conseguem explicar o que estão sentindo. É uma vivência física e ao mesmo tempo extremamente subjetiva. Não dá MESMO pra dizer que alguma intervenção física dói muito ou pouco. Especialmente em bebês. Uma coisa é acreditar que o seu bebê não sentiu baseado na sua experiência, outra coisa é afirmar que bebê novinho não sente dor.” (Rachel Merino)

“Furei da minha filha, por questões pessoais, culturais. Hoje, se tiver mais uma filha, não sei se furaria. Como as meninas disseram, lutei tanto para ela nascer sem intervenções…. me senti invadindo o corpinho dela. Minha experiência: foi enfermeira em casa, passou anestésico, tudo como manda o figurino…bebéia chorou horrores. Me arrependi tanto, na hora mesmo (quase que não permiti furar a outra orelhinha). Se você tem dúvidas, não fure. Se te incomoda dormir com brinco, por que não incomodaria sua filha? A decisão é de cada uma mas é importante problematizar sim. E dizer que bebês não sentem dor? Ah não. Bebês podem reagir de diferentes formas frente a dor, o que não significa dizer que eles não sentem. “(Nádia Castro Alves)

Aliás, o que você está ensinando para a sua filha sobre “meu corpo, minhas regras” quando você mesma não respeita o corpo dela?

O que você está ensinando a sua filha sobre não-violência, quando você comete um ato violento contra ela em nome… do que mesmo?

“Não furei e não vou furar. Não furaram o meu e eu acho ótimo ter podido escolher.” (Yara Tropea)

“Sem contar que já mais velhas, se optarem por furar, vão se achar no máximo da conquista e lembrarão disso como desafio superado.”(Ana Carolina Arruda)

Acho muito interessante a criança poder decidir sobre o próprio corpo. A vida será cheia de momentos de decisões, esse sera apenas mais um”. (Debora Roggia)

Há dores que, pelo bem da saúde dos filhos, não podemos evitar que sofram, como o teste do pezinho, por exemplo e tantas outras intervenções necessárias à saúde deles, como as vacinas. Só que até vacinas podem ser administradas de formas mais amenas, tanto do ponto de vista físico quanto psicológico.

Mas sobre dores desnecessárias, por que não evitá-las?

“Sou mãe de 4 filhos. Dois meninos e duas meninas. E pago minha língua sempre. Nunca tinha pensado no mal em furar as orelhas das minhas filhas. A terceira coloquei com 1 mês. A pequena chorou, gritou de dor e de susto. Eu feliz por vê-la com um brilhozinho. Passei álcool e não tivemos alguma reação, mas aquele choro desnecessário dela sempre esteve entalado. Com a caçula foi diferente. Mudei. Não quero lhe causar nenhum mal. Não quero lhe causar nenhuma dor desnecessária. Ela é linda sem brinco. Quando crescer pode pedir e vou levá-la pra colocar. Para a mais velha já expliquei o que aconteceu e pedi desculpas.”(Flávia Alves)

Para mim a naturalização (ou humanização, se preferir) deve ocorrer desde a concepção até a morte, sem exceções, e o primeiro passo que devemos dar em direção a ela é respeitar os limites individuais, todos eles, e principalmente o óbvio: o corpo.

Se o livre-arbítrio é algo natural, faculdade inata que nos possibilita escolher o que nos diz respeito, se pai e mãe são nossos tutores naturais, para nos proteger nos primeiro anos de vida e para sempre nos conduzir a nossa própria essência divina, impor modelos não é algo natural, é um mal costume humano.

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A ridícula, em voga, “Escola de Princesas”, sempre com vagas esgotadas antes mesmo de iniciar as “aulas” nas cidades em que chega: adestrando meninas.

A sociedade que impõe brincos às meninas é a mesma que diz a elas para que se comportem como “moças”, para que contenham sua expressão corporal o tempo todo (“fechem a pernas!”), para que não usem cabelos curtos, para que comam, andem e falem como “moças”, é a mesma que decreta brinquedos e brincadeiras “de menina” e “de menino”,  que separa bens de consumo, principalmente brinquedos e vestuário, por gênero e a mesma que promove concursos infantis de beleza, que as comparam incessantemente à princesas lindas e indefesas. Isso, só para citar alguns exemplos.

“Tem gente que diz que a filha sentiu dor e tem gente que diz que não sentiu. Pra algumas deu problema, deu alergia, outras não. Da mesma forma, pra algumas pode fechar, pra outras não. Ou seja, há um risco. Eu, pessoalmente, acho improvável que um bebê não sinta dor, pra mim parece mais plausível que por ser tão pequenininho ainda não saiba bem reagir à dor ou algo assim. Seja como for, dá pra concordar que tem um risco, né? E pra que correr todo esse risco? em nome da sua vaidade? Sendo que quem vai pagar o pato (ou não, tá, mas pode muito bem ser que sim) é sua filha? E outra: tem muita gente que diz que é cultural e blá blá blá. Bem, muitas coisas são culturais. Acho que nós aqui já passamos do ponto de reproduzir tudo o que os outros fazem no automático. Vale pensar, vale refletir. vale a coragem de deixar um hábito de lado por uma decisão mais consciente. Pra constar: não furei a da minha filha. E nem a do meu filho. E se eu furasse a dela não conseguiria fugir de pensar em porque é que raios submeti a minha filha a uma mutilação, só por ser mulher. Mulher, como eu. Se a gente for ver a partir do viés do machismo dá pano pra manga.” (Elisa Motta Iungano)

O que você quer? Contribuir para a manutenção dessa sociedade machista através desse ato de violência infantil feminina ou mudar essa realidade dando liberdade de escolha às nossas meninas, às suas filhas, às futuras mulheres, desde crianças? Para mudar, não é necessário gastar energia defendendo o direito da sua filha e a sua postura, pois quando agimos com consciência, não precisamos nos defender, compartilhamos se temos vontade, e tocamos em frente. Basta mudar de assunto quando te falarem de brincos nela, dizer ‘não’ caso se ofereçam diretamente para furar e guardar os brincos que, porventura, ganhar. Agir diferente sem muito falar. 

Tapamos os furos que a sociedade tem ao não cometê-los nós mesmos.

Porque não furar

Pra resumir, os motivos pelos quais não se deve furar as orelhas das bebês (e meninas pequenas):

– desrespeito ao corpo alheio,

– desrespeito ao direito de escolha alheio,

– dor desnecessária,

– risco de acidente,

– desconforto desnecessário nos primeiros anos de vida (mamar, dormir, brincar),

– tornar o órgão ligado a região do furo mais vulnerável, em organismos mais sensíveis, segundo o médico acupunturista Jou Ell Jia, da Associação da Medicina Tradicional Chinesa do Brasil, em São Paulo. (Fonte)

– imposição de padrões de beleza.

“Eu sou uma feminista e todos nós deveríamos ser feministas, porque feminismo é uma outra palavra para igualdade.” (Malala Yousafzai)
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Toda criança livre de shopping

Criança em estado de shopping ou criança em estado de natureza?

Já aconteceu de você ter ido a um shopping com seus filhos e, ao sair de lá, ter tido a sensação de que apesar de ter gasto consideravelmente, vocês não se divertiram? Ou, você já passou maus bocados num shopping devido às birras consumistas dos seus filhos? Você gostaria de se divertir com suas crias sem que precisassem consumir tanto?

Que tal tirar seus filhos dos shoppings? Que tal parar de frequentá-los? Que tal se, desde bebês, seus filhos não soubessem o que é frequentar antros de consumismo? Quais valores você quer lhes passar? Qual realidade você quer que eles conheçam?

Como eu disse no artigo Como dizer “não” para o consumismo dos filhos, um dos fatores que irá definir o estilo de vida consumista ou não deles, diz respeito aos locais que vocês frequentam. Se eles vivem em shoppings, como eu vivi e como meu primeiro filho viveu enquanto morávamos em São Paulo, aprenderão, erradamente, que felicidade é consumir… uma crença que custa a mudar, principalmente se é estabelecida durante a primeira infância, quando as crenças se concretizam profundamente no nosso ser.

Pausa no frisbee no jardim. Maio/2015.
Pausa no frisbee no jardim. Maio/2015.

Onde vocês frequentam? Qual o tipo de identificação que vocês têm com esses locais? Onde você estão conectados?

Somente respondendo essas perguntas a si mesmo é que as coisas podem ficar claras e você poderá, então, decidir mudá-las – e isso não é difícil.

Porquê escolhemos o pior

Segundo uma pesquisa do Datafolha de setembro de 2013, 70% dos paulistanos tinham o hábito de frequentar shoppings. Acredito que esse número tenha crescido, assim como o número de shoppings cresceu na cidade, de uns anos pra cá.

Na mesma matéria, na opinião da urbanista Heliana Vargas, coordenadora do Laboratório de Comércio e Cidade da FAU-USP, “em uma cidade como São Paulo, com sérios problemas de trânsito e de segurança, o shopping conquista por sua praticidade (…) é a preferência do paulistano por ser um ambiente organizado, confortável, onde se pode comer, comprar e ir ao cinema com segurança. Daí a popularidade”, diz.

Aliás, você já percebeu que o ambiente dentro de um shopping é perfeito? Clima sempre agradável e constante, devido ao sistema de ar condicionado, vendedores  acolhedores, devido ao interesse mercadológico, com tudo o que se necessita para passar em média 16 horas (mais ou menos o tempo em que ficam abertos) das 24 do dia, com estrutura de segurança de ponta… tudo muito artificial, um ambiente bem diferente da realidade, que funciona somente com muita estrutura tecnológica, pessoal capacitado para servir aos frequentadores e relações humanas reduzidas ao ato de consumir.

É como num sonho… talvez uma fuga da realidade nada amena? Talvez devêssemos tornar a nossa realidade mais sonho, que fugir dela para o sonho de consumo, para as bolhas consumistas alienantes

Nos shoppings, há quase tudo o que desejamos ter, desde ofertas gastronômicas diversas até imóveis em locais, igualmente, de sonho; só que “desejar” e “ter” são verbos que pouco têm a ver com felicidade, principalmente em se tratando de bens supérfluos, porque é isso que os shoppings oferecem.

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Fernando no shopping de Ubatuba: hábitos que demoram a se perder. Fevereiro/2012.

O que queremos quando vamos a um shopping? Osho traz uma desnudante reflexão acerca dos nossos quereres:

“Você me pergunta ‘O que eu quero?’ Eu é que devo lhe perguntar, ao invés de você me perguntar, porque depende de onde você está. Se você estiver identificado com o corpo, então o seu querer será diferente; então comida e sexo serão suas únicas vontades, seus únicos desejos. Esses são dois desejos animais, os mais baixos. Eu não os estou condenando ao chamá-los de mais baixos, eu não os estou avaliando. Lembre-se, eu estou apenas afirmando um fato: o mais baixo degrau da escada. Mas se você estiver identificado com a mente, os seus desejos serão diferentes: música, dança, poesia, e depois existem mil coisas. (…) Se você estiver identificado com o coração, então os seus desejos serão de uma natureza ainda mais elevada, mais do que a mente. Você se tornará mais estético, mais sensitivo, mais alerta, mais amoroso.(…)
      Assim, depende de onde você está ligado: no corpo, na mente ou no coração. Esses são os três mais importantes locais nos quais a pessoa pode funcionar. Mas também existe um quarto local em você; no oriente ele é chamado de turya. Turya simplesmente significa o quarto, o transcendental. Se você está consciente de sua transcendentalidade, então todos os desejos desaparecem. Então a pessoa apenas é, sem qualquer desejo, sem nada para ser pedido, para ser atendido. Não existe futuro ou passado. Então a pessoa vive neste momento completamente satisfeita, realizada. No quarto, o seu lótus de mil-pétalas desabrocha; você se torna divino. “

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Anita inconsolável quando o carrossel parava. Caraguatatuba. Junho/2014.

O caro que sai ainda mais caro

Abordando o aspecto consumo, porque é disso que shopping (do inglês ato de fazer compras) se trata, seus filhos pequenos não sabem o preço disso tudo, ou melhor, não têm nem ideia do que seja preço. Como explicar, então, que nesse lugar “de sonho” tudo custa certa quantia em dinheiro, desde o estacionamento? Ou, que não se pode consumir tudo o que um shopping oferece o tempo todo? Que as atrações acabam, rápido, e que não dá pra ir “toda hora de novo”, principalmente as infantis (o que não é por acaso, é para entrar no loop do consumo). Não, não e não! Não dá pra explicar tudo isso. Não dá pra exigir esse entendimento insano de uma criança pequena, muito menos de um bebê meu Deus!

As atrações em shoppings são feitas de modo que criem aquela situação pavorosa em que as crianças, que possuem memória de curto prazo (músicas curtinhas, atenção curtinha, etc), querem consumir mais e mais do mesmo atééé cansarem, dificilmente aceitando o fim da atração, protestando muito contra você “pai/mãe malvados” passarem a lhe negar o que ela está adorando (“por quê???”). Sem dizer que, quando cansam, já estão dispostas a querer consumir outra coisa, aliás, o que há mais pra se fazer num shopping? E criança saudável quer diversão, só que num shopping diversão tem preço.

Isso sem falar no que custa à saúde infantil o excesso de atrações eletrônicas, principalmente as que incluem telas. (Mais sobre, aqui)

Dentro do shopping todos estamos entretidos o tempo todo, porque há muitas coisas atraindo atenção, dizendo “me consuma! me consuma!”. Estamos, portanto, com o nosso olhar voltado para o lado de fora o tempo todo, sem tempo para olharmos para dentro, desconectados de nós mesmos. E o que a desconexão causa, principalmente em crianças: agitação, irritação, choro, tristeza. Crianças e adultos precisam de locais onde possam olhar para dentro, onde possam estar paz, sem ter nada pra fazer a não ser estar consigo mesmos.

Se o hábito de frequentar shoppings já foi criado, é muito chato ter que ficar dizendo “não” o tempo todo. “Não” pra ir ao shopping, “não” pra ir ao local de diversões eletrônicas, “não” pras inúmeras e atraentes “comidas” processadas. É cansativo demais ficar explicando porque não dá o tempo todo, não é mesmo?

Se você é do tipo que sempre disse sim a esse tipo de passeio mas está disposto a mudar de vida e quer começar a dizer não, prepare-se! Meu filho, por exemplo, não podia passar perto daqueles quiosques que vendem balões de gás que queria levar um pra casa, também insistia muito em todo tipo de brinquedo “papa-fichas” que ficam subindo e descendo ou rodando e tocando uma musiquinha nada a ver. Quando comecei a dizer não, era sempre um show. Então, ponta firme e corre pro parque! (Sobre isso leia: O que há por trás das birras consumistas)

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Primeira vez da Anita no Parque Ibirapuera, com 50 dias de vida. Julho de 2012.

Como abandonar o sistema

Eu sei o quanto é difícil buscar uma vida alternativa numa cidade que necessita de ambientes acolhedores, seja pela questão da segurança, seja pela necessidade de ter lugar pra estacionar, seja por conta da correria da cidade grande que nos faz necessitar de um local com estrutura para relaxarmos, seja porque precisamos de um mínimo de estrutura para conseguirmos nos divertir com as crianças (será mesmo?).

Na verdade, creio que o mais difícil de tudo está em resgatarmos velhos hábitos, que nos aproximem do outro e não das coisas, que possibilitem a troca e não que necessitem do dinheiro para trocar, em suma, que possibilitem o SER acima do TER. 

Ouso dizer que a maioria dos pais e mães urbanos encontram-se incapazes de se divertirem com os filhos sem entrar na situação de consumidor. Não dá pra simplesmente estar junto e let it go! Temos que ir ao cinema, ou creditar no cartão de jogos para garantir o brincar eletrônico (em vez do brincar entre humanos), ou relegar a monitores a vistoria da diversão solitária dos filhos, ou gastar com alguma besteira pra mastigar: a regra é entreter, nem que seja através dos dentes!

Carrinhos de Bebê
Outra coisa que quem frequenta shopping sabe bem é que a ostentação começa no carrinho do bebê. Há carrinhos que chegam a custar R$6 mil, como o Aston Martin Silver Cross. Cabe a você decidir inserir seu bebê nesse mundo infeliz do pode mais quem paga mais, ou não.

Nossa geração mãe/pai classe média urbana, cresceu em shoppings, aprendemos a frequentá-los desde sempre. Como viver, então, sem isso? Como resgatarmos a brincadeira de rua, a infância livre na prática?

A minha opção foi sair da cidade gigante e mudar para o litoral (mudança drástica, resposta a muitos anos de opressão rs), com um shopping de dar dó em Ubatuba (graças a Deus!), a cidade em que aportei primeiro. Mas, antes mesmo dessa grande mudança, eu passei a mudar meus hábitos e dos pequenos e a passear mais pelo bairro, brincar mais no quintal da avó e área comum do prédio e a frequentar mais os parques da cidade, confesso que meu salário reduzido na época, por opção de querer dedicar meu tempo mais aos filhos que ao mercado, auxiliou na escolha do mais em conta, e melhor.

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Nós no Parque do Cordeiro, pertinho da nossa casa na época, na zona sul da capital paulista. Agosto/2012.

A vida real está fora

Se seus filhos vão a outros lugares ao ar livre, aprenderão, desde sempre, que a vida é abundante, pois terão mais espaço, mais natureza e mais pessoas para compartilhar, pessoas, essas, em situação de maior conexão, portanto, mais abertas para trocar, você, por exemplo, que não estará distraído com vitrines, em situação de cliente, mas apenas sendo pai/mãe.  

A maioria dos pais e mães ainda estão submetidos à jornada insana de mais de 8 horas de trabalho diário, a maioria das crianças também passa grande parte do seu dia, senão mais ainda que os pais, dentro de instituições. Poxa! Vocês merecem o lado de fora! Na verdade, precisam dele.

Se seus filhos frequentarem lugares ao ar livre, aprenderão, também, que a vida é instável, nem sempre confortável, pois estarão em contato com o tempo, assim como ele é, mas que pode ser plena de aventuras reais, sem que, pra isso, seja preciso possuir coisas, mas apenas SER quem somos em integração com a Existência.

“Investigue, olhe para o lugar exato onde você está. No que me diz respeito, todo desejo é completo desperdício, todo querer é errado. Mas se você está identificado com o corpo, eu não posso dizer isso para você, porque isso estará muito longe do seu alcance. Se você está identificado com o corpo, eu lhe direi, mude um pouco para desejos mais elevados, os desejos da mente, e depois um pouco mais alto, para os desejos do coração, e depois finalmente ao estado sem desejos.
      Desejo algum jamais será satisfeito. Esta é a diferença entre a abordagem científica e a abordagem religiosa. A ciência tenta satisfazer os seus desejos e, naturalmente, a ciência tem sido bem sucedida ao fazer muitas coisas, mas o homem permanece na mesma miséria. A religião tenta acordá-lo para a grande compreensão para que você possa ver que todos os desejos  intrinsecamente não conseguem ser satisfeitos. 
      É preciso ir além de todos os desejos e somente assim haverá contentamento. Contentamento não é o fim de um desejo, contentamento não é a satisfação do desejo; porque o desejo não pode ser satisfeito. Com o tempo, quando você chegar à satisfação do seu desejo, irá descobrir que mil e um outros desejos surgiram. Cada desejo se ramifica em muitos desejos novos. E isso acontecerá repetidas vezes e toda a sua vida será desperdiçada. 
      Aqueles que sabem, aqueles que vêem – os budas, os despertos – todos concordam em um ponto. Isso não é uma coisa filosófica, é factual, o fato do mundo mais interior: o contentamento acontece quando todos os desejos tiverem sido abandonados. É com a ausência de desejos que o contentamento surge dentro de você. – na ausência. Na verdade, a própria falta de desejos é contentamento, é preenchimento, é gozo, é florescimento.” (OSHO – Come, Come, Yet Again Come – Cap. 4 – Pergunta 3, Tradução: Sw. Bodhi Champak)

Se você ainda pretender continuar frequentando assiduamente shoppings e levando seus filhos consigo, não reclamem depois de os terem criado à sua imagem e semelhança de zumbizinhos alienados que só sabem ou estar passivos, quando entretidos com algo, ou ativos demais, estressados ou hiperativos, colocando pra fora todo o excesso de informação a que foram submetidos e enlouquecendo a todos os demais, porque criança externaliza muito mais, e hiperatividade e TDAH são apenas termômetros que indicam, na maioria das vezes, modos de vida desequilibrados.

Mas antes de fazer sua escolha, ouça outra palavra: um super TED Talk com o lúcido, preciso e arrepiante pediatra Daniel Becker, sobre os sete pecados capitais contra a infância e suas soluções, trazendo a importância das crianças e adultos estarem do lado de fora, porque a natureza exterior leva à natureza interior!

Gratidão por ler! Por uma vida mais livre para todos nós. <3

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