Como criar tempo

“Todos os dias quando acordo
Não tenho mais
O tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo o tempo do mundo
Todos os dias
Antes de dormir
Lembro e esqueço
Como foi o dia
Sempre em frente
Não temos tempo a perder”

Se você já está cansado(a) de ouvir que falta de tempo não é desculpa para fazer o que é importante pra você mas, mesmo assim, não consegue arranjar tempo para isso, e tem a impressão, ou a certeza já, de que sua vida está passando sem que você a viva de verdade, passo adiante algumas dicas baseadas na minha própria experiência em busca do tal “tempo”.

Mas, antes de partir para as dicas, gostaria de mostrar como o maior problema da falta de tempo está na maneira como o concebemos e nas escolhas que fazemos durante seu “curso”.

Primeiramente, analisemos a própria expressão “falta de tempo”. Tempo não é algo que se possa possuir – a prova disso é que ele não pode ser sentido por nenhum dos nossos 5 sentidos – e, algo que não se pode possuir não pode estar ligado nem à ideia de abundância, nem à de escassez. Sendo assim, ou ninguém “tem tempo” ou todos temos o mesmo tempo e a corrente expressão “falta de tempo” é falaciosa. Ponto. Assim, por mais que se inventem coisas para medir o tempo, a amplitude dele é variável de indivíduo para indivíduo. Basta você se lembrar do quanto o tempo “passa rápido” quando você está fazendo algo que gosta ou está com alguém que ama, e do quanto o tempo “passa devagar” quando você está fazendo algo que não gosta ou está com alguém chato.

Parece complicado? Não é não. Quer ver só?

Pra começar, gostaria de esclarecer que o tempo da maneira como o concebemos é algo totalmente irreal. Algo que a gente finge que existe de forma mensurável e prova através de uma coisa chamada relógio, criada por nós, humanidade.

O que realmente existe e não podemos negar, pois os presenciamos, são ciclos – como o nascer e o pôr-do-sol, as fases da lua, as estações, etc – e transformações – como a lagarta que vira borboleta, as folhas que se tornam secas, a passagem das almas para o além e a tua cara no espelho que tá a cada dia mais velha 😛

Então, não é que “o tempo tá passando”, mas sim os ciclos e as transformações que estão acontecendo.

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Antes mesmo de você entender aquele negócio misterioso redondo com pauzinhos que rodavam sem parar que seus pais viviam olhando, o tempo foi sendo entendido por você através das datas que se repetiam, festivas ou não, como o Natal, os aniversários ou a volta às aulas. Ou seja, o tempo era algo cíclico, como na natureza.

Agora esse negócio matemático, de horas, minutos e segundos, foi uma invenção criada apenas no século XIV, quando os relógios de torre foram construídos e espalhados pelo continente europeu, dando espaço a uma forma de tempo padronizado. Antes disso, ninguém era bitolado no tempo linear e, vez ou outra, quando se precisava medir o tempo, utilizava-se instrumentos menos “neuróticos”, como os relógios solares e ampulhetas e não se esquentava o chifre procurando roupa branca pra passar o reveillon, olha só que bom!

Os diversos calendários que surgiram até os dias de hoje, igualmente, são invenções humanas,  apenas sistemas para contagem e agrupamento de dias que visam atender, principalmente, às necessidades civis e religiosas de uma cultura. Nenhum deles conseguiu nem consegue se adaptar perfeitamente aos ciclos da natureza, porque a natureza não se enquadra em nenhuma ciência humana, como a matemática, na realidade, todas as ciências humanas provêm da observação da natureza.

Relógio Astronômico de Praga ( Praha ) Capital da República Tcheca. Construído no ano de 1410.
Relógio Astronômico de Praga ( Praha ) Capital da República Tcheca. Construído no ano de 1410.

Vendo a coisa dessa forma, já aumentam muito as suas possibilidades de fazer o que é importante pra você, já que esse negócio de 24 horas, 365 dias, 60 segundos, na realidade, não existe, é apenas criação humana, o que existe são os movimentos desempenhados por cada ser ou elemento da natureza, que, no caso de nós, humanos, dependem das nossas escolhas. Ou seja: pare de pensar que não tem tempo e just do it! (Se quiser já pode parar de ler por aqui e ir logo fazer o que é bom pra ti.)

Tudo o que eu estou dizendo aqui não é nenhuma novidade, é apenas para aguçar a sua percepção – já que quem está em busca de tempo é porque tem falta de presença: vive no passado ou no futuro, quase nunca no presente, simplesmente, porque perdeu a conexão com a Existência atemporal. Passado não existe, já existiu, futuro não existe, depende do presente, só o agora existe! Então, se você vive onde não existe, você deixa de existir, perde a oportunidade de viver!

Outra coisa: pensar no tempo de forma linear, como você foi educado a pensar, te afasta dos ciclos naturais da vida, contraria a sua natureza, entrava a sua vida, ou seja, é a maior perda de tempo pensar que o tempo tá correndo e que temos que correr mais ainda para não perder a vida. Na verdade, correndo, perdemos a vida, deixamos de fazer o que é importante, pois sempre estamos atarefados demais. Enquanto tudo na natureza simplesmente vive, você apenas sobrevive. 🙁

Partindo do princípio de que o que é natural é real,  linearidade do tempo é pura ilusão. Pode ter certeza, mesmo se você é do tipo “antinatural”, pois está cientificamente comprovado por nada mais, nada menos do que alguém como Albert Einstein, através da velha mas tão pouco assimilada Teoria da Relatividade, que o tempo não é um valor universal mas relativo ao ponto de vista de cada um, pois concluiu que a medida do tempo transcorrido depende do observador realizando a medida. Assim, uma das descobertas que decorrem da teoria é que um evento pode estar no passado para um observador e no futuro para outro, sendo, portanto, tanto o passado quanto o presente e o futuro, concepções estritamente subjetivas.

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A verdade é que o tempo padrão, o tempo medido é apenas uma convenção, e, sendo assim, podemos muito bem optar por segui-la ou não.

Está vendo tudo com mais clareza? Está pensando: “e não é que é verdade!”

Pois então, o tempo métrico linear é uma prisão ilusória, da qual você pode descobrir que não está preso de um momento para o outro, e passar a viver de uma maneira muito mais livre, intensa e com possibilidades muito maiores.

Agora sim, clique aqui para as dicas.

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Vivendo como nossos filhos

Se você não vive do mesmo modo que seus filhos, há algo errado com você, e não apenas errado, mas muito errado com você.

Estou afirmando isso porque desde que comecei a escrever este artigo, há alguns dias, despertei para essa verdade.

Se você não tem filhos, ok, basta olhar de perto qualquer criança ao seu alcance, ou se lembrar de quando você era pequenino(a) e se perguntar se você tem vivido a vida como uma criança.

O incômodo

Vivia incomodada sem entender o porquê (e me culpando por esse sentimento), com eles tão enérgicos, tão despertos, tão alegres,  inquietos, criativos, curiosos, sonhadores, e, acho que a maioria de nós, adultos, sentimos o mesmo: um incômodo inexplicável pelo “excesso” de energia/alegria das crianças.

O que estou mencionando não tem nada a ver com o que sentimos quando ficamos p. da vida quando eles aprontam alguma “arte”, não é aquele enfurecimento momentâneo com causa bem definida.

Não é algo insuportável, mas constante, que nos dá a sensação de que há algo errado, sabe? Porque não deveríamos estar incomodados com uma criança! Ainda mais quando se trata dos nossos filhos. Bate a culpa, ainda mais quando, por um motivo ou por outro, esse incômodo cresce e nos tornamos intolerantes, e não somos os melhores pais/mães que podemos ser.

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O que percebi (e que ao perceber já diminuiu muito meu incômodo) é que o que nos perturba é ter que lidar com tudo isso que eles têm e que nós perdemos, é vê-los alegres sem motivo especial, quando nós não conseguimos mais rir tão facilmente, é vê-los capazes de dormir profundamente, quando não conseguimos mais descansar em paz, é notar a confiança na vida que todas as crianças naturalmente têm e que nós não temos mais, é constatar a nossa incapacidade de deixar fluir, a nossa incapacidade de sermos felizes e, por consequência, de sermos os melhores pais e mães que podemos ser.

Então, percebemos que o incômodo não é com eles em si, mas conosco mesmos, com o que sentimos na presença deles: uma vontade intensa de viver a vida plenamente e, ao mesmo tempo, a crença na impossibilidade de isso acontecer.

Estamos com eles mas não conseguimos compartilhar plenamente com eles, porque: temos pressa demais, preocupações demais ou algo mais urgente a fazer. Não conseguimos imergir em suas solicitações, seja sentar para ler um livro com calma,  entrar na cabaninha deles ou jogar um pouco de bola.

Ver o encantamento da vida através dos nossos filhos sem conseguir, igualmente, vivê-la com encantamento é deveras frustrante, e, ao longo do tempo, vai se tornando insuportável.

O que fazer?

O tal incômodo piora muito quando acessamos nossa memória e descobrimos que vivíamos como eles na infância. Dá uma sensação de perda inexplicável, sentimos que perdemos o essencial da vida: a alegria de viver. Não conseguimos compreender como fomos capazes de sermos assim tão felizes e estarmos agora paralisados, totalmente incapacitados de nos deixarmos livres como éramos quando criança.

Quando o incômodo cresce a ponto de se tornar insuportável, podemos fazer duas escolhas: ou mudamos essa situação para vivermos melhor, como eles vivem, ou fugimos de um relacionamento mais profundo com eles, como muitos pais fazem, afastando-se de diversas formas de um conviver mais íntimo com os filhos. Um bom exemplo disso são os pais que substituem presença por presentes ou atenção por televisão e outras telas.IMG-20140831-WA0011

Se optamos por nos afastarmos deles, o que estamos decidindo é, além de abandonarmos nossos filhos emocionalmente, fugirmos de nós mesmos, da criança que fomos e que abandonamos em algum lugar do passado, aquele “eu” que sabia ser feliz.

Mas, por outro lado, se queremos mudar essa situação de inaptidão à vida que está abafada dentro de nós, se queremos ser  pais/mães melhores, mais felizes, urge questionar:

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