O Padrão do Abuso

Quando o mal é familiar, a invasão e a desconfiança são constantes

O abuso é grande, gentil e parece acolhedor no início. Mas a única intenção do abuso é sugar, extrair e viver da predação de quem é inocente e vulnerável.

O padrão do abuso aparece na vida de pessoas que sofreram abuso na infância e adolescência – enquanto eram ingênuas – e ainda não o processaram por completo, permitindo a aproximação do abusador familiar, confundindo sua invasão com compartilhamento e sua agressão com carinho.

Quando o abuso – essa experiência tão ambígua que parece afeição mas que machuca – não foi nomeado e a vítima não foi liberada da culpa que carrega por ter permitido, de algum modo, a ação do abusador, ela permanece confusa, novos predadores não são identificados, e ele volta a ocorrer na vida adulta.

O maior desafio a vencer para quem apresenta esse padrão é o de desistir do afeto que vem através do abuso, pois é esse desejo por esse afeto ferino – o único conhecido, na maioria das vezes – que potencializa os efeitos da sedução do abusador e que desligam os instintos de proteção de quem se tornou uma presa.

Ele só é tão magnético assim porque tem o que você deseja…

Pessoas com esse padrão acreditam que abuso e amor estão sempre juntos e que precisam dar algo importante de si para serem amadas.

E é essa mentalidade que fortalece o desejo de ser amada pelo abusador, a baixa das defesas diante dele, facilitando o caminho para a predação.

O fato difícil de aceitar mas que devolve o poder para a vítima é que seus pais ou cuidadores foram seus primeiros abusadores.

Seja negligenciando cuidados básicos, seja faltando com a orientação e proteção, deixando a criança ou adolescente vulnerável, seja superprotegendo e não permitindo que se conectasse com seus próprios instintos e capacidades, seja agredindo com palavras e gestos, normalizando a agressão.

Quem aprende que os próprios pais ou cuidadores não são confiáveis, pois podem ferir, enganar, dissimular, humilhar, tirar vantagem de quem deveriam preservar, vive desconfiado, aceitam comportamentos inaceitáveis de outras pessoas – em relações afetivas, principalmente – e adquirem um comportamento controlador, que não lhe permite se conectar com a vida.

Para identificar predadores à distância, encontrar o afeto respeitoso e se conectar com o acolhimento da vida, clique em AMADA.

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