Creme para “prevenção” de assaduras: um produto a menos

Tempo de leitura: 5 minutos

Quando você usa em seu bebê pomada para prevenir assaduras, porque incutiram em sua mente, desde sempre, que se trata de um produto essencial na sua nova vida de cuidados com seu bebê, você tende a acreditar que, caso não use o tal produto, seu bebê fatalmente terá assaduras, ou, como repete o senso comum, que “é melhor prevenir do que remediar”. Certo?

Bom, no artigo Bebê Livre de Consumismo, refleti acerca da real necessidade de um bebê. O que seria realmente necessário, em termos de consumo, “além de leite materno e alguns panos?” Poderíamos comprar menos produtos industrializados para nossos bebês? O que seria necessário, baseado em evidências?

Para mim, um dos produtos para bebês que pode ser banido do consumo é o creme para “prevenção” de assaduras, assim, com aspas mesmo, porque percebi que em vez de prevenir assaduras, torna os bebês mais suscetíveis a tê-las e a necessitarem de tratamento, seja com produtos naturais, seja com pomadas para assaduras (a maioria composta de nistatina + óxido de zinco), nos casos mais graves.

Não uso esse produto na minha bebê atual desde que ela nasceu, e também quase não usei na minha filha do meio. O que noto na minha experiência de trocas de três filhos, é que se trata de um produto totalmente dispensável, tanto por não fazer o que e propõe e desperdiçar os recursos extraídos para sua fabricação, quanto, e pior ainda, por fazer mal à saúde do bebê, ou seja, é totalmente insustentável.

A minha experiência

Bom, por seguir as crenças lá do primeiro parágrafo desse artigo é que eu usei esse tipo de creme em quase todas as trocas com meu primeiro filho, assim como aconselha o fabricante, aliás, ganhei um de brinde já na maternidade. Só que, bastava eu esquecer de aplicar o produto, que meu bebê já ficava assado, muito assado tadinho, de despelar. Daí aquela ideia propagada e vendida, de que se tratava, realmente, de um produto indispensável, se fixou na minha mente, e, definitivamente, acreditei que se eu não “prevenisse”, ele ficaria assado.

fe-pomada
Meu primogênito quando bebê. Super consumidor de creme para prevenção de assaduras.

Só que com minha segunda filha, (como eu já tinha adotado uma nova postura, de ser mais “eu” como mãe, pois já tinha constatado as inúmeras mentiras que tinha seguido, aliás, acredito que esse é um movimento da maioria), decidi, logo no início da vida dela, deixar de usar a tal pomada, porque o que eu sempre senti, no fundo do meu ser, é que nosso corpo está preparado para reagir com aquilo que ele próprio produz, não podendo ser dependente de um produto industrializado, que, há poucas décadas, nem existia.

Para confirmar meus sentimentos, em 7 meses de vida, minha filha não ficou assada uma única vez. Teve apenas uma assadura com 7 meses e meio, por conta de uns lencinhos umedecidos agressivos que usei nela, mas que foi devidamente tratada com a pomada para assaduras (não para prevenção) e, em menos de uma semana, estava saradinha.

Pense só na economia que fiz de tempo e dinheiro ao não utilizar esse produto supostamente indispensável! Pense mais, pense que ao não ter usado a pomada para prevenção de assaduras a pele da minha filha criou a devida resistência natural ao entrar em contato com suas “produções” em vez de ser atacada por isso.

Aninha tratando a assadura que teve com 7 meses, na praia. Fevereiro/2013.
Aninha tratando a assadura que teve com 7 meses, na praia. Fevereiro/2013.

Constatei que o produto ao formar uma “barreira na pele”, limitando o contato dessa com a urina e as fezes, torna-a mais suscetível a assaduras por não permitir que ela crie a resistência natural para lidar com isso.

Excessivamente protegida, a pele se torna sensível demais em vez de se tornar resistente, bastando esquecer uma vez sequer de passar uma grossa camada do produto, para o bumbum e genitais ficarem assados.

Enfim, creme para prevenção de assaduras é um daqueles produtos que são “o mal e o remédio”, pois, ao mesmo tempo, que cria uma necessidade que não existia, oferece a solução, gerando a dependência do consumo.

Prevenção difere de superproteção, que é sempre prejudicial, pois impede o fortalecimento e a autonomia.

Recentemente,  minha caçula teve sua primeira assadura, com 6 meses completos. Usei amido de milho por dois dias nas trocas e sarou (Obs: amido de milho não pode ser usado em caso de suspeita de infecção fúngica, pois é alimento para os fungos). Chá de camomila no banho ou em compressa também auxilia na restauração da pele.

Para mim, uma ótima maneira de se prevenir assaduras é evitando ao máximo o uso de produtos  químicos na pele dos bebês, reduzindo, por exemplo, o uso de lenços umedecidos, sabonetes, etc, que, além de limpar, retiram a proteção natural da pele.

Que tal abandonar o hábito de seguir a manada, de viver na inércia, e fazer escolhas mais conscientes em sua vida e de seu bebê? Economize tempo e dinheiro ao parar de consumir produtos dispensáveis, a saúde, o planeta e o bolso agradecem.

Namastê!

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8 Comentários


  1. Muito boa matéria!
    Eu sempre usei pomadas para prevenção de assaduras no meu bebe, hoje com 18 meses. Com o tempo passei a usar menos quantidade, pois percebi que ele nao ficava com assadura com facilidade e já teve vezes que não usei e ele não ficou com assadura.
    Continuo usando, menos que antes, ainda presa ao pensamento coletivo..rs


    1. Que bom que está respondendo às suas percepções Lenita. Nas redes sociais, onde o artigo foi compartilhado, muitas pessoas sugeriram diversas opções melhores para a pele como óleo de gergelim, óleo de uva, azeite extra virgem, óleo de coco e etc. Mas o mais prático, para mim, já basta para a pele da minha filhinha, que é limpá-la apenas com água e usar chá de camomila ou amido de milho no início de uma alteração (só que amido não pode ser usado em caso de suspeita de infecção fúngica). Ela está com 7 meses agora. Se ainda não tiver coragem de usar apenas água enquanto não houver assadura, há esse montão de opções mais saudáveis para usar nas trocas. Gratidão por compartilhar! Namastê!



  2. Bom dia! Conheci seu blog agora é confesso que fiquei incomodada por participar desta vida consumista industrializa no fundo meu pensamento sempre foi contraditório ao que a sociedade impõe… quero muito mudar, É contribuir para um mundo melhor. Uma pergunta, sobre o sabonete e shampoo o que poderia substituir no banho dos bebês e crianças? Tenho um menino de 2 anos e uma menina de 7 meses. Parabéns pelo blog!!!


    1. Olá! Namastê! Também busco mudar na medida das minhas possibilidades, mas a cada dia mais. Quanto a shampoos e sabonetes, o que eu faço com os meus filhos é utilizar pouco e produtos menos agressivos. Faço low poo e eles também, só que com produtos estritamente infantis. Cerca de 2 vezes por semana, lavo os cabelos com uma mistura de água e bicarbonato de sódio (30g para 1 litro) no lugar do shampoo e, em seguida, com uma mistura de vinagre de maçã e água (na proporção de 1 para 4). Nos outros dias lavo com os shampoos e condicionadores permitidos pela técnica. Com meus bebês, inclusive a minha de 8 meses no momento, só utilizo pouquíssimo shampoo para bebês ou sabonete líquido para bebês (o importante é que seja livre de sulfatos, óleo mineral, derivados de petróleo, parafina líquida e parabenos). Pra você ter uma ideia, utilizei 1 frasco de sabonete líquido (250 ml) para banhá-la em quase 6 meses de vida. Mas, a partir dessa idade, mais ou menos, os bebês começam a comer e a se movimentar mais, então acabam se sujando mais e consumindo mais esses produtos. Você também pode banhar ambos em água com chá de camomila, principalmente se tiverem qualquer assadura ou problema na pele. Camomila é cicatrizante, calmante, e não tem contra-indicação. Sugiro que entre em grupos low/no poo no Facebook para aprender mais sobre o assunto e ver se gosta da possibilidade. O óleo de coco tem funcionado tão bem para a pele e cabelos que não tenho comprado condicionadores nem hidratantes. Embora seja um produto considerado caro, ele é muito concentrado, então acaba saindo quase o mesmo preço de outros óleos, só que é muito mais versátil e saudável, pois pode ser usado na alimentação e no lugar de diversos cosméticos. No blog Um Ano Sem Lixo tem muito mais ideias. Gratidão pela visita e por escrever!


  3. Achei super interessante esse post seu, estou grávida, mas já fiquei consciente que devo evitar certos exageros da nossa sociedade moderna, até pq nossos pais e avós não tiveram todos esses produtos que usamos e sobreviveram. Vi num blog italiano ensinando a fazer uma pomada caseira para tratar assaduras com 50 g de pó de óxido de zinco (não sei se acha aí no Brasil, na Itália vende em algumas farmácias ou em lojas online de matérias primas para cosméticos feitos em casa) e 50 g de azeite de oliva, que pode ser substituído por metade de azeite de oliva e metade de óleo de amêndoas, se a pessoa tiver em casa pode adicionar óleo vegetal de calêndula também. Ela joga o óleo aos poucos no pó de óxido de zinco, até virar um creminho. Ela guarda num frasco de plástico opaco e branco, e mantém protegido do calor, em local bem fresco (pra aumentar a durabilidade ela diz que pode ser guardado na geladeira), vi num comentário ela falando que tem uma pasta pronta há três anos (guardada em local fresco e arejado o ano inteiro) e que ainda é boa. Ela diz que se o óleo se separar do pó basta mexer com uma colher limpa que volta a ser como antes. Mas ela mesmo diz nos comentários que é pra usar a pasta caseira apenas quando é necessário, quando uma mãe pergunta se precisa usar em todas as trocas de fraldas.
    Esse é o blog da criadora da pomada caseira, que inclusive foi patenteada pela mesma, vc pode entrar lá com Google Chrome e usar a função de tradução: http://www.lareginadelsapone.com/2011/03/pasta-di-hoffmann.html


    1. Acabei de achar um site no Brasil onde vende o pó de óxido de zinco, lá também vende o óleo de calêndula (um cicatrizante natural), caso alguém queira adicionar um pouco na sua pomada caseira: https://www.florafiora.com.br/p/oxido-de-zinco/
      Na minha pomada vou colocar 50 g de óxido de zinco, 20 g de azeite de oliva, 20 g de óleo de amêndoas e 10 g de óleo de calêndula.

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