Não é você, sou eu!

Desde que decidi viver de acordo com o que acredito, e, por conta disso, tomar decisões consideradas um tanto drásticas para o senso comum, vira e mexe ouço os comentários abaixo ou outros parecidos, que, muitas vezes, são feitos com um quê de agressividade, principalmente por eu ter três filhos e impactar a vida deles com as minhas escolhas “diferenciadas”.

“Como assim você vai sair do seu emprego pra cuidar dos seus filhos?”

“Como você vai pagar as suas contas?”

“Não acredito que você não assiste TV! Vocês não podem se isolar do mundo!”

“Dó dessas suas filhas!” (por não terem as orelhas furadas)

“Você lava fraldas??? Isso é coisa antiga!”

“Mas você não pode ficar sem celular!!!!!!!”

“Você só pode ser louca!”.

O que algumas pessoas precisam entender é o seguinte:

– o que me faz feliz não é o mesmo que as faz felizes (o que te faz feliz?),

– por eu não viver como a maioria da urbanidade, ao fazer escolhas de vida um pouco diferentes, não quer dizer que eu seja diferente, mas que todos nós somos uns dos outros; só que EU, prefiro fazer parte dos 20% e tento fazer com que minha vida se pareça comigo, apenas.

– quando eu mudo, ou quero mudar alguma coisa na minha vida, eu não estou necessariamente criticando ou questionando esta mesma coisa na vida de ninguém.

PEDALADA
Primeira pedalada da Anita. Caraguatatuba. Junho/2013.

Escrever sobre as minhas experiências e mudanças não tem a intenção de forçar ninguém a ter as mesmas experiências e a fazer as mesmas mudanças, mas sim inspirar e incentivar as pessoas a tomarem consciência de suas escolhas e a fazerem qualquer mudança que acharem importante ou necessária.

Dessa forma, eu mudo o que eu preciso mudar daqui e cada um muda o que precisa mudar na própria vida, pra todo mundo ser mais feliz. Se tiver sincronicidades, ótimo, vamos trocar figurinhas. Se não, nos respeitamos com nossas particularidades e nos desejamos o melhor.

Recentemente, fui agressivamente combatida em alguns grupos do Facebook por causa dos meus últimos artigos, tendo as críticas até ultrapassado o conteúdo dos textos e sido feitas contra a minha pessoa, sem que sequer me conhecessem, claro. Pois bem, sendo meus textos baseados na minha experiência, explanando as minhas conclusões, as pessoas não deveriam ter se sentido ofendidas, porém, como bem disse Paula Abreu, “se estivessem bem felizes e satisfeitas com as suas próprias escolhas, não se incomodariam mesmo que, de fato, estivessem sendo criticadas ou questionadas”.

O que aconteceu comigo nos recentes episódios enérgicos foi surpreendente para mim. Em vez de eu me irar com os discursos violentos eu ria e, muitas vezes, me compadecia, pois, como afirmou a talentosa jornalista e doula Kalu Brum, recentemente, em seu perfil no Facebook, quando foi duramente criticada em seu artigo sobre a celebridade que não conseguiu amamentar,

“tem uma frase que diz: se você se sente julgada há uma escolha não bem resolvida ai dentro. Porque quando a gente decide, quando tem certeza de nossas escolhas, não nos incomodamos com a opinião alheia (…)Se te choca, se cheque. Quando checamos nosso incômodo fazemos perguntas ao invés de procurar nos defendermos com respostas. Aí mora a revolução, sempre! Para todas as coisas da vida.”

O que acontece quando  fazemos escolhas conscientes na nossa vida é que podem tentar nos ofender,  nos atingir, e até nos impedir, mas nos tornamos como um rio: se atiram pedras contra nós, elas não nos ferem, muito menos nos desviam do nosso curso, pois um rio recebe todas as pedras atiradas contra ele sem se defender, elas mergulham em seu leito enquanto ele passa, sem cessar. Quando você flui com sinceridade, quando está sendo verdadeiro no seu caminhar, nada atrapalha, tudo ou soma ou indifere. 

Agindo dessa maneira, você não está vivendo na superfície do ego apenas, mas de uma forma mais condizente com o seu EU mais profundo, ou seja, você vive mais consciente, de quem é e do que quer desta vida! Por isso, eu, por exemplo, não estou nem aí pras críticas.

Eu e Ana na pista de bicicross de Caraguatatuba. Novembro/2013.

Então, “se eu quero doar as minhas coisas e viver com menos, é porque está ME incomodando ter tanta coisa, tanto acúmulo desnecessário, gastar tanta energia cuidando e mantendo essas coisas de que eu no fundo não preciso. Não quer dizer que eu acho que ninguém deva se desfazer de nada…não é você, sou eu”.

Se eu quero fazer Arte (escrever, cantar, dançar…) é porque isso faz bem pra mim, faz parte da minha vida desde que eu nasci, me faz feliz. Pode ser que o que te faça feliz seja pular de parapente (Caraguá! Aí vou eu!), ou ter 15 gatos, como eu já tive, ou nadar pelado na cachoeira, como eu, também, já fiz algumas vezes. Ninguém é obrigado a ser artista (nem a ter coragem).

Se eu quase não consumo alimentos industrializados e gosto de ter minha própria horta doméstica e preparar alimentos livres de agrotóxicos (eu também adoro uma pizza de vez em quando ou um brigadeiro de panela), não quer dizer que estou criticando você que consome uma pancada de alimentos processados e que prefere dar um iogurte na mão do seu filho a ensiná-lo a comer vegetais. Não é você, sou eu.

Se eu reduzi meu consumo de produtos de higiene e limpeza e prefiro usar produtos naturais e menos agressivos ao meio ambiente e à saúde da minha família, não quer dizer que você também tenha que limpar a casa com vinagre ou passar óleo de coco no cabelo ou escovar os dentes com açafrão da terra e bicarbonato.

Se eu decidi ter minha terceira filha numa casa de parto do SUS, de parto normal, sem anestesia, não quer dizer que você deva fazer o mesmo. O parto é da mulher, sempre, e meu papel, apenas, é compartilhar informações importantes, para que ele seja, realmente.

Se eu amamento há mais de 4 anos (e contando) e se o fiz exclusivamente até os seis meses de cada um dos meus três filhos, e se nunca dei bicos artificiais para nenhum deles, não quer dizer que você tenha que fazer o mesmo, só não me peça para apoiar discursos desencorajadores, num país onde a média de aleitamento materno é de APENAS 54 dias.

O que eu quero, de verdade, é fazer você parar pra pensar, se perguntar, se questionar, e descobrir o que você pode mudar na sua própria vida em busca de mais conexão, pra ser mais feliz.

“É só plantar a semente da dúvida e convidar à reflexão”.

De resto, não é você, sou eu.

E isso vale para você também, é claro! Toda vez que te criticarem ou julgarem, rebata (nem que for somente em pensamento) “não é você, sou eu!”, (faça disso o seu mantra) porque só você sabe, de verdade, o que é bom pra você, só bastando, às vezes, você descobrir.

Vamos lá, compartilhe comigo nos comentários o seu “não é você, sou eu!”, pois como disse o grande Osho: “não há êxtase maior do que você conhecer a si mesmo.”

Namastê!

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PS: Inspirado no homônimo da minha colega Paula Abreu.

Rio Itamambuca, Ubatuba. Dezembro/2011.
Rio Itamambuca, Ubatuba. Dezembro/2011.

Porque é bom ter inveja

Mesmo que você não se considere uma pessoa invejosa, em algum momento da sua vida você já deve ter sentido  inveja de alguém, não é verdade? Bom, mas pode ser que não, pode ser que você faça parte da minoria que já desapegou desse sentimento e esse artigo não é pra você.

Por outro lado, se você já caiu em tentação, e já se pegou desgostoso pelo bem alheio (“por que não eu?!”) não se aflija, agradeça. Sim, porque embora seja considerada vil e vergonhosa e, por isso mesmo, difícil de confessar, a invídia tem seu lado bom. Como diria A cor do som:

“Não se negue
Escorregue nesse
Regue
Não se arregue
Escorregue
Segue e persegue esse caminho no suingue menina.”

Assumir para libertar-se

Longe de dizer que inveja é algo bom, sentir inveja tem seu lado bom e assumir isso faz bem, pois como dizia Paulo de Tarso, o amor não inveja e se alegra com a verdade.

Talvez a inveja tenha essa fama abominável, porque o hábito de negá-la impossibilita observá-la mais de perto e verificar que ela tem algo valioso para a nossa felicidade.

Yin e Yang

Yin e Yang são dois conceitos básicos do taoismo que expõem a dualidade de tudo que existe no universo. Descrevem as duas forças fundamentais opostas e complementares que se encontram em todas as coisas: o yin é o princípio feminino, a água, a passividade, escuridão e absorção. O yang é o princípio masculino, o fogo, a luz e atividade.

Segundo essa ideia, cada ser, objeto ou pensamento possui um complemento do qual depende para a sua existência. Esse complemento existe dentro de si. Assim, se deduz que nada existe no estado puro: nem na atividade absoluta, nem na passividade absoluta, mas sim em transformação contínua. Além disso, qualquer ideia pode ser vista como seu oposto quando visualizada a partir de outro ponto de vista. Neste sentido, a categorização seria apenas por conveniência.

Todavia, é de se entender essa negação tradicional da inveja.

O que não falta no mundo é gente pra dizer pra gente pra parar de sentir o que a gente sente (assim com aliteração mesmo e como se isso fosse possível), ainda mais quando o que sentimos é tachado de ruim, porque, também, não falta gente pra tachar as coisas de boas ou ruins e perpetuar o falso maniqueísmo.

E aí, o que a gente faz? Finge que não tem inveja e deixa ela ali de escanteio, sem olhar pra ela. Porque né, basta a gente olhar pra alguma coisa pra todo mundo perceber que essa coisa existe, e, se essa coisa feia é nossa então, daí é que a gente finge que não tem mesmo.

Negar a inveja é um erro, aliás, negar qualquer coisa é um erro e com a inveja não seria diferente. Coisas ruins, por mais vexatórias que sejam, não devem ser negadas, mas observadas, para aprendermos com a dor ou desconforto que elas causam e para que nos libertemos delas.

A negação não nos liberta do mal, pelo contrário, nos transforma em prisioneiros inconscientes do que estamos negando. Já a verdade, liberta.

Quando negamos a inveja, em vez de seguirmos nosso caminho animados (isso quando não empacamos), seguimos com desgosto, achando que o outro é privilegiado na Existência, e que a gente não tá ganhando o que merece; e vivemos com esse incômodo chato que nem zumbido de pernilongo na madrugada, que vai continuar conosco até a gente aceitá-lo, encará-lo e entendê-lo, porque tudo nessa vida tem um propósito, e, enquanto a gente não descobre o propósito das coisas, elas perduram.

Então não negue, porque a inveja só é boa dentro do prazo de validade.

Um dos nossos grandes erros ao sentir algo ruim é mentir pra si mesmo de que se trata de um sentimento bom. Outro é negar que se sente a coisa ruim. Mas o pior deles é acreditar que o lado ruim, é totalmente ruim.

É perda de tempo negar a existência do mal. Tudo é Yin e Yang. Mas, mais perda de vida ainda é deixar que ele permaneça além do tempo, porque, como dizia o rei Roberto: “se o bem e o mal existem, você pode escolher.”

 A inveja como farol

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Farol de Portland, Cabo Elizabeth, Maine, EUA.

A inveja é como um farol que nos mostra o caminho para navegarmos em direção ao nosso eu mais profundo, que está em terras firmes, sempre iluminado, esperando por nós.

sf (lat invidia) 1 Desgosto, ódio ou pesar por prosperidade ou alegria de outrem. 2 Desejo de possuir ou gozar algum bem que outrem possui ou desfruta.3 O objeto que provoca esse desejo. Var: invídia.
Sentir inveja é uma coisa boa, pois, como tudo o que sentimos, é um sinal para encontrarmos mais uma faceta da nossa alma e nos tornarmos cada vez mais conscientes.

Invejamos alguém que tenha algo que desejamos ou que seja algo que gostaríamos de ser, certo? Então, é do sintoma inveja, que enxergamos a carência que está nos provocando a atitude de nos compararmos a alguém e desejarmos o que esse alguém tem, com desgosto e vitimização.

A inveja sempre tem a ver com você e não com a pessoa invejada. Na maioria das vezes, nem conhecemos tão bem assim a pessoa que invejamos para saber se ela está mesmo tão melhor do que a gente como ela aparenta estar. Pois, como disse um dia Miguel de Cervantes “a inveja vê sempre tudo com lentes de aumento que transformam pequenas coisas em grandiosas, anões em gigantes, indícios em certezas”.

Vitória-Régia
“Uma flor não pensa em competir com a outra, ela simplesmente desabrocha.” Variações de Vitórias-Régias.

A inveja nos mostra onde, dentro do nosso ser, não nos sentimos amados, onde não nos sentimos  suficientemente bons. (Paula Abreu)

Se concebermos a inveja como uma oportunidade de auto-conhecimento, se conseguirmos encará-la como algo que só tem a ver conosco e ir além do amargor que ela causa, sentiremos gratidão ao notá-la, gratidão a esse farol que nos indica o caminho do nosso Ser.

Para o incômodo causado pela inveja passar, melhor que negá-la é atuar como um estudioso de si mesmo e observá-la. A partir do momento em que você se coloca como observador de si mesmo, observador do seus próprios sentimentos, o que você sente se distancia de você, porque no momento em que você passa a observar, você já não está mais sentindo inveja mas outra coisa, porque você já não se identifica mais com seu ego afetado pelo brilho do outro mas com seu Eu maior, que é capaz de se olhar e se assumir como autor da sua própria história. Em vez de se vitimizar, você se empodera, a paz se restabelece e você identifica suas insatisfações. (Gratidão mestre Osho!)

“Inveja é a falta de fé em si.” (Ditado árabe)

Farol de Formentor, Mallorca, Espanha. Foto: Stefan Brenner

A inveja é também um farol que nos mostra um novo destino, um novo porto a abarcar, um novo lugar para conhecer até que o barco da vida queira voltar a navegar.

Ela é um sinal da nossa capacidade de ver além da nossa realidade, de identificar no outro o melhor que queremos para nós. Não quero dizer que temos que sentir inveja para transcender nossa percepção e buscar uma realidade melhor, mas a inveja é, também, um caminho para vermos além, isso, claro, se percebermos ela em nós e perscrutarmos a nós mesmos.

Se não conseguimos invejar ou admirar alguém da onde estamos, isso significa que temos que buscar outros ambientes, onde possamos vislumbrar novos horizontes, novos guias, para que nossa evolução espiritual possa deslanchar.

Por outro lado, se deixarmos que a inveja nos envolva, como dizia Sêneca, avistaremos apenas o que está próximo de nós, e admiraremos com menos astúcia o que está distante. Ou seja, ao invés de ser um farol a iluminar novos caminhos para dentro do nosso ser e universo afora, ela entravará nosso olhar e irá nos encerrar num mundo muito limitado, sufocante.

Por isso, sentir inveja por muito tempo e o tempo todo não é uma coisa boa, como afirmam os textos islâmicos, “assim como o fogo queima a lenha, a inveja consome as boas ações.” A inveja pura paralisa, a inveja analisada, liberta.

be-you-tifulCaptou a inveja? Não deixe ela se enraizar. Tire ela de você e olhe para ela.

Olhe para você. O que você está invejando em alguém? Em que área da sua vida você inveja alguém? É exatamente aí que você se encontra mal resolvido consigo mesmo. É exatamente aí que reside uma crença de que você não é o bastante.

Por exemplo, se você inveja outra mulher mais bem-sucedida que você, que faz o que ama, por exemplo, e consegue viver bem financeiramente fazendo o que ama. Dentro de você reside uma crença de que você não consegue fazer o que ama e ser bem remunerado por isso, e mais, que você precisa disso, trabalhar no que ama e ganhar bem, para se sentir feliz e amado. Mas, vou te contar uma coisa: você já é o bastante sendo quem você é, exatamente neste instante.

Ao invés de fugir desse sentimento e dessas pessoas que você inveja, encare o que você sente com sobriedade e busque estar com essas pessoas que você inveja, porque elas podem iluminar seu caminho apenas sendo elas mesmas e, somente por isso, inspirando você a ser você mesmo e a se descobrir e se realizar.

 Não é o outro, é você! 

A inveja é um sentimento que você sente, VOCÊ, e, como tudo na vida, só o que você sente importa para você.

E, se você sente isso, aproveite para aprender com isso.

“Hoje Eu vi nos olhos das pessoas,
O seu segredo de inveja,
De querer ser o que não é.
Suas vidas são tristes, é certo.
Seus semblantes pesam demasiadamente,
E porque em si não encontram a si mesmas,
É lá no Outro que procuraram existir.” (Henrique de Shivas)

Aliás, só conseguimos ver os outros a partir de nós mesmos. Parece loucura, mas, na verdade, é mágico. Saiba que tudo o que você enxerga no outro que te faz invejá-lo é algo que existe em você. Mas daí você vai me dizer, “Não! Claro que não! É o oposto. Eu invejo porque não tenho e gostaria de ter.” E eu vou te dizer que você só pode ver a partir de você, do que você é capaz de ver, e se você é capaz de ver é porque você já conhece e aquilo tudo que você inveja no outro, você já possui, só ainda não MANIFESTOU.

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Um dia minha terapeuta e amiga querida postou no perfil do Facebook dela uma frase que me marcou de Alejandro Jodorowsky, que me fez buscar o poema completo:

“No me conoces, me imaginas.
Solo ves en mi lo que eres tú.
Cuando dices que me amas,
amas esa parte de ti que amas.

Cuando dices que me odias
estas odiando eso de ti que no te gusta…
no me conoces, me imaginas.
No es de extrañar, 
es lo único que puedes hacer.

Si me imaginas soy tú,
soy un invento,
y solamente verás en mi aquello
que reconozcas en ti.

Si te gusta lo que ves en mi,
¡No lo cambies!
Pero si no te gusta… ¡Cámbialo en ti!
Te amo, porque me amo.”

Aceite-se, perdoe-se, ame-se. Você tem luz própria!

Namastê!

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