Bebê livre de consumismo

Tempo de leitura: menos de 1 minuto

Todo ser vivo, desde o momento da concepção até sua morte, precisa consumir energia em diversas formas para sobreviver, seja em forma de luz, água, nutrientes e etc. Mas, além do consumo necessário à sobrevivência, há o consumismo, que se trata do consumo de coisas desnecessárias.

Assim, pensando num ser humano que abarcou nesta terra há pouco tempo, e que só tem necessidades reais como se alimentar, dormir, ser cuidado e amado, o que ele realmente precisa consumir além de leite materno e alguns panos?

Será que poderia consumir menos? Será que nós, mães, poderíamos comprar menos coisas para nossos bebês? Tudo o que você já comprou ou ganhou até hoje para o seu bebê foi realmente necessário? Que benefícios teríamos se desde bebês, evitássemos que nossos filhos ingressassem totalmente no modo de vida consumista?

Contemplando minha primeira filha que nasceu fora do sistema, na Casa de Parto de Sapopemba
Contemplando minha primeira filha que nasceu fora do sistema, na Casa do Parto de Sapopemba, em São Paulo.

Segundo uma reportagem de 2013 do Estadão PME, uma família de classe média desembolsa cerca de R$ 5 mil na aquisição do enxoval que irá acompanhar o bebê no primeiro ano de vida. Pra se ter uma ideia do montante de dinheiro que circula nessa economia, somente uma loja online do segmento, a Bebê Store divulgou sua perspectiva de fechar 2013 com faturamento de R$ 100 milhões e alcançar R$ 500 milhões em faturamento até 2015.

Tente se colocar nos olhos de um recém-nascido. A medida em que o recém-chegado vai se apercebendo do universo que o rodeia, vai também se acostumando às rotinas de cuidados com ele e conhecendo os produtos que fazem parte dela. Dessa forma, quanto menos procedimentos desnecessários fizermos com nossos bebês e quanto menos produtos e serviços fizerem parte do mundo que ele conhece, com menos ele aprenderá a viver. Citando o escritor minimalista Alex Castro, “quanto menos tralha, mais experiência”.

Menos é mais, mas parte dos pais

Antes do bebê existe a mãe,  o pai, a família e os cuidadores desse bebê, e tudo o que eles, permitem ou não que faça parte do mundo do bebê.

Consumir menos, além de economizar em dinheiro, economiza o tempo de trabalho dedicado para ganhar o valor do produto em dinheiro e o tempo de uso do produto dispensável, ou seja, é muito tempo de economia, mais que dinheiro propriamente, e tempo é o real luxo de nossas vidas.

Contudo, antes de tentar reduzir o consumo dos produtos para bebês na prática, faz-se necessário que os pais revejam os próprios hábitos consumistas e se esforcem para se libertarem deles, entendendo, principalmente, quais razões os levam a consumir demais. Pais livres de consumismo terão, de uma maneira muito mais fácil e natural, tanto pelo exemplo que dão, quanto pela maneira como preenchem suas vidas, filhos igualmente livres, pois ao vivermos de forma mais simples damos aos nossos filhos uma infância mais liberta e com muito mais tempo e espaço para experiências reais, do ser e não do ter.

Assim, mãe e pai do bebê devem se empenhar em se libertar do consumo além do necessário, e o primeiro passo para isso é sair do sistema. Não, você não vai ter que abandonar tudo e seguir uma vida totalmente alternativa (embora a tendência natural seja a de buscarmos cada vez mais liberdade). E não, isso não precisa ser feito de forma brusca, gradativamente é mais fácil, colocando, aos poucos, momentos de vida real na vida formatada da sociedade do consumo, imposta à grande maioria da população mundial que vive em cidades.

No entanto, para inserirmos momentos de vida real na vida consumista é preciso criar espaço para isso. Como só sabemos viver consumindo demais, somente abdicando de alguns hábitos ou produtos supérfluos, inicialmente, é que criaremos espaço para conseguirmos viver sem o excesso de coisas que entopem nossas vidas, que não dá espaço para o que realmente importa. Digo ‘inicialmente’ porque depois que damos o primeiro passo e nos reconectamos com a vida real, a libertação do consumismo tende a se tornar um hábito. Isso porque, ao sentirmos novamente a vida real acontecer, cada vez mais queremos que a nossa vida e de nossos filhos seja assim, repleta, em sua totalidade.

Gratidão por ler. Espero que este breve artigo tenha servido de inspiração. A seguir trago mais 6 artigos com alguns passos para que seu bebê (e você mãe/pai, claro) seja muito mais livre de consumismo.

Abaixo, um vídeo sobre o tema que vale a reflexão.

Namastê! <3

banner-esv

3 Comentários


  1. Oi, Mariana.
    Adorei a sua página porque reflete muita coisa em que acredito, principalmente na simplicidade em criar nossos filhos.
    Na verdade já sou vó de 3 netos: uma menina de 7 anos outra de 11 meses e um garoto de 9 meses.
    Digo que avó adora mimar os netos, mas procuro sempre presenteá-los com coisas úteis e importantes para o crescimento deles como pessoas, tais como livros, brinquedos educativos, coisas feitas por mim, bordados, etc.
    As vezes me excedo, mas ponho culpa na minha condição de vó. hehe
    O motivo maior do meu contato é externar a minha indignação em relação ao exagero que vemos hoje em dia em Festas de formatura de pré escolar. Ontem na minha cidade aconteceu um evento desses e uma amiga que tinha um filho formando me falou que foi um gasto de mais de 2500 reais para a organização da festa, sem contar o preço do álbum que teriam que comprar depois. E no aluguel de roupas e tudo o mais, porque pra falar a verdade ,os pais alienados gostam bastante disso. Pediram aos pais para irem de roupa social, não podia ir de jeans nem de de tênis. As crianças deveriam chegar uma hora antes para sessão de fotos e as roupas eram verdadeiras roupas de “princesas”e “principes”, vestido social e terno.Essa roupa seria só para a entrada “glamourosa”dos formandos com os pais, depois deveriam trocar de roupa para ficarem mais confortáveis. E a festa começaria as 10 da noite, isso para crianças de 7 anos.O evento é mais glamouroso do que formatura de faculdade, que hoje também está ficando bem fora de moda.
    Agora eu me pergunto: em que mundo vivem essas pessoas? Crise passou longe.
    Num mundo de tanta desigualdade como podem compartilhar com isso?
    Gostaria que você expressasse o seu parecer sobre isto, de preferência em um artigo.
    Agradeço a atenção. Grande abraço.
    Verena


    1. Oi Verena! Namastê! Adorei a sua explanação. De que cidade você é? Então você é daquele tipo de avó que cria? Que delícia! Eu tenho uma avó que fez muita roupa de tricô pra mim e para os meus filhos. Coisas feitas por quem ama a gente são preciosas, carregam a energia do amor. Sobre o que você contou, eu nem sabia que isso existia. Sempre achei um exagero essas festas de faculdade. Tanto que, quando me formei, só participei da cerimônia da colação de grau. Também acho um absurdo o que se gasta em festas de aniversário nesses buffets chiques, onde, em muitos, fazem toda uma encenação para o aniversariante se sentir especial comparando-o com personagens, idolatrando sua condição ao criarem uma entrada “triunfante” para o dono da festa e etc. Acho tudo uma perda de tempo, de dinheiro, um exagero. As crianças, como você bem sabe, precisam apenas de afeto e não de se sentirem diferentes/especiais em relação aos demais, porque isso cria uma falsa sensação de superioridade, porque isso reproduz nelas o que vemos no mundo alienado adulto, onde carros, status, locais, consumo em geral se tornam uma ferramenta de poder. É triste mesmo ver essa realidade que as pessoas criam pra própria família e que destoa muito da realidade que nos cerca. Acho que cada um faz o que bem entende com o dinheiro que ganha, mas utilizá-lo para propagar esses tipos de valores consumistas e de diferenciação social, é mesmo, lamentável. Acho que é uma questão dos pais se curarem primeiro né? Dos pais entenderem onde, realmente, está a felicidade, que não tem nada a ver com posses. Eu, por exemplo, me sinto desconfortável de pensar em morar em um condomínio fechado, porque me sinto mal em ocupar essa posição de privilegiada da sociedade que tem que se proteger para usufruir mais do que a maioria, por isso prefiro as cidades menores, onde é mais seguro morar em casa de rua. Enfim, é mesmo um ótimo tema. Vou abordá-lo em breve num artigo. Gratisão por vir, compartilhar e sugerir. Seja sempre bem-vinda! Abração!! 😀


      1. Oi, Mariana.
        Sou da cidade de Salinas, interior de MG, cidade a 240 km de Montes Claros. Por aqui a vida e bem tranquila sem os perigos da cidade grande.
        Confesso que não sou muito prendada em matéria de fazer roupinhas, brinquedos artesanais ,essas coisas. Mas procuro brincar muito com eles, contar estórias, ensinar a eles valores como justiça, igualdade, simplicidade, amor, compaixão, caridade tão difíceis de serem cultivados nos dias de hoje. Procuro não beneficiá-los sem merecimento só porque são meus netos.
        Aguardo a sua abordagem sobre o tema. Estarei sempre por aqui.
        Estou me inteirando do blog ainda. Tem muita coisa legal e interessante.
        Grande abraço.

Deixe uma resposta