Não seja perfeccionista, seja PERFEITO

Ser perfeccionista é ser mais imperfeito do que já somos. Porque, ao nos exigirmos apenas “dar conta de tudo”, vide todas as demandas que assumimos nos nossos vários papéis sociais (de mãe, pai, filho, trabalhador, donos de casa, etc), e com um nível de exigência alto muitas vezes, não “perdemos” o tempo necessário com o que é importante.

 Corremos demais para dar conta das urgências e deixamos as importâncias para depois. Como assim?? Explico. Urgente, por exemplo é você pagar as contas, comprar comida, alimentar-se e aos seus dependentes, etc. Importante, por outro lado, é você fazer aquele trabalho que ama, brincar com seus filhos, movimentar seu corpo, etc., ou fazer as atividades urgentes com presença e amor e não no piloto automático.

As principais coisas da vida exigem tempo, esse nosso bem maior e, como podemos ser presentes, inteiros, intensos se estamos preocupados em fazer TUDO e, muitas vezes, com PERFEIÇÃO. Não. Fora que esse ‘tudo’ pode não ter fim, e muitas vezes, não tem mesmo. Passa dia, após dia, após dia e o que é mais importante não teve espaço nos nossos dias.

Dar conta de tudo e fazer tudo perfeito é anti-natural. Basta olharmos para a natureza, onde cada ser faz o que pode e não quer dar conta do bioma inteiro.

Quem insiste em dar conta de “tudo”, mesmo o fazendo sem perceber, tem que, inevitavelmente, acelerar os passos, só que, quando há aceleração dos processos naturais, há um risco muito maior de as coisas não saírem tão boas.

Quem aí já assistiu ao filme Click, onde o protagonista Adam Sandler passa a acelerar demais seus dias com um controle remoto mágico e descobre que estava perdendo seu bem maior: seu tempo com quem lhe importava.

O mais importante PRA VOCÊ não pode ficar de fora dos seus dias porque é para essas coisas ou pessoas que você está dando conta de todas as outras, e não o contrário. O sistema em que vivemos faz com que tendamos a inverter as coisas, por isso temos que estar ALERTAS!

Assumir que se é ruim com umas coisas e bom com outras é um exemplo de atitude que nos ajuda a utilizarmos nosso tempo com o que mais gostamos, afinal, ninguém tem obrigação de ser bom com tudo, muito menos de gostar de tudo. Por exemplo, eu sou péssima pra limpar cozinha, mas sou inteira no cozinhar.

Entretanto, o que é essencial, o que faz com que nossa atitude perante a vida mude e, por consequência, nossa própria vida seja melhor, é ter foco no que se escolhe e sempre, SEMPRE dar prioridade ao que vive no coração.

Um dia uma amiga me disse “nossa, não sei como você arranja tempo pra escrever esses textões, eu com uma filha não arranjo!”. Eu apenas sorri, mas o fato é que arranjo tempo porque ESCOLHO arranjar tempo, porque escrever e compartilhar as minhas descobertas com o mundo é importante pra mim, e outra, quando não “arranjamos tempo” para determinada demanda em nossa vida, de duas uma: ou existem coisas mais importantes na nossa escala de valores e estamos sendo fiéis a elas (o que o coaching é fera em descobrir), ou estamos vivendo no piloto automático, na inércia de cumprir o cotidiano pré-determinado, arranjando tempo “extra” apenas para o que é urgente.

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Araçoiaba da Serra. Abril/2016.

Eu, por exemplo também, sou péssima em dar conta de todas as demandas de casa (sem excelência mesmo), dos filhos, do trabalho e do companheiro, (de mim mesma então, nem se fale), mas sou ótima quando escolho algumas delas pra fazer e faço SEM PRESSA.

Percebo meu perfeccionismo quando:

– me estresso por não ter dado conta de tudo,

– corro demais e me esqueço das minhas necessidades fisiológicas (o que contribui para aumentar a irritação),

– sorrio menos,

– elevo meu tom de voz ao não conseguir controlar o fluxo dos acontecimentos,

– digo muito ‘não’ aos meus filhos no que é mais importante pra eles: a minha presença.

O que é mais importante do que estar com quem mais amamos e por inteiro?

Essa mania de perfeição, de “pera só um pouquinho que eu só vou fazer mais essa coisa e já vou”, o dia passa e não passamos tempo com nossos amores. Assim, somos perfeccionistas mas não perfeitos.

Sejamos perfeitos, como nos aconselhava o Mestre. E o que é ser perfeito senão ser imperfeito no que não tem importância e ser o melhor que podemos ser nas nossas importâncias e com os nossos importantes?

É impossível a onipresença em nosso estado humano, ou seja, é impossível darmos conta de tudo e de forma perfeita. Mas é possível escolhermos fazer o mais importante para nós e estarmos serenos com relação ao que não damos conta no momento, é possível , igualmente, delegarmos funções e termos paciência para realizar cada coisa a seu tempo.

Todos somos feitos do mesmo néctar interior, todos somos centelhas divinas caminhando rumo a potencializar nossa essência de amor, ou seja, nós já somos perfeitos e deixa eu te contar uma coisa: você nunca vai dar conta de tudo, porque a própria natureza material é que te limita e isso não é à toa,  isso é normal! Nós não temos que dar conta de tudo, pois o único que dá conta de tudo é o Criador.

Tudo tem seu tempo para lavar, secar, cozinhar, maturar, brotar, florir, nascer, dormir, acordar… e essa mania de perfeição, que não respeita o tempo natural, apenas nos limita para desfrutar a vida, pois nos tira do momento presente.

Sê perfeito, sê presente, sê consciente, escolha o que mais te importa, sempre.

Namastê!

“Mas eu vos digo: Amai os vossos inimigos, fazei bem ao que vos tem ódio, e orai pelos que vos perseguem e caluniam. Para serdes filhos de vosso Pai que está nos Céus; o qual faz nascer o seu sol sobre bons e maus, e vir chuva sobre justos e injustos. Porque se vós não amais senão os que vos amam, que recompensas haveis de ter? Não faz os publicanos também o mesmo? E se vós saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis nisso de especial? Não fazem também assim os gentios? Sede vós logo perfeitos, como também vosso Pai celestial é perfeito.”
(Mateus, V: 44 e 46-48).

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Como eu resolvi viver do que amo sem voltar atrás

Após eu escrever meu último artigo, em que descrevi um pouco da minha realidade de mãe solo de três, longe da família e feliz, alguns questionamentos surgiram por parte de alguns leitores e resolvi compartilhar um pouco mais do meu atual processo de busca por uma vida que amo, o que inclui, claro, sustentar essa vida que amo, ou seja: trabalhar no que amo. 

…5, 4, 3, 2, 1! 2016 chegou, algo mudou?

Minha contagem regressiva não é a do ano novo, não acabou com a entrada em 1º de janeiro, nem corre até o fim do Carnaval, ou até o fim das férias, ela acontece todos os dias, porque todos os dias o sol nasce e se põe no horizonte e a cada dia a gente se aproxima do fim desta grande oportunidade que é essa jornada na Terra.

Sempre estamos contando regressivamente: “depois que eu me formar”, “até meu filho crescer”, “até ele entrar na escola”, , “depois que eu encontrar companhia”, “até o meu cabelo enrolar”, etc: procrastinação! Sempre estamos adiando, sempre estamos contando regressivamente em datas “cabalísticas” como se alguma mágica fosse acontecer num estalar de dedos e toda a nossa vida fosse mudar de uma hora para a outra, com o aparecer de uma fada madrinha ou de um príncipe encantado como na história da pobre Cinderella… evidências nada mágicas mostram que sacrificados só são recompensados quando saem da posição de vítimas e passam a ser autores da própria história.

A realidade é que, realmente, energias circulam, movimentos ocorrem o tempo todo no Universo, mas você minha/meu cara(o) amiga(o) tem um grande poder chamado livre-arbítrio, o que quer dizer que se você decidir virar uma pedra enquanto o Big Bang cria um novo mundo, você vai ser essa pedra até quando puder aguentar se enrijecer e, caso não esteja na mesma sintonia desse novo mundo que se cria à sua volta, pode voar pra fora dele e se tornar  um asteroide inerte qualquer na escuridão universal. A vida é movimento, nossa real contagem é progressiva, mas você pode optar não se mexer e ficar aí apenas coexistindo… e sofrer, afinal, nós já sabemos o que é viver infeliz, e, justamente por ser tratar de algo conhecido é que a infelicidade não nos assusta.

A realidade é que vivemos conduzidos pelo medo e não pelo amor. O medo busca segurança acima de tudo, o amor busca o desconhecido, as roupas novas para vestir a nossa alma quando cresce.

Todos os dias fazemos escolhas, conscientes, ou não, e são essas escolhas que criam o nosso universo pessoal. Todos os dias podemos escolher fazer algo para que nossa vida se pareça mais conosco ou, simplesmente, podemos  continuar fazendo coisas que aprendemos a fazer e que não têm nada a ver com o que realmente somos.

Por exemplo, você sonha em trabalhar com o que ama mas continua fazendo o que não ama, todos os dias, em vez de meditar na Travessia do divino Milton “já não sonho, hoje faço com meu braço o meu viver”. Porque a única diferença entre o que você é e o que você quer ser, é o seu fazer.

Porque se você vê, está em você e se você não manifesta isso é porque não quer.

A minha contagem regressiva

Para exemplificar o que quero compartilhar aqui, a minha contagem regressiva pessoal está acontecendo desde que pedi exoneração do meu cargo público e decidi investir em trabalhos que amo, e, ainda mais, numa vida mais verdadeira para mim e para a minha família, com ambientes e fazeres que mais combinam com o nosso eu interior, independentemente do sistema macro em que estamos mergulhados e das crenças mais padronizadas que banham a todos nós como membros de uma sociedade.

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No workshop Os 7 segredos do parto, dizendo adeus à velhos ciclos e olá a um novo e melhor.

Algumas pessoas andaram me questionando recentemente como consigo viver “como eu quero”, como pago minhas contas e sustento meus três filhos: “mas como essa mãe/mulher se sustenta economicamente falando? Tem custo de moradia, alimentação, transporte, lazer, saúde, vestuário. Existe um recorte de classe a se levar em conta…”

Bom, primeiro devo esclarecer que não vivo exatamente da forma como quero, mas estou dando os passos corajosos que faltam para que todo o apego pertença somente ao passado e para que um universo imenso esteja ao meu alcance e ao dos meus filhos (porque nesta fase da vida deles, o que eles vivem é muito uma extensão do que eu própria estou vivendo).

Algo que eu já assimilei, é que escolher conscientemente é necessário para se ser feliz e não tem nada a ver com facilidades. Na realidade, é muito difícil remar contra a maré, é muito difícil ser a gente mesmo o tempo todo, mesmo porque, nos conhecemos muito pouco, e, pra piorar, nos identificarmos o tempo todo com a nossa mente, com o nosso ego e com as nossas tantas máscaras que usamos (tipo aquele nosso eu que está nas redes sociais ou nos “bom dias” mornos que dizemos), nada disso somos nós e apenas desapegando disso tudo que nós não somos é que poderemos ser nós mesmos e viver de acordo com o nosso ser: isso sim é sucesso e felicidade! Sim, porque é muito difícil abandonar a nossa velha companheira, a infelicidade e buscar o nosso próprio sucesso, que não tem nada a ver com conceitos-padrão.

Pra quem pensa que pra mim é fácil, que sou uma privilegiada da Existência (com a minha “vida natureba whiskas sachê”, como já me disseram… e me fizeram gargalhar, agradeço), nunca tive a facilidade, por exemplo, de cuidar dos meus filhos sem pensar em prover o lar materialmente, pelo contrário, sempre fui a maior responsável por isso (muitas vezes a única, por vários períodos). (Deixo claro que acho muito justo pra quem pode e quer viver de pensão alimentícia, já que o cuidado que a mãe tem com os filhos e, muitas vezes, com um lar também, é um trabalho que demanda muito mais do que muitos outros desempenhados longe da família.)

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A espera de Estela. Setembro/2014.

Sendo assim, desde um ano atrás, alguns meses após eu ingressar no serviço público, grávida, comecei a poupar dinheiro. Eu já vivia há alguns anos uma vida muito mais simplificada do que tive a maior parte da minha vida (conto isso melhor aqui) e, acumulando meus rendimentos do serviço público com de serviços de comunicação que me mantinham fazendo home office há 7 anos, consegui me propor a poupar.

Primeiro a poupança seria para o parto domiciliar da Estela, o que acabou não acontecendo, pois mudei de ideia na reta final e decidi tê-la pelo SUS, então o dinheiro ficou lá, guardado. Depois, foi-me crescendo a ideia de que eu não queria voltar a trabalhar batendo ponto todos os dias e ficando 9 horas fora de casa, com minha bebê tão pequena e mais dois filhos pequenos sem pais presentes… atende-los apenas à noite quando eu chegasse do trabalho e nos finais de semana… definitivamente, isso não era vida pra mim, nem pra eles. Depois percebi que até mesmo financeiramente, retornar ao serviço não valeria a pena, pois eu teria que pagar escola integral para os três e as entradas e saídas acabariam empatando. Um luto no quinto mês do ano seguido da internação do meu filho foi a gota d’água: eles precisavam de mim e eu ficaria com eles acima de tudo, nem que eu tivesse que vender côco na praia ou estender minha esteira de miçangas. E outra, meus filhos merecem uma mãe feliz, se eu quero que eles sejam felizes, tenho que dar o exemplo de felicidade.

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Meus despertos. Junho/2015.

Comecei a escrever este blog para me encontrar, compartilhar todas as minhas ideias borbulhantes puerperais, ouvir o retorno disso tudo que eu ecoava e para encontrar em mim o meu, na verdade “os meus” trabalhos ideais futuros: flexíveis, de jornada reduzida e que eu amasse, sobretudo.

Li muito nas madrugadas, participei de webnários, escrevi um décimo do que gostaria. Viajei para alguns lugares, conversei muito com leitores, com amigos, fiz amigos, fiz cursos e continuo estudando.

Aos poucos a tensa neblina e ocasionais cumulus nimbus do puerpério foram abrindo frestas para a clareza e comecei a escolher. Escolhi novos novos trabalhos e me capacitar para eles, resolvi a nossa nova cidade-residência e resolvi, também, continuar a escrever e cada vez mais.

Só que, desde setembro de 2015, com o meu desligamento do serviço regular, que veio após fim da licença maternidade mais um mês de férias, também parei de receber meus rendimentos regulares tanto do cargo público quanto do cargo contratado. Tanto o serviço estável quanto o durável fecharam seu ciclo na minha vida e passei a utilizar as reservas da minha poupança para custear as despesas da minha família. Assim, até elas acabarem, (o que eu não gostaria que acontecesse), eu já tenho que ter começado a conquistar fundos provenientes dos meus novos empenhos, em outras palavras, meus novos trabalhos terão que estar dando retorno em dinheiro.

Como diz minha amada mentora Paula Abreu, “hoje nós vivemos numa cultura permeada por opções, incluindo a opção de ‘reiniciar’ e ‘desfazer’. Queremos, para tudo, ter um plano de escape. Mas, em certos momentos da vida, o que precisamos é ir em frente. Se não queimamos os barcos e sempre deixamos espaço para recuar, também permitimos a hesitação, o medo, a autosabotagem e a resistência. Quando sucesso e fracasso são as únicas alternativas, você não tem escolha a não ser ir até o fim. Se os barcos estão queimados, você está totalmente comprometido. Seu coração e sua mente estão cem por cento focados, sem distrações. Sem olhar para trás.”

Então, de barcos queimados, defronte a um imenso mar e em contagem regressiva para começar a receber o necessário para bancar a vida que escolhemos e progressiva para ter uma vida integralmente de verdade, é que lanço meu abraço à vida e minha gratidão a todos vocês que fizeram parte desse processo, e me preparo com muito amor, garra, fé e, cada vez mais, com verdade, para conquistar esse novo território prometido ao meu Ser procurador, sem chances de voltar atrás.

Feliz novo ciclo pra mim, e pra você, seja quando for, mas que seja de verdade, lembrando que todo dia é dia de viver uma vida de verdade.

Deixo vocês com a Parábola do Semeador, um ótimo não-pensamento/ ensinamento para meditarmos e nos colocarmos no nosso próprio rumo:

Naquele dia, saindo Jesus de casa, assentou-se à borda do mar. E vieram para ele muita gente, de tal sorte que, entrando em uma barca, se assentou, ficando  toda a gente de pé na ribeira; e lhes falou muitas coisas por parábolas, dizendo: Eis aí que saiu o que semeia a semear. E quando semeava, uma parte das sementes caiu junto da estrada, e vieram às aves do céu, e comeram-na. Outra, porém, caiu em pedregulho, onde não tinha muita terra, e logo nasceu, porque não tinha altura de terra. Mas saindo o sol se queimou, e porque não tinha raiz, se secou. Outra igualmente caiu sobre os espinhos, e crescendo os espinhos, a afogaram. Outra enfim caiu em boa terra, e dava fruto, havendo grãos que rendiam a cento por um, outros a sessenta, outros a trinta. O que tem ouvidos de ouvir, ouça. (Mateus, XIII: 1-9 ). Ouvi, pois, vós outros, a parábola do semeador. Todo aquele que ouve a palavra do Reino e não a entende, vem o mau e arrebata o que se semeou no seu coração; este é o que recebeu a semente junto da estrada. Mas o que recebeu a semente no pedregulho, este é o que ouve a palavra, e logo a recebe com gosto; porém, ele não tem em si raiz, antes é de pouca duração, e quando lhe sobrevêm tribulação e perseguição por amor da palavra, logo se escandaliza. E o que recebeu a semente entre espinhos, este é o que ouve a palavra, porém os cuidados deste mundo e o engano das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutuosa. E o que recebeu a semente em boa terra, este é o que ouve a palavra e a entende, e dá fruto, e assim um dá cento, e outro sessenta, e outro trinta por um. (Mateus, XIII: 18-23).

Coragem! Namastê!

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O que há por trás das birras consumistas

Da mesma forma que quem não abandona o consumismo não consegue dar uma infância livre aos filhos, quem não se olha, não consegue olhar os filhos.

Você já parou pra se perguntar por que as crianças pequenas fazem tanta birra quando ouvem um “não” como resposta, ainda mais quando se trata de consumir algo? Seria só uma expressão de revolta pela frustração? Ou um teste para saber até onde podem ir? Poderia ser outro o motivo das manhas homéricas?

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A caminho do “terrible two”. Novembro/2010.

Foi refletindo a partir de um assunto levantado na nossa Roda de Mães e Bebês de São Sebastião, que decidi escrever este artigo. Na ocasião, algumas mães falavam da dificuldade em lidar com seus bebês que estavam na fase de fazer “birra”, principalmente quando percebiam um público razoável para tal, o que as colocava em situações embaraçosas, já que não sabiam como reagir para repreender/compreender/atender/limitar, e por aí vai.

A discussão me fez lembrar de quando meu filho mais velho executava suas diversas “performances”, principalmente em portas de lojas, quando comecei a dizer não mais firmemente ao seu consumismo, por volta dos seus 2 anos e meio de idade.

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Fazendo graça no mercado. Novembro/2011.

Nossa querida psicoterapeuta do grupo nos deu uma luz: sugeriu que nomeássemos diversamente a “birra”, chamando-a mais propriamente de “protesto”.  Pois claro, é também disso que se tratam essas manifestações aparentemente exageradas, um chamado para algo oculto que incomoda deveras os pequenos, que aproveitam as oportunidades para expressar o incômodo inenarrável.

Segundo o discurso tradicional, “as birras infantis acontecem porque a criança não tem maturidade suficiente para lidar com frustrações, sendo que, através da birra ela testa o limite, tenta manipular os pais ou simplesmente “pede socorro” pois está tendo de lidar com esse sentimento novo, a frustração”. Isso ocorre até 5 anos de idade mais ou menos, quando as crianças ainda estão aprendendo sobre limites e regras sociais. (Artigo aqui).

Ainda segundo o discurso padrão, “os pais têm um papel fundamental ao conter seus impulsos desenfreados e, se agirem de forma errada, como ceder à chantagem do filho, por exemplo, estarão contribuindo para que ele venha a ter sérios problemas, especialmente no futuro, como: não conseguir lidar com o fracasso, desistir facilmente de seus projetos, cometer delitos para conseguir o que quer, insubordinação e tornar-se um adulto imaturo.”

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Itamambuca, Ubatuba. Dezembro/2011.

Naquela época, eu seguia o discurso padrão e agia de forma a limitar essas manifestações somente, acreditando ser essa a melhor atitude, mas, às vezes, minha intuição falava mais alto e eu percebia que não era só uma questão de impor limites e refletia sobre o que poderia ser. Além disso, cada vez mais eu me aproximava do meu pequeno para compreender suas emoções e sentimentos.

Hoje, uns 4 anos depois, acredito que esse discurso é limitado, autoritário e nega as peculiaridades de cada criança e cada situação.

Penso que crianças, até dominarem completamente a linguagem verbal, se utilizam dos mais variados recursos para se fazerem ouvir, para conseguirem ser atendidas em suas necessidades. Como não sabem exprimir exatamente suas demandas, se utilizam das mais diversas oportunidades para expor suas insatisfações, inclusive, amplificando as expressões para liberar emoções que são muitas vezes suprimidas.

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Diversão na cama elástica. Março/2012.

A discussão me fez lançar um outro olhar para as “birras” que meu filho fazia, na época em que tinha a mesma idade das bebês em questão. Percebi que, além de se tratar de uma fase da idade, do não saber lidar com o “não”, de tentar estender seus limites, meu primogênito também se utilizava do motivo de consumir sem necessidade para gerar os enfrentamentos que precisava para por pra fora suas pulsões reprimidas, suas dores encapsuladas.

Entendi, inclusive, que grande parte da exaltação ocorria porque eu lhe negava o novo, que, assim como para todos os consumistas, sejam eles adultos ou crianças, traz um bem-estar efêmero, mas os faz fugir, por alguns instantes que seja, da realidade dura… afinal, todos temos nossas agruras, independente da idade, situação econômica, etc.

Também, percebi outra coisa com relação ao que ocorria com o Fernando: que o ganhar coisas simbolizava ganhar afeto para ele, e, por isso, ele se revoltava tanto quando eu dizia “não” a uma coisa inútil a mais. Para ele, eu não estava dizendo “não” para a coisa em si, mas para o ato de dar, para dar-lhe “afeto”. Entendi que quando ele insistia que “precisava” por inúmeros motivos, ele estava me dizendo que “precisava de afeto”, pois essa era uma das formas, a mais viciante, através da qual ele aprendeu receber afeto enquanto moramos em São Paulo, eu trabalhava dia e noite e ele era a única criança da família. Continuar lendo O que há por trás das birras consumistas

Como dissémos “não” ao consumismo infantil

Para incrementar o último artigo, Como dizer “não” para o consumismo dos filhos, gostaria de compartilhar como foi o início da nossa experiência de dizer “não” ao excesso de consumo e “sim” à vida realmente rica. Segue adiante:

Caminhando e contemplando. Em Dez/2011.
Caminhando e contemplando. Em Dez/2011.

Vejo a enorme diferença no quesito “consumismo” do meu primeiro filho para a segunda. Com ele eu ainda consumia muito e não conseguia dizer “não” para todos os pedidos, nem para todos os “maus presentes”, mesmo sabendo que ele não precisava de mais um carrinho, nem de mais um DVD. Como eu ainda consumia em excesso, não achava justo da minha parte dizer “não filho, você não precisa de mais”, se a mamãe aqui, ainda esbanjava. Discursar aos filhos para viverem com menos, despendendo futilidades (lembrando que palavras ensinam e exemplos arrastam), é dar um verdadeiro MBA de como ser egoísta.

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Acontece que no auge dos seus 2 anos e meio, querendo todos os carrinhos do mundo, mudamos de São Paulo para Ubatuba.

Naquela época, em julho de 2011, eu havia me desligado de um emprego num escritório na Paulista e ido morar dois meses depois no litoral norte. Passei a viver apenas de home office e teríamos que aprender a viver com menos… com mais na verdade.

Conversando com as flores, em Jul/2011.

São Paulo é uma cidade que, como a maioria das megalópoles, está toda estruturada para estabelecer um estilo de vida baseado no consumismo, onde quase todo lazer depende de consumir, onde é necessário se esforçar para dizer não ao consumismo de todo dia, principalmente se se está acostumado a esse tipo de vida desde que se nasceu.

Percebo, hoje, que esse processo de mudança de São Paulo para uma cidade menor e essa mudança drástica no estilo de vida que levávamos foi tão difícil, porque o nosso consumismo, como o da maioria das pessoas, estava diretamente associado à desconexão: nossa conosco mesmo e dos pais e mães com seus filhos.

Tratei de modificar a mim mesma antes de começar com o discurso de mãe sustentável do tipo “mas você já tem tantos desses, não precisa de mais um” ou “sorvete só no final de semana”. Mesmo depois que diminui meu consumo pessoal drasticamente, demorou para que o Fernando abandonasse o vício de comprar toda vez que saíamos, ou melhor, demorou para que ele descobrisse outras maneiras muito mais legais de se entreter, ou de aprender a lidar com o tédio… uma lição ainda em curso.

Rio Itamambuca, Ubatuba, Dez/2011.

Foram muitos shows em portas de lojas, muito choro e ranger de dentes. E tratei de ter muita paciência, confesso que às vezes não tive, pois eu fui a maior responsável pela adicção dele, que nem sempre foi alimentada por mim, na maioria das vezes não, mas todas elas, sim, eu permiti. Fosse com festa de aniversário em buffet caríssimo, com presentes todo final de semana ou doces em excesso, ou apenas deixando a livre oferta para o consumo indisciplinado de televisão.

Essa experiência de negação, que no início foi muito desgastante, me ensinou a oferecer outras coisas melhores para ele, mas que ele não sabia, e que eu já não vivia desde a infância. Em vez de insistir no enfrentamento que interrompia a comunicação, alterando os ânimos até a histeria, sem, óbvio, gerar bom resultados, aprendi a mudar o foco dele de coisas para experiências, aprendi a estar com ele, como há muito tempo eu não estava.

Toda criança é curiosa e anseia por experiências novas, mas, acima de tudo, toda criança necessita de pais e mães presentes, não de corpo, de alma. Como eu tinha muito mais tempo com ele, passamos a nos relacionar mais e fortalecemos nossa conexão; e consegui lhe mostrar que haviam coisas muito mais interessantes para viver e que seriam muito mais divertidas que possuir qualquer porcaria. 

Intrigado com o peixe. Itamambuca, Ubatuba. Novembro/2011.

Detox no olhar

Mas não foi só isso. Antes de ser uma experiência de mudança no estilo de vida, de saída da rota do mercado avassalador, foi uma experiência de desintoxicação, de libertação do excesso, da necessidade de estar sempre envolvido com o exterior.

Crianças que, como meu filho, foram o primeiro filho, neto, bisneto, sobrinho, são autuadas o tempo todo porque,  como é de se esperar, todos querem paparicá-la. Só que o excesso de mimos a la paulistana faz com que a criança não consiga estar só nunca, não consiga se encontrar. De tanto ganhar coisas, atenção, entretenimento, a criança tem seu universo amontoado por coisas das quais ele nem sabe se gosta, se lhe apetece ou agrada.

O Fernando foi aprendendo a diminuir o ritmo, a olhar pra coisas entediantes pra ele como o horizonte, o mar, a floresta… foi aprendendo a parar, e, aos poucos, começou a gostar. Claro que muitas vezes se irritava com o marasmo, o que já era de se esperar de uma criança que desde bebê foi acostumada a se alimentar em frente a telas, a ganhar coisas sem fim, que não sabia o que era tédio, que não tinha paciência para todas as coisas que exigissem pausa no entretenimento, como escovar os dentes, colocar meias, pentear o cabelo, etc.

Contudo, com o passar do tempo, ele começou a aprender a ser feliz com menos coisas, pudera! Estávamos em Ubatuba e ele tinha mais a mim e mais a ele mesmo.

A pracinha “encantada” do centro de Ubatuba. Parada obrigatória. Novembro/2011.

Mostrar um outro “lugar” para seu filho olhar, tirar os olhos dele do objeto de desejo mostrando a ele novos horizontes é derrotar, além do consumismo, o autoritarismo que só brada “nãos” e a desconexão que hoje impera entre mães, pais e filhos, e vivenciar a autoridade de mães e pais que guiam seus tutelados para uma direção mais feliz.

No litoral, à medida em que consumíamos menos, nos aproximávamos mais e convivíamos mais, compartilhando nosso tempo e espaço.

Mudar o foco do consumo para a experiência, para a atividade física (brincadeiras) ou intelectual (jogos) em vez da passividade (eletrônicos), para o olhar nos olhos profundo, para o olhar a natureza e brincar nas areias da praia, para a companhia além da coexistência, é a saída mais inteligente para um caminho menos consumista e mais vívido, para uma vida de mais amor entre pais, mães e filhos.

Praia da Almada, Ubatuba, Jan/2012.

A praia, o rio, o parquinho, os livros, as flores, os pássaros e as borboletas foram nossos grandes aliados nesse processo de desapego.

Assim, se eu pudesse resumir como dizer não para o consumismo infantil numa só afirmação seria “sendo mais você mesmo”. Quem prefere ser a ter, não tem tempo pra ir demais a shoppings, pra comprar o que não precisa, não tem tempo pra ver TV. Dando o exemplo, os filhos seguem e, em vez de pais e mães consumistas, teremos pais e mães presentes e conectados, e filhos igualmente. Entretanto, é claro que há um sistema prisional que se impõe, ocorre que pais e mães livres, são naturalmente atuantes e desarticuladores do sistema vigente, e é sobre novas atitudes que estamos falando aqui.

Não às amarras, sim à vida!

Namastê! <3

Praia do Centro de Ubatuba. Dezembro/2011.

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Como dizer “não” para o consumismo dos filhos

O mercado apela para nossas carências ocultas e o consumismo se configura para satisfazê-las. Se ele não existisse, não saberíamos que haveria um problema. O desequilíbrio exterior vem sempre de um desequilíbrio interior.

Se acreditamos que precisamos de tantas coisas é porque falta que nos apoderemos de nós mesmos. O consumismo tanto adulto quanto infantil revela uma falta de conexão consigo. A vontade excessiva de TER significa sempre uma falta de SER.

Continuando os artigos Bebê Livre de Consumismo e Menos Telas Para Mais Vida, trago mais uma medida prática a ser tomada como vacina (porque dói mas livra) por mães, pais, avós, cuidadores, enfim, todos que lidam com crianças e que pretendem propiciar a eles uma vida mais livre.

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Fernando no jardim do condomínio. Julho/2015.

 Não, não e não! Ou outros sins

Um passo simples rumo a liberdade é negar às crianças, desde bebês, os pedidos de consumo desnecessários e dizer um “não, obrigado” aos presentes de grego.

Claro que essa atitude depende, primeiramente, da diminuição do consumismo dos pais. Não adianta discursar sem dar o exemplo, pelo menos não para os seus filhos, que sempre irão muito mais te imitar que seguir o que você diz.

Outra coisa: não adianta, também, frequentar assiduamente antros de consumismo, como os shopping centers, ou deixar a TV ligada no Discovery Kid’s e outros canais de TV a cabo para crianças, que metralham publicidade na cabecinha deles e impõem produções com valores consumistas e ritmo alienante. (Leia mais em Menos Telas Para Mais Vida).

Toda vez que eu ia ao shopping com meu filho mais velho, por volta dos 2 a 3 anos dele, ele exigia que eu comprasse para ele um balão de gás. O meu discurso era sempre o mesmo “você não precisa de mais um, tem outro lá e casa!”. Às vezes eu cedia, às vezes não, e nessas que não ele desempenhava um super show dramático para todos os presentes. Hoje, eu entendo muito mais o lado dele. Qual a graça de passear num shopping sem consumir? Qual a graça de só passear e comer? Que era o que fazíamos a maioria das vezes. Pra uma criança, nenhuma. Ele queria, pelo menos, um balão novo para se entreter.

É tortura expor os filhos a tantas coisas atraentes e negar-lhes quase todas. Além, é claro, de se tornar a mãe e o pai chatos, já que as crianças pequenas não têm maturidade pra entender o porquê do “não”. Nenhum pai e mãe quer ser percebido como mal, ninguém quer deixar um legado de escassez na memória infantil, o que, já está mais do que comprovado, é péssimo para o futuro adulto.

Então, em vez de viver dizendo “não, não e não!!!” para o “eu quero, eu quero, eu quero!”, o melhor é evitar tantos enfrentamentos. Como? Evitando a ocasião de tê-los, trocando o shopping pelo parque, as diversões eletrônicas pelo parquinho, ou seja, efetuando uma mudança de hábito: do consumismo para a vida mais simples e mais valorosa.

O bom e velho parquinho é uma ótima opção para compartilhar com os pequenos
O bom e velho parquinho ganha da televisão. Ana Julia. Praia do Centro de Caraguatatuba.

O que você pode fazer para tornar a vida da sua família realmente abundante?

Abaixo um trecho do Sermão da Montanha, que sempre me inspira:

«Ninguém pode servir a dois senhores; pois ou há de aborrecer a um e amar ao outro, ou há de unir-se a um e desprezar ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas. Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos da vossa vida pelo que haveis de comer ou beber, nem do vosso corpo pelo que haveis de vestir; não é a vida mais que o alimento, e o corpo mais que o vestido? Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam, nem ajuntam em celeiros, e vosso Pai celestial as alimenta; não valeis vós muito mais do que elas? Qual de vós, por mais ansioso que esteja, pode acrescentar um cúbito à sua estatura? Por que andais ansiosos pelo que haveis de vestir? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam, contudo vos digo que nem Salomão em toda a sua glória se vestiu como um deles. Se Deus, pois, assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé? Assim não andeis ansiosos, dizendo: Que havemos de comer? ou: Que havemos de beber? ou: Com que nos havemos de vestir? (Pois os gentios é que procuram todas estas coisas); porque vosso Pai celestial sabe que precisais de todas elas. Mas buscai primeiramente o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.» (Mateus 6:24-33)

Porque é difícil dizer “não”

Se você tem dificuldade em dizer não para os seus filhos é porque, provavelmente, não consegue dizer não pra si mesmo. Quem só sabe se divertir consumindo, também só sabe agradar com coisas. No exemplo acima, eu, não deveria estar passeando num shopping, que o próprio nome significa “ato de comprar”, onde toda a diversão é paga.

Fica muito mais fácil dizer “não” quando isso não se torna um hábito, ou seja, quando diminuímos essa possibilidade ao nos expormos a menos produtos e publicidade. Se você não é uma mãe ou pai que vive dizendo “não”, seus filhos irão aceitar melhor quando você tiver que dizê-lo e vão ficar muito mais agradecidos quando receberem um “sim” ou algo novo sem nem pedirem.

Quem ganha em excesso, quem é agradado com coisas, quando não ganha, sofre com a falta, que, na verdade, não é do objeto em si, mas do afeto vinculado àquilo que ganha. Por isso, muitas vezes, presenciamos tantos protestos em centros de consumo… não é só birra.

Fernando adivinhando as nuvens. Praia do Centro de Caraguatatuba. Abril/2013.
Fernando adivinhando as nuvens. Praia do Centro de Caraguatatuba. Abril/2013.

Para refletir:

Que coisas (produtos/serviços) desnecessárias seus filhos consomem?

Quais dessas coisas você considera prejudicial a eles?

O que você não gosta que seus filhos ganhem?

Com que frequência você compra coisas desnecessárias?

Você diz não para os pedidos de consumo desnecessários dos seus filhos?

A seguir, mais um artigo sobre os prejuízos do excesso de consumo na infância.

Namastê! <3

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15 atitudes para criar tempo já

e fazer o que realmente importa:

Leia também Como criar tempo.

1. Elimine os relógios: da parede, do pulso, do carro, eles são os sentinelas da prisão da qual você tem que sair.

“Em vez de sentirmos a presença invisível de um imenso relógio na parede, denunciando-nos os minutos, as horas que estamos perdendo com essa conversa com nosso amigo, com nossos filhos, com as pessoas que vêm falar conosco, em vez de percebemos em toda parte os olhos desse deus-velocidade a nos vigiar e a nos cobrar rapidez, troca contínua de situações, saltando por cima de coisas atrás de coisas, em vez de nos submetermos voluntariamente a esse terror vácuo, um dia poderíamos começar a sentir o tempo, o presente, o prazer da permanência, do não-pensar-no-futuro, do deixar-a-coisa-passar. A satisfação de poder perder tempo e sentir um gosto novo de, pela primeira vez, estar presente no planeta.” (Ciro Marcondes Filho, Perca Tempo – É no lento que a vida acontece)

2. Utilize outros meios de aviso: há inúmeros aplicativos para celular que podem te auxiliar mas há também a boa e velha agenda. Eu utilizo o Google Calendar que me avisa com a antecedência necessária meus compromissos. Obs: Não caia na armadilha de agendar coisas demais, porque em vez de a agenda funcionar como um alerta para fazer o que deve ser feito, na hora em que tem que ser feito e liberar sua mente das preocupações, pode também funcionar como uma lista imensa de coisas nada importantes realmente para a sua felicidade. Há pessoas (como eu) que caem na armadilha de encher a agenda de “linguiça” e ficar “sem tempo” para realizar o mais importante: fazer o que faz o coração vibrar, amar, ficar de boa, etc.

3. Durma cedo e ponha seus filhos (se tiver) pra dormir cedo: a vida rende pela manhã. Se não der pra dormir pouco depois que a noite cai, não durma após a meia-noite. Dormir no dia seguinte não é muito natural. Aproximemo-nos dos ciclos naturais, dos nossos ciclos. Por mais que você seja noturno, você não é um morcego, nem uma coruja, então, durma. Para nós, adultos, dormir cedo ainda previne a ansiedade e a obesidade. Quanto aos seus filhos, crianças devem “dormir com as galinhas” por muitos motivos: crescer o que tiver que crescer (a maior produção do GH, o hormônio do crescimento é sempre à noite, das 21 às 4 horas da manhã e quando a criança não está na cama neste horário, a produção de GH declina e ela cresce menos); fortalecer os ossos com o sol da manhã (dormindo tarde, consequentemente, acordarão tarde e perderão essa bênção matinal, já que por meio do sol, nosso organismo obtém a vitamina D e, com ela, melhora a absorção do cálcio, fortalecendo os ossos); ajustar o relógio biológico (a melatonina, hormônio que estimula o sono e indica ao cérebro que é noite, é produzido das 20 às 21h30, depois deste horário a criança volta a se agitar, embora ainda continue com sono, e é difícil convencê-la de que ainda é hora de dormir, pois a mensagem do organismo já passou); melhorar a capacidade de aprendizagem e ajudar a memória.

Caminhada matinal no Pontal, com o suave som das ondas.
Caminhada matinal no Pontal, com o suave som das ondas.

4. Destralhe sua casa, trabalho e carro: elimine superfícies planas, gavetas e portas. Dê o que é útil para os outros mas não para você, até aquelas taças lindas se você não bebe, ou vai ter que, pelo menos, perder tempo todo mês para mantê-las limpas. Se desfaça do que está velho sendo possível casa de traças (saúde não tem preço). Se livre daquelas roupas que nunca mais irão te servir. Dê prazo para o que tem dúvida se te serve pra algo, por exemplo,  um ano para aquele vestido de festa, um mês para aquela calça jeans. Conserte o que te é útil e só está atuando como entulho. Tire do seu ambiente o que somente está tomando espaço e te custa tempo para organizar e limpar de vez em quando. (Logo escreverei sobre como destralhei minha casa e, consequentemente, minha vida. 🙂 )

5. Organize suas coisas: depois de destralhar é hora de organizar o que sobrou, o que te serve e te faz bem. Aplicar um consumo saudável nessa hora ajuda e muito. Não tem preço o tempo que você economiza de procurar suas chaves quando você tem um porta-chaves. Utilize também ganchos de teto, porta e parede: são baratos, pequenos, portáteis, somente para aquele bem útil (não são itens de acumulação) e são fáceis de localizar. Troque armários por módulos abertos: estantes, prateleiras, nichos. Você acha com mais facilidade, usa o que tem utilidade, percebe o que não tem e o destralhe se torna um hábito até que sua casa e/ou trabalho fiquem muito mais enxutos. Em locais úmidos, essa mudança também impede que as coisas cheirem mal e até mofem, além de ventilar mais, sendo menos propício para traças, baratas, roedores, etc.

6. Limite sua conexão virtual: esse é um desafio pra muita gente, pra mim inclusive. Além de economizar tempo, permanecer menos tempo logado te dá mais liberdade de conexão interior, e exterior, com o mundo real. Desligue os avisos de What’s up, Facebook, Instagram, etc. Discipline-se quanto a este item. Tecnologia vicia, excesso de informação também. Adquira hábitos saudáveis como acessar a internet apenas após o almoço ou manter o celular fora de alcance enquanto dorme. Sem um celular nas mãos dá pra se apreciar melhor o firmamento, sentir a brisa no seu rosto, perscrutar mais fundo a carinha dos seus filhos. <3

7. Elimine os apêndices: sabe aquele projeto que é sempre adiado? Aquela tarefa que vive na sua agenda mas que você nunca consegue tempo para executá-la? Desista, elimine de vez da sua agenda, das suas metas, da sua vida. Pare de pensar no que não é importante AGORA e otimize sua vida para o que realmente importa. Use a procrastinação para manter o seu FOCO.

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