Acabe com o EXCESSO que acaba com a VIDA do seu bebê

Basta a gente saber que um bebezinho está a caminho que já começamos a ir atrás daquele monte de coisas dispendiosas que ele “precisa” para viver bem cuidado, não é mesmo? Afinal, somos mães e pais zelosos que desejamos o melhor para os nossos filhos. Porém, em vez de buscarmos, cada vez mais, uma conexão maior com o ser amado, que viaja durante 9 meses dentro de nós para aportar neste mundo, vamos, semana a semana, montando um universo com menos possibilidades para ele, lotado de coisas inúteis e sem significado, que interrompem o horizonte do seu olhar e seu caminho ao se movimentar.

Como um ser tão pequeno, que mede em torno de meio metro e pesa, em média, pouco mais de três quilos, pode, antes mesmo de neste mundo chegar, já “exigir” um enxoval de milhares de reais? Como um recém-nascido que só quer colo, mamar, dormir, afeto, coisas básicas que todo mamífero precisa, “exige” tanto?

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Na verdade, não, ele não exige nada, nós é que pensamos, erradamente, que nosso bebê precisa de toda essa parafernália que a indústria, o senso comum e a tradição social dizem que precisamos, de algum modo, providenciar.

Ter uma vida abundante junto ao novo integrante da família significa que não vamos entulhar nossa nova vida em família com um monte de coisas que só nos tomam tempo e dinheiro desnecessariamente.

Precisamos de muito dinheiro para investir em toda a estrutura que dizem ser necessária para o bebê, precisamos dedicar nosso precioso tempo de vida para organizar e limpar esse monte de coisas novas, muitas inúteis, e precisamos de espaço para dispor as baby tralhas todas, tarefa difícil na era dos “apertamentos”. Tarefa cruel aos que têm pouco tempo para estar com os filhos.

“Excesso de facilidades certamente traz excesso de dificuldades.” Lao-Tsé

Na verdade, preparar uma vida abundante, em que o bebê tenha todo o conforto que merece, significa que vamos preencher seu universo com coisas necessárias para que sobre espaço, dinheiro e tempo, o luxo maior de nossas vidas, para o que realmente importa, afinal, o que é mais importante do que presença na vida de uma criança?

O excesso de coisas não é sinal de riqueza, é falta de vida. 

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No artigo Bebê Livre de Consumismo, questionei o que um bebê realmente precisaria para viver bem e quais benefícios teríamos se evitássemos que nossos filhos, desde bebês, ingressassem num modo de vida consumista, entre outras reflexões.

Mas, apenas refletindo sobre os objetos que irão compor os cenários da nova vida em família, o que você, mãe/pai de primeira viagem,  pode fazer para livrar seu bebê do excesso de coisas, já que você não tem experiência do que ele realmente precisa? Como fazer o enxoval com o estritamente necessário para os primeiros meses de vida? Será mesmo que um bebê, com necessidades tão básicas, precisa de todo o sobejo propagandeado pelo mercado?

“O excesso de um grande bem torna-se um mal muito grande.” (Jean-Pierre Florian)

O primeiro passo é desconfiar. Desconfie da sua avó, da sua mãe, da sua tia, e também da sua sogra e das suas amigas mais íntimas e de todos os homens da sua família. As gerações anteriores já foram criadas na sociedade consumista, ouvindo, por exemplo, que existe leite materno fraco e que leite bom tem marca, que pra parir sempre precisa de médico e de hospital e que cosméticos para bebês são uma maravilha. Então, desconfie!

Outra postura libertadora é nunca, nunca mesmo, confiar na publicidade, porque o único objetivo dela é o de promover o consumo. Antes também, de confiar em fontes aparentemente imparciais, verifique se tais fontes não ganham dinheiro com publicidade de produtos do gênero (como certos blogs que pretendem “orientar” as calouras da maternidade sem deixar claro o que é publicidade do que não é).

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Você confia nessa publicidade? Embora, atualmente, as mensagens publicitárias sejam mais subliminares, o objetivo dessas continua o mesmo: despertar o desejo de consumo de algo desnecessário, e, às vezes, prejudicial.

Antes, sobretudo, de dar um passo em direção ao consumo, tenha a certeza de que o necessário para você e seu bebê é o necessário para você e seu bebê somente, ou seja, cada experiência mãe-bebê (e pais presentes também) é única, assim, cada família tem suas necessidades específicas de produtos para essa fase fusional, que é muito subjetiva.

Uma dica: quando ficar em dúvida da utilidade de algo, reflita se esse algo vale o tempo e o espaço da sua vida e do seu bebê que ele vai tomar. Por exemplo, seu bebê precisa mesmo de um trocador ou seria melhor ganhar o espaço desse trocador para que sobre área para vocês dançarem juntinhos?

Reflita, acima de tudo, no que VOCÊ gostaria que compusesse os ambientes que VOCÊS irão habitar, sem sequer lembrar do que os OUTROS dizem ser necessário. O que vocês consideram útil e agradável que haja?

Quando você desejou (ou irá desejar) ser surda

Ouvia tanto que meu bebê deveria mamar de 3 em 3 horas, como se ele fosse uma maquininha, e que eu conseguiria sim fazer home office full time e ainda cuidar dele, e que se ele “não deixava” era porque eu o mimava dando o peito a toda hora, então eu vivia estressada, tensa, principalmente porque, também, não dormia, porque também me diziam que ele tinha que dormir no quarto dele, no berço dele, longe de mim, então ele não dormia e eu, idem, até o desmame.

Para a nossa sociedade, o consumismo é a solução para maternar entre machismo e desconexão.

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Fernandinho de olho no móbile, com dois meses de vida. Maio/2009.

Maternar, que me diziam, era entreter ele como eu podia para que, segurando-o num braço e digitando com o outro, eu pudesse trabalhar, como boa mãe de família. E, em vez do respaldo das mulheres da família, como outrora acontecia, me diziam para dar-lhe chupeta que o acalmaria, mamadeira quando eu demorasse fora, para que utilizasse mobiles, para ele gostar do berço e ursinho ou paninho pra ele agarrar e dormir sem a minha companhia. Ah, e claro, vídeos animados “para bebês” no início das “papinhas”, para que ele ficasse “fortinho”.

Em suma, o mercado lhe daria a mãe que eu não poderia ser porque antes de ser mãe, eu tinha que ser máquina, gerar renda além de gerar um filho, gerar renda além de criar esse filho, relegar ao entretenimento com produtos a sua companhia.

Cada um tem a sua experiência de consumo com seu bebê, cada mãe/pai é única(o), cada bebê também, assim, cada mãe/pai-bebê tem suas necessidades particulares, desse modo, narro adiante alguns pontos da minha experiência com produtos para bebês, dizendo o que considero útil ou não e como deixei de consumir produtos que sempre foram ou que se tornaram dispensáveis pra mim, nos cuidados com meus bebês, para servir de inspiração a todos os presentes e futuros pais que querem, além de filhos mais libertos e felizes, uma relação com mais espaço, menos entulhada de coisas desnecessárias.

O excesso de coisas no universo infantil causa poluição visual e sonora, superestimula o bebê e superpovoa seu imaginário, abafando sua capacidade criativa, já que não há espaço para criar. Assim, os bebês ficam agitados, com sono comprometido e irritados quando não entretidos com algo, pois não sabem lidar com o vazio, com o tédio.

Antes, gostaria de deixar claro que de um filho para o outro também mudamos o que consumimos. Quem tem mais de um filho sabe muito bem que não usou exatamente as mesmas coisas com um e com outro, mas todas as mães têm a plena certeza de que, com a experiência, adquirimos praticidade e, consequentemente, menor necessidade de consumir produtos que “facilitam” (ou não) a nossa vida. Não estou falando aqui do caso de crianças com necessidades especiais, que envolve um tipo diferenciado de consumo, do qual sou totalmente leiga.

Abaixo tem três textos sobre o que é ou não necessário em termos de produtos, segundo a minha experiência. Basta clicar do lado direito no sinal de + para abrir.

O que te dizem que seu bebê precisa

Mães e pais de primeira viagem sofrem no bolso. O que não ganham no chá de bebê e “têm” que comprar é muita coisa. Berço, moisés, carrinho, bebê-conforto, cadeirão, só pra citar alguns dos produtos mais caros. Fralda de pano, toalha-fralda, fralda de boca, babador, cueiro, roupa de cama (até saia pra berço inventaram), só pra citar o excesso de panos. Falando nisso tem a vestimenta,  um montão de roupinhas minúsculas no tamanho e grandes no preço que serão usadas por poucos meses, talvez nem isso, sapatos desnecessários, já que o bebê só terá necessidade deles após aprender a andar, mas que irão estar lá entulhando seu guarda-roupas e sua mente até que você use os benditos uma única vez e se livre daquilo.

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Fernando no tapete de atividades, que eu considerava essencial. Maio/2009.

Sem falar em tudo ligado à amamentação e alimentação, como mamadeira, bico de mamadeira, escova para lavar mamadeira e pote térmico para guardar mamadeira, itens que a mãe que vai amamentar nunca irá usar, apesar de sempre ter alguém pra dizer que precisamos. Chuquinha ou mini-mamadeira, pra dar chá ou suco, muitas mães, como eu, nunca darão, porque após os seis meses de aleitamento exclusivo é mais indicado utilizarmos copos de transição, aqueles com bicos um pouco moles no início da introdução alimentar, para o bebê não machucar a gengiva, e mais rígidos após, que servem apenas para não derrubar muito o que estão bebendo.

Fora o resto, um montão de coisas como acessórios para segurança, potinho pra algodão, pra cotonete, pra água morna, garrafa-térmica, pendurador de chupeta e chupeta (que nunca chupará ou que será obrigado a gostar porque alguém falou que esse hábito acalma o bebê, como se os bebês não preferissem que pessoas o fizessem). E os brinquedos então? E tudo o que é feito para entreter, como tapetes de atividades e móbiles, porque se diz que é certo estimular o bebê a toda hora e não o fazer seria sinal de desamor… mas não. E por aí vai, inúmeros itens de consumo.

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Ana Julia bebendo suco no copinho de transição. Julho/2013.

Lembro-me de ter pedido auxílio para minha cunhada para me ajudar a fazer a lista do chá de bebê do meu primeiro filho, com base numa lista que imprimi de um site qualquer. Ela pegou a lista da minha mão e começou a riscar e dizer: “isso aqui você precisa, isso aqui não…”. Tudo bem! OK! Mas já desconfiava que nossa experiência não seria muito parecida. Mamadeiras, por exemplo, que ela me disse para pedir, eu sabia que nunca usaria e os cueiros que ela riscou porque nunca usou, eu sabia que usaria, pois tinha usado muito na minha experiência como babá fora do Brasil.

Alguns produtos praticamente indispensáveis como fraldas descartáveis, lencinhos umedecidos e pomada para “prevenção” de assaduras, já estão em cheque, anti-ecológicos ou prejudiciais à saúde, são, em suma, insustentáveis.

Só utilizei garrafa térmica, para preservar água morna para embebedar o algodão e usar nas trocas, com meus dois primeiros filhos, com minha terceira, agora, não, pois tivemos um ano de muito calor e ela já tem nove meses… não foi necessário. Em casa criei o hábito de lavá-la no chuveiro mesmo, rapidinho, em cada troca, algodão só usei bastante nos primeiros meses. Ou seja, economizei muito tempo ao não ter que me dar ao trabalho de todos os dias esquentar água e colocar na garrafa (que nem adquiri), e dinheiro, pois não tive que comprar pacotes e mais pacotes de algodão. Claro que, com o tempo frio, garrafa térmica e algodão são necessários pra sair de casa com o bebê, mas do contrário, acho pura tralha.

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Estela de fralda ecológica: descartável só em viagens. Agosto/2015.

Pomada para “prevenção de assaduras” é outro produto que aboli já com minha filha do meio, pois percebi que era devido ao seu uso que a pele não tinha a resistência necessária para não assar. Conto isso melhor aqui.

E há, claro, a fralda ecológica, tanto a de pano reutilizável, quanto a descartável mas com materiais biodegradáveis. Ao saber que um bebê gasta em média  5 mil fraldas desde o nascimento até o desfralde, que demoram mais de 400 anos pra se decompor, decidi que iríamos nos adaptar, pois não queria deixar um legado de mais de 10 mil fraldas pro mundo, que é o que já deixei até o momento.

Só não usei fraldas de pano desde meu primeiro filho por puro desconhecimento do produto e por tanto ouvir as lamúrias da minha mãe, tias e avós (“na nossa época só tinha fralda de pano, não tinha essa maravilha!”). Fraldas de pano são muito melhores que qualquer fralda descartável, pelos motivos: não vasa, absorve mais, portanto, troca-se menos (economia de tempo, água e produtos para lavagem), previne assaduras, pois o tecido em contato com a pele é mais saudável que materiais plásticos, dispensa o uso de cremes e pomadas de prevenção de assaduras; ecológico.

“Todo excesso traz, em si, o germe da autodestruição.” (Aldous Huxley)

O que seu bebê não precisa

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Exemplo de quarto de bebês para adultos.


Quarto de bebê para adultos
, com móveis demais, decoração pastel, quadrinhos e papel de parede na altura dos olhos dos adultos e outras tantas decorações e itens inúteis que o bebê nem sequer irá notar.

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Exemplo de quarto montessoriano.

No quarto montessoriano, por exemplo, o berço, que parece algo ultra necessário, é dispensável. Caso o berço seja o que você tenha escolhido para o seu bebê, certifique-se de comprar um de acordo com as normas do Inmetro, pois há risco de acidentes e sufocamento em berços inadequados. (Saiba como escolher um berço seguro) 

A Estela tem o berço que era da Ana Julia, que ganhou da vovó, mas serve mais como trocador, já que fazemos cama compartilhada.

Falando em trocador, hoje em dia estou tão prática, que nem trocador temos. A Estela é trocada em todo lugar,  na cama, no sofá e até no colo. Mas, caso você deseje ter um trocador, escolha um que seja seguro, a maioria não é. O próprio berço com a grade rebaixada é mais seguro para trocar o bebê do que aquele tipo de trocador que vem com a banheira embaixo e tem mais de 1 metro de altura. Num leve impulso do bebê o tombo é grande e o estrago pode ser maior ainda. Vale assistir a matéria.

Outra coisa que seu bebê não precisa é de muitos cosméticos. Hidratantes, óleos corporais, perfumes e afins são totalmente dispensáveis, não somente por serem supérfluos, mas principalmente, por agredirem a pele do bebê e tirarem do seu bebê aquele aroma incrível, divino e natural, inenarrável, que só tem quem acabou de chegar  do céu. O único cosmético que seu bebê “civilizado” precisa é de sabonete líquido, e bem pouco, já que até que possa começar a se movimentar e a se alimentar com sólidos, o que só ocorre após os seis meses de vida, ele só terá contato com o que levarmos até ele, ou seja, ele quase não se suja.

Minha filha mais nova acabou de completar 9 meses e só utilizou dois frascos de sabonete líquido. Isso porque acordei para um fato com o pediatra e neonatologista humanizado que acompanhou minha segunda filha no parto, o de que bebê novinho não precisa de sabão em excesso, porque não tem sujeira. Ele me orientou a usar sabonete somente quando percebesse oleosidade em excesso no cabelinho nos primeiros meses. Como ela levou um mês trocando de pele, eu dava muito banho com chá de camomila (fazia um copo de chá com 3 sachês e despejava no ofurô).

Me disseram que meu primeiro filho precisaria de chupetas e lhe deram várias, pois achavam que ele “mamava demais” e que chupeta o faria parar de “chupetar” a mim, mesmo eu dizendo que ele não pegava. Na verdade, eu não lhe dava, pois não o queria viciado em chupeta como eu fui e achava que esse vício tinha a ver com uma falta que eu não desejava que ele tivesse. Era o que eu acreditava na época. Depois agradeci imensamente à minha intuição quando li esse artigo. Tem coisas que a gente sabe sem saber.

Com o primeiro filho achava que precisava e utilizei protetores de berço. Depois que descobri o risco potencial de sufocamento do produto, minha segunda e terceira filha se safaram desse produto perigoso, como também do excesso de roupas de cama e brinquedos de pelúcia no berço. (Saiba mais)

Sabão para lavar roupas de bebê é algo que só utilizei no primeiro mês de vida dos três, enquanto lavei separadamente as roupas deles, depois utilizei sabão em pó comum, mas pouco, para deixar menos resíduos nas roupas, lavando mais vezes se necessário.

O que não te dizem e seu bebê precisa

Tudo o que é novo, da geração presente, sua avó, mãe, tia, não conhecem, então ninguém vai te dizer que você precisa já de antemão, vai mais de você decidir experimentar tendo sabido por alguma amiga ou lido nas redes sobre a utilidade de um produto x.

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Banho no colo. Março/2015.

Segundo banho da minha filha do meio, Ana Julia, no meu quarto da maternidade. Com direito a sachês de camomila.
Segundo banho da minha filha do meio, Ana Julia, no meu quarto da maternidade. Com camomila.

Balde de banho ou ofurô para bebês é um desses produtos atuais, simples e barato que tem “n” vantagens: ideal pra o banho dos primeiros meses, ocupa pouco espaço, é terapêutico, reduzindo mal-estares pelo bebê ficar em posição fetal em meio à água (ambiente familiar, similar ao que ele ficou por nove meses) e ele se sente seguro desse modo. Meus três filhos usaram muito até começarem a andar. A Estela, com 9 meses agora, foi a única que tomou muito banho no colo também e sempre adorou. Acho que banho no colo dispensa enumerar vantagens. Agora já curte a banheira dos irmãos, que passei a usar mais após começarem a engatinhar.

Para os bebês que têm cólica, óleo de massagem (vegetal, não mineral) também é algo acessível que, associado à Shantala, pode funcionar muito mais que remédios. Muitas vezes colo e balanço (dança, conexão) resolvem o mal-estar, por isso, antes de tratar a cólica, vale refletir com o Dr. Carlos González em seu artigo utilíssimo para quem passa por esse processo. Eu passei por isso com meu filho, não com minhas filhas e dava-lhe Shantala e balanço, que nem sempre resolvia (sem calma nada ajuda), e, por duas vezes, causou-lhe refluxo, por isso, vale ler o artigo.

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Estela no carregador, com alguns dias de vida.

E, falando em bebês que têm refluxo ou que têm qualquer problema respiratório e vivem com constipação, travesseiros anti-refluxo (os inclinados grandes que podem ir debaixo do colchão ou os pequenos que servem para colocar em cima dos carrinhos e no local de troca) são outro item barato e que impedem que seu bebê vomite e engasgue e auxiliam na respiração. São bons também porque possibilitam que o bebê veja melhor o que acontece ao redor quando está em repouso, mas claro, melhor perspectiva pra ver ao redor é de um bom colo.

Sobre colo, sling ou carregador de bebês é outro item que ninguém me disse que precisaria, tanto que só estou usando com minha terceira filha, após respeitar integralmente a necessidade de colo do bebê (ou aceitar o que eu já sabia, mas que “não me deixavam” fazer) o máximo de tempo possível e a minha necessidade de ter braços com três filhos. Temos três e usamos quase todos os dias, principalmente para caminharmos ou irmos ao parque. Há diversos vídeos e artigos na internet ensinando como usá-los e falando dos inúmeros benefícios, mas atenção, pesquise fontes confiáveis de produtos que respeitam a fisiologia do bebê, pois, caso contrário, podem causar danos à saúde dele.

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Fernando e Ana, com 2 anos de idade. A caminho da festa junina da escola e do desfile de 7 de setembro. Junho e Setembro de 2014.

Com minha segunda filha só passei a usar mais o carrinho, quando ela já não era mais uma recém-nascida, após completar um ano de idade, para longas caminhadas no bairro ou até a escola do irmão; funcionava para eu carregá-la quando ela se cansasse. Com a terceira, foi usado apenas para as sonecas diurnas dela, enquanto o carrinho era confortável, grande pra ela, até uns 5 meses. Atualmente, usamos apenas quando saímos para comer, já que nem todo lugar tem cadeira de alimentação apropriada.

Dormir no quarto dos pais e de preferência com os pais é o que o bebê precisa, então moisés, carrinho, uma cama maior, que caiba pai, mãe e bebê, sem risco do bebê ser sufocado, ou qualquer caminha improvisada (leia-se um colchão no chão, como orientado pela linha montessoriana) para que o bebê possa ficar junto à mãe toda a noite, é ultra necessário.

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Ana Julinha, com quase 5 meses na cadeirinha enquanto a mamãe jogava bola com o irmão no pátio do prédio. Outubro/2012.

Cadeirinha de repouso ou balanço para antes do bebê sentar ou até ele parar de tombar (ou carrinho, ou bebê-conforto, ou o cadeirão de alimentação). Nem tudo dá pra se fazer com o bebê no sling, como cozinhar, ou dar banho no irmão mais velho, por exemplo, e o bebê não quer ficar o tempo todo deitado, ele quer te ver e ver ao redor, então uma cadeirinha (ou carrinho, ou bebê-conforto, ou o cadeirão de alimentação) ajuda muito pra te dar braços e pra dar conforto a ele.

Vinagre claro, mais sabão em pó comum, serve para lavar as fraldas de pano e tecidos com resíduos alimentares, pois o vinagre é bactericida e fungicida sem ser insalubre como o cloro. Ajuda, também, a tirar a maior parte das manchas.

 

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Ana Julia em Paraty, na nossa viagem de mãe e filha. Outubro/2013.

Seria de grande utilidade para todas as mães, pais, cuidadores presentes ou futuros que leem este texto, se você pudesse compartilhar a sua experiência também, então, conte para todos, nos comentários  logo abaixo, o que você considerou ou não necessário na experiência com seu bebê.

Gratidão por ler! Namastê!
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Toda criança livre de shopping

Criança em estado de shopping ou criança em estado de natureza?

Já aconteceu de você ter ido a um shopping com seus filhos e, ao sair de lá, ter tido a sensação de que apesar de ter gasto consideravelmente, vocês não se divertiram? Ou, você já passou maus bocados num shopping devido às birras consumistas dos seus filhos? Você gostaria de se divertir com suas crias sem que precisassem consumir tanto?

Que tal tirar seus filhos dos shoppings? Que tal parar de frequentá-los? Que tal se, desde bebês, seus filhos não soubessem o que é frequentar antros de consumismo? Quais valores você quer lhes passar? Qual realidade você quer que eles conheçam?

Como eu disse no artigo Como dizer “não” para o consumismo dos filhos, um dos fatores que irá definir o estilo de vida consumista ou não deles, diz respeito aos locais que vocês frequentam. Se eles vivem em shoppings, como eu vivi e como meu primeiro filho viveu enquanto morávamos em São Paulo, aprenderão, erradamente, que felicidade é consumir… uma crença que custa a mudar, principalmente se é estabelecida durante a primeira infância, quando as crenças se concretizam profundamente no nosso ser.

Pausa no frisbee no jardim. Maio/2015.
Pausa no frisbee no jardim. Maio/2015.

Onde vocês frequentam? Qual o tipo de identificação que vocês têm com esses locais? Onde você estão conectados?

Somente respondendo essas perguntas a si mesmo é que as coisas podem ficar claras e você poderá, então, decidir mudá-las – e isso não é difícil.

Porquê escolhemos o pior

Segundo uma pesquisa do Datafolha de setembro de 2013, 70% dos paulistanos tinham o hábito de frequentar shoppings. Acredito que esse número tenha crescido, assim como o número de shoppings cresceu na cidade, de uns anos pra cá.

Na mesma matéria, na opinião da urbanista Heliana Vargas, coordenadora do Laboratório de Comércio e Cidade da FAU-USP, “em uma cidade como São Paulo, com sérios problemas de trânsito e de segurança, o shopping conquista por sua praticidade (…) é a preferência do paulistano por ser um ambiente organizado, confortável, onde se pode comer, comprar e ir ao cinema com segurança. Daí a popularidade”, diz.

Aliás, você já percebeu que o ambiente dentro de um shopping é perfeito? Clima sempre agradável e constante, devido ao sistema de ar condicionado, vendedores  acolhedores, devido ao interesse mercadológico, com tudo o que se necessita para passar em média 16 horas (mais ou menos o tempo em que ficam abertos) das 24 do dia, com estrutura de segurança de ponta… tudo muito artificial, um ambiente bem diferente da realidade, que funciona somente com muita estrutura tecnológica, pessoal capacitado para servir aos frequentadores e relações humanas reduzidas ao ato de consumir.

É como num sonho… talvez uma fuga da realidade nada amena? Talvez devêssemos tornar a nossa realidade mais sonho, que fugir dela para o sonho de consumo, para as bolhas consumistas alienantes

Nos shoppings, há quase tudo o que desejamos ter, desde ofertas gastronômicas diversas até imóveis em locais, igualmente, de sonho; só que “desejar” e “ter” são verbos que pouco têm a ver com felicidade, principalmente em se tratando de bens supérfluos, porque é isso que os shoppings oferecem.

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Fernando no shopping de Ubatuba: hábitos que demoram a se perder. Fevereiro/2012.

O que queremos quando vamos a um shopping? Osho traz uma desnudante reflexão acerca dos nossos quereres:

“Você me pergunta ‘O que eu quero?’ Eu é que devo lhe perguntar, ao invés de você me perguntar, porque depende de onde você está. Se você estiver identificado com o corpo, então o seu querer será diferente; então comida e sexo serão suas únicas vontades, seus únicos desejos. Esses são dois desejos animais, os mais baixos. Eu não os estou condenando ao chamá-los de mais baixos, eu não os estou avaliando. Lembre-se, eu estou apenas afirmando um fato: o mais baixo degrau da escada. Mas se você estiver identificado com a mente, os seus desejos serão diferentes: música, dança, poesia, e depois existem mil coisas. (…) Se você estiver identificado com o coração, então os seus desejos serão de uma natureza ainda mais elevada, mais do que a mente. Você se tornará mais estético, mais sensitivo, mais alerta, mais amoroso.(…)
      Assim, depende de onde você está ligado: no corpo, na mente ou no coração. Esses são os três mais importantes locais nos quais a pessoa pode funcionar. Mas também existe um quarto local em você; no oriente ele é chamado de turya. Turya simplesmente significa o quarto, o transcendental. Se você está consciente de sua transcendentalidade, então todos os desejos desaparecem. Então a pessoa apenas é, sem qualquer desejo, sem nada para ser pedido, para ser atendido. Não existe futuro ou passado. Então a pessoa vive neste momento completamente satisfeita, realizada. No quarto, o seu lótus de mil-pétalas desabrocha; você se torna divino. “

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Anita inconsolável quando o carrossel parava. Caraguatatuba. Junho/2014.

O caro que sai ainda mais caro

Abordando o aspecto consumo, porque é disso que shopping (do inglês ato de fazer compras) se trata, seus filhos pequenos não sabem o preço disso tudo, ou melhor, não têm nem ideia do que seja preço. Como explicar, então, que nesse lugar “de sonho” tudo custa certa quantia em dinheiro, desde o estacionamento? Ou, que não se pode consumir tudo o que um shopping oferece o tempo todo? Que as atrações acabam, rápido, e que não dá pra ir “toda hora de novo”, principalmente as infantis (o que não é por acaso, é para entrar no loop do consumo). Não, não e não! Não dá pra explicar tudo isso. Não dá pra exigir esse entendimento insano de uma criança pequena, muito menos de um bebê meu Deus!

As atrações em shoppings são feitas de modo que criem aquela situação pavorosa em que as crianças, que possuem memória de curto prazo (músicas curtinhas, atenção curtinha, etc), querem consumir mais e mais do mesmo atééé cansarem, dificilmente aceitando o fim da atração, protestando muito contra você “pai/mãe malvados” passarem a lhe negar o que ela está adorando (“por quê???”). Sem dizer que, quando cansam, já estão dispostas a querer consumir outra coisa, aliás, o que há mais pra se fazer num shopping? E criança saudável quer diversão, só que num shopping diversão tem preço.

Isso sem falar no que custa à saúde infantil o excesso de atrações eletrônicas, principalmente as que incluem telas. (Mais sobre, aqui)

Dentro do shopping todos estamos entretidos o tempo todo, porque há muitas coisas atraindo atenção, dizendo “me consuma! me consuma!”. Estamos, portanto, com o nosso olhar voltado para o lado de fora o tempo todo, sem tempo para olharmos para dentro, desconectados de nós mesmos. E o que a desconexão causa, principalmente em crianças: agitação, irritação, choro, tristeza. Crianças e adultos precisam de locais onde possam olhar para dentro, onde possam estar paz, sem ter nada pra fazer a não ser estar consigo mesmos.

Se o hábito de frequentar shoppings já foi criado, é muito chato ter que ficar dizendo “não” o tempo todo. “Não” pra ir ao shopping, “não” pra ir ao local de diversões eletrônicas, “não” pras inúmeras e atraentes “comidas” processadas. É cansativo demais ficar explicando porque não dá o tempo todo, não é mesmo?

Se você é do tipo que sempre disse sim a esse tipo de passeio mas está disposto a mudar de vida e quer começar a dizer não, prepare-se! Meu filho, por exemplo, não podia passar perto daqueles quiosques que vendem balões de gás que queria levar um pra casa, também insistia muito em todo tipo de brinquedo “papa-fichas” que ficam subindo e descendo ou rodando e tocando uma musiquinha nada a ver. Quando comecei a dizer não, era sempre um show. Então, ponta firme e corre pro parque! (Sobre isso leia: O que há por trás das birras consumistas)

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Primeira vez da Anita no Parque Ibirapuera, com 50 dias de vida. Julho de 2012.

Como abandonar o sistema

Eu sei o quanto é difícil buscar uma vida alternativa numa cidade que necessita de ambientes acolhedores, seja pela questão da segurança, seja pela necessidade de ter lugar pra estacionar, seja por conta da correria da cidade grande que nos faz necessitar de um local com estrutura para relaxarmos, seja porque precisamos de um mínimo de estrutura para conseguirmos nos divertir com as crianças (será mesmo?).

Na verdade, creio que o mais difícil de tudo está em resgatarmos velhos hábitos, que nos aproximem do outro e não das coisas, que possibilitem a troca e não que necessitem do dinheiro para trocar, em suma, que possibilitem o SER acima do TER. 

Ouso dizer que a maioria dos pais e mães urbanos encontram-se incapazes de se divertirem com os filhos sem entrar na situação de consumidor. Não dá pra simplesmente estar junto e let it go! Temos que ir ao cinema, ou creditar no cartão de jogos para garantir o brincar eletrônico (em vez do brincar entre humanos), ou relegar a monitores a vistoria da diversão solitária dos filhos, ou gastar com alguma besteira pra mastigar: a regra é entreter, nem que seja através dos dentes!

Carrinhos de Bebê
Outra coisa que quem frequenta shopping sabe bem é que a ostentação começa no carrinho do bebê. Há carrinhos que chegam a custar R$6 mil, como o Aston Martin Silver Cross. Cabe a você decidir inserir seu bebê nesse mundo infeliz do pode mais quem paga mais, ou não.

Nossa geração mãe/pai classe média urbana, cresceu em shoppings, aprendemos a frequentá-los desde sempre. Como viver, então, sem isso? Como resgatarmos a brincadeira de rua, a infância livre na prática?

A minha opção foi sair da cidade gigante e mudar para o litoral (mudança drástica, resposta a muitos anos de opressão rs), com um shopping de dar dó em Ubatuba (graças a Deus!), a cidade em que aportei primeiro. Mas, antes mesmo dessa grande mudança, eu passei a mudar meus hábitos e dos pequenos e a passear mais pelo bairro, brincar mais no quintal da avó e área comum do prédio e a frequentar mais os parques da cidade, confesso que meu salário reduzido na época, por opção de querer dedicar meu tempo mais aos filhos que ao mercado, auxiliou na escolha do mais em conta, e melhor.

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Nós no Parque do Cordeiro, pertinho da nossa casa na época, na zona sul da capital paulista. Agosto/2012.

A vida real está fora

Se seus filhos vão a outros lugares ao ar livre, aprenderão, desde sempre, que a vida é abundante, pois terão mais espaço, mais natureza e mais pessoas para compartilhar, pessoas, essas, em situação de maior conexão, portanto, mais abertas para trocar, você, por exemplo, que não estará distraído com vitrines, em situação de cliente, mas apenas sendo pai/mãe.  

A maioria dos pais e mães ainda estão submetidos à jornada insana de mais de 8 horas de trabalho diário, a maioria das crianças também passa grande parte do seu dia, senão mais ainda que os pais, dentro de instituições. Poxa! Vocês merecem o lado de fora! Na verdade, precisam dele.

Se seus filhos frequentarem lugares ao ar livre, aprenderão, também, que a vida é instável, nem sempre confortável, pois estarão em contato com o tempo, assim como ele é, mas que pode ser plena de aventuras reais, sem que, pra isso, seja preciso possuir coisas, mas apenas SER quem somos em integração com a Existência.

“Investigue, olhe para o lugar exato onde você está. No que me diz respeito, todo desejo é completo desperdício, todo querer é errado. Mas se você está identificado com o corpo, eu não posso dizer isso para você, porque isso estará muito longe do seu alcance. Se você está identificado com o corpo, eu lhe direi, mude um pouco para desejos mais elevados, os desejos da mente, e depois um pouco mais alto, para os desejos do coração, e depois finalmente ao estado sem desejos.
      Desejo algum jamais será satisfeito. Esta é a diferença entre a abordagem científica e a abordagem religiosa. A ciência tenta satisfazer os seus desejos e, naturalmente, a ciência tem sido bem sucedida ao fazer muitas coisas, mas o homem permanece na mesma miséria. A religião tenta acordá-lo para a grande compreensão para que você possa ver que todos os desejos  intrinsecamente não conseguem ser satisfeitos. 
      É preciso ir além de todos os desejos e somente assim haverá contentamento. Contentamento não é o fim de um desejo, contentamento não é a satisfação do desejo; porque o desejo não pode ser satisfeito. Com o tempo, quando você chegar à satisfação do seu desejo, irá descobrir que mil e um outros desejos surgiram. Cada desejo se ramifica em muitos desejos novos. E isso acontecerá repetidas vezes e toda a sua vida será desperdiçada. 
      Aqueles que sabem, aqueles que vêem – os budas, os despertos – todos concordam em um ponto. Isso não é uma coisa filosófica, é factual, o fato do mundo mais interior: o contentamento acontece quando todos os desejos tiverem sido abandonados. É com a ausência de desejos que o contentamento surge dentro de você. – na ausência. Na verdade, a própria falta de desejos é contentamento, é preenchimento, é gozo, é florescimento.” (OSHO – Come, Come, Yet Again Come – Cap. 4 – Pergunta 3, Tradução: Sw. Bodhi Champak)

Se você ainda pretender continuar frequentando assiduamente shoppings e levando seus filhos consigo, não reclamem depois de os terem criado à sua imagem e semelhança de zumbizinhos alienados que só sabem ou estar passivos, quando entretidos com algo, ou ativos demais, estressados ou hiperativos, colocando pra fora todo o excesso de informação a que foram submetidos e enlouquecendo a todos os demais, porque criança externaliza muito mais, e hiperatividade e TDAH são apenas termômetros que indicam, na maioria das vezes, modos de vida desequilibrados.

Mas antes de fazer sua escolha, ouça outra palavra: um super TED Talk com o lúcido, preciso e arrepiante pediatra Daniel Becker, sobre os sete pecados capitais contra a infância e suas soluções, trazendo a importância das crianças e adultos estarem do lado de fora, porque a natureza exterior leva à natureza interior!

Gratidão por ler! Por uma vida mais livre para todos nós. <3

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Ninguém precisa de lenço umedecido

Quando escrevi o último artigo Creme para prevenção de assaduras: um produto a menos, esperava por críticas ao que estava defendendo, muitas. Só que, para minha surpresa, não li uma sequer por onde o texto foi compartilhado nas redes, pelo contrário, além de alguns questionamentos sobre como lidar na prevenção e tratamento de assaduras, li com alegria os inúmeros comentários e dicas envolvendo o tema de trocas e de menor uso de produtos industrializados nas crianças desde bebês.

Assim, me certifiquei da necessidade de complementar o tema de trocas, mas apenas para destrinchar o que já está explícito. Dessa forma, acrescento que lenço umedecido é outro produto a menos para se consumir na vida mãe-bebê.

Mas, antes de começar a desfiar “elogios” ao lencinho, te faço uma pergunta: você já usou lenço umedecido em você? Ou melhor, já usou lenço umedecido em você durante meses seguidos, todos os dias, diversas vezes ao dia? Recomendo experimentar para sentir na pele, literalmente, o porquê de esse ser um produto ruim,  que deve ao máximo ser evitado. Se quiser testar e tirar suas próprias conclusões, nem precisa continuar a ler. Nada ensina melhor do que a própria experiência ;). Do contrário, vamos adiante!

A primeira vez que troquei meu primeiro filho. Vovô arrumando. (Março/2009)

Porque abolir o lenço umedecido da vida

A proteção natural da pele

A pele serve de “armadura” para você: suas estruturas protegem o corpo das agressões do meio ambiente, como bactérias e fungos, condições climáticas, poluição e substâncias químicas, entre outras.

Além de proteger o corpo, a própria pele produz para si uma camada de proteção, chamada manto hidrolipídico. Esta camada é formada por uma mistura de gordura, produzida pelas glândulas sebáceas, e suor, fabricado nas glândulas sudoríporas.

O manto hidrolipídico lubrifica a pele e os pêlos. E porquê essa lubrificação é importante? Porque a camada de sebo e suor torna a pele mais resistente às infecções. Os fungos ou bactérias presentes no ar têm mais dificuldade de penetrar na pele e causar doenças, como as conhecidas micoses e o impetigo (aquela doença de pele que aparece em crianças).

Além de evitar infecções, o manto hidrolipídico protege a pele dos agressores externos que estão no ar, como pó, pólen, pêlos… Sem proteção, estes agentes irritam a pele, causando dermatites (inflamações). A pele também fica mais protegida da ação de moléculas das substâncias químicas, como aquelas que fazem parte dos detergentes e outros produtos de limpeza. Estas substâncias podem causar grande irritação, com vermelhidão, inchaço, coceira e secreções.

A lubrificação deixa os pêlos mais fortes, com menos chance de quebrar. Inteirinhos, eles ficam mais bonitos e desempenham melhor sua função de manter a temperatura do corpo nos dias ou locais frios.

Outra função do manto hidrolipídico é impedir o ressecamento, evitando a perda de água pela pele. Isso é muito importante em regiões ou épocas do ano nas quais a umidade do ar está baixa. Se não fosse o manto hidrolipídico, sua pele ficaria ressecada com mais facilidade. (Fonte: Saúde Total)

Os simples motivos para se abolir o consumo dos “inocentes” lencinhos são:

caro: passar um simples algodão umedecido com água ou lavar o bumbum do seu filho, AINDA, é mais barato do que limpá-lo com o produto, então, pra quê gastar?

antiecológico: os lenços umedecidos, são produtos descartáveis e podem ser facilmente substituídos por processos e produtos menos poluentes. Não estamos em uma conjuntura planetária onde podemos continuar consumindo produtos descartáveis, gerando lixo que ficará aí, ao Deus dará sabe-se lá até quando, para se degradar. Isso é um fato. Se você prefere ter água potável para seus filhos e netos, simplesmente pare de comprar produtos descartáveis. Além de ser descartável, esse “suave” produto, pode conter além do TNT (tecido não-tecido), que custa a desaparecer, mais de 10 substâncias químicas que contaminam o meio. Bom, se você não se importa em comer vegetais “temperados” (inclusive os orgânicos), basta continuar a utilizar produtos tóxicos, pois tudo o que você descarta, um dia você pode consumir de alguma forma, porque “na natureza (lembra?) nada se perde, nada se cria, tudo se transforma!” Pense em quantas reencarnações seu filho virá à Terra enquanto o “lixinho” dele, de milhares de lencinhos (fora as mais ou menos 5 mil fraldas, se vocês consomem descartáveis), se decompõe.

insalubre: contém muitas substâncias químicas agressivas como o metilisotiazolinona, frequentemente encontrado em alguns lenços umedecidos e também usado em diversos produtos para limpeza doméstica, causador de graves alergias. Contudo, mesmo descartando a possibilidade de causar alergias, todo lenço umedecido remove em maior ou menor escala o manto hidrolipídico da pele (leia mais no quadro ao lado), deixando-a muito mais vulnerável a assaduras, candidíase (fungo), infecções bacterianas, etc, enfim, todo tipo de invasão. O perigo também está na possibilidade de ingestão dessas substâncias, como ressaltado num trecho de uma matéria de 2007 da revista estadunidense Baby Care Products:

“Os bebês e as crianças são especialmente vulneráveis ​​a produtos químicos presentes em shampoos, sabonetes, loções, pomadas, lenços umedecidos e outros produtos. O cérebro das crianças, o sistema nervoso e outros órgãos, ainda estão em desenvolvimento, e assim substâncias que têm um efeito pequeno em adultos podem contribuir para problemas maiores em crianças. Os bebês também podem ingerir produtos que são destinados apenas para uso externo pelos dedos, mãos, colocando os dedos, brinquedos e outros objetos na boca. A pele dos bebês é mais fina e portanto mais permeável do que a pele de um adulto, permitindo que os componentes químicos sejam absorvidos com maior facilidade.”

 Da suposta necessidade do lenço

Óleo Johnson. Publicidade dos anos 50.
Anos 50. Advento das fraldas descartáveis. A indústria percebe o bebê como consumidor e cria diversos produtos para suas “necessidades”.

Todas as vezes que vou a São Paulo compreendo o porquê da maioria de nós, mães urbanas, usarmos em nossos bebês diversos produtos nada sustentáveis: faz parte da “natureza” da cidade vivermos atentando contra nossa saúde.

Como trocar um bebê no carro ou num banheiro público com fraldas de pano e algodão umedecido em água, a opção mais saudável e econômica que existe? Que é possível, sim, é possível, porque eu consigo, mas que é difícil é, e com lencinho e fralda descartável é muito mais fácil; mas também, muito mais custoso, como estamos constatando.

Daí você vai me dizer: “Ah, mas só água não mata todos os GERMES!” Olha, eu sinceramente prefiro um pouco de germes supostamente perigosos na pele, que um montão de substâncias químicas detonando o manto hidrolipídico e a flora natural e abrindo caminho para uma invasão muito pior.

Essa ideologia higienista, que ganhou força a partir da industrialização, êxodo rural, formação das massas urbanas, consumismo, etc, não é natural. Não é natural usarmos um produto descartável com N substâncias químicas, sobre as quais ainda não temos total noção do mal que fazem, mas que consumimos porque serve à praticidade, somente. De que adianta um produto nos fazer ganhar tempo mas, ao mesmo tempo, perder saúde?

Uma coisa que aprendi nos últimos anos, num processo gradativo de simplificação da vida (gratidão suprema por isso!) é que podemos e devemos escolher com o quê facilitar a vida.

O processo de criação de uma necessidade ilusória, é mais ou menos assim: primeiro nos dizem que temos um monte de necessidades que não temos e nos fazem acreditar que temos, depois, nos enchem de produtos para satisfazê-las, depois e depois e depois vão “simplificando ainda mais as nossas vidas” nos trazendo produtos inovadores, que facilitam nosso cotidiano de satisfação daquelas necessidades lá do começo do parágrafo, que, na verdade, nunca tivemos. C’est le marché!

Em São Paulo você “precisa” de lenço umedecido pra trocar seu bebê porque você “precisa” correr pra trabalhar, correr pra trocar ele no carro porque é perigoso, correr pra trocar ele no fraldário porque tem fila, correr pra trocar ele porque você tem pouco tempo para cuidar do seu bebê. Tem mesmo? Ou você aceitou isso como verdade e corre com isso sem necessidade? Escolha! É uma questão de escolha, saiba disso, pra que você escolha com consciência e não por inércia. Falo isso agora, mas na minha primeira viagem como mãe, eu não sabia que tinha escolha.

Lencinho umedecido e o cuidado corrido: a minha experiência 

Com meu primeiro filho gastava horrores em lencinhos e vivia questionando minha mãe e avós (como a maioria das mães de primeira viagem), inconformada,  de como elas faziam na época delas para limpar os bebês, e elas me diziam que era com fraldas de pano ou lavando. Para mim, na época, aquilo era algo totalmente impensável, inviável, trabalhoso demais, demorado demais, nada prático. Hoje compreendo que os lenços umedecidos eram um item indispensável na minha rotina com meu filho porque eu corria demais com muitas coisas e limpar meu filho com algo menos agressivo e “demorado”, não era nem mesmo cogitável.

Anita em seu banho de sol sem fralda, fortalecendo os ossos, a pele e a alma, com quase 5 meses
Anita em seu banho de sol sem fralda, fortalecendo os ossos, a pele e a alma, com quase 5 meses

Na época da minha segunda filha, eu decidi trabalhar menos, ser mais presente, cuidar sem pressa, consumir menos lenços. Aos 7 meses de vida dela, o uso de algumas marcas de lencinhos lhe causaram uma assadura dura. Na ocasião, suspendi o uso e, após o tratamento, reduzi ainda mais o consumo e passava uma fralda de pano ou algodão umedecidos em água para retirar um pouco da química do produto quando o usava.

Com a caçulinha, prefiro lavá-la com água na maioria das trocas, ou uso algodão umedecido, especialmente fora de casa. Lenço umedecido é só na urgência e em viagens, assim como fraldas descartáveis. Imagine a economia que venho fazendo, mas, melhor que isso, imagine a pele resistente e lindinha da minha pequenininha. 😀

O excesso de consumo de lenços umedecidos está diretamente ligado a nossa falta de tempo para sermos mães.*

Estamos falando aqui de libertação de consumo desnecessário, de economia de recursos, de saúde, de perder tempo com o que vale a pena. Quer cuidado mais delicioso que trocar, limpar, acarinhar nossos filhos nos constantes momentos de troca, porque, além de lhes trocarmos as fraldas nesses momentos, trocamos sobretudo carinhos, olhares, palavras, amor.

Você tem opção!

Estela de zebrinha no jardim. Com 6 meses. Agosto/2015.

Você pode fazer como eu e lavar o bumbum e genitais do seu bebê quando estiver em casa ou onde seja possível, usar algodão embebido em água (que só precisa ser morna em tempo frio), pode usar borrifador nas trocas, óleo de gergelim, de coco, azeite, etc, com paninho, toalhinha, etc, etc. Internet tá aí pra N opções.

Se você não quer abrir mão da praticidade do lencinho, opte por fazer você mesma um produto mais seguro. No YouTube e em diversos sites, há tutoriais ensinando como fazer o produto de forma artesanal e biodegradável: uma opção mais segura para a saúde do seu bebê e para o nosso planeta. Como este, por exemplo.

Sou mãe de três e perco tempo nesse cuidado cheiroso que é trocar minha bebê sem lenços e com fraldas de pano, e,  sim, me arrependo de ter corrido tanto, mas regressivamente, com meus dois primeiros bebês. Se eu pudesse voltar no tempo, “perderia” mais tempo nas trocas deles, trocando com eles, esquecendo do tempo e dos lenços.

Libertem-se também! Protejam-se. <3

Namastê!

Saiba mais sobre os tóxicos encontrados em produtos infantis, inclusive em lenços umedecidos (parabenos!) (em inglês): EHN Special Report: ‘Chemicals of high concern’ found in thousands of children’s products

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MENOS coisas para MAIS infância

ou Porque devemos parar de encher nossos filhos de coisas 

Quando viajamos com os filhos, levamos uma parcela muito pequena daquilo tudo que a gente tem em casa. Algumas peças de roupa, alguns pares de sapatos, produtos de higiene pessoal, alguns brinquedos, enfim, o necessário para passarmos o tempo da viagem e o que couber na mala ou no porta-malas. E, embora as crianças tenham muitas coisas, na viagem não faz falta, não é mesmo? Então, por que insistimos em ter tantas coisas em nossos lares que nos tomam tanto tempo em limpeza e organização? Por que permitimos que nossos filhos tenham tanto, que nem consigam usar tudo o que têm?

Vivemos num momento em que crianças têm brinquedos demais, telas demais, atividades demais e mães e pais de menos, ócio de menos, criatividade de menos, e, por tudo isso, felicidade de menos.

Vivemos em um tempo de abundância de recursos, seguido de uma fase de escassez. Falando da classe média,  se  para nossos avós faltaram, para nossos pais houve o racionamento, para nós permaneceu o medo da falta (inflação) e nossos filhos sofrem com o excesso, resultado de todo um passado de escassez que os precedeu.

Todos sabemos da urgência de se equilibrar a balança dos recursos econômicos. O ideal para todos nós seria sem a falta, nem o excesso, mas com necessário para vivermos tranquilos, abandonando (quem já não abandonou) o hábito doentio de perder a vida em busca de posses.

Há a necessidade premente de se diminuir brinquedos, informação e entretenimento da vida de nossas crianças, para que elas tenham tempo e espaço para serem infantes plenamente, e, para que num futuro bem próximo, não sofram com a escassez de recursos, como a amostra que já tivemos com as crises hídrica e energética.

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Fernando na pista de bicicross de Caraguatatuba. Novembro/2013.

Dar coisas ou presença?

É fácil agradar aos filhos com coisas, mas não é o mais inteligente a se fazer. Apesar de nos deixar livres para executarmos nossos afazeres (pelo menos enquanto eles estiverem entretidos com o novo),  dar muitas coisas aos nossos filhos nos exige mais dinheiro e mais tempo trabalhando para conseguirmos o tal dinheiro para comprarmos as tais coisas. Ou seja: é um ciclo sem fim, onde cada vez mais nos tornamos escravos do consumo, para que possamos nos tornar livres.

Outro fator negativo de se acostumar os filhos com muitos produtos, serviços ou produções, no caso de mídia, é criarmos neles duas falsas percepções:

– de que sempre é necessário se ter muito para se estar satisfeito

– de que não há paz, nem alegria sem entretenimento

Ambas, totalmente falsas, porque a paz e a alegria genuínas encontram-se no estado de conexão, quando nosso SER é pleno, independente das coisas que nos rodeiam.

Visualize isso através de duas imagens: seu filho em frente à TV e seu filho brincando, principalmente ao ar livre. Deu pra sacar o que é estar conectado? O que é estar presente?

O excesso de coisas nunca sacia, porque a real necessidade é de afeto, de compartilhamento, de presença. 

Quantas vezes damos brinquedos ao invés de brincarmos? Quantas vezes ligamos a TV para entreter os filhos em vez de pararmos por alguns instantes para saciar-lhes as demandas com a devoção de quem ama? Quantas vezes lemos juntos ou simplesmente conversamos com olhos nos olhos? Quantas vezes não alimentamos nossas crias em frente a uma tela, porque perdemos de tal maneira a capacidade de nos conectarmos com eles, que é mais fácil fazê-los comer absorvendo informação, distraídos, que ensinar-lhes a comer com gosto. Ou mesmo, quantas vezes não desfrutamos juntos de momentos de ócio?

O excesso que bloqueia

Outro prejuízo de termos um “cofre do Tio Patinhas” de coisas, ou seja, de termos tantas coisas a ponto de não conseguirmos utilizar tudo o que temos é nos perdermos de nós mesmos. Preenchendo nosso espaço exterior com excesso de coisas, preenchemos, igualmente, nosso espaço mental com excesso de estímulos aos nossos sentidos, como obstáculos no caminho ao encontro do nosso eu interior.

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Ana Julia com quase 6 meses, divertindo-se com a mamãe.

No caso das crianças, promover aquela “entulhada” de brinquedos que torna difícil atravessar a sala ou o quarto, ou ter tantos brinquedos ocupando o espaço que seria para brincar, ou até mesmo o entretenimento sem pausa, preenche o universo infantil com coisas, símbolos e experiências prontas, não dando espaço para a criatividade individual, tão preciosa, única, ilimitada, que traz a paz e a alegria genuínas, premissa primordial para o processo criativo, que as possibilitam transformar a realidade, criar um mundo novo.

As piores consequências dessa falta de espaço para o SER CRIANÇA podem ser a hiperatividade, o TDH, entre outras que surgem do bloqueio da energia criativa.

É possível evitarmos o estado de entretenimento? Sim. Quando passamos a dar mais importância para o SER, há espaço para a conexão e não há mais a necessidade de tantas coisas para promover a distração, já que podemos SER. O pai brinca, a mãe lê história, a criança cria, o alucinante perde o palco. O excesso sai da vida de quem se permite SER mais e só resta o essencial.

O que nós merecemos?

Se queremos filhos felizes, precisamos, antes, estarmos felizes. Não adianta enchermos a nós e a eles de coisas, como prova do nosso amor, do tipo “eu mereço um sapato novo, afinal, me esforço tanto” e “ele merece um brinquedo novo, afinal, blá blá blá”. Na verdade, nós merecemos muito mais que coisas, merecemos estar livres delas.

Consumir demais e estimular esse querer sem fim dando mau exemplo para os filhos, contribui para nossa infelicidade, já que estamos vivenciando um materialismo cada vez maior, significando erradamente que o amor está no ter, e não no ser e compartilhar.

Por mais que coisas novas nos deem picos de excitação, são efêmeros, rápidos demais. Às vezes chegamos em casa, provamos de novo, largamos no armário e a alegria já passou, e a gente já precisa de algo novo pra se alegrar. Além disso, o consumismo é viciante, porque precisamos sempre consumir de novo para conseguirmos a sensação maravilhosa. Um sapato novo faz a gente feliz por uma semana, depois disso já é velho e não excita mais. Isso sem falar no bolso, haja renda pra viver comprando. Melhor bancar coisas melhores, viagens talvez. Fora que depois desse comportamento abusivo, você estará com uma casa cheia de tralhas, com seu dinheiro suado empregado nessas coisas inúteis e com os recursos escassos transformados em lixo abundante. Consciência pesa.

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Foto relâmpago da brincadeira na sala. Outubro/2012.

Dizer sim ao excesso de coisas, é dizer sim à desconexão, à distância entre pais, mães e filhos, à distância entre o que estamos sendo e o que realmente somos.

Dar menos coisas exige, na razão direta, três atitudes dos pais:

– Nos relacionarmos mais com eles;

– Propiciar-lhes mais experiências e

– Auxiliá-los a lidar com o tédio/ócio necessários.

E, óbvio, ser capaz de fazer tudo isso consigo antes de fazer com os filhos.

Atente para a possibilidade de que a falta de tempo e espaço para mais compartilhamento, mais experiências e mais tédio/ócio seja pelo excesso de coisas desnecessárias em suas vidas.

Nunca se esqueça de que esta vida é apenas uma viagem, por isso, quanto mais leves nossas malas estiverem, mais longe poderemos ir.

Namastê! <3

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No Parque Ibirapuera, descobrindo que os cisnes comiam flores, em Jun/2011.

 Para refletir:

Onde está o excesso na sua casa e na rotina da sua família?

Com que frequência e de que maneira você compartilha sua presença com seus filhos?

Seus filhos praticam alguma atividade criativa?

Seus filhos conseguem ficar sozinhos, sem estímulos exteriores?

O excesso de consumo é prejudicial tanto a cada indivíduo quanto ao planeta. A felicidade não está no possuir.

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Como dissémos “não” ao consumismo infantil

Para incrementar o último artigo, Como dizer “não” para o consumismo dos filhos, gostaria de compartilhar como foi o início da nossa experiência de dizer “não” ao excesso de consumo e “sim” à vida realmente rica. Segue adiante:

Caminhando e contemplando. Em Dez/2011.
Caminhando e contemplando. Em Dez/2011.

Vejo a enorme diferença no quesito “consumismo” do meu primeiro filho para a segunda. Com ele eu ainda consumia muito e não conseguia dizer “não” para todos os pedidos, nem para todos os “maus presentes”, mesmo sabendo que ele não precisava de mais um carrinho, nem de mais um DVD. Como eu ainda consumia em excesso, não achava justo da minha parte dizer “não filho, você não precisa de mais”, se a mamãe aqui, ainda esbanjava. Discursar aos filhos para viverem com menos, despendendo futilidades (lembrando que palavras ensinam e exemplos arrastam), é dar um verdadeiro MBA de como ser egoísta.

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Acontece que no auge dos seus 2 anos e meio, querendo todos os carrinhos do mundo, mudamos de São Paulo para Ubatuba.

Naquela época, em julho de 2011, eu havia me desligado de um emprego num escritório na Paulista e ido morar dois meses depois no litoral norte. Passei a viver apenas de home office e teríamos que aprender a viver com menos… com mais na verdade.

Conversando com as flores, em Jul/2011.

São Paulo é uma cidade que, como a maioria das megalópoles, está toda estruturada para estabelecer um estilo de vida baseado no consumismo, onde quase todo lazer depende de consumir, onde é necessário se esforçar para dizer não ao consumismo de todo dia, principalmente se se está acostumado a esse tipo de vida desde que se nasceu.

Percebo, hoje, que esse processo de mudança de São Paulo para uma cidade menor e essa mudança drástica no estilo de vida que levávamos foi tão difícil, porque o nosso consumismo, como o da maioria das pessoas, estava diretamente associado à desconexão: nossa conosco mesmo e dos pais e mães com seus filhos.

Tratei de modificar a mim mesma antes de começar com o discurso de mãe sustentável do tipo “mas você já tem tantos desses, não precisa de mais um” ou “sorvete só no final de semana”. Mesmo depois que diminui meu consumo pessoal drasticamente, demorou para que o Fernando abandonasse o vício de comprar toda vez que saíamos, ou melhor, demorou para que ele descobrisse outras maneiras muito mais legais de se entreter, ou de aprender a lidar com o tédio… uma lição ainda em curso.

Rio Itamambuca, Ubatuba, Dez/2011.

Foram muitos shows em portas de lojas, muito choro e ranger de dentes. E tratei de ter muita paciência, confesso que às vezes não tive, pois eu fui a maior responsável pela adicção dele, que nem sempre foi alimentada por mim, na maioria das vezes não, mas todas elas, sim, eu permiti. Fosse com festa de aniversário em buffet caríssimo, com presentes todo final de semana ou doces em excesso, ou apenas deixando a livre oferta para o consumo indisciplinado de televisão.

Essa experiência de negação, que no início foi muito desgastante, me ensinou a oferecer outras coisas melhores para ele, mas que ele não sabia, e que eu já não vivia desde a infância. Em vez de insistir no enfrentamento que interrompia a comunicação, alterando os ânimos até a histeria, sem, óbvio, gerar bom resultados, aprendi a mudar o foco dele de coisas para experiências, aprendi a estar com ele, como há muito tempo eu não estava.

Toda criança é curiosa e anseia por experiências novas, mas, acima de tudo, toda criança necessita de pais e mães presentes, não de corpo, de alma. Como eu tinha muito mais tempo com ele, passamos a nos relacionar mais e fortalecemos nossa conexão; e consegui lhe mostrar que haviam coisas muito mais interessantes para viver e que seriam muito mais divertidas que possuir qualquer porcaria. 

Intrigado com o peixe. Itamambuca, Ubatuba. Novembro/2011.

Detox no olhar

Mas não foi só isso. Antes de ser uma experiência de mudança no estilo de vida, de saída da rota do mercado avassalador, foi uma experiência de desintoxicação, de libertação do excesso, da necessidade de estar sempre envolvido com o exterior.

Crianças que, como meu filho, foram o primeiro filho, neto, bisneto, sobrinho, são autuadas o tempo todo porque,  como é de se esperar, todos querem paparicá-la. Só que o excesso de mimos a la paulistana faz com que a criança não consiga estar só nunca, não consiga se encontrar. De tanto ganhar coisas, atenção, entretenimento, a criança tem seu universo amontoado por coisas das quais ele nem sabe se gosta, se lhe apetece ou agrada.

O Fernando foi aprendendo a diminuir o ritmo, a olhar pra coisas entediantes pra ele como o horizonte, o mar, a floresta… foi aprendendo a parar, e, aos poucos, começou a gostar. Claro que muitas vezes se irritava com o marasmo, o que já era de se esperar de uma criança que desde bebê foi acostumada a se alimentar em frente a telas, a ganhar coisas sem fim, que não sabia o que era tédio, que não tinha paciência para todas as coisas que exigissem pausa no entretenimento, como escovar os dentes, colocar meias, pentear o cabelo, etc.

Contudo, com o passar do tempo, ele começou a aprender a ser feliz com menos coisas, pudera! Estávamos em Ubatuba e ele tinha mais a mim e mais a ele mesmo.

A pracinha “encantada” do centro de Ubatuba. Parada obrigatória. Novembro/2011.

Mostrar um outro “lugar” para seu filho olhar, tirar os olhos dele do objeto de desejo mostrando a ele novos horizontes é derrotar, além do consumismo, o autoritarismo que só brada “nãos” e a desconexão que hoje impera entre mães, pais e filhos, e vivenciar a autoridade de mães e pais que guiam seus tutelados para uma direção mais feliz.

No litoral, à medida em que consumíamos menos, nos aproximávamos mais e convivíamos mais, compartilhando nosso tempo e espaço.

Mudar o foco do consumo para a experiência, para a atividade física (brincadeiras) ou intelectual (jogos) em vez da passividade (eletrônicos), para o olhar nos olhos profundo, para o olhar a natureza e brincar nas areias da praia, para a companhia além da coexistência, é a saída mais inteligente para um caminho menos consumista e mais vívido, para uma vida de mais amor entre pais, mães e filhos.

Praia da Almada, Ubatuba, Jan/2012.

A praia, o rio, o parquinho, os livros, as flores, os pássaros e as borboletas foram nossos grandes aliados nesse processo de desapego.

Assim, se eu pudesse resumir como dizer não para o consumismo infantil numa só afirmação seria “sendo mais você mesmo”. Quem prefere ser a ter, não tem tempo pra ir demais a shoppings, pra comprar o que não precisa, não tem tempo pra ver TV. Dando o exemplo, os filhos seguem e, em vez de pais e mães consumistas, teremos pais e mães presentes e conectados, e filhos igualmente. Entretanto, é claro que há um sistema prisional que se impõe, ocorre que pais e mães livres, são naturalmente atuantes e desarticuladores do sistema vigente, e é sobre novas atitudes que estamos falando aqui.

Não às amarras, sim à vida!

Namastê! <3

Praia do Centro de Ubatuba. Dezembro/2011.

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Como dizer “não” para o consumismo dos filhos

O mercado apela para nossas carências ocultas e o consumismo se configura para satisfazê-las. Se ele não existisse, não saberíamos que haveria um problema. O desequilíbrio exterior vem sempre de um desequilíbrio interior.

Se acreditamos que precisamos de tantas coisas é porque falta que nos apoderemos de nós mesmos. O consumismo tanto adulto quanto infantil revela uma falta de conexão consigo. A vontade excessiva de TER significa sempre uma falta de SER.

Continuando os artigos Bebê Livre de Consumismo e Menos Telas Para Mais Vida, trago mais uma medida prática a ser tomada como vacina (porque dói mas livra) por mães, pais, avós, cuidadores, enfim, todos que lidam com crianças e que pretendem propiciar a eles uma vida mais livre.

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Fernando no jardim do condomínio. Julho/2015.

 Não, não e não! Ou outros sins

Um passo simples rumo a liberdade é negar às crianças, desde bebês, os pedidos de consumo desnecessários e dizer um “não, obrigado” aos presentes de grego.

Claro que essa atitude depende, primeiramente, da diminuição do consumismo dos pais. Não adianta discursar sem dar o exemplo, pelo menos não para os seus filhos, que sempre irão muito mais te imitar que seguir o que você diz.

Outra coisa: não adianta, também, frequentar assiduamente antros de consumismo, como os shopping centers, ou deixar a TV ligada no Discovery Kid’s e outros canais de TV a cabo para crianças, que metralham publicidade na cabecinha deles e impõem produções com valores consumistas e ritmo alienante. (Leia mais em Menos Telas Para Mais Vida).

Toda vez que eu ia ao shopping com meu filho mais velho, por volta dos 2 a 3 anos dele, ele exigia que eu comprasse para ele um balão de gás. O meu discurso era sempre o mesmo “você não precisa de mais um, tem outro lá e casa!”. Às vezes eu cedia, às vezes não, e nessas que não ele desempenhava um super show dramático para todos os presentes. Hoje, eu entendo muito mais o lado dele. Qual a graça de passear num shopping sem consumir? Qual a graça de só passear e comer? Que era o que fazíamos a maioria das vezes. Pra uma criança, nenhuma. Ele queria, pelo menos, um balão novo para se entreter.

É tortura expor os filhos a tantas coisas atraentes e negar-lhes quase todas. Além, é claro, de se tornar a mãe e o pai chatos, já que as crianças pequenas não têm maturidade pra entender o porquê do “não”. Nenhum pai e mãe quer ser percebido como mal, ninguém quer deixar um legado de escassez na memória infantil, o que, já está mais do que comprovado, é péssimo para o futuro adulto.

Então, em vez de viver dizendo “não, não e não!!!” para o “eu quero, eu quero, eu quero!”, o melhor é evitar tantos enfrentamentos. Como? Evitando a ocasião de tê-los, trocando o shopping pelo parque, as diversões eletrônicas pelo parquinho, ou seja, efetuando uma mudança de hábito: do consumismo para a vida mais simples e mais valorosa.

O bom e velho parquinho é uma ótima opção para compartilhar com os pequenos
O bom e velho parquinho ganha da televisão. Ana Julia. Praia do Centro de Caraguatatuba.

O que você pode fazer para tornar a vida da sua família realmente abundante?

Abaixo um trecho do Sermão da Montanha, que sempre me inspira:

«Ninguém pode servir a dois senhores; pois ou há de aborrecer a um e amar ao outro, ou há de unir-se a um e desprezar ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas. Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos da vossa vida pelo que haveis de comer ou beber, nem do vosso corpo pelo que haveis de vestir; não é a vida mais que o alimento, e o corpo mais que o vestido? Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam, nem ajuntam em celeiros, e vosso Pai celestial as alimenta; não valeis vós muito mais do que elas? Qual de vós, por mais ansioso que esteja, pode acrescentar um cúbito à sua estatura? Por que andais ansiosos pelo que haveis de vestir? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam, contudo vos digo que nem Salomão em toda a sua glória se vestiu como um deles. Se Deus, pois, assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé? Assim não andeis ansiosos, dizendo: Que havemos de comer? ou: Que havemos de beber? ou: Com que nos havemos de vestir? (Pois os gentios é que procuram todas estas coisas); porque vosso Pai celestial sabe que precisais de todas elas. Mas buscai primeiramente o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.» (Mateus 6:24-33)

Porque é difícil dizer “não”

Se você tem dificuldade em dizer não para os seus filhos é porque, provavelmente, não consegue dizer não pra si mesmo. Quem só sabe se divertir consumindo, também só sabe agradar com coisas. No exemplo acima, eu, não deveria estar passeando num shopping, que o próprio nome significa “ato de comprar”, onde toda a diversão é paga.

Fica muito mais fácil dizer “não” quando isso não se torna um hábito, ou seja, quando diminuímos essa possibilidade ao nos expormos a menos produtos e publicidade. Se você não é uma mãe ou pai que vive dizendo “não”, seus filhos irão aceitar melhor quando você tiver que dizê-lo e vão ficar muito mais agradecidos quando receberem um “sim” ou algo novo sem nem pedirem.

Quem ganha em excesso, quem é agradado com coisas, quando não ganha, sofre com a falta, que, na verdade, não é do objeto em si, mas do afeto vinculado àquilo que ganha. Por isso, muitas vezes, presenciamos tantos protestos em centros de consumo… não é só birra.

Fernando adivinhando as nuvens. Praia do Centro de Caraguatatuba. Abril/2013.
Fernando adivinhando as nuvens. Praia do Centro de Caraguatatuba. Abril/2013.

Para refletir:

Que coisas (produtos/serviços) desnecessárias seus filhos consomem?

Quais dessas coisas você considera prejudicial a eles?

O que você não gosta que seus filhos ganhem?

Com que frequência você compra coisas desnecessárias?

Você diz não para os pedidos de consumo desnecessários dos seus filhos?

A seguir, mais um artigo sobre os prejuízos do excesso de consumo na infância.

Namastê! <3

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