DESACELERAR para o tempo em que a VIDA ACONTECE

Se tem uma coisa que a gente aprende convivendo com gatos e cachorros, quando os amamos, é a relaxar. Uma das gatinhas sabe passar horas sob a sombra na relva daqui de casa, a cachorra adora ficar deitada na grama debaixo do carro e a outra gata quase não faz nada durante o dia pra ficar alerta a noite toda.

Eles relaxam, fazem o que o corpo pede, respondem ao ambiente externo ora se protegendo, ora relaxando, ora vigiando possíveis ameaças.

Gulosa adubando

Nós, humanos urbanos, permanecemos num estado de tensão constante, que não nos permite nem vigiar bem, nem perceber bem o que ocorre externamente, muito menos relaxar quando deveríamos.

Parece que se não corrermos seremos pegos ou mesmo dizimados. Mas a maior parte desses medos e ameaças é totalmente surreal, derivados de um passado que nos fez entrar no sistema corrente e que impregnou nosso modus operandi.

A vida na natureza é pacata, como o nome do tigre “preguiçoso” do He-Man. Na verdade, pacato quer dizer “que ou quem tem natureza ou índole não agitada ou não agressiva”, como primeiro significado.

Bom, tô escrevendo aqui para assumir que , infelizmente, não aprendi com os bichinhos, não como deveria. A Existência generosa me deu a oportunidade de conviver com eles para aprender, pois, como sempre, nos brinda com a chance de aprender pelo amor. Preferi a segunda opção: aprender pela dor. No meu caso, pela dor pela qual a maioria de nós tem mais apego: a dor no bolso.

Eu vim pra Serra da Cantareira em janeiro deste ano, depois de uma temporada de 2 anos em São Paulo,  e continuei a fazer correria. Correria para “dar conta da lista de afazeres diários”, correria para cobrar dos meus filhos que dessem conta dos afazeres diários deles. Correria para fazer almoço (o que resulta em comida ruim que ninguém quer, com razão). Correria para levar para a escola… e foi aí que eu me estrepei.

Não dá pra fazer correria em ruas de terra com rachaduras profundas se não se tem um carro alto e 4×4, mas eu fiz, ariana arriscadora que sou, e a vida, por aí, me ensinou. Seguem as lições que me ensinaram com dor (por opção minha) a desacelerar.

As estradas “lentas” de imagens eternas

1ª lição:

Atolamos eu e uma das minhas filhas num dia de chuva. Enchi-me de barro, enchi o carro de barro. Folhas e galhos sob a roda que jogava tudo pra trás e eu sentei cansada de tentar. De repente, avisto um carro descendo a rua com cuidado, ao passar por mim, o sujeito me disse: “moça, é perda de tempo tentar tirar o carro daí, por isso não vou nem te ajudar, por isso que eu não gosto de morar nesse lugar. Esse lugar é abandonado, ninguém cuida disso daqui. Chama o guincho, porque só ele pra tirar você desse lugar.” Eu, que estava sorrindo achando que ia receber ajuda, fiquei atônita e paralisada até ele sumir do meu olhar. Entrei no carro, olhei pra minha filha e falei: vou tirar esse carro daqui agora! (Ariana apressada e inconformada que sou). Coloquei uns tijolos baianos atrás da roda e saí. Ufa! Mas o pneu já era, levantou até linhas de nylon que eu nem sabia que existiam dentro dele. Dirigi até a borracharia rezando pro pneu não estourar, troquei pelo step e, dias depois, tive que adquirir dois pneus semi-novos. Primeira dor no bolso devido a correria.

Paisagens da volta da escola no pôr-do-sol

2ª lição:

Atrasada para a escola, pego a estrada após uns dias fortes de chuva e sinto aquela porrada de uma pedra sob o carro. Rodas intactas, nenhuma luz no painel. Sigo pra escola com aquele ronco alto da frente do carro. Na mecânica descubro: amassou o carter e quebrou o radiador. Segunda dor no bolso, mais dolorida, devido a correria.

3ª lição:

Um barulhinho incômodo que o carro já fazia, piorou. Vou pra mecânica e descubro: o cárter amassou mais e não dá pra desamassar, tem que substituir. Terceira dor no bolso, mais amena, devido a correria, hora de aprender, né?

“Quando você repete um erro, não é um erro novamente: é uma decisão.” Paulo Coelho

Fora as dores no bolso consecutivas, sofri e fiz sofrer dores no corpo e na alma, devido a correria pelo alto grau de exigência que eu estava impondo a mim e a meus filhos. Pela terceira segunda-feira consecutiva eu sentia tonturas, enjoo, sensação de que ia desmaiar. Era meu corpo no limite do estresse com seus altos níveis de cortisol que me pedia para desacelerar.

As formigas de casa ensinam que é passo-a-passo que grandes cargas podem ser carregadas

O encontro com aquele moço do dia do atolamento foi Providencial, como tudo na vida, e me fez pensar o quanto eu amo esse lugar, o quanto quero morar aqui e cuidar daqui. Mas demorei a chegar à conclusão de que se quero viver bem aqui, tenho que respeitar as estradas de terra, com o tempo que levam para serem atravessadas sem dor, que é o tempo que nos permite que observemos as borboletas que nos cruzam na estrada, de todas as cores, tamanhos, danças e sons (sim!, porque aqui temos estaladeiras), que é o tempo que nos permitiu parar para ver o rio que nos alinha em parte do caminho e que deixa a estrada sempre molhada, que é o tempo que nos permite descobrirmos pássaros, esquilos, macacos ou outros habitantes da serra.

Lembrei de uma lição de Chico Xavier de que havia esquecido, (porque achava que não era pra mim, que não me considerava urbana por achar que saí de São Paulo… mas não deixava São Paulo sair de mim). Ele dizia que os engarrafamentos das grandes cidades surgiram para que as pessoas aprendessem a parar, já que correndo demais nos perdemos de nós mesmos e do nosso propósito dessa existência.

A glória de ser porto da transformação

Mas só mudei de atitude mesmo depois da

4ª lição:

No dia em que minha mais nova, a mais espuleta e impávida dos três, ficou com febre e dor de cabeça de madrugada e me deu um medo tremendo de que fosse algo grave, que eu finalmente decidi reduzir a marcha. Fiquei cuidando dela de madrugada e enxerguei a obviedade de que apenas estarmos vivos e com saúde já era o mais maravilhoso presente de Deus na nossa vida. Olhei mentalmente para cada um dos meus filhos verifiquei o quanto são seres maravilhosos, o quanto são as pessoas mais especiais que conheço, o quanto é um presente excepcional ter a oportunidade de conviver com cada um, o quanto a vibração deles me oferta um patamar bem acima do mundo em que vivemos e o quanto era tudo pra mim poder viver nessa vibração. Em suma, refleti sobre o que era mais importante na nossa vida e que eu estava deixando passar.

Estava correndo tanto que tanto eu quanto ela estávamos ficando doente. Estava correndo tanto, que estava perdendo o tempo de abraçar demoradamente (aqueles mais de 20 segundos que fazem curar), estava correndo tanto que não estava mais perdendo tempo com os risos que estavam muito escassos no meu rosto ultimamente.

Decidi estar mais presente, acompanhando cada afazer com o tempo que lhe competia e com foco, decidi diminuir meu grau de exigência comigo mesma e minha lista de coisas a cumprir e decidi acompanhá-los nas tarefas deles até que se torne um hábito natural para cada um.*

Decidi, por fim, sairmos bem antes para irmos à escola sem tensão, sem dores no bolso e aproveitando a oportunidade de contemplarmos juntos a Cantareira cheia de vida e encantos que é o nosso novo lar.

*Na minha concepção, que se alinham às pedagogias Waldorf e Montessori, as crianças devem participar dos afazeres domésticos na medida da capacidade deles, e assistidos com paciência para aprenderem com satisfação, mas também devem ter o tempo sagrado do brincar livre respeitado. Mas como o excesso de exigências estavam interrompendo a presença, as coisas não estavam alinhadas ao que tenho fé.

“É nos momentos de decisão que o seu destino é traçado.” Anthony Robbins

Por que queremos a atenção dos outros?

Lembre-se, atenção é uma necessidade psicológica. Isso precisa ser entendido. Por que as pessoas precisam de tanta atenção? Por que, em primeiro lugar, todos querem que os outros prestem atenção neles? Por que todos querem ser especiais? Alguma coisa está faltando dentro deles. Você não sabe quem você é. Você conhece a si próprio apenas através do reconhecimento de outros. Você não tem nenhum acesso direto a si mesmo. Você vai pelos outros.

Se alguém diz que você é bom, você se sente bom; se alguém diz que você não é bom, você se sente muito, muito deprimido – então você não é bom! Se alguém diz que você é bonito, você fica feliz; se alguém diz que você é desagradável, você se torna infeliz. Você não sabe quem você é. Você simplesmente vive a partir de opiniões de outros, você segue colecionando opiniões. Você não tem nenhum reconhecimento – direto, imediato – do seu ser. Eis por que você pega um “eu” emprestado. Daí o seu anseio por de atenção.

E quando as pessoas estão atentas a você, você sente como se estivesse sendo amado, porque quando em amor, nós damos atenção um ao outro.

O amor é atencioso – e todo mundo tem sentido falta de amor. Raríssimas pessoas alcançaram a experiência do amor, porque amor é presença espiritual. Milhões de pessoas vivem sem amor porque milhões de pessoas vivem sem espiritualidade. Esqueceram do amor. Como substituir essa lacuna? O substituto mais fácil é angariar atenção de pessoas. Isso irá enganar você, irá te trapacear, dando a impressão de que eles te amam.

Buda é amor absoluto. Ele amou a existência e a existência o amou. Isso é o samadhi: quando você está em relacionamento “orgásmico” com o “todo”. Buda conheceu o “orgasmo pleno” – o orgasmo que não é do corpo e também não é da mente, mas da totalidade; não parcial. Ele veio a conhecer este êxtase. Nesse estado, não há necessidade de pedir nenhuma atenção, de ninguém.

Osho

The Diamond Sutra

Crítica construtiva não existe

Artigo de Tony Schwartz traduzido por Miguel Nisembaum do Blog Harvard Business Review

Aí vai aquela pergunta que é garantia de frio na barriga – “ Você se importa se eu te der feedback?” O que isso quer dizer na verdade é – “Você se importa se eu te der um feedback negativo, disfarçado na forma de crítica construtiva, queira você ou não?”. O problema com o criticismo é que desafia nosso senso de valor. Criticismo implica juízo de valor e todos nós nos sentimos julgados. Como Daniel Goleman pontuou, ameaça nossa estima aos olhos de outros e são tão potentes que podemos literalmente sentir que nossa sobrevivência esta ameaçada.

A questão é que feedback é necessário. É um dos meios primários pelo qual aprendemos e crescemos. Então qual seria a melhora forma de fazer com que realmente tenha valor – ou seja que o receptor realmente absorva e aja?

Existem três comportamentos chave, creio eu, e estão embasados no reconhecimento de que o que dizemos é frequentemente menos importante do como dizemos.

1. O primeiro erro que fazemos é dar feedback quando nossos próprios valores estão em risco. É uma receita para o desastre, e é algo que é mais comum do que pensamos ou que estejamos cientes.

Se nos sentimos ameaçados ou diminuídos pela falhas percebidas por aqueles que provêem a “crítica construtiva”, se torna secundário absorver o valor daquilo. Estaremos mais propensos a reagir de forma insensível é até dolorosa.

Se for sobre nós, não é necessariamente sobre eles. Toda vez que damos feedback com o objetivo de fazer com que alguém se adéqüe as nossas necessidades, ao invés de ser receptivo as deles, é pouco provável que tenhamos o resultado desejado.

Exemplo clássico é o pai que confunde seu próprio valor com a performance de seus filhos, e reage aos erros do filho com crueldade e julgamento ao invés de sensibilidade e compaixão.

2. O Segundo erro que fazemos ao dar feedback é a falha de não incluir os valores da pessoa no processo. Até o mais bem intencionado dos criticismos, nos deixará com a sensação que nossos valores estão em risco e sendo atacados.

O que acontece é que o primeiro impulso é nos defendermos. O quão mais a pessoa criticada se sentir compelida a defender seus valores, será menos capaz de absorver o que está escutando.

Eu já tive um funcionário que era muito competente e detalhista e raramente cometia erros. Isso vinha parcialmente de seu perfeccionismo feroz e seu enorme medo das conseqüências de estar equivocado.

Seu instinto automático era negar responsabilidade para qualquer erro. Quando eu precisava chamar a atenção, aprendi que era crucial começar reafirmando o quanto eu me importava e confiava nas capacidades dela. Só assim ela verdadeiramente ouvia o que eu estava dizendo.

Quando você estiver inclinado a oferecer um feedback especifico , pause e pergunte-se como você se sentiria se alguém lhe desse esse mesmo feedback. Se você se sentiria desconfortável ou defensivo, saiba que qualquer um sentiria o mesmo.

3. O terceiro erro é assumir que estamos certos sobre seja lá o que vamos dizer. Como os advogados nós pegamos uma série de fatos e somamos tudo em uma história que apóie e justifique o que queremos defender.

O problema é que nossas histórias não necessariamente são a verdade. São simplesmente uma das interpretações dos fatos. Faz muito mais sentido oferecer o feedback no sentido de elucidação do que uma declaração, diálogos e não monólogos, curiosidade ao invés de certeza. Humildade é reconhecer que não sabemos mesmo quando pensamos saber.

E concluindo pense que deveríamos eliminar conceitos como “feedback” e “Críticas construtivas” de nosso vocabulário. Eles são polarizados e na maioria das vezes destrutivos. Precisamos pensar neste intercâmbio como forma de questionamento honesto e aprendizado genuíno.

“Isto é o que eu entendo sobre o que ocorreu, eu entendi corretamente, existe algum ponto que não esteja vendo?”

Isso é exatamente o que eu pretendo dizer a próximas vezes que eu pensar em dizer a alguém “ Você se importa se eu te der um feedback?”

Fonte original: http://blogs.hbr.org/schwartz/2011/11/theres-no-such-thing-as-constr.html

Você come mais emoções que as sente e nem se deu conta disso

Nós já estamos na era em que as emoções mediatizadas suplantam as emoções reais. É o que constato eu, aqui, na megalópole. Pelo menos quanto ao tempo linear, passamos  mais tempo vivenciando emoções através da mídia que através de experiências nossas, presenciais.

A cada dia que passa, vejo o quanto já estamos vivenciando o way of life do filme Wall-E (Disney/Pixar 2008). No filme, após entulhar a Terra de lixo e poluir a atmosfera com gases tóxicos, a humanidade deixou o planeta e passou a viver em uma gigantesca nave, onde os seres humanos se tornaram apenas consumidores e não apenas de bens e alimentos, mas de experiências mediatizadas, de emoções, estando incapazes de viver experiências de um pra um ou coletivamente com interação presencial, experiências reais, físicas, presentes, como olhar nos olhos, conversar pessoalmente, trocar carícias, multiplicar-se inclusive, ou seja: fadados a extinção.

Consumidores solitários e inconscientes, autodestrutivos.

O filme mostra que nosso descaso com o planeta em que vivemos cresce na mesma medida em que cresce a nossa incapacidade de presença, amparada pelo abuso do uso da tecnologia. Quando as chamadas relações primárias se extinguem, aquelas em que precisamos estar juntos no mesmo tempo e espaço, toda a Humanidade se extingue também.

Estamos como no filme: nunca tivemos tanta informação e nunca tivemos tão pouco tempo e espaço para aplicar o que agregamos de conhecimento, tão pouco tempo e espaço para vivenciar com corpo, mente e espírito, porque criamos um sistema de vida em que a própria vida integral é banida. Pelo contrário, o excesso de conhecimento é uma forma de sabotagem tanto dos que querem o controle das mentes, quanto de nós para conosco. Isso porque o mero conhecimento do funcionamento das coisas não nos torna livre delas, precisamos agir de acordo com aquilo que sabemos, precisamos aplicar na prática.

Da mesma forma que nem todas as pessoas separem seu lixo para a reciclagem, a maioria não separa suas emoções para estudá-las e verificar o que serve e o que deve ser reciclado, preferem engoli-las com refrigerante e pipoca na frente do telão, ou devorá-las consumidos pelo feed farto de emoções seguras.

Consumimos emoções através das telas, dos vídeos com narrativas que conectam com nosso coração carente de experiências reais. Lembro-me de uma entrevista da atriz Ana Paula Arósio sobre como foi interpretar uma protagonista do clássico Os Maias numa minissérie televisiva, ao que ela respondeu “eu senti a tragédia de não ter uma tragédia”.

Ficamos cada um em uma tela dentro de casa, emocionados com os personagens das historinhas dos vídeos que vem por whatsapp, ou pelo feed da rede social, ou até pela antígona TV que se adapta a cada dia às narrativas midiáticas, mas não conversamos com nosso neto, filha, irmão, pai, mãe que está ali, bem ao nosso lado, compartilhando o mesmo sofá ou a mesma mesa de jantar.

Viver uma narrativa como aquela que está ali perfeita na nossa portabilidade, cheia de significados, com quem está presente (e é aquela pessoa real, cheia de imprevisibilidades), é extremamente difícil. A narrativa pronta é bem mais confortável, segura, garantida. Pra quê correr o risco de viver de verdade,não é mesmo? Certamente, a que está à mão irá satisfazer a nossa necessidade de consumo emocional, já a real, irá lidar com nossas reações e presença, algo muito mais trabalhoso e desafiador, mas muito mais verdadeiro e engrandecedor. 

Consumo. Essa é a palavra. Consumimos emoções, consumimos histórias, consumimos identificações. Seja numa tela, ou num copo de vanilla latte, cinnamon latte, ou o luxo de emoções do momento, oferecidas em forma líquida e doce, portátil, fácil e agradável de consumir.

Não encontramos satisfação total numa experiência real se, também, não a compartilhamos, tornando-a produto para outro consumir

Como dizia Capitão Planeta (um desenho pró meio ambiente da década de 90), “o planeta é de vocês!”, ou mesmo, como diz a gênese da Bíblia “Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra”, ou seja: tomem conta do planeta, a liberdade e a responsabilidade por ele é toda nossa. Mas, assim como devoramos nossas emoções, devoramos igualmente o planeta. O que fazemos com o mundo de fora é, irremediavelmente, reflexo do que fazemos com o mundo de dentro, e estamos consumindo tudo de todas as formas. Engolimos e jogamos pra nossa face oculta, pro nosso inconsciente, assim como o fazemos com o lixo que geramos no planeta, que, uma vez colocado à disposição do lixeiro, vai pra algum local oculto dos espaços que habitamos.

Ontem eu estava no parquinho do prédio com minhas filhas. Haviam dois outros pais entorpecidos pelas telas dos celulares. Quando as crianças ofegantes e risonhas lhes dirigiam a palavra, eles respondiam sem emoção, monossilabicamente… é, a mídia entorpece, a superinformação é como uma feijoada, deixa você devagar e sonolento.

Mas, eu estava presente, com celular ausente e lidava naturalmente com minhas filhas e as amiguinhas, e, aos poucos, aqueles pais foram olhando cada vez menos para as telas e interagindo conosco, até que as guardaram nos bolsos. A nossa presença, automaticamente, liberta outros.

Então, o melhor que você pode fazer pelo mundo agora, para que ele não se torne o grande lixão de Wall-E e tenhamos que nos mudar daqui para continuarmos consumindo incessantemente comida, informações, bens e emoções e nos fadarmos a extinguir as relações físicas e, por fim, toda a humanidade, para não termos filhos zumbis e para que sua vida não passe batido como qualquer uma dessas historinhas que você vê pelas telas e depois de uns dias já esqueceu, o melhor que você pode fazer por você agora é ESTAR PRESENTE, ESTAR NO AQUI AGORA. Seja você aqui e agora. Para isso, limite sua conectividade. Você precisa de você, os seus precisam de você, o planeta precisa de você.  

Namastê!

Não desista, salve a minha vida!

Não há competição. Não disputamos as mesmas conquistas. Sequer caminhamos o mesmo caminho.
A ideia de que devemos competir uns com os outros, na medida em que a admitimos, apenas serve para nos segregar e, consequentemente, para nos enfraquecer.

“Competição” é apenas uma ideia, só que comprada por milhões, aí é que está o problema: muita gente lutando contra adversários irreais, transformando nosso meio ambiente numa arena, quando, na verdade, nós mesmos é que somos o nosso real oponente e a luta real é interna.

“Competição” é só uma ideia vendida pelos que têm o interesse de possuírem sozinhos a efemeridade (fama, dinheiro, status), invertendo a verdade de que a cooperação é que empodera e derrama bênçãos reais a todos.

Quando acreditamos na ideia de competição, no mesmo momento em que nos percebemos como oponentes, nos escondemos – pois faz 08f00c7b885afc13992cb17a783412e0parte do momento da luta protegermos nossas fragilidades – , e quem mais perde com essa nossa atitude ostracista somos nós mesmos, pois, ao nos fecharmos em nós mesmos, perdemos a oportunidade de nos conhecermos mais, de colocarmos luz na nossa parte acobertada: nossa maior parte.

Igualmente, ao crermos que a competição é uma fatalidade, perdemos a capacidade de nos reconhecermos no outro igual, perdemos nossa humanidade, e, em vez de utilizarmos nosso poder criativo, abusamos do nosso poder destrutivo, nos tornamos destruidores (de tudo, de todos e de nós mesmos), buscamos poder para estarmos numa condição “melhor”, porque seja o que for que você deseja, se você compete é porque você quer só pra si e/ou acredita que há pouco do que você deseja para todos.

Olhai os lírios do campo, como eles crescem! Não trabalham nem fiam, e eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, nunca se vestiu como qualquer um deles. Se Deus, pois, assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé?” (Mateus 6)

Todo e qualquer tipo de poder sempre acaba pela própria movimentação da vida, que é cíclica por natureza, demore o tempo que for para que a volta se complete. Além disso, ao estar em condições superiores, você só poderá conquistar a genuína alegria se, em vez de sobrepujar a outros quando estiver por cima, distribuir seus recursos excedentes, que fatalmente retornarão pra você, quando estiver no ponto baixo da roda da vida.

“Tudo o que está junto se separa
Tudo o que sobre desce
Todo encontro termina em partida
Toda vida termina em morte”
UDANAVARGA

389ffe859e3e375e20524669022c89bcAtravés do conhecimento executamos a maior forma de competir e aprisionar. Através de elucubrações mentais aprisionamos a nós e a outros dentro de formatos que dão a impressão de limitude das possibilidades de vida, quando, na verdade, trata-se apenas de limites mentais, sendo que o fato é que podemos sempre ir além do que conseguimos através da mente.

Assim, é através do entendimento que executamos a maior forma de libertar. Ultrapassando o nível mental e atingindo o nível consciencial.

Tal ideia te traz paz ou pena? Se traz pena é porque é uma ideia limitada, fechada nos limites da mente, se traz paz é porque é uma ideia aberta, que admite a verdade da vida.

Falando em verdade, uma delas é que quanto mais pessoas despertarem, ou seja, ultrapassarem o nível mental e alcançarem um nível maior de consciência, mais você estará liberto.

Perceba quantas pessoas te inspiraram ao longo do caminho. A derrota de alguém quando observada, apenas ensina, e de forma muito generalizada onde os perigos estão, porque as consequências são reflexos exatos dos atos cometidos, ou seja: a lição é sempre customizada para o aprendiz.

o avanço de alguém vai iluminando trilhas que não enxergávamos, que ensinam, a quem pode observar tal caminhar, novas maneiras de dar os passos e libertam a todos para caminharem mais além.

Por isso, ore para que todos consigam e ajude sempre que estiver ao seu alcance.

Quando não pudemos fazer por nós, e isso nos empedernir, percebamos que sempre poderemos fazer por alguém, porque há sempre necessidades ao nosso alcance.

Fazer por todos que pudermos e sempre que pudermos é ajudarmos a nós mesmos, é garantirmos a nós mesmos a abundância plena.

Lembrei-me de uma cena de um filme (Pay it Forward – A Corrente do Bem), em que uma pessoa estende a mão para que a outra, decidida a tirar a própria vida, não pule. A frase que a faz convencer a outra de aceitar ajuda é “salve a minha vida”. Assista:

Que aproveitemos sempre a oportunidade de auxílio quando nos sentirmos com os passos travados, já que de todos os pontos do nosso caminho avistaremos companheiros de jornada em situações necessitadas e sempre haverá a oportunidade de auxiliarmos, de onde estivermos.

Acender a própria chama ilumina quem está ao redor, é acender a luz do mundo.

A lei do retorno é linda!

Bons frutos a todos!

Namastê!
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Não seja perfeccionista, seja PERFEITO

Ser perfeccionista é ser mais imperfeito do que já somos. Porque, ao nos exigirmos apenas “dar conta de tudo”, vide todas as demandas que assumimos nos nossos vários papéis sociais (de mãe, pai, filho, trabalhador, donos de casa, etc), e com um nível de exigência alto muitas vezes, não “perdemos” o tempo necessário com o que é importante.

 Corremos demais para dar conta das urgências e deixamos as importâncias para depois. Como assim?? Explico. Urgente, por exemplo é você pagar as contas, comprar comida, alimentar-se e aos seus dependentes, etc. Importante, por outro lado, é você fazer aquele trabalho que ama, brincar com seus filhos, movimentar seu corpo, etc., ou fazer as atividades urgentes com presença e amor e não no piloto automático.

As principais coisas da vida exigem tempo, esse nosso bem maior e, como podemos ser presentes, inteiros, intensos se estamos preocupados em fazer TUDO e, muitas vezes, com PERFEIÇÃO. Não. Fora que esse ‘tudo’ pode não ter fim, e muitas vezes, não tem mesmo. Passa dia, após dia, após dia e o que é mais importante não teve espaço nos nossos dias.

Dar conta de tudo e fazer tudo perfeito é anti-natural. Basta olharmos para a natureza, onde cada ser faz o que pode e não quer dar conta do bioma inteiro.

Quem insiste em dar conta de “tudo”, mesmo o fazendo sem perceber, tem que, inevitavelmente, acelerar os passos, só que, quando há aceleração dos processos naturais, há um risco muito maior de as coisas não saírem tão boas.

Quem aí já assistiu ao filme Click, onde o protagonista Adam Sandler passa a acelerar demais seus dias com um controle remoto mágico e descobre que estava perdendo seu bem maior: seu tempo com quem lhe importava.

O mais importante PRA VOCÊ não pode ficar de fora dos seus dias porque é para essas coisas ou pessoas que você está dando conta de todas as outras, e não o contrário. O sistema em que vivemos faz com que tendamos a inverter as coisas, por isso temos que estar ALERTAS!

Assumir que se é ruim com umas coisas e bom com outras é um exemplo de atitude que nos ajuda a utilizarmos nosso tempo com o que mais gostamos, afinal, ninguém tem obrigação de ser bom com tudo, muito menos de gostar de tudo. Por exemplo, eu sou péssima pra limpar cozinha, mas sou inteira no cozinhar.

Entretanto, o que é essencial, o que faz com que nossa atitude perante a vida mude e, por consequência, nossa própria vida seja melhor, é ter foco no que se escolhe e sempre, SEMPRE dar prioridade ao que vive no coração.

Um dia uma amiga me disse “nossa, não sei como você arranja tempo pra escrever esses textões, eu com uma filha não arranjo!”. Eu apenas sorri, mas o fato é que arranjo tempo porque ESCOLHO arranjar tempo, porque escrever e compartilhar as minhas descobertas com o mundo é importante pra mim, e outra, quando não “arranjamos tempo” para determinada demanda em nossa vida, de duas uma: ou existem coisas mais importantes na nossa escala de valores e estamos sendo fiéis a elas (o que o coaching é fera em descobrir), ou estamos vivendo no piloto automático, na inércia de cumprir o cotidiano pré-determinado, arranjando tempo “extra” apenas para o que é urgente.

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Araçoiaba da Serra. Abril/2016.

Eu, por exemplo também, sou péssima em dar conta de todas as demandas de casa (sem excelência mesmo), dos filhos, do trabalho e do companheiro, (de mim mesma então, nem se fale), mas sou ótima quando escolho algumas delas pra fazer e faço SEM PRESSA.

Percebo meu perfeccionismo quando:

– me estresso por não ter dado conta de tudo,

– corro demais e me esqueço das minhas necessidades fisiológicas (o que contribui para aumentar a irritação),

– sorrio menos,

– elevo meu tom de voz ao não conseguir controlar o fluxo dos acontecimentos,

– digo muito ‘não’ aos meus filhos no que é mais importante pra eles: a minha presença.

O que é mais importante do que estar com quem mais amamos e por inteiro?

Essa mania de perfeição, de “pera só um pouquinho que eu só vou fazer mais essa coisa e já vou”, o dia passa e não passamos tempo com nossos amores. Assim, somos perfeccionistas mas não perfeitos.

Sejamos perfeitos, como nos aconselhava o Mestre. E o que é ser perfeito senão ser imperfeito no que não tem importância e ser o melhor que podemos ser nas nossas importâncias e com os nossos importantes?

É impossível a onipresença em nosso estado humano, ou seja, é impossível darmos conta de tudo e de forma perfeita. Mas é possível escolhermos fazer o mais importante para nós e estarmos serenos com relação ao que não damos conta no momento, é possível , igualmente, delegarmos funções e termos paciência para realizar cada coisa a seu tempo.

Todos somos feitos do mesmo néctar interior, todos somos centelhas divinas caminhando rumo a potencializar nossa essência de amor, ou seja, nós já somos perfeitos e deixa eu te contar uma coisa: você nunca vai dar conta de tudo, porque a própria natureza material é que te limita e isso não é à toa,  isso é normal! Nós não temos que dar conta de tudo, pois o único que dá conta de tudo é o Criador.

Tudo tem seu tempo para lavar, secar, cozinhar, maturar, brotar, florir, nascer, dormir, acordar… e essa mania de perfeição, que não respeita o tempo natural, apenas nos limita para desfrutar a vida, pois nos tira do momento presente.

Sê perfeito, sê presente, sê consciente, escolha o que mais te importa, sempre.

Namastê!

“Mas eu vos digo: Amai os vossos inimigos, fazei bem ao que vos tem ódio, e orai pelos que vos perseguem e caluniam. Para serdes filhos de vosso Pai que está nos Céus; o qual faz nascer o seu sol sobre bons e maus, e vir chuva sobre justos e injustos. Porque se vós não amais senão os que vos amam, que recompensas haveis de ter? Não faz os publicanos também o mesmo? E se vós saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis nisso de especial? Não fazem também assim os gentios? Sede vós logo perfeitos, como também vosso Pai celestial é perfeito.”
(Mateus, V: 44 e 46-48).

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