Como dissémos “não” ao consumismo infantil

Para incrementar o último artigo, Como dizer “não” para o consumismo dos filhos, gostaria de compartilhar como foi o início da nossa experiência de dizer “não” ao excesso de consumo e “sim” à vida realmente rica. Segue adiante:

Caminhando e contemplando. Em Dez/2011.
Caminhando e contemplando. Em Dez/2011.

Vejo a enorme diferença no quesito “consumismo” do meu primeiro filho para a segunda. Com ele eu ainda consumia muito e não conseguia dizer “não” para todos os pedidos, nem para todos os “maus presentes”, mesmo sabendo que ele não precisava de mais um carrinho, nem de mais um DVD. Como eu ainda consumia em excesso, não achava justo da minha parte dizer “não filho, você não precisa de mais”, se a mamãe aqui, ainda esbanjava. Discursar aos filhos para viverem com menos, despendendo futilidades (lembrando que palavras ensinam e exemplos arrastam), é dar um verdadeiro MBA de como ser egoísta.

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Acontece que no auge dos seus 2 anos e meio, querendo todos os carrinhos do mundo, mudamos de São Paulo para Ubatuba.

Naquela época, em julho de 2011, eu havia me desligado de um emprego num escritório na Paulista e ido morar dois meses depois no litoral norte. Passei a viver apenas de home office e teríamos que aprender a viver com menos… com mais na verdade.

Conversando com as flores, em Jul/2011.

São Paulo é uma cidade que, como a maioria das megalópoles, está toda estruturada para estabelecer um estilo de vida baseado no consumismo, onde quase todo lazer depende de consumir, onde é necessário se esforçar para dizer não ao consumismo de todo dia, principalmente se se está acostumado a esse tipo de vida desde que se nasceu.

Percebo, hoje, que esse processo de mudança de São Paulo para uma cidade menor e essa mudança drástica no estilo de vida que levávamos foi tão difícil, porque o nosso consumismo, como o da maioria das pessoas, estava diretamente associado à desconexão: nossa conosco mesmo e dos pais e mães com seus filhos.

Tratei de modificar a mim mesma antes de começar com o discurso de mãe sustentável do tipo “mas você já tem tantos desses, não precisa de mais um” ou “sorvete só no final de semana”. Mesmo depois que diminui meu consumo pessoal drasticamente, demorou para que o Fernando abandonasse o vício de comprar toda vez que saíamos, ou melhor, demorou para que ele descobrisse outras maneiras muito mais legais de se entreter, ou de aprender a lidar com o tédio… uma lição ainda em curso.

Rio Itamambuca, Ubatuba, Dez/2011.

Foram muitos shows em portas de lojas, muito choro e ranger de dentes. E tratei de ter muita paciência, confesso que às vezes não tive, pois eu fui a maior responsável pela adicção dele, que nem sempre foi alimentada por mim, na maioria das vezes não, mas todas elas, sim, eu permiti. Fosse com festa de aniversário em buffet caríssimo, com presentes todo final de semana ou doces em excesso, ou apenas deixando a livre oferta para o consumo indisciplinado de televisão.

Essa experiência de negação, que no início foi muito desgastante, me ensinou a oferecer outras coisas melhores para ele, mas que ele não sabia, e que eu já não vivia desde a infância. Em vez de insistir no enfrentamento que interrompia a comunicação, alterando os ânimos até a histeria, sem, óbvio, gerar bom resultados, aprendi a mudar o foco dele de coisas para experiências, aprendi a estar com ele, como há muito tempo eu não estava.

Toda criança é curiosa e anseia por experiências novas, mas, acima de tudo, toda criança necessita de pais e mães presentes, não de corpo, de alma. Como eu tinha muito mais tempo com ele, passamos a nos relacionar mais e fortalecemos nossa conexão; e consegui lhe mostrar que haviam coisas muito mais interessantes para viver e que seriam muito mais divertidas que possuir qualquer porcaria. 

Intrigado com o peixe. Itamambuca, Ubatuba. Novembro/2011.

Detox no olhar

Mas não foi só isso. Antes de ser uma experiência de mudança no estilo de vida, de saída da rota do mercado avassalador, foi uma experiência de desintoxicação, de libertação do excesso, da necessidade de estar sempre envolvido com o exterior.

Crianças que, como meu filho, foram o primeiro filho, neto, bisneto, sobrinho, são autuadas o tempo todo porque,  como é de se esperar, todos querem paparicá-la. Só que o excesso de mimos a la paulistana faz com que a criança não consiga estar só nunca, não consiga se encontrar. De tanto ganhar coisas, atenção, entretenimento, a criança tem seu universo amontoado por coisas das quais ele nem sabe se gosta, se lhe apetece ou agrada.

O Fernando foi aprendendo a diminuir o ritmo, a olhar pra coisas entediantes pra ele como o horizonte, o mar, a floresta… foi aprendendo a parar, e, aos poucos, começou a gostar. Claro que muitas vezes se irritava com o marasmo, o que já era de se esperar de uma criança que desde bebê foi acostumada a se alimentar em frente a telas, a ganhar coisas sem fim, que não sabia o que era tédio, que não tinha paciência para todas as coisas que exigissem pausa no entretenimento, como escovar os dentes, colocar meias, pentear o cabelo, etc.

Contudo, com o passar do tempo, ele começou a aprender a ser feliz com menos coisas, pudera! Estávamos em Ubatuba e ele tinha mais a mim e mais a ele mesmo.

A pracinha “encantada” do centro de Ubatuba. Parada obrigatória. Novembro/2011.

Mostrar um outro “lugar” para seu filho olhar, tirar os olhos dele do objeto de desejo mostrando a ele novos horizontes é derrotar, além do consumismo, o autoritarismo que só brada “nãos” e a desconexão que hoje impera entre mães, pais e filhos, e vivenciar a autoridade de mães e pais que guiam seus tutelados para uma direção mais feliz.

No litoral, à medida em que consumíamos menos, nos aproximávamos mais e convivíamos mais, compartilhando nosso tempo e espaço.

Mudar o foco do consumo para a experiência, para a atividade física (brincadeiras) ou intelectual (jogos) em vez da passividade (eletrônicos), para o olhar nos olhos profundo, para o olhar a natureza e brincar nas areias da praia, para a companhia além da coexistência, é a saída mais inteligente para um caminho menos consumista e mais vívido, para uma vida de mais amor entre pais, mães e filhos.

Praia da Almada, Ubatuba, Jan/2012.

A praia, o rio, o parquinho, os livros, as flores, os pássaros e as borboletas foram nossos grandes aliados nesse processo de desapego.

Assim, se eu pudesse resumir como dizer não para o consumismo infantil numa só afirmação seria “sendo mais você mesmo”. Quem prefere ser a ter, não tem tempo pra ir demais a shoppings, pra comprar o que não precisa, não tem tempo pra ver TV. Dando o exemplo, os filhos seguem e, em vez de pais e mães consumistas, teremos pais e mães presentes e conectados, e filhos igualmente. Entretanto, é claro que há um sistema prisional que se impõe, ocorre que pais e mães livres, são naturalmente atuantes e desarticuladores do sistema vigente, e é sobre novas atitudes que estamos falando aqui.

Não às amarras, sim à vida!

Namastê! <3

Praia do Centro de Ubatuba. Dezembro/2011.

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Como dizer “não” para o consumismo dos filhos

O mercado apela para nossas carências ocultas e o consumismo se configura para satisfazê-las. Se ele não existisse, não saberíamos que haveria um problema. O desequilíbrio exterior vem sempre de um desequilíbrio interior.

Se acreditamos que precisamos de tantas coisas é porque falta que nos apoderemos de nós mesmos. O consumismo tanto adulto quanto infantil revela uma falta de conexão consigo. A vontade excessiva de TER significa sempre uma falta de SER.

Continuando os artigos Bebê Livre de Consumismo e Menos Telas Para Mais Vida, trago mais uma medida prática a ser tomada como vacina (porque dói mas livra) por mães, pais, avós, cuidadores, enfim, todos que lidam com crianças e que pretendem propiciar a eles uma vida mais livre.

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Fernando no jardim do condomínio. Julho/2015.

 Não, não e não! Ou outros sins

Um passo simples rumo a liberdade é negar às crianças, desde bebês, os pedidos de consumo desnecessários e dizer um “não, obrigado” aos presentes de grego.

Claro que essa atitude depende, primeiramente, da diminuição do consumismo dos pais. Não adianta discursar sem dar o exemplo, pelo menos não para os seus filhos, que sempre irão muito mais te imitar que seguir o que você diz.

Outra coisa: não adianta, também, frequentar assiduamente antros de consumismo, como os shopping centers, ou deixar a TV ligada no Discovery Kid’s e outros canais de TV a cabo para crianças, que metralham publicidade na cabecinha deles e impõem produções com valores consumistas e ritmo alienante. (Leia mais em Menos Telas Para Mais Vida).

Toda vez que eu ia ao shopping com meu filho mais velho, por volta dos 2 a 3 anos dele, ele exigia que eu comprasse para ele um balão de gás. O meu discurso era sempre o mesmo “você não precisa de mais um, tem outro lá e casa!”. Às vezes eu cedia, às vezes não, e nessas que não ele desempenhava um super show dramático para todos os presentes. Hoje, eu entendo muito mais o lado dele. Qual a graça de passear num shopping sem consumir? Qual a graça de só passear e comer? Que era o que fazíamos a maioria das vezes. Pra uma criança, nenhuma. Ele queria, pelo menos, um balão novo para se entreter.

É tortura expor os filhos a tantas coisas atraentes e negar-lhes quase todas. Além, é claro, de se tornar a mãe e o pai chatos, já que as crianças pequenas não têm maturidade pra entender o porquê do “não”. Nenhum pai e mãe quer ser percebido como mal, ninguém quer deixar um legado de escassez na memória infantil, o que, já está mais do que comprovado, é péssimo para o futuro adulto.

Então, em vez de viver dizendo “não, não e não!!!” para o “eu quero, eu quero, eu quero!”, o melhor é evitar tantos enfrentamentos. Como? Evitando a ocasião de tê-los, trocando o shopping pelo parque, as diversões eletrônicas pelo parquinho, ou seja, efetuando uma mudança de hábito: do consumismo para a vida mais simples e mais valorosa.

O bom e velho parquinho é uma ótima opção para compartilhar com os pequenos
O bom e velho parquinho ganha da televisão. Ana Julia. Praia do Centro de Caraguatatuba.

O que você pode fazer para tornar a vida da sua família realmente abundante?

Abaixo um trecho do Sermão da Montanha, que sempre me inspira:

«Ninguém pode servir a dois senhores; pois ou há de aborrecer a um e amar ao outro, ou há de unir-se a um e desprezar ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas. Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos da vossa vida pelo que haveis de comer ou beber, nem do vosso corpo pelo que haveis de vestir; não é a vida mais que o alimento, e o corpo mais que o vestido? Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam, nem ajuntam em celeiros, e vosso Pai celestial as alimenta; não valeis vós muito mais do que elas? Qual de vós, por mais ansioso que esteja, pode acrescentar um cúbito à sua estatura? Por que andais ansiosos pelo que haveis de vestir? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam, contudo vos digo que nem Salomão em toda a sua glória se vestiu como um deles. Se Deus, pois, assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé? Assim não andeis ansiosos, dizendo: Que havemos de comer? ou: Que havemos de beber? ou: Com que nos havemos de vestir? (Pois os gentios é que procuram todas estas coisas); porque vosso Pai celestial sabe que precisais de todas elas. Mas buscai primeiramente o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.» (Mateus 6:24-33)

Porque é difícil dizer “não”

Se você tem dificuldade em dizer não para os seus filhos é porque, provavelmente, não consegue dizer não pra si mesmo. Quem só sabe se divertir consumindo, também só sabe agradar com coisas. No exemplo acima, eu, não deveria estar passeando num shopping, que o próprio nome significa “ato de comprar”, onde toda a diversão é paga.

Fica muito mais fácil dizer “não” quando isso não se torna um hábito, ou seja, quando diminuímos essa possibilidade ao nos expormos a menos produtos e publicidade. Se você não é uma mãe ou pai que vive dizendo “não”, seus filhos irão aceitar melhor quando você tiver que dizê-lo e vão ficar muito mais agradecidos quando receberem um “sim” ou algo novo sem nem pedirem.

Quem ganha em excesso, quem é agradado com coisas, quando não ganha, sofre com a falta, que, na verdade, não é do objeto em si, mas do afeto vinculado àquilo que ganha. Por isso, muitas vezes, presenciamos tantos protestos em centros de consumo… não é só birra.

Fernando adivinhando as nuvens. Praia do Centro de Caraguatatuba. Abril/2013.
Fernando adivinhando as nuvens. Praia do Centro de Caraguatatuba. Abril/2013.

Para refletir:

Que coisas (produtos/serviços) desnecessárias seus filhos consomem?

Quais dessas coisas você considera prejudicial a eles?

O que você não gosta que seus filhos ganhem?

Com que frequência você compra coisas desnecessárias?

Você diz não para os pedidos de consumo desnecessários dos seus filhos?

A seguir, mais um artigo sobre os prejuízos do excesso de consumo na infância.

Namastê! <3

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MENOS telas para MAIS vida

ou

Porque você deve reduzir o consumo de mídia em tela da sua família

Por Mariana Fernandez
O essencial: onde está o seu olhar? para onde seus filhos olham? Olhar estelar <3
Essencial: onde está o seu olhar? para onde seus filhos olham? Olhar estelar <3

“Baby steps” para consumir menos

Na língua inglesa há a expressão corrente “baby steps”, que traduzida literalmente para o português seria passos de bebê. As expressões similares na nossa língua seriam: “pouco a pouco”,”um passo de cada vez”, “engatinhando”, “primeiros passos”. Todas significam a mesma coisa: que “devagar se vai ao longe”. Mas, para onde estamos indo? E para onde estamos guiando os “baby steps” dos nossos filhos?

Continuando o artigo Bebê livre de consumismo, falo a seguir do primeiro passo para ficar mais leve, com menos coisas, e poder, você e seus pequenos, irem muito mais além… “voar, voar, subir, subir…”.

Claro que esse primeiro passo é diverso para cada um de nós, que desejamos uma vida mais livre tanto para nós quanto para nossa família. Cada um sabe o que é mais fácil ou mais urgente fazer para mudar a própria vida e a dos filhos, mas esse passo aí adiante é meio que obrigatório pra quem quer mais liberdade, e terá que ser dado mais cedo ou mais tarde.

Assim como cuidamos dos primeiros passos dos nossos bebês, dizendo-lhes onde ir ou não, cercando-lhes o entorno para não caírem, dando-lhes as mãos no início para lhes dar confiança e apoio em qualquer deslize, é assim, com muito cuidado, que devemos fazer com os primeiros passos dos nossos bebês em direção a uma vida mais livre, que serão, concomitantemente, nossos primeiros passos para um novo modelo de vida: OFFLINE, ONLIFE.

Conduzir um novo ser nesse mundo, que ainda está tão do lado do avesso, é, além de uma baita responsabilidade, uma ótima oportunidade para renascermos e criarmos um novo estilo de vida, mais feliz para mães, pais e filhos.

E aí, vamos andar?

Menos informação invasiva, menos meios frenéticos ou, simplesmente, menos telas

Ampliando a consciência, o direito de escolha, a experiência

Buscar uma vida livre de consumismo é obrigatoriamente, buscar uma vida mais do SER e menos do TER. Onde, sabendo o que queremos (consciência), escolhemos melhor e experienciamos mais. E, uma vida assim, do Ser, é uma vida mais conectada com o Universo, com a fonte, sem intermediários.

Fernandinho bebê, fazendo grass terapy em Araçoiaba da Serra, em 2009.

Então, de um modo geral, para termos uma vida mais conectada, ela tem que ser o menos mediatizada possível. Se há um meio entre você e a experiência, então essa experiência está formatada, limitada, padronizada.

Ou seja, evitar ao máximo o consumo de mídia já é um grande passo para sobrar tempo para a vida real. Quanto mais conectados estamos com o lado de fora, menos conectados estamos com o lado de dentro.

Estou falando aqui do tipo de mídia caracterizada como terciária, onde a mensagem é elétrica, móvel, veloz, espectral, a do tipo que não dá tempo para “parar” e “pensar” enquanto estamos conectados a elas, ou seja: AS TELAS!

Para entender os conceitos de mídia primária (corpo), secundária (escrita, desenhos, arte, etc, prolongamentos do corpo) e terciária (eletricidade e derivações), leia mais aqui.

Outro aspecto ruim do consumo de mídia refere-se ao conteúdo do que consumimos. Sabe aquele ensinamento crístico “Não se pode servir a Deus e a Mamon”? Pois é, a grande mídia, de um modo geral serve quem tem poder sobre ela, ou seja, Mamon. Assim, consumir produções midiáticas, generalizando, é consumir ideais de manutenção do mercado.

Se você ainda possui a ideia de que para que algo seja consumível é necessário que seja palpável, abandone-a já. O consumo de informação através das diversas mídias, e dos bebês exclusivamente através de telas, é uma economia colossal. Porque, como já disse, além dos produtos publicizados pela mídia, consumimos, sobretudo, os conceitos de manutenção do próprio mercado consumidor. Assim, se o conteúdo emitido pela mídia não te faz consumir algo de forma direta, o faz de forma indireta, seja despertando nas crianças o desejo de consumir os produtos desnecessários, publicizados freneticamente entre um desenho e outro, seja perpetuando valores controversos ou apresentando como natural a escassez de muitos versus a abundância de poucos.

Considere reduzir o espaço que as telas ocupam em sua vida, para que você tenha vida, para que seus filhos tenham você na vida deles. Cancele a TV a cabo, desligue o WI-FI todos os dias e só volte a ligar quando for usar para algum propósito útil, deixe acabar a bateria do celular e só volte a carregá-la quando precisar ligar para alguém… enfim, use a sua criatividade para boicotar as telas, para o seu bem e dos seus pequenos.

Quanto mais cedo mais livre

Eliminar as telas é um grande primeiro passo. Digo eliminar e não limitar porque embora todas as crianças – e adultos – devam ter acesso limitado, ou nenhum, às telas, para terem saúde acima de tudo, bebês até dois anos de idade não devem ter acesso algum a elas.

Aqui, as razões além do consumismo pelas quais seu bebê não deve ter acesso algum à TV.

  Continuar lendo MENOS telas para MAIS vida

Vivendo como nossos filhos

Se você não vive do mesmo modo que seus filhos, há algo errado com você, e não apenas errado, mas muito errado com você.

Estou afirmando isso porque desde que comecei a escrever este artigo, há alguns dias, despertei para essa verdade.

Se você não tem filhos, ok, basta olhar de perto qualquer criança ao seu alcance, ou se lembrar de quando você era pequenino(a) e se perguntar se você tem vivido a vida como uma criança.

O incômodo

Vivia incomodada sem entender o porquê (e me culpando por esse sentimento), com eles tão enérgicos, tão despertos, tão alegres,  inquietos, criativos, curiosos, sonhadores, e, acho que a maioria de nós, adultos, sentimos o mesmo: um incômodo inexplicável pelo “excesso” de energia/alegria das crianças.

O que estou mencionando não tem nada a ver com o que sentimos quando ficamos p. da vida quando eles aprontam alguma “arte”, não é aquele enfurecimento momentâneo com causa bem definida.

Não é algo insuportável, mas constante, que nos dá a sensação de que há algo errado, sabe? Porque não deveríamos estar incomodados com uma criança! Ainda mais quando se trata dos nossos filhos. Bate a culpa, ainda mais quando, por um motivo ou por outro, esse incômodo cresce e nos tornamos intolerantes, e não somos os melhores pais/mães que podemos ser.

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O que percebi (e que ao perceber já diminuiu muito meu incômodo) é que o que nos perturba é ter que lidar com tudo isso que eles têm e que nós perdemos, é vê-los alegres sem motivo especial, quando nós não conseguimos mais rir tão facilmente, é vê-los capazes de dormir profundamente, quando não conseguimos mais descansar em paz, é notar a confiança na vida que todas as crianças naturalmente têm e que nós não temos mais, é constatar a nossa incapacidade de deixar fluir, a nossa incapacidade de sermos felizes e, por consequência, de sermos os melhores pais e mães que podemos ser.

Então, percebemos que o incômodo não é com eles em si, mas conosco mesmos, com o que sentimos na presença deles: uma vontade intensa de viver a vida plenamente e, ao mesmo tempo, a crença na impossibilidade de isso acontecer.

Estamos com eles mas não conseguimos compartilhar plenamente com eles, porque: temos pressa demais, preocupações demais ou algo mais urgente a fazer. Não conseguimos imergir em suas solicitações, seja sentar para ler um livro com calma,  entrar na cabaninha deles ou jogar um pouco de bola.

Ver o encantamento da vida através dos nossos filhos sem conseguir, igualmente, vivê-la com encantamento é deveras frustrante, e, ao longo do tempo, vai se tornando insuportável.

O que fazer?

O tal incômodo piora muito quando acessamos nossa memória e descobrimos que vivíamos como eles na infância. Dá uma sensação de perda inexplicável, sentimos que perdemos o essencial da vida: a alegria de viver. Não conseguimos compreender como fomos capazes de sermos assim tão felizes e estarmos agora paralisados, totalmente incapacitados de nos deixarmos livres como éramos quando criança.

Quando o incômodo cresce a ponto de se tornar insuportável, podemos fazer duas escolhas: ou mudamos essa situação para vivermos melhor, como eles vivem, ou fugimos de um relacionamento mais profundo com eles, como muitos pais fazem, afastando-se de diversas formas de um conviver mais íntimo com os filhos. Um bom exemplo disso são os pais que substituem presença por presentes ou atenção por televisão e outras telas.IMG-20140831-WA0011

Se optamos por nos afastarmos deles, o que estamos decidindo é, além de abandonarmos nossos filhos emocionalmente, fugirmos de nós mesmos, da criança que fomos e que abandonamos em algum lugar do passado, aquele “eu” que sabia ser feliz.

Mas, por outro lado, se queremos mudar essa situação de inaptidão à vida que está abafada dentro de nós, se queremos ser  pais/mães melhores, mais felizes, urge questionar:

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