Os filhos de pais narcísicos que não recebem sua projeção, são descartados.
Seja pra serem os filhos perdidos, eternos dependentes, seja pra serem os filhos de ouro, os campeões daquilo que nunca viveram, seja pra serem qualquer personagem obediente às suas necessidades de personalidade fragmentada.
Quem ousa ser inteiro, autêntico sem assumir projeções, vira bode expiatório até ser descartado.
E quando esses filhos desgarrados têm filhos, mas ainda mantém algum contato com seus pais narcísicos, esses ganham a chance de mostrar para os filhos (seus espelhos) o quanto estiveram errados, comprando a afeição dos netos e mostrando o quanto são “amados”…
“Seu filho me ama! Tá vendocomo você estava errada!”
Para roubarem o neto ou neta, esses avós se tornam necessários à filha que, acaba aceitando a ajuda, por ainda desejar o afeto desses pais e por necessidade de apoio mesmo.
“Meus pais não foram presentes/amáveis mas me sinto amada vendo como são com meus filhos.”
E os filhos, não narcísicos, acabam pensando:
“Meu pai/ minha mãe deve ter mudado. Dizem que os avós são mãe/pai com açúcar… A velhice deve ter ajudado. O que importa é que tratam muito bem meu filho… Não foi uma mãe/pai afetuoso mas agora, com o neto é maravilhoso. Isso é o que importa.”
Será mesmo?
Velhice não é maturidade.
Por que confiar em quem provou que é egocêntrico?
As pessoas viram meros objetos nas mãos dos egocêntricos, para serem manipulados, inclusive os próprios filhos e netos…
Esses avós, agora, têm um novo objeto de afeto para investir, que pode, dessa vez, se tornar “perfeito”.
Esse é o ideal narcísico. Eles não veem as pessoas como são, veem suas projeções sobre elas e as crianças são verdadeiras esponjas, absorvendo muito do que os avós, que só lhes agradam, lhes projetam.
Aí mora o perigo… toda essa absorção e confusão de referências.
O que os avós narcísicos desejam é que seus netos os adorem, os idolatrem, os vejam sem defeitos e que façam suas vontades, satisfazendo suas fantasias de grandiosidade.
“Netinho, netinho meu, há alguém no mundo mais adorável do que eu?”
Pra isso, cometem um love bombing sem fim, satisfazendo os desejos das crianças o máximo que podem, evitando lhes dar limites e enfraquecendo a autoridade de seus pais, se para realizar essa proeza.
É desse modo aparentemente generoso, despretensioso, que esses avós mimam os netos, e quando a dependência da ajuda dos avós já está estabelecida, passam a desautorizar os pais, minar a saúde mental dos netos, barganhando seu afeto, contando segredos, diminuindo a confiança dos netos nos próprios pais pois os avós narcísicos desejam ser os maiorais na vida daquele “espelho”…
O que é um perigo para as crianças.
A filha que não se submeteu ameaçou as fantasias de perfeição dos pais, e agora é a hora da vingança, de usar o próprio filho da filha para provar.
“O PROBLEMA É VOCÊ, NUNCA FUI EU, EU SOU MARAVILHOSO. A MAIOR PROVA É QUE O SEU FILHO ME ADORA.”
“Não fala assim com ele, ele é pequenininho pra entender…”
“Vou te dar, mas não conta pra sua mãe.”
“Aqui na minha casa você não briga com meu netinho…”
“Vem aqui com a vovó, seu pai tá muito estressado.”
“Seu pai não te deu? Seu avô te dá.”
“Não precisa contar pros seus pais tudo o que acontece aqui ou eles não vão deixar mais você vir…”
Não, não dá pra esperar consciência de quem não tem consciência nem de si mesmo.
Seus pais narcísicos vão colocar seu filho ou filha contra você se tiverem essa necessidade e de forma sorrateira, sem você e muito menos seu filho – o mais enganado da história – se darem conta disso.
Essa relação vai te enfraquecer como mãe, vai incutir muito mais inseguranças em você do que a maternidade já traz, porque a insegurança é a base da relação com uma pessoa narcísica.
E o elo mais frágil dessa triangulação será o seu filho que está em plena formação, não apenas de conceitos e valores, mas física mesmo, que pode estar sendo prejudicada pelo comportamento controlador dos avós através da estimulação dos vícios.
Você vai ter um filho mais opositivo, menos compreensivo, menos empático! Porque os avós estão ativando continuamente seus mecanismos de recompensa para os controlarem, para os firmarem como seus dependentes.
Você vai ter um filho mais viciado em jogos, telas, doces, compras porque os avós narcísicos não fazem tricô juntos, nem andam de bicicleta, eles viciam as crianças com tudo o que as torna facilmente compráveis.
Esse apoio dos seus pais narcísicos vai custar muito caro. Pode custar sua relação com seu filho, a saúde mental do seu filho ou sua tendência a vícios de todo tipo e fatalmente sua intolerância à frustrações e sua imensa dificuldade em manter constância em atividades que o desenvolvam, porque foi ensinado a ter tudo fácil e a receber tudo de fora em vez de gerar o que precisa.
Não importa se é mãe, pai ou avós, pessoas narcísicas desejam a aprisionar o outro, não o seu bem e a sua autonomia.
Vale mesmo a pena essa proximidade?
Você quer filhos livres e responsáveis ou facilmente seduzidos pelos prazeres e facilidades?
Pessoas narcísicas dão o mundo em troca de você perder a sua alma…
E pais saudáveis desejam filhos fortes.
Se você já está percebendo sinais desse drama na sua vida, ou se já está sofrendo suas consequências desse conflito, escreva AMADA, eu tenho um caminho pra você.
Quando usamos o argumento-crença de que “nessa vida não se pode ter tudo”, no momento em que ensinamos algo aos nossos filhos (principalmente em situações de consumo), saibamos que para o inconsciente deles o que fica é a mensagem de que “não podemos ter tudo na vida”.
Então, no futuro, quando eles chegarem perto de terem tudo o que precisam para serem felizes, começarão a se auto-boicotar, porque é isso que o inconsciente deles lhes diz para fazerem, na melhor das intenções (crenças são verdades pra quem as tem!), para que confirmem a crença, ensinadas por nós, mães e pais.
As crenças são, muitas vezes, ensinadas, por nós, seus progenitores, mas, são estabelecidas através da repetição (tanto discursal, quanto comportamental), ou de momentos de impactos emocionais (situações fortes, tanto boas, como um nascimento de um filho, por exemplo, quanto más, quanto uma reprovação escolar).
Nossas sinapses nervosas viciadas nos levam a termos comportamentos que confirmem nossas crenças.
Por isso que, ao identificarmos e questionarmos crenças limitantes, mudando-as para outras melhores, nosso comportamento muda.
Preste atenção se, quando está tudo bem (profissionalmente, afetivamente, financeiramente, etc) você promove alguma atitude para boicotar o seu pleno bem-estar e fazer valer a sua crença de que “não se pode ter tudo nessa vida”.
Questione-se, vigie-se, transforme-se e ensine melhor aos seus filhos.
As possibilidades são muito maiores quando acreditamos que não apenas “podemos ter tudo” como “merecemos ter tudo” de bom dessa vida.
Resolvi escrever esse artigo para levantar uma polêmica que não cessa em grupos virtuais de mães, entre feministas e conservadoras. Porque mais do que apreciar o fogo das ideias em combate e a depuração de preconceitos, eu aprecio orelhas sem furos de crianças pequenas, porque, ao vê-las, eu vejo uma criança (uma menina) que não experimentou um procedimento de submissão e eu vejo pais com maior capacidade de respeitarem seus filhos tal como são, com autonomia sobre o próprio corpo, com liberdade para fazerem suas próprias escolhas.
Sempre gostei de usar brincos, na verdade, não me gosto sem, tiro-os para tomar banho e para dormir, somente. Na adolescência gostava tanto, que, quando tinha doze anos, decidi eu mesma fazer mais um furo em cada orelha, em casa, com agulha e algo que usei para assepsia, porque, apesar de adorar mais brincos, sempre, também, me desesperou a situação de confiar meu corpo a alguém para qualquer procedimento invasivo, ainda mais sem necessidade. Sou do tipo que desmaia quando tenho que tirar sangue ou tomar soro e estou meio abalada, ainda mais se for com um mínimo de hostilidade. Também sou do tipo que preferia nunca ter passado por uma (desne)cesárea.
Mas, durante a minha primeira infância, não devo ter dado muita bola para brincos. Lembro-me por volta dos 6 anos, de brincar com as bijus da minha mãe. Antes disso, só me recordo do incômodo ao dormir, de enroscarem, me machucarem às vezes e de ter perdido muitos… lembro que ficava chateada quando perdia, quando ouvia minha mãe falar que eu tinha perdido mais um, não entendia como isso ocorria… sentia culpa. Não tinha maturidade pra lidar com essa responsabilidade de usar brincos e preservá-los. Incômodos de uma menininha, de muitas, com certeza, de menino algum, certamente.
Gostaria de ter feito eu mesma meus primeiros dois furos.
Não somente pelo que acho importante para mim é que respeito a integridade física das minhas filhas, pelo menos até que elas tenham as regras delas, somente permitirei que intervenham no corpo delas, por motivo de saúde.
Não permiti que furassem as orelhas das minhas duas meninas e não havia pensado nessa questão até que ganhei o primeiro par de brincos para a mais velha. Na ocasião, recebi, agradeci, por educação, e os guardei, onde até hoje estão. Quando qualquer pessoa me falava em brincos nela, antes de ela nascer, eu simplesmente emudecia, não dava corda e seguia, assim, sem queimar os miolos com isso. Sentia como uma violação ao direito dela sobre o próprio corpo, que nem ainda entre os que falavam sobre a intervenção estava. Me soava horroroso, violento, machista. Já sentia que não o faria, embora nem sequer elaborasse um pensamento claro a respeito.
Depois de um parto roubado e de descobrir as muitas intervenções que meu primeiro filho havia sofrido sem necessidade desde antes de nascer, eu tinha muito mais coisas importantes para me ocupar, que tinham a ver com o bem-estar dela, com a saúde e integridade física dela. Pensar em furá-la sem necessidade seria um contrassenso absurdo, oposto a tudo o que eu estava buscando.
Eu já tinha um menino de 3 anos, que teve suas orelhas respeitadas, e sua integridade física até onde meu limitadíssimo esclarecimento alcançava na época, porque, então, eu não faria o mesmo com a minha filha? Ainda mais naquele momento de VBAC vitorioso e munida de informações suficientes para escolher as intervenções na minha recém-nascida que eu julgasse estritamente necessárias. Só por se tratar de uma menina?! Que abuso! Não, obrigada não.
Quando a auxiliar de enfermagem veio me dar um cartão e oferecer furar as orelhinhas dela no dia em que ela abarcou neste mundo, eu mal esbocei uma resposta, achei o próprio oferecimento um tanto invasivo, desagradável. Quase pensei, enquanto ela fazia propaganda muito sorridente: “que folga entrar aqui e se oferecer para furar a minha filha sem qualquer abertura para isso”. Peguei o cartãozinho, não esbocei uma palavra sequer, dei um risinho de lábios cerrados e disse adeus em pensamento. Na verdade, eu era só risos, estava no céu de Anita! 😀
Não quero dizer aqui que toda mãe que submete as filhas ao procedimento de furar as orelhas o faça porque é machista, vaidosa, violenta ou fraca, não. Como um procedimento de rotina que é, furar as orelhas das filhas é uma daquelas escolhas inconscientes que a gente faz ao longo da vida e às vezes nunca chega a perceber que poderia ter agido diferente, que a escolha não era nossa na verdade.
Talvez eu tenha percebido que pudesse escolher não colocar brincos na minha filha e remeter essa escolha futura a ela, pela desnecesárea que sofri, sentindo no próprio corpo a dor e a violação desnecessárias, e pela informação que acessei sobre o excesso de intervenções praticadas de praxe nos recém-nascidos. Isso tudo me ajudou a criar consciência do quão importante é respeitarmos os limites físicos do outro.
Escolhi para ela um parto humanizado, e um pós-parto sem colírio de prata, sem aspiração, sem banho com sabão, sem corte precoce do cordão, sem vitamina K , sem vacinas. Porque raios eu iria permitir furar as orelhinhas dela por vaidade, costume, “feminilidade”?
Minhas meninas, em junho deste ano.
Lendo nas redes sociais sobre acidentes diversos causados por brincos em recém-nascidos, encontrei relatos importantes:
“Minha mãe furou a minha quando era RN, disse que não chorei, só que depois com 5 meses enroscou no lençol e ela não viu, cortou e abriu toda, disse que eu berrava de dor, ela se arrepende demais por causa disso. Somente com 12 anos fiz a cirurgia pra reparar. Sou contra furar orelha, pela dor que o bebê pode sentir e acho uma invasão, você não sabe se ela vai querer, deixa ela crescer e decidir se quer ou não furar.” (Julia Bertolini)
“Não esqueço até hoje a carinha da Laura quando furou a orelha. Hoje, jamais faria de novo. Me arrependo muito. Fui tão firme em todas as minhas decisões em relação a chegada dela (fizemos parto domiciliar) que não entendo até agora porque fiz isso. Atualmente ela não usa mais brinco, pois se mostrou algo perigoso. No inverno ela enroscou o brinco no meu casaco e foi um tormento para tirar. Ela tem agora 1 ano e 7 meses e não fica mais quietinha. Prefiro não arriscar…” (Catia Hueto Fantin)
Acho válido quem procura acupunturista para furar as orelhinhas para evitar possíveis danos à saúde da bebê, e quem sabe, a dor ao furar, porque uma bebê pequena responde de maneiras diversas à dor, mas essa atitude, além de não impedir que o bebê continue correndo riscos variados por usar brincos, e de não evitar o incômodo do brinco na hora de dormir, mamar, etc, continua transgredindo o direito de escolha dela sobre o próprio corpo.
“É muito muito difícil definir dor mesmo em adultos que conseguem explicar o que estão sentindo. É uma vivência física e ao mesmo tempo extremamente subjetiva. Não dá MESMO pra dizer que alguma intervenção física dói muito ou pouco. Especialmente em bebês. Uma coisa é acreditar que o seu bebê não sentiu baseado na sua experiência, outra coisa é afirmar que bebê novinho não sente dor.” (Rachel Merino)
“Furei da minha filha, por questões pessoais, culturais. Hoje, se tiver mais uma filha, não sei se furaria. Como as meninas disseram, lutei tanto para ela nascer sem intervenções…. me senti invadindo o corpinho dela. Minha experiência: foi enfermeira em casa, passou anestésico, tudo como manda o figurino…bebéia chorou horrores. Me arrependi tanto, na hora mesmo (quase que não permiti furar a outra orelhinha). Se você tem dúvidas, não fure. Se te incomoda dormir com brinco, por que não incomodaria sua filha? A decisão é de cada uma mas é importante problematizar sim. E dizer que bebês não sentem dor? Ah não. Bebês podem reagir de diferentes formas frente a dor, o que não significa dizer que eles não sentem. “(Nádia Castro Alves)
Aliás, o que você está ensinando para a sua filha sobre “meu corpo, minhas regras” quando você mesma não respeita o corpo dela?
O que você está ensinando a sua filha sobre não-violência, quando você comete um ato violento contra ela em nome… do que mesmo?
“Não furei e não vou furar. Não furaram o meu e eu acho ótimo ter podido escolher.” (Yara Tropea)
“Sem contar que já mais velhas, se optarem por furar, vão se achar no máximo da conquista e lembrarão disso como desafio superado.”(Ana Carolina Arruda)
“Acho muito interessante a criança poder decidir sobre o próprio corpo. A vida será cheia de momentos de decisões, esse sera apenas mais um”. (Debora Roggia)
Há dores que, pelo bem da saúde dos filhos, não podemos evitar que sofram, como o teste do pezinho, por exemplo e tantas outras intervenções necessárias à saúde deles, como as vacinas. Só que até vacinas podem ser administradas de formas mais amenas, tanto do ponto de vista físico quanto psicológico.
Mas sobre dores desnecessárias, por que não evitá-las?
“Sou mãe de 4 filhos. Dois meninos e duas meninas. E pago minha língua sempre. Nunca tinha pensado no mal em furar as orelhas das minhas filhas. A terceira coloquei com 1 mês. A pequena chorou, gritou de dor e de susto. Eu feliz por vê-la com um brilhozinho. Passei álcool e não tivemos alguma reação, mas aquele choro desnecessário dela sempre esteve entalado. Com a caçula foi diferente. Mudei. Não quero lhe causar nenhum mal. Não quero lhe causar nenhuma dor desnecessária. Ela é linda sem brinco. Quando crescer pode pedir e vou levá-la pra colocar. Para a mais velha já expliquei o que aconteceu e pedi desculpas.”(Flávia Alves)
Para mim a naturalização (ou humanização, se preferir) deve ocorrer desde a concepção até a morte, sem exceções, e o primeiro passo que devemos dar em direção a ela é respeitar os limites individuais, todos eles, e principalmente o óbvio: o corpo.
Se o livre-arbítrio é algo natural, faculdade inata que nos possibilita escolher o que nos diz respeito, se pai e mãe são nossos tutores naturais, para nos proteger nos primeiro anos de vida e para sempre nos conduzir a nossa própria essência divina, impor modelos não é algo natural, é um mal costume humano.
A ridícula, em voga, “Escola de Princesas”, sempre com vagas esgotadas antes mesmo de iniciar as “aulas” nas cidades em que chega: adestrando meninas.
A sociedade que impõe brincos às meninas é a mesma que diz a elas para que se comportem como “moças”, para que contenham sua expressão corporal o tempo todo (“fechem a pernas!”), para que não usem cabelos curtos, para que comam, andem e falem como “moças”, é a mesma que decreta brinquedos e brincadeiras “de menina” e “de menino”, que separa bens de consumo, principalmente brinquedos e vestuário, por gênero e a mesma que promove concursos infantis de beleza, que as comparam incessantemente à princesas lindas e indefesas. Isso, só para citar alguns exemplos.
“Tem gente que diz que a filha sentiu dor e tem gente que diz que não sentiu. Pra algumas deu problema, deu alergia, outras não. Da mesma forma, pra algumas pode fechar, pra outras não. Ou seja, há um risco. Eu, pessoalmente, acho improvável que um bebê não sinta dor, pra mim parece mais plausível que por ser tão pequenininho ainda não saiba bem reagir à dor ou algo assim. Seja como for, dá pra concordar que tem um risco, né? E pra que correr todo esse risco? em nome da sua vaidade? Sendo que quem vai pagar o pato (ou não, tá, mas pode muito bem ser que sim) é sua filha? E outra: tem muita gente que diz que é cultural e blá blá blá. Bem, muitas coisas são culturais. Acho que nós aqui já passamos do ponto de reproduzir tudo o que os outros fazem no automático. Vale pensar, vale refletir. vale a coragem de deixar um hábito de lado por uma decisão mais consciente. Pra constar: não furei a da minha filha. E nem a do meu filho. E se eu furasse a dela não conseguiria fugir de pensar em porque é que raios submeti a minha filha a uma mutilação, só por ser mulher. Mulher, como eu. Se a gente for ver a partir do viés do machismo dá pano pra manga.” (Elisa Motta Iungano)
O que você quer? Contribuir para a manutenção dessa sociedade machista através desse ato de violência infantil feminina ou mudar essa realidade dando liberdade de escolha às nossas meninas, às suas filhas, às futuras mulheres, desde crianças? Para mudar, não é necessário gastar energia defendendo o direito da sua filha e a sua postura, pois quando agimos com consciência, não precisamos nos defender, compartilhamos se temos vontade, e tocamos em frente. Basta mudar de assunto quando te falarem de brincos nela, dizer ‘não’ caso se ofereçam diretamente para furar e guardar os brincos que, porventura, ganhar. Agir diferente sem muito falar.
Tapamos os furos que a sociedade tem ao não cometê-los nós mesmos.
Porque não furar
Pra resumir, os motivos pelos quais não se deve furar as orelhas das bebês (e meninas pequenas):
– desrespeito ao corpo alheio,
– desrespeito ao direito de escolha alheio,
– dor desnecessária,
– risco de acidente,
– desconforto desnecessário nos primeiros anos de vida (mamar, dormir, brincar),
– tornar o órgão ligado a região do furo mais vulnerável, em organismos mais sensíveis, segundo o médico acupunturista Jou Ell Jia, da Associação da Medicina Tradicional Chinesa do Brasil, em São Paulo. (Fonte)
Criança em estado de shopping ou criança em estado de natureza?
Já aconteceu de você ter ido a um shopping com seus filhos e, ao sair de lá, ter tido a sensação de que apesar de ter gasto consideravelmente, vocês não se divertiram? Ou, você já passou maus bocados num shopping devido às birras consumistas dos seus filhos? Você gostaria de se divertir com suas crias sem que precisassem consumir tanto?
Que tal tirar seus filhos dos shoppings? Que tal parar de frequentá-los? Que tal se, desde bebês, seus filhos não soubessem o que é frequentar antros de consumismo? Quais valores você quer lhes passar? Qual realidade você quer que eles conheçam?
Como eu disse no artigo Como dizer “não” para o consumismo dos filhos, um dosfatores que irá definir o estilo de vida consumista ou não deles, diz respeito aos locais que vocês frequentam. Se eles vivem em shoppings, como eu vivi e como meu primeiro filho viveu enquanto morávamos em São Paulo, aprenderão, erradamente, que felicidade é consumir… uma crença que custa a mudar, principalmente se é estabelecida durante a primeira infância, quando as crenças se concretizam profundamente no nosso ser.
Pausa no frisbee no jardim. Maio/2015.
Onde vocês frequentam? Qual o tipo de identificação que vocês têm com esses locais? Onde você estão conectados?
Somente respondendo essas perguntas a si mesmo é que as coisas podem ficar claras e você poderá, então, decidir mudá-las – e isso não é difícil.
Porquê escolhemos o pior
Segundo uma pesquisa do Datafolha de setembro de 2013, 70% dos paulistanos tinham o hábito de frequentar shoppings. Acredito que esse número tenha crescido, assim como o número de shoppings cresceu na cidade, de uns anos pra cá.
Na mesma matéria, na opinião da urbanista Heliana Vargas, coordenadora do Laboratório de Comércio e Cidade da FAU-USP, “em uma cidade como São Paulo, com sérios problemas de trânsito e de segurança, o shopping conquista por sua praticidade (…) é a preferência do paulistano por ser um ambiente organizado, confortável, onde se pode comer, comprar e ir ao cinema com segurança. Daí a popularidade”, diz.
Aliás, você já percebeu que o ambiente dentro de um shopping é perfeito? Clima sempre agradável e constante, devido ao sistema de ar condicionado, vendedores acolhedores, devido ao interesse mercadológico, com tudo o que se necessita para passar em média 16 horas (mais ou menos o tempo em que ficam abertos) das 24 do dia, com estrutura de segurança de ponta… tudo muito artificial, um ambiente bem diferente da realidade, que funciona somente com muita estrutura tecnológica, pessoal capacitado para servir aos frequentadores e relações humanas reduzidas ao ato de consumir.
É como num sonho… talvez uma fuga da realidade nada amena? Talvez devêssemos tornar a nossa realidade mais sonho, que fugir dela para o sonho de consumo, para as bolhas consumistas alienantes
Nos shoppings, há quase tudo o que desejamos ter, desde ofertas gastronômicas diversas até imóveis em locais, igualmente, de sonho; só que “desejar” e “ter” são verbos que pouco têm a ver com felicidade, principalmente em se tratando de bens supérfluos, porque é isso que os shoppings oferecem.
Fernando no shopping de Ubatuba: hábitos que demoram a se perder. Fevereiro/2012.
O que queremos quando vamos a um shopping? Osho traz uma desnudante reflexão acerca dos nossos quereres:
“Você me pergunta ‘O que eu quero?’ Eu é que devo lhe perguntar, ao invés de você me perguntar, porque depende de onde você está. Se você estiver identificado com o corpo, então o seu querer será diferente; então comida e sexo serão suas únicas vontades, seus únicos desejos. Esses são dois desejos animais, os mais baixos. Eu não os estou condenando ao chamá-los de mais baixos, eu não os estou avaliando. Lembre-se, eu estou apenas afirmando um fato: o mais baixo degrau da escada. Mas se você estiver identificado com a mente, os seus desejos serão diferentes: música, dança, poesia, e depois existem mil coisas. (…) Se você estiver identificado com o coração, então os seus desejos serão de uma natureza ainda mais elevada, mais do que a mente. Você se tornará mais estético, mais sensitivo, mais alerta, mais amoroso.(…) Assim, depende de onde você está ligado: no corpo, na mente ou no coração. Esses são os três mais importantes locais nos quais a pessoa pode funcionar. Mas também existe um quarto local em você; no oriente ele é chamado de turya. Turya simplesmente significa o quarto, o transcendental. Se você está consciente de sua transcendentalidade, então todos os desejos desaparecem. Então a pessoa apenas é, sem qualquer desejo, sem nada para ser pedido, para ser atendido. Não existe futuro ou passado. Então a pessoa vive neste momento completamente satisfeita, realizada. No quarto, o seu lótus de mil-pétalas desabrocha; você se torna divino. “
Anita inconsolável quando o carrossel parava. Caraguatatuba. Junho/2014.
O caro que sai ainda mais caro
Abordando o aspecto consumo, porque é disso que shopping (do inglês ato de fazer compras) se trata, seus filhos pequenos não sabem o preço disso tudo, ou melhor, não têm nem ideia do que seja preço. Como explicar, então, que nesse lugar “de sonho” tudo custa certa quantia em dinheiro, desde o estacionamento? Ou, que não se pode consumir tudo o que um shopping oferece o tempo todo? Que as atrações acabam, rápido, e que não dá pra ir “toda hora de novo”, principalmente as infantis (o que não é por acaso, é para entrar no loop do consumo). Não, não e não! Não dá pra explicar tudo isso. Não dá pra exigir esse entendimento insano de uma criança pequena, muito menos de um bebê meu Deus!
As atrações em shoppings são feitas de modo que criem aquela situação pavorosa em que as crianças, que possuem memória de curto prazo (músicas curtinhas, atenção curtinha, etc), querem consumir mais e mais do mesmo atééé cansarem, dificilmente aceitando o fim da atração, protestando muito contra você “pai/mãe malvados” passarem a lhe negar o que ela está adorando (“por quê???”). Sem dizer que, quando cansam, já estão dispostas a querer consumir outra coisa, aliás, o que há mais pra se fazer num shopping? E criança saudável quer diversão, só que num shopping diversão tem preço.
Isso sem falar no que custa à saúde infantil o excesso de atrações eletrônicas, principalmente as que incluem telas. (Mais sobre, aqui)
Dentro do shopping todos estamos entretidos o tempo todo, porque há muitas coisas atraindo atenção, dizendo “me consuma! me consuma!”. Estamos, portanto, com o nosso olhar voltado para o lado de fora o tempo todo, sem tempo para olharmos para dentro, desconectados de nós mesmos. E o que a desconexão causa, principalmente em crianças: agitação, irritação, choro, tristeza. Crianças e adultos precisam de locais onde possam olhar para dentro, onde possam estar paz, sem ter nada pra fazer a não ser estar consigo mesmos.
Se o hábito de frequentar shoppings já foi criado, é muito chato ter que ficar dizendo “não” o tempo todo. “Não” pra ir ao shopping, “não” pra ir ao local de diversões eletrônicas, “não” pras inúmeras e atraentes “comidas” processadas. É cansativo demais ficar explicando porque não dá o tempo todo, não é mesmo?
Se você é do tipo que sempre disse sim a esse tipo de passeio mas está disposto a mudar de vida e quer começar a dizer não, prepare-se! Meu filho, por exemplo, não podia passar perto daqueles quiosques que vendem balões de gás que queria levar um pra casa, também insistia muito em todo tipo de brinquedo “papa-fichas” que ficam subindo e descendo ou rodando e tocando uma musiquinha nada a ver. Quando comecei a dizer não, era sempre um show. Então, ponta firme e corre pro parque! (Sobre isso leia: O que há por trás das birras consumistas)
Primeira vez da Anita no Parque Ibirapuera, com 50 dias de vida. Julho de 2012.
Como abandonar o sistema
Eu sei o quanto é difícil buscar uma vida alternativa numa cidade que necessita de ambientes acolhedores, seja pela questão da segurança, seja pela necessidade de ter lugar pra estacionar, seja por conta da correria da cidade grande que nos faz necessitar de um local com estrutura para relaxarmos, seja porque precisamos de um mínimo de estrutura para conseguirmos nos divertir com as crianças (será mesmo?).
Na verdade, creio que o mais difícil de tudo está em resgatarmos velhos hábitos, que nos aproximem do outro e não das coisas, que possibilitem a troca e não que necessitem do dinheiro para trocar, em suma, que possibilitem o SER acima do TER.
Ouso dizer que a maioria dos pais e mães urbanos encontram-se incapazes de se divertirem com os filhos sem entrar na situação de consumidor. Não dá pra simplesmente estar junto e let it go! Temos que ir ao cinema, ou creditar no cartão de jogos para garantir o brincar eletrônico (em vez do brincar entre humanos), ou relegar a monitores a vistoria da diversão solitária dos filhos, ou gastar com alguma besteira pra mastigar: a regra é entreter, nem que seja através dos dentes!
Carrinhos de Bebê
Outra coisa que quem frequenta shopping sabe bem é que a ostentação começa no carrinho do bebê. Há carrinhos que chegam a custar R$6 mil, como o Aston Martin Silver Cross. Cabe a você decidir inserir seu bebê nesse mundo infeliz do pode mais quem paga mais, ou não.
Nossa geração mãe/pai classe média urbana, cresceu em shoppings, aprendemos a frequentá-los desde sempre. Como viver, então, sem isso? Como resgatarmos a brincadeira de rua, a infância livre na prática?
A minha opção foi sair da cidade gigante e mudar para o litoral (mudança drástica, resposta a muitos anos de opressão rs), com um shopping de dar dó em Ubatuba (graças a Deus!), a cidade em que aportei primeiro. Mas, antes mesmo dessa grande mudança, eu passei a mudar meus hábitos e dos pequenos e a passear mais pelo bairro, brincar mais no quintal da avó e área comum do prédio e a frequentar mais os parques da cidade, confesso que meu salário reduzido na época, por opção de querer dedicar meu tempo mais aos filhos que ao mercado, auxiliou na escolha do mais em conta, e melhor.
Nós no Parque do Cordeiro, pertinho da nossa casa na época, na zona sul da capital paulista. Agosto/2012.
A vida real está fora
Se seus filhos vão a outros lugares ao ar livre, aprenderão, desde sempre, que a vida é abundante, pois terão mais espaço, mais natureza e mais pessoas para compartilhar, pessoas, essas, em situação de maior conexão, portanto, mais abertas para trocar, você, por exemplo, que não estará distraído com vitrines, em situação de cliente, mas apenas sendo pai/mãe.
A maioria dos pais e mães ainda estão submetidos à jornada insana de mais de 8 horas de trabalho diário, a maioria das crianças também passa grande parte do seu dia, senão mais ainda que os pais, dentro de instituições. Poxa! Vocês merecem o lado de fora! Na verdade, precisam dele.
Se seus filhos frequentarem lugares ao ar livre, aprenderão, também, que a vida é instável, nem sempre confortável, pois estarão em contato com o tempo, assim como ele é, mas que pode ser plena de aventuras reais, sem que, pra isso, seja preciso possuir coisas, mas apenas SER quem somos em integração com a Existência.
“Investigue, olhe para o lugar exato onde você está. No que me diz respeito, todo desejo é completo desperdício, todo querer é errado. Mas se você está identificado com o corpo, eu não posso dizer isso para você, porque isso estará muito longe do seu alcance. Se você está identificado com o corpo, eu lhe direi, mude um pouco para desejos mais elevados, os desejos da mente, e depois um pouco mais alto, para os desejos do coração, e depois finalmente ao estado sem desejos. Desejo algum jamais será satisfeito. Esta é a diferença entre a abordagem científica e a abordagem religiosa. A ciência tenta satisfazer os seus desejos e, naturalmente, a ciência tem sido bem sucedida ao fazer muitas coisas, mas o homem permanece na mesma miséria. A religião tenta acordá-lo para a grande compreensão para que você possa ver que todos os desejos intrinsecamente não conseguem ser satisfeitos. É preciso ir além de todos os desejos e somente assim haverá contentamento. Contentamento não é o fim de um desejo, contentamento não é a satisfação do desejo; porque o desejo não pode ser satisfeito. Com o tempo, quando você chegar à satisfação do seu desejo, irá descobrir que mil e um outros desejos surgiram. Cada desejo se ramifica em muitos desejos novos. E isso acontecerá repetidas vezes e toda a sua vida será desperdiçada. Aqueles que sabem, aqueles que vêem – os budas, os despertos – todos concordam em um ponto. Isso não é uma coisa filosófica, é factual, o fato do mundo mais interior: o contentamento acontece quando todos os desejos tiverem sido abandonados. É com a ausência de desejos que o contentamento surge dentro de você. – na ausência. Na verdade, a própria falta de desejos é contentamento, é preenchimento, é gozo, é florescimento.” (OSHO – Come, Come, Yet Again Come – Cap. 4 – Pergunta 3, Tradução: Sw. Bodhi Champak)
Se você ainda pretender continuar frequentando assiduamente shoppings e levando seus filhos consigo, não reclamem depois de os terem criado à sua imagem e semelhança de zumbizinhos alienados que só sabem ou estar passivos, quando entretidos com algo, ou ativos demais, estressados ou hiperativos, colocando pra fora todo o excesso de informação a que foram submetidos e enlouquecendo a todos os demais, porque criança externaliza muito mais, e hiperatividade e TDAH são apenas termômetros que indicam, na maioria das vezes, modos de vida desequilibrados.
Mas antes de fazer sua escolha, ouça outra palavra: um super TED Talk com o lúcido, preciso e arrepiante pediatra Daniel Becker, sobre os sete pecados capitais contra a infância e suas soluções, trazendo a importância das crianças e adultos estarem do lado de fora, porque a natureza exterior leva à natureza interior!
Gratidão por ler! Por uma vida mais livre para todos nós. <3
Quando escrevi o último artigo Creme para prevenção de assaduras: um produto a menos, esperava por críticas ao que estava defendendo, muitas. Só que, para minha surpresa, não li uma sequer por onde o texto foi compartilhado nas redes, pelo contrário, além de alguns questionamentos sobre como lidar na prevenção e tratamento de assaduras, li com alegria os inúmeros comentários e dicas envolvendo o tema de trocas e de menor uso de produtos industrializados nas crianças desde bebês.
Assim, me certifiquei da necessidade de complementar o tema de trocas, mas apenas para destrinchar o que já está explícito. Dessa forma, acrescento que lenço umedecido é outro produto a menos para se consumir na vida mãe-bebê.
Mas, antes de começar a desfiar “elogios” ao lencinho, te faço uma pergunta: você já usou lenço umedecido em você? Ou melhor, já usou lenço umedecido em você durante meses seguidos, todos os dias, diversas vezes ao dia? Recomendo experimentar para sentir na pele, literalmente, o porquê de esse ser um produto ruim, que deve ao máximo ser evitado. Se quiser testar e tirar suas próprias conclusões, nem precisa continuar a ler. Nada ensina melhor do que a própria experiência ;). Do contrário, vamos adiante!
A primeira vez que troquei meu primeiro filho. Vovô arrumando. (Março/2009)
Porque abolir o lenço umedecido da vida
A proteção natural da pele
A pele serve de “armadura” para você: suas estruturas protegem o corpo das agressões do meio ambiente, como bactérias e fungos, condições climáticas, poluição e substâncias químicas, entre outras.
Além de proteger o corpo, a própria pele produz para si uma camada de proteção, chamada manto hidrolipídico. Esta camada é formada por uma mistura de gordura, produzida pelas glândulas sebáceas, e suor, fabricado nas glândulas sudoríporas.
O manto hidrolipídico lubrifica a pele e os pêlos. E porquê essa lubrificação é importante? Porque a camada de sebo e suor torna a pele mais resistente às infecções. Os fungos ou bactérias presentes no ar têm mais dificuldade de penetrar na pele e causar doenças, como as conhecidas micoses e o impetigo (aquela doença de pele que aparece em crianças).
Além de evitar infecções, o manto hidrolipídico protege a pele dos agressores externos que estão no ar, como pó, pólen, pêlos… Sem proteção, estes agentes irritam a pele, causando dermatites (inflamações). A pele também fica mais protegida da ação de moléculas das substâncias químicas, como aquelas que fazem parte dos detergentes e outros produtos de limpeza. Estas substâncias podem causar grande irritação, com vermelhidão, inchaço, coceira e secreções.
A lubrificação deixa os pêlos mais fortes, com menos chance de quebrar. Inteirinhos, eles ficam mais bonitos e desempenham melhor sua função de manter a temperatura do corpo nos dias ou locais frios.
Outra função do manto hidrolipídico é impedir o ressecamento, evitando a perda de água pela pele. Isso é muito importante em regiões ou épocas do ano nas quais a umidade do ar está baixa. Se não fosse o manto hidrolipídico, sua pele ficaria ressecada com mais facilidade. (Fonte: Saúde Total)
Os simples motivos para se abolir o consumo dos “inocentes” lencinhos são:
– caro: passar um simples algodão umedecido com água ou lavar o bumbum do seu filho, AINDA, é mais barato do que limpá-lo com o produto, então, pra quê gastar?
–antiecológico: os lenços umedecidos, são produtos descartáveis e podem ser facilmente substituídos por processos e produtos menos poluentes. Não estamos em uma conjuntura planetária onde podemos continuar consumindo produtos descartáveis, gerando lixo que ficará aí, ao Deus dará sabe-se lá até quando, para se degradar. Isso é um fato. Se você prefere ter água potável para seus filhos e netos, simplesmente pare de comprar produtos descartáveis. Além de ser descartável, esse “suave” produto, pode conter além do TNT (tecido não-tecido), que custa a desaparecer, mais de 10 substâncias químicas que contaminam o meio. Bom, se você não se importa em comer vegetais “temperados” (inclusive os orgânicos), basta continuar a utilizar produtos tóxicos, pois tudo o que você descarta, um dia você pode consumir de alguma forma, porque “na natureza (lembra?) nada se perde, nada se cria, tudo se transforma!” Pense em quantas reencarnações seu filho virá à Terra enquanto o “lixinho” dele, de milhares de lencinhos (fora as mais ou menos 5 mil fraldas, se vocês consomem descartáveis), se decompõe.
–insalubre: contém muitas substâncias químicas agressivas como o metilisotiazolinona, frequentemente encontrado em alguns lenços umedecidos e também usado em diversos produtos para limpeza doméstica, causador de graves alergias. Contudo, mesmo descartando a possibilidade de causar alergias, todo lenço umedecido remove em maior ou menor escala o manto hidrolipídico da pele (leia mais no quadro ao lado), deixando-a muito mais vulnerável a assaduras, candidíase (fungo), infecções bacterianas, etc, enfim, todo tipo de invasão. O perigo também está na possibilidade de ingestão dessas substâncias, como ressaltado num trecho de uma matéria de 2007 da revista estadunidense Baby Care Products:
“Os bebês e as crianças são especialmente vulneráveis a produtos químicos presentes em shampoos, sabonetes, loções, pomadas, lenços umedecidos e outros produtos. O cérebro das crianças, o sistema nervoso e outros órgãos, ainda estão em desenvolvimento, e assim substâncias que têm um efeito pequeno em adultos podem contribuir para problemas maiores em crianças. Os bebês também podem ingerir produtos que são destinados apenas para uso externo pelos dedos, mãos, colocando os dedos, brinquedos e outros objetos na boca. A pele dos bebês é mais fina e portanto mais permeável do que a pele de um adulto, permitindo que os componentes químicos sejam absorvidos com maior facilidade.”
Da suposta necessidade do lenço
Anos 50. Advento das fraldas descartáveis. A indústria percebe o bebê como consumidor e cria diversos produtos para suas “necessidades”.
Todas as vezes que vou a São Paulo compreendo o porquê da maioria de nós, mães urbanas, usarmos em nossos bebês diversos produtos nada sustentáveis: faz parte da “natureza” da cidade vivermos atentando contra nossa saúde.
Como trocar um bebê no carro ou num banheiro público com fraldas de pano e algodão umedecido em água, a opção mais saudável e econômica que existe? Que é possível, sim, é possível, porque eu consigo, mas que é difícil é, e com lencinho e fralda descartável é muito mais fácil; mas também, muito mais custoso, como estamos constatando.
Daí você vai me dizer: “Ah, mas só água não mata todos os GERMES!” Olha, eu sinceramente prefiro um pouco de germes supostamente perigosos na pele, que um montão de substâncias químicas detonando o manto hidrolipídico e a flora natural e abrindo caminho para uma invasão muito pior.
Essa ideologia higienista, que ganhou força a partir da industrialização, êxodo rural, formação das massas urbanas, consumismo, etc, não é natural. Não é natural usarmos um produto descartável com N substâncias químicas, sobre as quais ainda não temos total noção do mal que fazem, mas que consumimos porque serve à praticidade, somente. De que adianta um produto nos fazer ganhar tempo mas, ao mesmo tempo, perder saúde?
Uma coisa que aprendi nos últimos anos, num processo gradativo de simplificação da vida (gratidão suprema por isso!) é que podemos e devemos escolher com o quê facilitar a vida.
O processo de criação de uma necessidade ilusória, é mais ou menos assim: primeiro nos dizem que temos um monte de necessidades que não temos e nos fazem acreditar que temos, depois, nos enchem de produtos para satisfazê-las, depois e depois e depois vão “simplificando ainda mais as nossas vidas” nos trazendo produtos inovadores, que facilitam nosso cotidiano de satisfação daquelas necessidades lá do começo do parágrafo, que, na verdade, nunca tivemos. C’est le marché!
Em São Paulo você “precisa” de lenço umedecido pra trocar seu bebê porque você “precisa” correr pra trabalhar, correr pra trocar ele no carro porque é perigoso, correr pra trocar ele no fraldário porque tem fila, correr pra trocar ele porque você tem pouco tempo para cuidar do seu bebê. Tem mesmo? Ou você aceitou isso como verdade e corre com isso sem necessidade? Escolha! É uma questão de escolha, saiba disso, pra que você escolha com consciência e não por inércia. Falo isso agora, mas na minha primeira viagem como mãe, eu não sabia que tinha escolha.
Lencinho umedecido e o cuidado corrido: a minha experiência
Com meu primeiro filho gastava horrores em lencinhos e vivia questionando minha mãe e avós (como a maioria das mães de primeira viagem), inconformada, de como elas faziam na época delas para limpar os bebês, e elas me diziam que era com fraldas de pano ou lavando. Para mim, na época, aquilo era algo totalmente impensável, inviável, trabalhoso demais, demorado demais, nada prático. Hoje compreendo que os lenços umedecidos eram um item indispensável na minha rotina com meu filho porque eu corria demais com muitas coisas e limpar meu filho com algo menos agressivo e “demorado”, não era nem mesmo cogitável.
Anita em seu banho de sol sem fralda, fortalecendo os ossos, a pele e a alma, com quase 5 meses
Na época da minha segunda filha, eu decidi trabalhar menos, ser mais presente, cuidar sem pressa, consumir menos lenços. Aos 7 meses de vida dela, o uso de algumas marcas de lencinhos lhe causaram uma assadura dura. Na ocasião, suspendi o uso e, após o tratamento, reduzi ainda mais o consumo e passava uma fralda de pano ou algodão umedecidos em água para retirar um pouco da química do produto quando o usava.
Com a caçulinha, prefiro lavá-la com água na maioria das trocas, ou uso algodão umedecido, especialmente fora de casa. Lenço umedecido é só na urgência e em viagens, assim como fraldas descartáveis. Imagine a economia que venho fazendo, mas, melhor que isso, imagine a pele resistente e lindinha da minha pequenininha. 😀
O excesso de consumo de lenços umedecidos está diretamente ligado a nossa falta de tempo para sermos mães.*
Estamos falando aqui de libertação de consumo desnecessário, de economia de recursos, de saúde, de perder tempo com o que vale a pena. Quer cuidado mais delicioso que trocar, limpar, acarinhar nossos filhos nos constantes momentos de troca, porque, além de lhes trocarmos as fraldas nesses momentos, trocamos sobretudo carinhos, olhares, palavras, amor.
Você tem opção!
Estela de zebrinha no jardim. Com 6 meses. Agosto/2015.
Você pode fazer como eu e lavar o bumbum e genitais do seu bebê quando estiver em casa ou onde seja possível, usar algodão embebido em água (que só precisa ser morna em tempo frio), pode usar borrifador nas trocas, óleo de gergelim, de coco, azeite, etc, com paninho, toalhinha, etc, etc. Internet tá aí pra N opções.
Se você não quer abrir mão da praticidade do lencinho, opte por fazer você mesma um produto mais seguro. No YouTube e em diversos sites, há tutoriais ensinando como fazer o produto de forma artesanal e biodegradável: uma opção mais segura para a saúde do seu bebê e para o nosso planeta. Como este, por exemplo.
Sou mãe de três e perco tempo nesse cuidado cheiroso que é trocar minha bebê sem lenços e com fraldas de pano, e, sim, me arrependo de ter corrido tanto, mas regressivamente, com meus dois primeiros bebês. Se eu pudesse voltar no tempo, “perderia” mais tempo nas trocas deles, trocando com eles, esquecendo do tempo e dos lenços.
Quando você usa em seu bebê pomada para prevenir assaduras, porque incutiram em sua mente, desde sempre, que se trata de um produto essencial na sua nova vida de cuidados com seu bebê, você tende a acreditar que, caso não use o tal produto, seu bebê fatalmente terá assaduras, ou, como repete o senso comum, que “é melhor prevenir do que remediar”. Certo?
Bom, no artigo Bebê Livre de Consumismo, refleti acerca da real necessidade de um bebê. O que seria realmente necessário, em termos de consumo, “além de leite materno e alguns panos?” Poderíamos comprar menos produtos industrializados para nossos bebês? O que seria necessário, baseado em evidências?
Para mim, um dos produtos para bebês que pode ser banido do consumo é o creme para “prevenção” de assaduras, assim, com aspas mesmo, porque percebi que em vez de prevenir assaduras, torna os bebês mais suscetíveis a tê-las e a necessitarem de tratamento, seja com produtos naturais, seja com pomadas para assaduras (a maioria composta de nistatina + óxido de zinco), nos casos mais graves.
Não uso esse produto na minha bebê atual desde que ela nasceu, e também quase não usei na minha filha do meio. O que noto na minha experiência de trocas de três filhos, é que se trata de um produto totalmente dispensável, tanto por não fazer o que e propõe e desperdiçar os recursos extraídos para sua fabricação, quanto, e pior ainda, por fazer mal à saúde do bebê, ou seja, é totalmente insustentável.
A minha experiência
Bom, por seguir as crenças lá do primeiro parágrafo desse artigo é que eu usei esse tipo de creme em quase todas as trocas com meu primeiro filho, assim como aconselha o fabricante, aliás, ganhei um de brinde já na maternidade. Só que, bastava eu esquecer de aplicar o produto, que meu bebê já ficava assado, muito assado tadinho, de despelar. Daí aquela ideia propagada e vendida, de que se tratava, realmente, de um produto indispensável, se fixou na minha mente, e, definitivamente, acreditei que se eu não “prevenisse”, ele ficaria assado.
Meu primogênito quando bebê. Super consumidor de creme para prevenção de assaduras.
Só que com minha segunda filha, (como eu já tinha adotado uma nova postura, de ser mais “eu” como mãe, pois já tinha constatado as inúmeras mentiras que tinha seguido, aliás, acredito que esse é um movimento da maioria), decidi, logo no início da vida dela, deixar de usar a tal pomada, porque o que eu sempre senti, no fundo do meu ser, é que nosso corpo está preparado para reagir com aquilo que ele próprio produz, não podendo ser dependente de um produto industrializado, que, há poucas décadas, nem existia.
Para confirmar meus sentimentos, em 7 meses de vida, minha filha não ficou assada uma única vez. Teve apenas uma assadura com 7 meses e meio, por conta de uns lencinhos umedecidos agressivos que usei nela, mas que foi devidamente tratada com a pomada para assaduras (não para prevenção) e, em menos de uma semana, estava saradinha.
Pense só na economia que fiz de tempo e dinheiro ao não utilizar esse produto supostamente indispensável! Pense mais, pense que ao não ter usado a pomada para prevenção de assaduras a pele da minha filha criou a devida resistência natural ao entrar em contato com suas “produções” em vez de ser atacada por isso.
Aninha tratando a assadura que teve com 7 meses, na praia. Fevereiro/2013.
Constatei que o produto ao formar uma “barreira na pele”, limitando o contato dessa com a urina e as fezes, torna-a mais suscetível a assaduras por não permitir que ela crie a resistência natural para lidar com isso.
Excessivamente protegida, a pele se torna sensível demais em vez de se tornar resistente, bastando esquecer uma vez sequer de passar uma grossa camada do produto, para o bumbum e genitais ficarem assados.
Enfim, creme para prevenção de assaduras é um daqueles produtos que são “o mal e o remédio”, pois, ao mesmo tempo, que cria uma necessidade que não existia, oferece a solução, gerando a dependência do consumo.
Prevenção difere de superproteção, que é sempre prejudicial, pois impede o fortalecimento e a autonomia.
Recentemente, minha caçula teve sua primeira assadura, com 6 meses completos. Usei amido de milho por dois dias nas trocas e sarou (Obs: amido de milho não pode ser usado em caso de suspeita de infecção fúngica, pois é alimento para os fungos). Chá de camomila no banho ou em compressa também auxilia na restauração da pele.
Para mim, uma ótima maneira de se prevenir assaduras é evitando ao máximo o uso de produtos químicos na pele dos bebês, reduzindo, por exemplo, o uso de lenços umedecidos, sabonetes, etc, que, além de limpar, retiram a proteção natural da pele.
Que tal abandonar o hábito de seguir a manada, de viver na inércia, e fazer escolhas mais conscientes em sua vida e de seu bebê? Economize tempo e dinheiro ao parar de consumir produtos dispensáveis, a saúde, o planeta e o bolso agradecem.