Sem as FUTILIDADES nascem as ESTRELAS

No dia 24 de novembro de 2017, eu assisti a um trecho do Globo Repórter que tratava da Capadócia Brasileira, uma região de caatinga no estado do Piauí, que envolve o Parque Nacional da Serra da Capivara. No trecho, o repórter se achegava a duas senhorinhas irmãs que moravam ali no sertão, no meio do nada, em plena solitude. Ambas falavam pouco, demonstravam zero afetação, algo que salta aos olhos de nós, que no meio urbano, sucumbimos facilmente à pobres engrenagens.

Fiquei extasiada com a liberdade que transpiravam, embora, para olhos rasos, estivessem ilhadas no semi-árido e escassez de “oportunidades”. As duas vestiam simples vestidos azuis, bebiam água da fonte que era armazenada em dois grandes cântaros de barro, de uns 40 litros cada um, cobertos com uma tampa de estrado de madeira. Havia nos fundos da casa, “um típico terreiro nordestino”, onde estavam soltas as aves de criação, como perus e galinhas. E a mais nova, de 77 anos, ainda cuidava das plantas… estava tudo ali, tudo o que realmente precisavam pra viver: uma casa simples, horta, animais, nenhum Estado, nenhum médico.

Ouvir Estrelas
“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo,
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…
E conversamos toda a noite,
enquanto a Via-Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?
E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e e de entender estrelas”
OLAVO BILAC.

A mais nova nunca havia ido num hospital. A mais velha, ao ser perguntada se não lhe faltava o casamento, por ter optado envelhecer ao lado da irmã, disse que não, porque ao mesmo tempo que “uns dão certo, outros não”. Ao ser perguntava se tinha medo de violência ali, no meio do nada, decididamente respondeu que não, porque ali desconheciam violência.

Para estas duas senhoras, que nem sabem da minha existência, mas que a Existência as refletiu para ensinar-nos, a minha gratidão. Neste dia ouvi estrelas que me deixaram pálida de espanto e com o coração cheio de júbilo e esperança (depois de haver presenciado a fúria humana numa black friday, por acaso). Não há melhor poesia que sintetize a obviedade, alinhamento e esperança que me trouxeram (ao lado):

A simplicidade escancara os eixos. Muitas vezes você já deve ter tido a sensação de alívio ao se imaginar, num lapso de pensamento, sem todas as coisas e responsabilidades que você possui. Alguns sonhos comuns da atualidade, que invadem o imaginário das pessoas são:

“Florzinha”, simplicidade felina
  • um trabalho remoto, mais flexível de horário e sem a obrigação de presença física;
  • viajar o mundo (conhecendo maravilhas da natureza ou lugares luxuosos, ou ambos);
  • sair andando por aí como se não tivesse compromissos com pessoas ou contas a pagar;
  • viajar pelo espaço;
  • curtir a vida sem preocupação financeira.

Se esses sonhos já passaram ou vivem passando pela sua mente, pare e se apodere da causa dessa visitação, observe atentamente o excesso que há em sua vida e se pergunte: vale a vida que estou perdendo ter a posse disso tudo?

Não, é claro, ou você não estaria se sentindo preso.

Pergunte-se: se eu não tivesse essas coisas/responsabilidades todas que tenho em minha vida hoje, o que eu gostaria de estar fazendo (sem bloquear a visualização com impossibilidades como falta de dinheiro, tempo, etc)?

A boa notícia é que o coração é a bússola da consciência e, se você está se sentindo entulhado demais, é sinal de que os únicos fatores que ainda te impedem de continuar mantendo essas coisas na sua vida, são apenas mentais, não reais, como: crenças, valores e conceitos que não te servem mais.

Como nômade digital que sou há mais de 10 anos, como jornalista, blogger e coach, que já morou em 8 cidades e fez 20 mudanças de endereço, sou a prova viva de que é possível simplificar a vida e viver com mais propósito.

Ouça estrelas, seja sua real natureza, basta tirar essas coisas que te envolvem e te impedem de brilhar.

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Aos meus filhos

Eu não sou a mãe que “mata os peixes”, sou aquela que enche o apartamento de plantas e adota dois gatos, tenta dar conta de tudo mas vive deixando vocês abrindo a porta da geladeira mil vezes procurando coisa porque não fez mercado, nem compra quase porcaria… a mãe natureba apressada.

Perdão meus filhos. Eu não sou a mãe que mima, deixo isso para a avó de vocês. Mas, sabe de uma coisa? A avó de vocês, quando era minha mãe, também não tinha tempo pra me mimar, e quem fazia isso era a minha avó Estrella, a bisa de vocês.

Mas, umas coisas importantes eu aprendi convivendo com a minha mãe sem ela dizer uma única palavra.

Ela quase não reclamava, mas sempre me parecia muito triste e cansada e, muitas vezes, eu achava que a culpa era minha… mas pior do que sentir aquela culpa confusa, era não ter a mínima ideia do que fazer para ajudá-la e deixar de ser um peso pra ela.

Uma das coisas que eu aprendi (muito tarde, por sinal), é que a culpa nunca é das crianças! Saibam disso. Nunca acreditem nisso porque não é verdade. Eu só descobri isso quando virei adolescente, mas só tive certeza mesmo quando virei mãe. Outra coisa que aprendi com ela, vendo-a triste e cansada, é que a gente não pode abandonar os nossos sonhos.

Sempre que eu perguntava pra ela o que ela queria ser quando ela era criança (porque sem saber de nada, só sentindo tudo como as crianças sabem fazer, eu queria desenterrar a alegria dela), ela me respondia que queria ser bailarina, e sorria um pouco, ainda meio triste.

Então eu decidi, num momento da minha vida, quando eu percebi que eu estava tendo uma vida parecida com a dela, de trabalhar trabalhar, criar filho sem ser feliz, um tempinho depois que você, Fernando, nasceu, que eu ia viver de outra maneira, pra tentar ser feliz.

Só que, como eu não tinha aprendido isso em casa, com meus pais, muito menos na escola, eu fui tentando encontrar a felicidade por uns caminhos desconhecidos e, às vezes, bem tortos na vida, como se eu tivesse num labirinto. Às vezes, parecia que eu tinha escolhido um caminho que ia me levar pra um lugar legal, mas passava um tempo e eu dava de cara com um paredão, num beco sem saída, e tinha que voltar para trás para tentar outro caminho.

E fui andando assim até o dia em que aprendi que ser feliz e viver nossos sonhos é algo que a gente não tem que tentar, mas decidir, igual as crianças fazem quando decidem ir ao parquinho, ou quando decidem a brincadeira do momento.

O lema da Cinderella moderna está certíssimo: a gente tem que ter coragem e ser gentil. Quando a gente para de ter medo, de hesitar andar pelo desconhecido caminho dos nossos sonhos (desconhecido porque é só nosso, ninguém no mundo jamais andou por ele antes, por isso é tão especial!), a gente não está mais num labirinto, o cenário muda como num passe de mágica e somos transportados para um campo aberto, e tudo fica mais claro.

Não que, de repente, tudo fique fácil, nada disso. A Cinderella, por exemplo, ralou muito, o Tony Stark atraiu ainda mais inimigos e a Rapunzel teve que aprender a andar no chão. Dá um trabalhão ainda (como o livro que a mamãe tá escrevendo). Mas a diferença de andar com coragem, amor e liberdade é que esse jeito de andar nos traz alegria, faz o coração bater forte, porque traz novidades o tempo todo e faz a gente construir uma coisa bonita, que pode ser admirada por outras pessoas e que pode ajudá-las a ouvir o coração delas e seguir o caminho da alma delas. 

Jesus nos ensinou a não por a nossa candeia sob o alqueire, que quer dizer a mesma coisa que não colocar a luz da nossa alma escondida debaixo do cobertor… Quando deixamos nossa luz brilhar, iluminamos e ajudamos a todos que estão perto de nós, assim como fez o Groot em Guardiões da Galáxia.

Então, pra resumir, o que eu queria dizer pra vocês são duas coisas: PERDÃO E ATENÇÃO!

Eu sei como deve ser difícil pra vocês ter uma mãe que escreve livros que tomam o tempo dos filhos, porque tem que pesquisar e precisa de silêncio que toma o tempo da conversa e do compartilhar. Perdão porque deve ser quase insuportável ter uma mãe jornalista ativista, que perde muito tempo fazendo campanha, escrevendo notícias, só pra ver o povo entender melhor e sem ganhar dinheiro a mais pra gente passear no fim de semana.

Vocês são filhos de uma nova era e eu me sinto no dever de ser aquela que vai resolver a transição , quebrar com os fantasmas do passado pra não deixar eles avançarem pra era de vocês… Perdão porque não sou a mãe que vai ralar pra fazer dinheiro pra gente viajar no fim do ano ou pra levar vocês na Disney (apesar de eu já ter ido ao castelo da Cinderella), ou pra torrar tudo no shopping no final de semana.

Eu sou a mãe chata que critica vídeo-game, minimalista compulsiva, que dá livro de ciência e mitologia, e insiste que não precisam de 90% dos desejos que despertam em vocês através das propagandas.

E sou a mãe sortuda também, porque vocês já se afeiçoaram à leitura, à pintura (que tomou as paredes e portas do apartamento) e ao brincar sem tecnologia. Tenho muita sorte de poder trazer mais música pra vida de vocês e tenho sorte de deixar escrito em palavras o que não sei explicar dizendo, hoje, pra vocês.

Agora sobre a ATENÇÃO:

Não dá pra ter tudo o tempo todo. Tem dias que eu sou a mãe que acerta a mão na cozinha, tem dias que ou come o que tem e tá ruim ou abre a geladeira mil vezes pra ver se uma mágica acontece. (Mas dá pra ter tudo a seu tempo).

Apesar de eu errar muito, o que eu quero mesmo do fundo do coração que vocês vejam, é que eu sou uma mãe que vive os sonhos e incentiva vocês a viverem os seus, mesmo sendo só eu e vocês e vocês sentirem falta de mais da minha atenção, da comida boa todos os dias e de mais coisinhas caras do que eu consigo dar.

Eu sei que vocês sentem falta, mas toda frustração fortalece e ensina a gente a conquistar por nós mesmos. Se eu não viver o que está no meu coração, eu é que irei faltar e ficarei triste, igual minha mãe era, e eu acho que isso é o que as crianças menos querem: uma mãe triste.

Não que eu tenha deixado totalmente de ser triste ou irritada. Muitas vezes eu sou essas coisas que assombram todo mundo. Eu sou também a mãe louca que quer dar conta de tudo e às vezes dá conta de quase nada e até fica doente. Peço perdão por esses momentos também, porque é nessas horas que eu falho… e, como toda mãe-heroína, eu não gosto de falhar, me arrependo muito e choro, como agora escrevendo isso tudo… e, muitas vezes, depois que vocês dormem.

Mas, apesar disso também, eu tenho meu momentos felizes e estou construindo um sonho importante pra mim, e é isso que eu quero que vocês façam da vida de vocês, que vocês sigam o que está no coração de vocês, o que traz alegria, o que pode fazer bem a outro alguém também.

É difícil e nem todo dia a gente consegue dar conta de tudo da vida (e do sonho também), mas o importante é continuar se guiando pelo coração com coragem e gentileza (endurecer sin perder la ternura jamás). Uma vida sem sonhos é mais fácil, mas é mais pesada e não faz sorrir.

Não virem zumbis por um tempão como eu virei, achando que o sonho era difícil ou que não era o meu destino. O sonho é o caminho e o nosso tesouro está sempre onde está nosso coração (como ensinou Paulo Coelho em O Alquimista). Não se abalem com a geladeira vazia às vezes, porque  além de isso fazer a mamãe correr no McLixo que vocês adoram, o importante é não deixar o coração esvaziar, negando o sonho que pulsa dentro dele.

É com essas pedrinhas do caminho, chamadas frustrações, que a gente vai firmando nossa estrada e juntando pra construir nosso castelo do amanhã.

Com amor infinito,

Mamãe.

 

Por que queremos a atenção dos outros?

Lembre-se, atenção é uma necessidade psicológica. Isso precisa ser entendido. Por que as pessoas precisam de tanta atenção? Por que, em primeiro lugar, todos querem que os outros prestem atenção neles? Por que todos querem ser especiais? Alguma coisa está faltando dentro deles. Você não sabe quem você é. Você conhece a si próprio apenas através do reconhecimento de outros. Você não tem nenhum acesso direto a si mesmo. Você vai pelos outros.

Se alguém diz que você é bom, você se sente bom; se alguém diz que você não é bom, você se sente muito, muito deprimido – então você não é bom! Se alguém diz que você é bonito, você fica feliz; se alguém diz que você é desagradável, você se torna infeliz. Você não sabe quem você é. Você simplesmente vive a partir de opiniões de outros, você segue colecionando opiniões. Você não tem nenhum reconhecimento – direto, imediato – do seu ser. Eis por que você pega um “eu” emprestado. Daí o seu anseio por de atenção.

E quando as pessoas estão atentas a você, você sente como se estivesse sendo amado, porque quando em amor, nós damos atenção um ao outro.

O amor é atencioso – e todo mundo tem sentido falta de amor. Raríssimas pessoas alcançaram a experiência do amor, porque amor é presença espiritual. Milhões de pessoas vivem sem amor porque milhões de pessoas vivem sem espiritualidade. Esqueceram do amor. Como substituir essa lacuna? O substituto mais fácil é angariar atenção de pessoas. Isso irá enganar você, irá te trapacear, dando a impressão de que eles te amam.

Buda é amor absoluto. Ele amou a existência e a existência o amou. Isso é o samadhi: quando você está em relacionamento “orgásmico” com o “todo”. Buda conheceu o “orgasmo pleno” – o orgasmo que não é do corpo e também não é da mente, mas da totalidade; não parcial. Ele veio a conhecer este êxtase. Nesse estado, não há necessidade de pedir nenhuma atenção, de ninguém.

Osho

The Diamond Sutra

A necessidade de aprovação e reconhecimento – Osho

Querido Osho,       
Por que sinto necessidade de obter aprovação e de ser reconhecido, especialmente em meu trabalho? Isso me coloca numa armadilha – eu não consigo fazer as coisas sem isso. Eu sei que estou nessa armadilha, mas eu fui pego nela e não vejo como sair.      
Você poderia me ajudar a encontrar a porta?
“A questão é do Kendra.
É preciso lembrar que a necessidade de obter aprovação e de ser reconhecido é uma questão que diz respeito a todo mundo. A estrutura de toda a nossa vida é essa que nos foi ensinada: a menos que exista um reconhecimento, nós somos ninguém, nós não temos valor.
O trabalho não é o importante, mas sim o reconhecimento.
E isso coloca as coisas de cabeça para baixo.
O trabalho deveria ser o importante – uma alegria em si mesmo. Você deveria trabalhar, não para ser reconhecido, mas porque você curte ser criativo, você ama o trabalho em si mesmo.

Existiram poucas pessoas como Vincent Van Gogh, capazes de escapar da armadilha que a sociedade lhes impingiu. Ele continuou pintando – com fome, sem casa, sem agasalhos, sem remédios, doente – mas ele continuou pintando. Nem uma pintura sequer estava sendo vendida, não havia reconhecimento de parte alguma, mas o estranho era que em tais condições ele ainda era feliz – feliz porque era capaz de pintar o que queria pintar. Reconhecido ou não, o seu trabalho era intrinsecamente valioso.

Aos trinta e três anos ele cometeu suicídio – não por causa de alguma miséria ou angústia, mas simplesmente porque ele havia pintado o seu último quadro, um pôr-do-sol, no qual havia trabalhado por quase um ano. Ele tentou dezenas de vezes e destruiu, porque não havia atingido aquele seu padrão. Finalmente ele conseguiu pintar o pôr-do-sol da maneira como desejava.

Ele cometeu suicídio escrevendo uma carta para seu irmão, ‘Eu não estou cometendo suicídio por desespero. Eu estou cometendo suicídio por não mais existir qualquer motivo para continuar vivendo – o meu trabalho está concluído. Além disso, tem sido difícil encontrar alternativas para meu sustento. Até aqui as coisas estavam indo bem, porque eu tinha algum trabalho para fazer, algum potencial dentro de mim precisava se exteriorizar, tinha que florescer. De modo que agora, não há sentido em viver como um mendigo. Eu ainda não tinha pensado e nem mesmo tinha olhado para isso, mas agora essa é a única coisa a ser feita. Eu floresci até o meu limite máximo, eu estou realizado, e agora parece ser apenas uma estupidez ficar me arrastando, procurando alternativas de sustento. Por que razão? Para mim isso não é um suicídio; eu apenas cheguei a uma realização, a um ponto final e alegremente estou deixando o mundo. Alegremente eu vivi e alegremente estou deixando o mundo.’      Agora, após quase um século, cada uma de suas pinturas vale milhões de dólares. Existem apenas duzentas pinturas disponíveis. Ele deve ter pintado milhares, mas elas foram destruídas; e ninguém prestou atenção nelas.

Agora, ter um quadro de Van Gogh significa que você tem um senso estético. O quadro dele traz um reconhecimento para você. O mundo não deu qualquer reconhecimento ao trabalho dele, mas ele nunca se preocupou com isso. E esta deve ser a maneira de ver as coisas: você deve trabalhar se amar aquele trabalho.

Não peça reconhecimento. Se ele vier, aceite-o tranqüilamente; se ele não vier não pense a respeito. A sua realização deve estar no próprio trabalho. E se todos aprendessem esta simples arte de amar o seu trabalho, seja qual ele for, curtindo-o sem pedir por qualquer reconhecimento, nós teríamos um mundo mais belo e mais celebrante. Do jeito que o mundo é, vocês têm estado presos num padrão miserável. O que você faz é bom, não porque você ama fazê-lo, não porque você o faz perfeitamente, mas porque o mundo o reconhece, lhe dá uma premiação, lhe dá medalhas de ouro, prêmios Nobel.

Eles têm tirado todo o valor intrínseco da criatividade e destruído milhões de pessoas – pois você não pode dar prêmios Nobel a milhões de pessoas. E têm criado o desejo por reconhecimento em todo mundo, de modo que ninguém consegue trabalhar em paz, curtindo qualquer coisa que esteja fazendo. E a vida consiste em pequenas coisas. Para as pequenas coisas não existem premiações, nenhum título concedido pelos governos, nenhuma graduação honorária dada pelas universidades.

Um dos grandes poetas do século XX, Rabindranath Tagore, viveu em Bengala, Índia. Ele publicou suas poesias e seus romances em bengali – mas não recebeu qualquer reconhecimento. Então ele traduziu um pequeno livro, GITANJALI, Oferta de Canções, para o inglês. E ele estava consciente de que o original tinha uma beleza que a tradução não tinha e não conseguiria ter – porque essas duas línguas, o bengali e o inglês têm estruturas diferentes, maneiras diferentes de expressar.
O bengali é muito doce. Mesmo se estiver brigando, vai parecer que você está envolvido numa conversação agradável. É uma linguagem muito musical, cada palavra é musical. Essa qualidade não existe no inglês, não pode ser trazida para ele. O inglês tem qualidades diferentes. Mas de alguma maneira ele conseguiu traduzir e a tradução – que é pobre comparada com o original – recebeu o prêmio Nobel. Então, de repente, toda a Índia ficou sabendo. O livro esteve disponível em bengali e em outros idiomas indianos por anos, e ninguém prestava atenção nele.

Todas as universidades quiseram lhe dar um título de Doutor. Calcutá, onde ele vivia, foi a primeira universidade a lhe conceder o título de Doctor of Letters. Ele recusou, dizendo, ‘Vocês não estão dando uma graduação a mim nem estão reconhecendo o meu trabalho, vocês estão dando reconhecimento ao prêmio Nobel, porque o livro esteve aqui de uma forma muito mais bela e ninguém se preocupou em escrever ao menos uma crítica’. Ele recusou-se a receber qualquer doutorado honorário. Ele dizia, ‘Isso é um insulto para mim’.

Jean-Paul Sartre, um dos grandes romancistas e homem de tremendo insight sobre a psicologia humana, recusou o prêmio Nobel. Ele disse, ‘Eu recebi recompensa suficiente enquanto estava criando o meu trabalho. Um prêmio Nobel não consegue acrescentar coisa alguma a isso – ao contrário, ele me joga para baixo. Ele é bom para amadores que estão em busca de reconhecimento, eu já sou bastante velho, eu já desfrutei o suficiente. Eu amei tudo o que fiz. Essa foi a minha própria recompensa, eu não quero qualquer outra recompensa, porque nada pode ser melhor do que aquilo que eu já recebi.’ E ele estava certo. Mas as pessoas certas são poucas no mundo. O mundo está cheio de pessoas vivendo dentro das armadilhas.       Por que você deve se preocupar com reconhecimento? Preocupação com reconhecimento somente faz sentido se você não ama o seu trabalho, nesse caso ele não tem significado, então o reconhecimento parece ser um substituto. Você detesta o trabalho, não gosta dele, mas você o faz porque será reconhecido, será apreciado e aceito. Ao invés de pensar no reconhecimento, reconsidere o seu trabalho. Você gosta dele? – então ponto final. Se você não gosta, então, troque-o!      Os pais e os professores estão sempre reforçando que você deve ser reconhecido, que deve ser aceito. Esta é uma estratégia muito esperta para manter as pessoas sob controle.      Quando eu cursava a universidade, me disseram repetidas vezes, ‘Você deve parar de fazer essas coisas… Você continua formulando perguntas que sabe perfeitamente bem que não podem ser respondidas e que colocam o professor numa situação embaraçosa. Você tem que parar com isso, caso contrário essas pessoas irão se vingar. Elas têm o poder e poderão reprová-lo.’      Eu dizia, ‘Não me preocupo com isso. Neste momento eu estou curtindo formular perguntas e fazê-los sentirem-se ignorantes. Eles não são corajosos o bastante para simplesmente dizer, ‘Eu não sei.’ Desse modo, não haveria qualquer embaraço. Mas eles querem fingir que sabem tudo. Eu estou curtindo isso; a minha inteligência está sendo aguçada. Quem se preocupa com exames? Eles poderão me reprovar apenas quando eu aparecer nos exames – e quem vai aparecer? Se eles estiverem com essa idéia de que podem me reprovar, eu não entrarei nos exames, e repetirei a mesma série. Eles terão que me aprovar pelo simples medo de ter que me encarar por mais um ano novamente.’      Todos eles me aprovaram e me ajudaram a passar porque queriam ficar livres de mim. Aos olhos deles, eu estava destruindo os outros estudantes, porque eles começaram a questionar coisas que, por séculos, eram aceitas sem questionamentos.      Quando eu estava ensinando na universidade, a mesma coisa aconteceu, sob um ângulo diferente. Agora eu estava formulando perguntas aos estudantes para trazer a atenção deles ao fato de que todo o conhecimento que eles tinham acumulado era emprestado e que eles nada sabiam. Eu lhes dizia que não me importava com a graduação deles, eu me importava com a experiência autêntica deles – e eles não tinham nenhuma. Eles estavam simplesmente repetindo os livros, que estavam desatualizados, que já tinha sido provado que estavam errados há muito tempo. Agora as autoridades da universidade estavam ameaçando-me, ‘Se você continuar por esse caminho, atormentando os alunos, você será colocado para fora da universidade.’      Eu disse, ‘Isso é estranho – eu era um estudante e não podia formular perguntas aos professores; agora eu sou um professor e não posso formular perguntas aos estudantes! Então, qual função esta universidade está preenchendo? Este deve ser um lugar onde as perguntas são formuladas, onde os questionamentos começam. As respostas devem ser encontradas na vida e na existência, não nos livros.      Eu disse, ‘Vocês podem me colocar para fora da universidade, mas lembrem-se, estes mesmos estudantes, em nome de quem vocês estão me colocando para fora, irão reduzir a cinzas toda a universidade. Eu disse ao vice-reitor, ‘Você deve vir e ver a minha sala’.

Ele não conseguiu acreditar – na minha sala havia pelo menos duzentos estudantes… E não havia espaço, de modo que eles sentavam em qualquer lugar que encontrassem – nas janelas, no chão. Ele disse, ‘O que está acontecendo, pois tem apenas dez alunos matriculados na sua matéria?’
Eu disse, ‘Essas pessoas vêm para ouvir. Elas abandonam as suas aulas e adoram estar aqui. Esta aula é um diálogo. Eu não sou superior a eles e eu não posso recusar ninguém que queira vir à minha aula. Se ele é meu aluno ou não, não importa, se ele vem me ouvir, então é meu aluno. Na verdade, você deveria me permitir utilizar o auditório. Estas salas de aula são muito pequenas para mim.’
Ele disse, “Auditório? Você quer dizer, toda a universidade reunida no auditório? O que, então, os outros professores estarão fazendo?’

Eu disse, ‘Isso é bom para eles pensarem a respeito. Eles deveriam ir embora e se enforcar! Eles deveriam ter feito isso há muito tempo. Ao ver que seus alunos não estavam indo assistir suas aulas, isso já era uma indicação suficiente.’

Os professores ficaram com raiva e as autoridades também. Finalmente eles tiveram que me ceder o auditório, mas com muita relutância, porque os alunos ficaram pressionando. Mas eles disseram, ‘Isto é estranho, alunos que nada têm a ver com filosofia, religião ou psicologia, por que eles devem estar indo lá?’
Muitos alunos disseram ao vice-reitor, ‘Nós gostamos disso. Não sabíamos que filosofia, religião e psicologia poderiam ser tão interessantes, tão intrigantes, senão já teríamos nos inscrito nelas. Nós pensávamos que essas matérias eram secas e que somente um tipo de pessoas muito ligado a livros se inscreveria nelas. Nós nunca tínhamos visto pessoas com muita energia se inscrevendo nessas matérias. Mas esse homem fez com que essas matérias ficassem tão significantes que parece que mesmo se formos reprovados em nossas próprias matérias, isso não vai importar. O que nós estamos fazendo está tão correto e está tão claro para nós, que nem pensamos em mudar isso.’

Contra o reconhecimento, contra a aceitação, contra as graduações… Mas, finalmente eu tive que deixar a universidade, não por causa de suas ameaças, mas porque eu reconheci que aquilo era um desperdício, pois milhares de estudantes poderiam ser ajudados por mim. Eu poderia ajudar milhões de pessoas do lado de fora, no mundo. Por que eu deveria permanecer apegado a uma pequena universidade? O mundo inteiro poderia ser a minha universidade.
E você pode ver. Eu fui condenado.
Esse foi o único reconhecimento que eu recebi.
Eu fui descrito de maneira totalmente incorreta. Tudo o que pode ser dito contra uma pessoa, foi dito contra mim; tudo o que pode ser feito contra um homem foi feito contra mim. Você acha que isso é reconhecimento? Mas eu amo o meu trabalho. Eu o amo tanto que nem mesmo o chamo de trabalho; eu simplesmente o chamo de minha alegria.
E todas as pessoas mais velhas, bem reconhecidas, me diziam, ‘O que você está fazendo não irá lhe trazer qualquer respeitabilidade no mundo.’
Mas eu dizia, ‘Eu nunca pedi por isso e não vejo o que poderei fazer com a respeitabilidade. Eu não posso comê-la nem bebê-la.’
Aprenda uma coisa básica. Faça o que você quer fazer, o que ama fazer, e nunca peça por reconhecimento. Isso é mendicância. Por que alguém deve pedir por reconhecimento? Por que alguém deve ansiar por aceitação?
Olhe no fundo de si mesmo. Talvez você não goste do que está fazendo, talvez você tenha medo de encarar que está no caminho errado. A aceitação irá ajudá-lo a achar que está certo. O reconhecimento irá fazê-lo achar que está indo para o objetivo correto.
A questão diz respeito aos seus próprios sentimentos internos, ela nada tem a ver com o mundo externo. Por que depender dos outros? Todas essas coisas dependem dos outros – você está se tornando dependente.
Eu não aceitarei qualquer prêmio Nobel. Toda essa condenação de todas as nações ao redor do mundo, de todas as religiões, é mais valiosa para mim. Aceitar o prêmio Nobel significa que eu estou me tornando dependente – agora eu não estarei mais satisfeito comigo mesmo, mas sim com o prêmio Nobel. Neste exato momento eu só posso estar satisfeito comigo mesmo, nada mais existe com que eu possa me satisfazer.
Dessa maneira você se torna um indivíduo. Para ser um indivíduo, viva em total liberdade, apoiado em seus próprios pés, beba a sua própria fonte. Isso é o que torna um homem verdadeiramente centrado, enraizado. Este é o início do seu florescimento supremo.
Essas pessoas tidas como reconhecidas, honradas, estão cheias de lixo e de nada mais. Mas elas estão cheias do lixo que a sociedade quer que elas estejam repletas – e a sociedade as compensa lhes dando premiações.
Qualquer homem, que tem algum senso de sua individualidade, vive pelo seu próprio amor, pelo seu próprio trabalho, sem se preocupar com o que os outros pensam a respeito. Quanto mais valioso for o seu trabalho, menor será a chance de obter alguma respeitabilidade para com ele. E se o seu trabalho for o trabalho de um gênio, então você não verá nenhum respeito enquanto viver. Você será condenado enquanto viver… Depois de dois ou três séculos, erguerão estátuas para você, os seus livros serão respeitados – porque demora quase dois ou três séculos para a humanidade compreender o tamanho da inteligência que um gênio tem hoje. O espaço de tempo é grande.
Sendo respeitado por idiotas, você terá que se comportar de acordo com suas maneiras e expectativas. Para ser respeitado por essa humanidade doente, você terá que ser mais doente que ela. Então eles irão respeitá-lo. Mas, o que você irá ganhar? Você perderá a sua alma e nada ganhará.”

OSHO – Beyond Psychology – Cap. 32 – Pergunta 1

Tradução: Sw. Bodhi Champak

Copyright © 2006 OSHO INTERNATIONAL FOUNDATION, Suiça.Todos os direitos reservados

oshobrasil  

Você come mais emoções que as sente e nem se deu conta disso

Nós já estamos na era em que as emoções mediatizadas suplantam as emoções reais. É o que constato eu, aqui, na megalópole. Pelo menos quanto ao tempo linear, passamos  mais tempo vivenciando emoções através da mídia que através de experiências nossas, presenciais.

A cada dia que passa, vejo o quanto já estamos vivenciando o way of life do filme Wall-E (Disney/Pixar 2008). No filme, após entulhar a Terra de lixo e poluir a atmosfera com gases tóxicos, a humanidade deixou o planeta e passou a viver em uma gigantesca nave, onde os seres humanos se tornaram apenas consumidores e não apenas de bens e alimentos, mas de experiências mediatizadas, de emoções, estando incapazes de viver experiências de um pra um ou coletivamente com interação presencial, experiências reais, físicas, presentes, como olhar nos olhos, conversar pessoalmente, trocar carícias, multiplicar-se inclusive, ou seja: fadados a extinção.

Consumidores solitários e inconscientes, autodestrutivos.

O filme mostra que nosso descaso com o planeta em que vivemos cresce na mesma medida em que cresce a nossa incapacidade de presença, amparada pelo abuso do uso da tecnologia. Quando as chamadas relações primárias se extinguem, aquelas em que precisamos estar juntos no mesmo tempo e espaço, toda a Humanidade se extingue também.

Estamos como no filme: nunca tivemos tanta informação e nunca tivemos tão pouco tempo e espaço para aplicar o que agregamos de conhecimento, tão pouco tempo e espaço para vivenciar com corpo, mente e espírito, porque criamos um sistema de vida em que a própria vida integral é banida. Pelo contrário, o excesso de conhecimento é uma forma de sabotagem tanto dos que querem o controle das mentes, quanto de nós para conosco. Isso porque o mero conhecimento do funcionamento das coisas não nos torna livre delas, precisamos agir de acordo com aquilo que sabemos, precisamos aplicar na prática.

Da mesma forma que nem todas as pessoas separem seu lixo para a reciclagem, a maioria não separa suas emoções para estudá-las e verificar o que serve e o que deve ser reciclado, preferem engoli-las com refrigerante e pipoca na frente do telão, ou devorá-las consumidos pelo feed farto de emoções seguras.

Consumimos emoções através das telas, dos vídeos com narrativas que conectam com nosso coração carente de experiências reais. Lembro-me de uma entrevista da atriz Ana Paula Arósio sobre como foi interpretar uma protagonista do clássico Os Maias numa minissérie televisiva, ao que ela respondeu “eu senti a tragédia de não ter uma tragédia”.

Ficamos cada um em uma tela dentro de casa, emocionados com os personagens das historinhas dos vídeos que vem por whatsapp, ou pelo feed da rede social, ou até pela antígona TV que se adapta a cada dia às narrativas midiáticas, mas não conversamos com nosso neto, filha, irmão, pai, mãe que está ali, bem ao nosso lado, compartilhando o mesmo sofá ou a mesma mesa de jantar.

Viver uma narrativa como aquela que está ali perfeita na nossa portabilidade, cheia de significados, com quem está presente (e é aquela pessoa real, cheia de imprevisibilidades), é extremamente difícil. A narrativa pronta é bem mais confortável, segura, garantida. Pra quê correr o risco de viver de verdade,não é mesmo? Certamente, a que está à mão irá satisfazer a nossa necessidade de consumo emocional, já a real, irá lidar com nossas reações e presença, algo muito mais trabalhoso e desafiador, mas muito mais verdadeiro e engrandecedor. 

Consumo. Essa é a palavra. Consumimos emoções, consumimos histórias, consumimos identificações. Seja numa tela, ou num copo de vanilla latte, cinnamon latte, ou o luxo de emoções do momento, oferecidas em forma líquida e doce, portátil, fácil e agradável de consumir.

Não encontramos satisfação total numa experiência real se, também, não a compartilhamos, tornando-a produto para outro consumir

Como dizia Capitão Planeta (um desenho pró meio ambiente da década de 90), “o planeta é de vocês!”, ou mesmo, como diz a gênese da Bíblia “Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra”, ou seja: tomem conta do planeta, a liberdade e a responsabilidade por ele é toda nossa. Mas, assim como devoramos nossas emoções, devoramos igualmente o planeta. O que fazemos com o mundo de fora é, irremediavelmente, reflexo do que fazemos com o mundo de dentro, e estamos consumindo tudo de todas as formas. Engolimos e jogamos pra nossa face oculta, pro nosso inconsciente, assim como o fazemos com o lixo que geramos no planeta, que, uma vez colocado à disposição do lixeiro, vai pra algum local oculto dos espaços que habitamos.

Ontem eu estava no parquinho do prédio com minhas filhas. Haviam dois outros pais entorpecidos pelas telas dos celulares. Quando as crianças ofegantes e risonhas lhes dirigiam a palavra, eles respondiam sem emoção, monossilabicamente… é, a mídia entorpece, a superinformação é como uma feijoada, deixa você devagar e sonolento.

Mas, eu estava presente, com celular ausente e lidava naturalmente com minhas filhas e as amiguinhas, e, aos poucos, aqueles pais foram olhando cada vez menos para as telas e interagindo conosco, até que as guardaram nos bolsos. A nossa presença, automaticamente, liberta outros.

Então, o melhor que você pode fazer pelo mundo agora, para que ele não se torne o grande lixão de Wall-E e tenhamos que nos mudar daqui para continuarmos consumindo incessantemente comida, informações, bens e emoções e nos fadarmos a extinguir as relações físicas e, por fim, toda a humanidade, para não termos filhos zumbis e para que sua vida não passe batido como qualquer uma dessas historinhas que você vê pelas telas e depois de uns dias já esqueceu, o melhor que você pode fazer por você agora é ESTAR PRESENTE, ESTAR NO AQUI AGORA. Seja você aqui e agora. Para isso, limite sua conectividade. Você precisa de você, os seus precisam de você, o planeta precisa de você.  

Namastê!

Bem-vindo sexto sentido da vida

Oi, meu nome é Mariana Souza Fernandez, eu nasci pela última vez aqui em 10 de abril de um sábado de Aleluia ( o que, pra mim, faz muito sentido hoje).
Desde que me lembro de pensar, percebo outros planos, acredito em outras vidas. Desde que aqui cheguei, sinto com força a força da Natureza e da natureza de cada um, muitas vezes adormecida.
Ontem eu fiz 35 anos de jornada, findei meu 5º setênio de vida, vivo meu propósito com a plena e absoluta certeza do que vim fazer aqui.
Aos 25 fui morar fora com meu namorado, que não era o amor da minha vida, mas era um amigo, e nos apoiávamos. Eu não sabia o que queria da vida, mas tinha certeza do modelo que eu não queria repetir.
Aos 26 eu voltei. Não era lá que estava o meu destino, mas despertencer foi essencial para voltar com menos fôrmas e atuar de forma mais criativa e trabalhar de forma livre.
Aos 27 engravidei e decidi continuar uma união que já não era boa, porque era assim que eu ‘ainda’ acreditava que “tinha que ser”.
Aos 27 mesmo, meu menino nasceu, corajosamente, de uma forma violada. Foi quando ao enfrentar meu absurdo medo de ficar à mercê dos outros, senti minha fé renascer, ao clamar com toda minha alma pelas nossas vidas, pela vida que vinha e que mudaria todo o sentido da minha.
Aos 28 entrei no 5º setênio e a verdade começou a sair do mundo das potencialidades. Divorciei-me pela primeira vez, durante meu primeiro puerpério e vivi uma depressão tenebrosa onde eu encontrava tudo o que eu manifestava em discordância com o que eu era. AMAMENTAR foi meu remédio, foi o maior ato de amor que eu pude ter por mim mesma e pelo meu rebento. Foi gerando esse bálsamo sagrado entre muitas e muitas lágrimas, que fui curando todas as feridas que se revelavam em mim.
Aos 29 eu disse adeus pra vida que eu tinha, pras certezas que eu não tinha mais e mergulhei de cabeça numa nova vida totalmente incerta, só guiada pelo meu coração. Disse adeus pra família de origem, pro trabalho de status, pra casa que me foi dada pra morar.
Aos 29 casei de novo, com um amor de infância reencontrado, engravidei de novo, fui morar em Ubatuba, um verdadeiro portal, que potencializou com a força da natureza, mais uma vez o meu encontro com minhas camadas mais profundas.
Aos 30 eu pari pela primeira vez, e das minhas entranhas reconheci minha verdadeira potência, minha alma autêntica, percebi que teria que ser capaz de ser feliz sozinha, porque nos momentos mais críticos, por mais amparada que eu estivesse (e eu não estava) somente eu mesma poderia me salvar.
Aos 30, eu dei a luz à uma mulher, uma ET na verdade, porque não conheço alguém no mundo mais capaz de ser feliz a todo momento, em qualquer lugar, com qualquer um e sozinha, sem qualquer grau de APEGO. Minha Anita guerreira, Julia jovem de candura.
Aos 32, das forças estranhas e indomináveis que me vieram na segunda gravidez, eu desci ao mais profundo, à total escuridão. Não era pra haver mais sombra, uma estrela crescia dentro de mim.
Aos 33 pari pela segunda vez, mas com a violência da ocitocina sintética, que apressa o que tem seu tempo natural de ser, e coma violência da escuridão que me possuía. Dessa vez, foi sem anestesia e veio Estela num turbilhão impressionante. Sentia-me parindo o Universo inteiro naquela cadeira de parto, e depois senti o milagre de um ser tão potente se apresar numa semente.
Aos 33 também morri, de verdade, totalmente. Uma coisa é saber que é preciso nascer de novo para ver o Reino dos Céus, outra coisa é vivenciar a morte da personalidade em vida. Meu chacra básico ficou aberto por alguns meses e eu perdia muita energia. Não conseguia me fechar, era como ela, Estela, só luz a crescer, aberta.
Aos 34 já me sentia inteira, mas nova, muito nova, aprendendo a viver de verdade e compartilhando das minhas conquistas com muitos outros.
Aos 35 eu vivo inteiramente a minha vida de verdade, eu faço o meu propósito acontecer. Aos 35 eu cresço e escolho consciente e o Universo me presenteia com uma resposta de abundância, por eu estar conectada com a minha essência, realizando meu dharma com todo o meu amor.

Gratidão! Gratidão! Namastê!

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Conheça o treinamento online que me possibilitou encontrar o meu propósito de vida.