MENOS coisas para MAIS infância

ou Porque devemos parar de encher nossos filhos de coisas 

Quando viajamos com os filhos, levamos uma parcela muito pequena daquilo tudo que a gente tem em casa. Algumas peças de roupa, alguns pares de sapatos, produtos de higiene pessoal, alguns brinquedos, enfim, o necessário para passarmos o tempo da viagem e o que couber na mala ou no porta-malas. E, embora as crianças tenham muitas coisas, na viagem não faz falta, não é mesmo? Então, por que insistimos em ter tantas coisas em nossos lares que nos tomam tanto tempo em limpeza e organização? Por que permitimos que nossos filhos tenham tanto, que nem consigam usar tudo o que têm?

Vivemos num momento em que crianças têm brinquedos demais, telas demais, atividades demais e mães e pais de menos, ócio de menos, criatividade de menos, e, por tudo isso, felicidade de menos.

Vivemos em um tempo de abundância de recursos, seguido de uma fase de escassez. Falando da classe média,  se  para nossos avós faltaram, para nossos pais houve o racionamento, para nós permaneceu o medo da falta (inflação) e nossos filhos sofrem com o excesso, resultado de todo um passado de escassez que os precedeu.

Todos sabemos da urgência de se equilibrar a balança dos recursos econômicos. O ideal para todos nós seria sem a falta, nem o excesso, mas com necessário para vivermos tranquilos, abandonando (quem já não abandonou) o hábito doentio de perder a vida em busca de posses.

Há a necessidade premente de se diminuir brinquedos, informação e entretenimento da vida de nossas crianças, para que elas tenham tempo e espaço para serem infantes plenamente, e, para que num futuro bem próximo, não sofram com a escassez de recursos, como a amostra que já tivemos com as crises hídrica e energética.

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Fernando na pista de bicicross de Caraguatatuba. Novembro/2013.

Dar coisas ou presença?

É fácil agradar aos filhos com coisas, mas não é o mais inteligente a se fazer. Apesar de nos deixar livres para executarmos nossos afazeres (pelo menos enquanto eles estiverem entretidos com o novo),  dar muitas coisas aos nossos filhos nos exige mais dinheiro e mais tempo trabalhando para conseguirmos o tal dinheiro para comprarmos as tais coisas. Ou seja: é um ciclo sem fim, onde cada vez mais nos tornamos escravos do consumo, para que possamos nos tornar livres.

Outro fator negativo de se acostumar os filhos com muitos produtos, serviços ou produções, no caso de mídia, é criarmos neles duas falsas percepções:

– de que sempre é necessário se ter muito para se estar satisfeito

– de que não há paz, nem alegria sem entretenimento

Ambas, totalmente falsas, porque a paz e a alegria genuínas encontram-se no estado de conexão, quando nosso SER é pleno, independente das coisas que nos rodeiam.

Visualize isso através de duas imagens: seu filho em frente à TV e seu filho brincando, principalmente ao ar livre. Deu pra sacar o que é estar conectado? O que é estar presente?

O excesso de coisas nunca sacia, porque a real necessidade é de afeto, de compartilhamento, de presença. 

Quantas vezes damos brinquedos ao invés de brincarmos? Quantas vezes ligamos a TV para entreter os filhos em vez de pararmos por alguns instantes para saciar-lhes as demandas com a devoção de quem ama? Quantas vezes lemos juntos ou simplesmente conversamos com olhos nos olhos? Quantas vezes não alimentamos nossas crias em frente a uma tela, porque perdemos de tal maneira a capacidade de nos conectarmos com eles, que é mais fácil fazê-los comer absorvendo informação, distraídos, que ensinar-lhes a comer com gosto. Ou mesmo, quantas vezes não desfrutamos juntos de momentos de ócio?

O excesso que bloqueia

Outro prejuízo de termos um “cofre do Tio Patinhas” de coisas, ou seja, de termos tantas coisas a ponto de não conseguirmos utilizar tudo o que temos é nos perdermos de nós mesmos. Preenchendo nosso espaço exterior com excesso de coisas, preenchemos, igualmente, nosso espaço mental com excesso de estímulos aos nossos sentidos, como obstáculos no caminho ao encontro do nosso eu interior.

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Ana Julia com quase 6 meses, divertindo-se com a mamãe.

No caso das crianças, promover aquela “entulhada” de brinquedos que torna difícil atravessar a sala ou o quarto, ou ter tantos brinquedos ocupando o espaço que seria para brincar, ou até mesmo o entretenimento sem pausa, preenche o universo infantil com coisas, símbolos e experiências prontas, não dando espaço para a criatividade individual, tão preciosa, única, ilimitada, que traz a paz e a alegria genuínas, premissa primordial para o processo criativo, que as possibilitam transformar a realidade, criar um mundo novo.

As piores consequências dessa falta de espaço para o SER CRIANÇA podem ser a hiperatividade, o TDH, entre outras que surgem do bloqueio da energia criativa.

É possível evitarmos o estado de entretenimento? Sim. Quando passamos a dar mais importância para o SER, há espaço para a conexão e não há mais a necessidade de tantas coisas para promover a distração, já que podemos SER. O pai brinca, a mãe lê história, a criança cria, o alucinante perde o palco. O excesso sai da vida de quem se permite SER mais e só resta o essencial.

O que nós merecemos?

Se queremos filhos felizes, precisamos, antes, estarmos felizes. Não adianta enchermos a nós e a eles de coisas, como prova do nosso amor, do tipo “eu mereço um sapato novo, afinal, me esforço tanto” e “ele merece um brinquedo novo, afinal, blá blá blá”. Na verdade, nós merecemos muito mais que coisas, merecemos estar livres delas.

Consumir demais e estimular esse querer sem fim dando mau exemplo para os filhos, contribui para nossa infelicidade, já que estamos vivenciando um materialismo cada vez maior, significando erradamente que o amor está no ter, e não no ser e compartilhar.

Por mais que coisas novas nos deem picos de excitação, são efêmeros, rápidos demais. Às vezes chegamos em casa, provamos de novo, largamos no armário e a alegria já passou, e a gente já precisa de algo novo pra se alegrar. Além disso, o consumismo é viciante, porque precisamos sempre consumir de novo para conseguirmos a sensação maravilhosa. Um sapato novo faz a gente feliz por uma semana, depois disso já é velho e não excita mais. Isso sem falar no bolso, haja renda pra viver comprando. Melhor bancar coisas melhores, viagens talvez. Fora que depois desse comportamento abusivo, você estará com uma casa cheia de tralhas, com seu dinheiro suado empregado nessas coisas inúteis e com os recursos escassos transformados em lixo abundante. Consciência pesa.

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Foto relâmpago da brincadeira na sala. Outubro/2012.

Dizer sim ao excesso de coisas, é dizer sim à desconexão, à distância entre pais, mães e filhos, à distância entre o que estamos sendo e o que realmente somos.

Dar menos coisas exige, na razão direta, três atitudes dos pais:

– Nos relacionarmos mais com eles;

– Propiciar-lhes mais experiências e

– Auxiliá-los a lidar com o tédio/ócio necessários.

E, óbvio, ser capaz de fazer tudo isso consigo antes de fazer com os filhos.

Atente para a possibilidade de que a falta de tempo e espaço para mais compartilhamento, mais experiências e mais tédio/ócio seja pelo excesso de coisas desnecessárias em suas vidas.

Nunca se esqueça de que esta vida é apenas uma viagem, por isso, quanto mais leves nossas malas estiverem, mais longe poderemos ir.

Namastê! <3

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No Parque Ibirapuera, descobrindo que os cisnes comiam flores, em Jun/2011.

 Para refletir:

Onde está o excesso na sua casa e na rotina da sua família?

Com que frequência e de que maneira você compartilha sua presença com seus filhos?

Seus filhos praticam alguma atividade criativa?

Seus filhos conseguem ficar sozinhos, sem estímulos exteriores?

O excesso de consumo é prejudicial tanto a cada indivíduo quanto ao planeta. A felicidade não está no possuir.

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Como dissémos “não” ao consumismo infantil

Para incrementar o último artigo, Como dizer “não” para o consumismo dos filhos, gostaria de compartilhar como foi o início da nossa experiência de dizer “não” ao excesso de consumo e “sim” à vida realmente rica. Segue adiante:

Caminhando e contemplando. Em Dez/2011.
Caminhando e contemplando. Em Dez/2011.

Vejo a enorme diferença no quesito “consumismo” do meu primeiro filho para a segunda. Com ele eu ainda consumia muito e não conseguia dizer “não” para todos os pedidos, nem para todos os “maus presentes”, mesmo sabendo que ele não precisava de mais um carrinho, nem de mais um DVD. Como eu ainda consumia em excesso, não achava justo da minha parte dizer “não filho, você não precisa de mais”, se a mamãe aqui, ainda esbanjava. Discursar aos filhos para viverem com menos, despendendo futilidades (lembrando que palavras ensinam e exemplos arrastam), é dar um verdadeiro MBA de como ser egoísta.

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Acontece que no auge dos seus 2 anos e meio, querendo todos os carrinhos do mundo, mudamos de São Paulo para Ubatuba.

Naquela época, em julho de 2011, eu havia me desligado de um emprego num escritório na Paulista e ido morar dois meses depois no litoral norte. Passei a viver apenas de home office e teríamos que aprender a viver com menos… com mais na verdade.

Conversando com as flores, em Jul/2011.

São Paulo é uma cidade que, como a maioria das megalópoles, está toda estruturada para estabelecer um estilo de vida baseado no consumismo, onde quase todo lazer depende de consumir, onde é necessário se esforçar para dizer não ao consumismo de todo dia, principalmente se se está acostumado a esse tipo de vida desde que se nasceu.

Percebo, hoje, que esse processo de mudança de São Paulo para uma cidade menor e essa mudança drástica no estilo de vida que levávamos foi tão difícil, porque o nosso consumismo, como o da maioria das pessoas, estava diretamente associado à desconexão: nossa conosco mesmo e dos pais e mães com seus filhos.

Tratei de modificar a mim mesma antes de começar com o discurso de mãe sustentável do tipo “mas você já tem tantos desses, não precisa de mais um” ou “sorvete só no final de semana”. Mesmo depois que diminui meu consumo pessoal drasticamente, demorou para que o Fernando abandonasse o vício de comprar toda vez que saíamos, ou melhor, demorou para que ele descobrisse outras maneiras muito mais legais de se entreter, ou de aprender a lidar com o tédio… uma lição ainda em curso.

Rio Itamambuca, Ubatuba, Dez/2011.

Foram muitos shows em portas de lojas, muito choro e ranger de dentes. E tratei de ter muita paciência, confesso que às vezes não tive, pois eu fui a maior responsável pela adicção dele, que nem sempre foi alimentada por mim, na maioria das vezes não, mas todas elas, sim, eu permiti. Fosse com festa de aniversário em buffet caríssimo, com presentes todo final de semana ou doces em excesso, ou apenas deixando a livre oferta para o consumo indisciplinado de televisão.

Essa experiência de negação, que no início foi muito desgastante, me ensinou a oferecer outras coisas melhores para ele, mas que ele não sabia, e que eu já não vivia desde a infância. Em vez de insistir no enfrentamento que interrompia a comunicação, alterando os ânimos até a histeria, sem, óbvio, gerar bom resultados, aprendi a mudar o foco dele de coisas para experiências, aprendi a estar com ele, como há muito tempo eu não estava.

Toda criança é curiosa e anseia por experiências novas, mas, acima de tudo, toda criança necessita de pais e mães presentes, não de corpo, de alma. Como eu tinha muito mais tempo com ele, passamos a nos relacionar mais e fortalecemos nossa conexão; e consegui lhe mostrar que haviam coisas muito mais interessantes para viver e que seriam muito mais divertidas que possuir qualquer porcaria. 

Intrigado com o peixe. Itamambuca, Ubatuba. Novembro/2011.

Detox no olhar

Mas não foi só isso. Antes de ser uma experiência de mudança no estilo de vida, de saída da rota do mercado avassalador, foi uma experiência de desintoxicação, de libertação do excesso, da necessidade de estar sempre envolvido com o exterior.

Crianças que, como meu filho, foram o primeiro filho, neto, bisneto, sobrinho, são autuadas o tempo todo porque,  como é de se esperar, todos querem paparicá-la. Só que o excesso de mimos a la paulistana faz com que a criança não consiga estar só nunca, não consiga se encontrar. De tanto ganhar coisas, atenção, entretenimento, a criança tem seu universo amontoado por coisas das quais ele nem sabe se gosta, se lhe apetece ou agrada.

O Fernando foi aprendendo a diminuir o ritmo, a olhar pra coisas entediantes pra ele como o horizonte, o mar, a floresta… foi aprendendo a parar, e, aos poucos, começou a gostar. Claro que muitas vezes se irritava com o marasmo, o que já era de se esperar de uma criança que desde bebê foi acostumada a se alimentar em frente a telas, a ganhar coisas sem fim, que não sabia o que era tédio, que não tinha paciência para todas as coisas que exigissem pausa no entretenimento, como escovar os dentes, colocar meias, pentear o cabelo, etc.

Contudo, com o passar do tempo, ele começou a aprender a ser feliz com menos coisas, pudera! Estávamos em Ubatuba e ele tinha mais a mim e mais a ele mesmo.

A pracinha “encantada” do centro de Ubatuba. Parada obrigatória. Novembro/2011.

Mostrar um outro “lugar” para seu filho olhar, tirar os olhos dele do objeto de desejo mostrando a ele novos horizontes é derrotar, além do consumismo, o autoritarismo que só brada “nãos” e a desconexão que hoje impera entre mães, pais e filhos, e vivenciar a autoridade de mães e pais que guiam seus tutelados para uma direção mais feliz.

No litoral, à medida em que consumíamos menos, nos aproximávamos mais e convivíamos mais, compartilhando nosso tempo e espaço.

Mudar o foco do consumo para a experiência, para a atividade física (brincadeiras) ou intelectual (jogos) em vez da passividade (eletrônicos), para o olhar nos olhos profundo, para o olhar a natureza e brincar nas areias da praia, para a companhia além da coexistência, é a saída mais inteligente para um caminho menos consumista e mais vívido, para uma vida de mais amor entre pais, mães e filhos.

Praia da Almada, Ubatuba, Jan/2012.

A praia, o rio, o parquinho, os livros, as flores, os pássaros e as borboletas foram nossos grandes aliados nesse processo de desapego.

Assim, se eu pudesse resumir como dizer não para o consumismo infantil numa só afirmação seria “sendo mais você mesmo”. Quem prefere ser a ter, não tem tempo pra ir demais a shoppings, pra comprar o que não precisa, não tem tempo pra ver TV. Dando o exemplo, os filhos seguem e, em vez de pais e mães consumistas, teremos pais e mães presentes e conectados, e filhos igualmente. Entretanto, é claro que há um sistema prisional que se impõe, ocorre que pais e mães livres, são naturalmente atuantes e desarticuladores do sistema vigente, e é sobre novas atitudes que estamos falando aqui.

Não às amarras, sim à vida!

Namastê! <3

Praia do Centro de Ubatuba. Dezembro/2011.

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Como dizer “não” para o consumismo dos filhos

O mercado apela para nossas carências ocultas e o consumismo se configura para satisfazê-las. Se ele não existisse, não saberíamos que haveria um problema. O desequilíbrio exterior vem sempre de um desequilíbrio interior.

Se acreditamos que precisamos de tantas coisas é porque falta que nos apoderemos de nós mesmos. O consumismo tanto adulto quanto infantil revela uma falta de conexão consigo. A vontade excessiva de TER significa sempre uma falta de SER.

Continuando os artigos Bebê Livre de Consumismo e Menos Telas Para Mais Vida, trago mais uma medida prática a ser tomada como vacina (porque dói mas livra) por mães, pais, avós, cuidadores, enfim, todos que lidam com crianças e que pretendem propiciar a eles uma vida mais livre.

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Fernando no jardim do condomínio. Julho/2015.

 Não, não e não! Ou outros sins

Um passo simples rumo a liberdade é negar às crianças, desde bebês, os pedidos de consumo desnecessários e dizer um “não, obrigado” aos presentes de grego.

Claro que essa atitude depende, primeiramente, da diminuição do consumismo dos pais. Não adianta discursar sem dar o exemplo, pelo menos não para os seus filhos, que sempre irão muito mais te imitar que seguir o que você diz.

Outra coisa: não adianta, também, frequentar assiduamente antros de consumismo, como os shopping centers, ou deixar a TV ligada no Discovery Kid’s e outros canais de TV a cabo para crianças, que metralham publicidade na cabecinha deles e impõem produções com valores consumistas e ritmo alienante. (Leia mais em Menos Telas Para Mais Vida).

Toda vez que eu ia ao shopping com meu filho mais velho, por volta dos 2 a 3 anos dele, ele exigia que eu comprasse para ele um balão de gás. O meu discurso era sempre o mesmo “você não precisa de mais um, tem outro lá e casa!”. Às vezes eu cedia, às vezes não, e nessas que não ele desempenhava um super show dramático para todos os presentes. Hoje, eu entendo muito mais o lado dele. Qual a graça de passear num shopping sem consumir? Qual a graça de só passear e comer? Que era o que fazíamos a maioria das vezes. Pra uma criança, nenhuma. Ele queria, pelo menos, um balão novo para se entreter.

É tortura expor os filhos a tantas coisas atraentes e negar-lhes quase todas. Além, é claro, de se tornar a mãe e o pai chatos, já que as crianças pequenas não têm maturidade pra entender o porquê do “não”. Nenhum pai e mãe quer ser percebido como mal, ninguém quer deixar um legado de escassez na memória infantil, o que, já está mais do que comprovado, é péssimo para o futuro adulto.

Então, em vez de viver dizendo “não, não e não!!!” para o “eu quero, eu quero, eu quero!”, o melhor é evitar tantos enfrentamentos. Como? Evitando a ocasião de tê-los, trocando o shopping pelo parque, as diversões eletrônicas pelo parquinho, ou seja, efetuando uma mudança de hábito: do consumismo para a vida mais simples e mais valorosa.

O bom e velho parquinho é uma ótima opção para compartilhar com os pequenos
O bom e velho parquinho ganha da televisão. Ana Julia. Praia do Centro de Caraguatatuba.

O que você pode fazer para tornar a vida da sua família realmente abundante?

Abaixo um trecho do Sermão da Montanha, que sempre me inspira:

«Ninguém pode servir a dois senhores; pois ou há de aborrecer a um e amar ao outro, ou há de unir-se a um e desprezar ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas. Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos da vossa vida pelo que haveis de comer ou beber, nem do vosso corpo pelo que haveis de vestir; não é a vida mais que o alimento, e o corpo mais que o vestido? Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam, nem ajuntam em celeiros, e vosso Pai celestial as alimenta; não valeis vós muito mais do que elas? Qual de vós, por mais ansioso que esteja, pode acrescentar um cúbito à sua estatura? Por que andais ansiosos pelo que haveis de vestir? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam, contudo vos digo que nem Salomão em toda a sua glória se vestiu como um deles. Se Deus, pois, assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé? Assim não andeis ansiosos, dizendo: Que havemos de comer? ou: Que havemos de beber? ou: Com que nos havemos de vestir? (Pois os gentios é que procuram todas estas coisas); porque vosso Pai celestial sabe que precisais de todas elas. Mas buscai primeiramente o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.» (Mateus 6:24-33)

Porque é difícil dizer “não”

Se você tem dificuldade em dizer não para os seus filhos é porque, provavelmente, não consegue dizer não pra si mesmo. Quem só sabe se divertir consumindo, também só sabe agradar com coisas. No exemplo acima, eu, não deveria estar passeando num shopping, que o próprio nome significa “ato de comprar”, onde toda a diversão é paga.

Fica muito mais fácil dizer “não” quando isso não se torna um hábito, ou seja, quando diminuímos essa possibilidade ao nos expormos a menos produtos e publicidade. Se você não é uma mãe ou pai que vive dizendo “não”, seus filhos irão aceitar melhor quando você tiver que dizê-lo e vão ficar muito mais agradecidos quando receberem um “sim” ou algo novo sem nem pedirem.

Quem ganha em excesso, quem é agradado com coisas, quando não ganha, sofre com a falta, que, na verdade, não é do objeto em si, mas do afeto vinculado àquilo que ganha. Por isso, muitas vezes, presenciamos tantos protestos em centros de consumo… não é só birra.

Fernando adivinhando as nuvens. Praia do Centro de Caraguatatuba. Abril/2013.
Fernando adivinhando as nuvens. Praia do Centro de Caraguatatuba. Abril/2013.

Para refletir:

Que coisas (produtos/serviços) desnecessárias seus filhos consomem?

Quais dessas coisas você considera prejudicial a eles?

O que você não gosta que seus filhos ganhem?

Com que frequência você compra coisas desnecessárias?

Você diz não para os pedidos de consumo desnecessários dos seus filhos?

A seguir, mais um artigo sobre os prejuízos do excesso de consumo na infância.

Namastê! <3

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Bebê livre de consumismo

Todo ser vivo, desde o momento da concepção até sua morte, precisa consumir energia em diversas formas para sobreviver, seja em forma de luz, água, nutrientes e etc. Mas, além do consumo necessário à sobrevivência, há o consumismo, que se trata do consumo de coisas desnecessárias.

Assim, pensando num ser humano que abarcou nesta terra há pouco tempo, e que só tem necessidades reais como se alimentar, dormir, ser cuidado e amado, o que ele realmente precisa consumir além de leite materno e alguns panos?

Será que poderia consumir menos? Será que nós, mães, poderíamos comprar menos coisas para nossos bebês? Tudo o que você já comprou ou ganhou até hoje para o seu bebê foi realmente necessário? Que benefícios teríamos se desde bebês, evitássemos que nossos filhos ingressassem totalmente no modo de vida consumista?

Contemplando minha primeira filha que nasceu fora do sistema, na Casa de Parto de Sapopemba
Contemplando minha primeira filha que nasceu fora do sistema, na Casa do Parto de Sapopemba, em São Paulo.

Segundo uma reportagem de 2013 do Estadão PME, uma família de classe média desembolsa cerca de R$ 5 mil na aquisição do enxoval que irá acompanhar o bebê no primeiro ano de vida. Pra se ter uma ideia do montante de dinheiro que circula nessa economia, somente uma loja online do segmento, a Bebê Store divulgou sua perspectiva de fechar 2013 com faturamento de R$ 100 milhões e alcançar R$ 500 milhões em faturamento até 2015.

Tente se colocar nos olhos de um recém-nascido. A medida em que o recém-chegado vai se apercebendo do universo que o rodeia, vai também se acostumando às rotinas de cuidados com ele e conhecendo os produtos que fazem parte dela. Dessa forma, quanto menos procedimentos desnecessários fizermos com nossos bebês e quanto menos produtos e serviços fizerem parte do mundo que ele conhece, com menos ele aprenderá a viver. Citando o escritor minimalista Alex Castro, “quanto menos tralha, mais experiência”.

Menos é mais, mas parte dos pais

Antes do bebê existe a mãe,  o pai, a família e os cuidadores desse bebê, e tudo o que eles, permitem ou não que faça parte do mundo do bebê.

Consumir menos, além de economizar em dinheiro, economiza o tempo de trabalho dedicado para ganhar o valor do produto em dinheiro e o tempo de uso do produto dispensável, ou seja, é muito tempo de economia, mais que dinheiro propriamente, e tempo é o real luxo de nossas vidas.

Contudo, antes de tentar reduzir o consumo dos produtos para bebês na prática, faz-se necessário que os pais revejam os próprios hábitos consumistas e se esforcem para se libertarem deles, entendendo, principalmente, quais razões os levam a consumir demais. Pais livres de consumismo terão, de uma maneira muito mais fácil e natural, tanto pelo exemplo que dão, quanto pela maneira como preenchem suas vidas, filhos igualmente livres, pois ao vivermos de forma mais simples damos aos nossos filhos uma infância mais liberta e com muito mais tempo e espaço para experiências reais, do ser e não do ter.

Assim, mãe e pai do bebê devem se empenhar em se libertar do consumo além do necessário, e o primeiro passo para isso é sair do sistema. Não, você não vai ter que abandonar tudo e seguir uma vida totalmente alternativa (embora a tendência natural seja a de buscarmos cada vez mais liberdade). E não, isso não precisa ser feito de forma brusca, gradativamente é mais fácil, colocando, aos poucos, momentos de vida real na vida formatada da sociedade do consumo, imposta à grande maioria da população mundial que vive em cidades.

No entanto, para inserirmos momentos de vida real na vida consumista é preciso criar espaço para isso. Como só sabemos viver consumindo demais, somente abdicando de alguns hábitos ou produtos supérfluos, inicialmente, é que criaremos espaço para conseguirmos viver sem o excesso de coisas que entopem nossas vidas, que não dá espaço para o que realmente importa. Digo ‘inicialmente’ porque depois que damos o primeiro passo e nos reconectamos com a vida real, a libertação do consumismo tende a se tornar um hábito. Isso porque, ao sentirmos novamente a vida real acontecer, cada vez mais queremos que a nossa vida e de nossos filhos seja assim, repleta, em sua totalidade.

Gratidão por ler. Espero que este breve artigo tenha servido de inspiração. A seguir trago mais 6 artigos com alguns passos para que seu bebê (e você mãe/pai, claro) seja muito mais livre de consumismo.

Abaixo, um vídeo sobre o tema que vale a reflexão.

Namastê! <3

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Vivendo como nossos filhos

Se você não vive do mesmo modo que seus filhos, há algo errado com você, e não apenas errado, mas muito errado com você.

Estou afirmando isso porque desde que comecei a escrever este artigo, há alguns dias, despertei para essa verdade.

Se você não tem filhos, ok, basta olhar de perto qualquer criança ao seu alcance, ou se lembrar de quando você era pequenino(a) e se perguntar se você tem vivido a vida como uma criança.

O incômodo

Vivia incomodada sem entender o porquê (e me culpando por esse sentimento), com eles tão enérgicos, tão despertos, tão alegres,  inquietos, criativos, curiosos, sonhadores, e, acho que a maioria de nós, adultos, sentimos o mesmo: um incômodo inexplicável pelo “excesso” de energia/alegria das crianças.

O que estou mencionando não tem nada a ver com o que sentimos quando ficamos p. da vida quando eles aprontam alguma “arte”, não é aquele enfurecimento momentâneo com causa bem definida.

Não é algo insuportável, mas constante, que nos dá a sensação de que há algo errado, sabe? Porque não deveríamos estar incomodados com uma criança! Ainda mais quando se trata dos nossos filhos. Bate a culpa, ainda mais quando, por um motivo ou por outro, esse incômodo cresce e nos tornamos intolerantes, e não somos os melhores pais/mães que podemos ser.

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O que percebi (e que ao perceber já diminuiu muito meu incômodo) é que o que nos perturba é ter que lidar com tudo isso que eles têm e que nós perdemos, é vê-los alegres sem motivo especial, quando nós não conseguimos mais rir tão facilmente, é vê-los capazes de dormir profundamente, quando não conseguimos mais descansar em paz, é notar a confiança na vida que todas as crianças naturalmente têm e que nós não temos mais, é constatar a nossa incapacidade de deixar fluir, a nossa incapacidade de sermos felizes e, por consequência, de sermos os melhores pais e mães que podemos ser.

Então, percebemos que o incômodo não é com eles em si, mas conosco mesmos, com o que sentimos na presença deles: uma vontade intensa de viver a vida plenamente e, ao mesmo tempo, a crença na impossibilidade de isso acontecer.

Estamos com eles mas não conseguimos compartilhar plenamente com eles, porque: temos pressa demais, preocupações demais ou algo mais urgente a fazer. Não conseguimos imergir em suas solicitações, seja sentar para ler um livro com calma,  entrar na cabaninha deles ou jogar um pouco de bola.

Ver o encantamento da vida através dos nossos filhos sem conseguir, igualmente, vivê-la com encantamento é deveras frustrante, e, ao longo do tempo, vai se tornando insuportável.

O que fazer?

O tal incômodo piora muito quando acessamos nossa memória e descobrimos que vivíamos como eles na infância. Dá uma sensação de perda inexplicável, sentimos que perdemos o essencial da vida: a alegria de viver. Não conseguimos compreender como fomos capazes de sermos assim tão felizes e estarmos agora paralisados, totalmente incapacitados de nos deixarmos livres como éramos quando criança.

Quando o incômodo cresce a ponto de se tornar insuportável, podemos fazer duas escolhas: ou mudamos essa situação para vivermos melhor, como eles vivem, ou fugimos de um relacionamento mais profundo com eles, como muitos pais fazem, afastando-se de diversas formas de um conviver mais íntimo com os filhos. Um bom exemplo disso são os pais que substituem presença por presentes ou atenção por televisão e outras telas.IMG-20140831-WA0011

Se optamos por nos afastarmos deles, o que estamos decidindo é, além de abandonarmos nossos filhos emocionalmente, fugirmos de nós mesmos, da criança que fomos e que abandonamos em algum lugar do passado, aquele “eu” que sabia ser feliz.

Mas, por outro lado, se queremos mudar essa situação de inaptidão à vida que está abafada dentro de nós, se queremos ser  pais/mães melhores, mais felizes, urge questionar:

Continuar lendo Vivendo como nossos filhos