A vida começa quando morremos para o que não somos

Tempo de leitura: 8 minutos

Vida e Morte
A vida é luz, doação, alegria e movimento. A morte é sombra, egoísmo, desalento e inércia. Analisa as forças vivas que te rodeiam e observarás a natureza a desfazer-se em cânticos de trabalho e de amor, assegurando-te bem estar. É a árvore a crescer na produção intensiva, o manancial em atividade constante para garantir-te a existência, a atmosfera a refazer sem cessar os elementos com que te preserva a saúde e o equilíbrio.. Mas, não longe de ti podes ver igualmente a morte no poço estagnado em que as águas se corrompem, na enxada inútil que a ferrugem devora, no fruto desaproveitado que a corrupção desagrega.. Depende de ti acordar e viver, valorizando o tempo que o Senhor te confere, estendendo o dom de auxiliar e aprender, amar e servir. Muitos nascem e renascem no corpo físico, transitando da infância para a velhice e do túmulo para o berço, à maneira de almas entorpecidas no egoísmo e na rebelião, na ociosidade ou na delinqüência, a que irrefletidamente se acolhem. Absorvem os recursos da Terra sem retribuição, recebem sem dar, exigem concurso alheio sem qualquer impulso de cooperação em favor dos outros e vampirizam as forças que encontram, quais sorvedouros que tudo consomem sem qualquer proveito para o mundo que os agasalha. Semelhantes companheiros são realmente os mortos dignos de socorro e de piedade, porquanto à distância da luz que lhes cabe inflamar em si próprios, preferem o mergulho na inutilidade, acomodando-se com as trevas. Lembra os talentos com que Deus te enobrece o sentimento e o raciocínio, o cérebro e o coração e, fazendo verter o Brilho do Bem, através de teu verbo e de tuas mãos, desperta e vive, para que, das experiências fragmentárias do aprendizado humano, possas, um dia, alçar vôo firme em direção da Vida Imperecível. Emmanuel

Sobre a minha morte

Com 33 anos eu morri, dei adeus a tudo a que meu ego se apegava e recomecei minha vida do zero. Sempre tive uma fixação imensa pelos 33, o ano da morte do maior iluminado que passou pelo planeta Terra. Jesus morreu aos 33, eu também, menos fisicamente e, como eu, muitos devem sentir essa morte, como explica a Antroposofia:

“E para completar, o 33o. ano, que pontua o máximo de encarnação do homem na Terra, e ano da morte de Cristo. Sentimos o sofrimento da densidade, do espírito aprisionado na matéria, da via crucis.

Em verdade, a vivência desse período é sentida como uma morte e, realmente, para podermos nos individualizar e tornarmo-nos autônomos, precisam morrer valores que não mais correspondam ao “EU” verdadeiro, para que o ego dê lugar à esta individualidade, esteja a seu serviço, evolua, se integre a ela.

O sentimento de ressurreição ocorre quando, passando pelas provações, percebemo-nos mais inteiros e vivendo de acordo com um código de leis mais próprio, uma renovação moral a partir de uma maior interiorização, uma libertação do velho e disposição para o novo.” (Eliane Utescher)

Acredito que tenha programado essa morte num momento pré-natal. Morri quando nasceu minha terceira filha, quando meu antigo casamento foi totalmente por água abaixo, quando saí do meu emprego estável, quando decidi mudar pela 13ª vez para não sei onde, não sei por quê… quando perdi todas as minhas certezas, confrontei tudo o que havia aprendido e desisti de ter razão.

A vida é eterna. Morte e vida têm muito mais a ver com a forma com que vivemos que com a forma que temos, mais ou menos material.

Eu eu, na minha renascença, precisava lembrar do meu POR QUÊ, a grande questão, onde, ao respondermos, encontramos o nosso propósito de jornada.

Essa grande questão de nós todos, não precisa ter uma grande resposta, essa mania de grandeza é coisa do ego, ainda. Grande para mim, por exemplo, é poder morar em meio ao verde, ter um trabalho em que eu ajude as pessoas a se conectarem com o Todo dentro de si, estar presente na vida dos meus filhos e ter uma vida simples, com mais mãos que fazem que mãos que compram, com mais bate perna que gasolina.

Desde 2011, quando fui em busca de um trabalho com propósito no início do ano, de viver um grande amor de infância no meio do ano e de viver em maior conexão com a Existência, ao mudar-me para Ubatuba na primavera, eu comecei esse movimento mas, na época, não tinha tanta clareza acerca de quem eu era, não tinha tanta força (vide auto-amor) para ser eu mesma integralmente, sem medos, e havia muitas crenças que me limitavam, que não eram minhas de verdade. Havia também muito conflito de valores, muito discurso alheio povoando minha mente e bloqueando meu processo de despertar a consciência. E lá se foram mais de 4 anos até eu perceber que se eu não nascesse de novo, não veria o Reino de Deus.

Mas antes de dizer como todas as minhas certezas, razões e padrões foram abaixo no meu puerpério estelar, aos 33, eu preciso falar do momento que antecedeu a minha morte/parto e o meu renascimento/pós-parto, onde a terapia me ajudou a selar o passado inicialmente e o coaching me ajudou a escolher um caminho mais consciente desde então, e a gestar minha nova vida, pra começar a viver de verdade, desta vez em todas as áreas, aos 34. Mas faço isso num próximo artigo, pra não cansar. 😉

Sobre a sua morte

Você já sentiu ou sente que está:

– vivendo desanimado,

– sem sorrir o bastante,

– sem sentir palpitações de entusiasmo,

– angustiado com a situação de escassez,

– com metas longínquas ou mesmo sem metas,

– preso ao cotidiano de afazeres que não transformam nem a você, nem aos outros,

– sem saber para quê motivo maior exatamente veio a este mundo, além de cumprir com suas obrigações de cidadão, pai, mãe, etc

Se você está sentindo algumas das coisas acima, é bem capaz que você esteja apenas sobrevivendo e não co-criando com o Universo, e não manifestando o que você tem de melhor.

A vida começa quando decidimos ser verdadeiros, não no sentido estrito de sermos sinceros com os outros mas no de sermos honestos conosco mesmos, que é quando nossas atitudes coincidem com quem somos em essência.

E só podemos ser verdadeiros quando conhecemos quem somos além do nosso ego, que é a imagem que cada um tem de si próprio, geralmente formada por nome, posição econômica e social, conceitos, costumes, idioma, idade, sexo, hábitos, profissão, títulos, educação, lugar, etc.

Sabe quando nos perguntam quem somos e só conseguimos falar de coisas que agregamos ou que nos caracterizam de forma visual, não de quem somos realmente? Ego é isso, quem dizemos que somos.

Conseguimos ter mais consciência de quem somos quando nos olhamos com amor e além daquilo que expomos, de forma mais profunda e sem nos pré-julgarmos, quando nos perguntamos o que precisamos conhecer de nós mesmos e respondemos com coragem, sem medo de desconstruir toda aquela identidade que formamos ao longo dos anos de jornada.

Agindo dessa forma, com a boa-vontade de conhecermos o Ser mais importante do planeta, NÓS MESMOS, podemos conhecer os nossos valores, a nossa fé, o que amamos, o que odiamos, o que é imprescindível para sermos felizes e termos paz e fazer nossas escolhas diárias de forma mais consciente.

Você sabe quem você é de verdade?

Você vive de acordo com quem você é?

Você sabe o que ama e tem tudo o que ama em abundância na sua vida? Sabe o que odeia e repulsa isso totalmente em seu dia-a-dia? Sabe quais são os seus valores e os segue? Sabe quais são as suas crenças (não aquelas em que aprendeu a acreditar) e vive segundo elas?

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Parque Campolim, Sorocaba. Maio/2016.

Se você quer começar a viver de verdade, sentindo satisfação em todas as áreas da sua vida, assim como eu, se quer descobrir quem você é, o que quer e começar a agir com consciência, como coach posso te ajudar. Estou disponibilizando 5 sessões gratuitas para mães de crianças até 7 anos que estão passando por qualquer processo de mudança. Basta comentar neste artigo dizendo que quer e conversamos.

 

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Conheça o treinamento online que vai te ajudar a renascer para a sua vida de verdade.

Grande abraço!

Namastê!

ban-puvv

16 Comentários


  1. Oi Mariana. Meu nome é Paola e encontrei o teu site através do grupo feminismo e maternagem. Gostei muito de ler a tua experiência e me identifiquei em vários pontos.Estou compreendendo a morte de algumas coisas que devo deixar para trás e em busca de ser quem eu sou. Estou me tornando mãe, sou gestante de 20 semanas e gostaria muito de conversar com você. Obrigada. 🙂


  2. Oi, Mariana,

    Eu gostaria de conhecer melhor você e seu trabalho, acho o que leio por aqui muito revelador e profundo. Mas, não sou mãe. Posso?

    Beijos


  3. Poderia dizer que quero,mas mais que isso…eu preciso! Minha vida deu uma completa reviravolta e a Antroposofia tem me ajudado a não me perder . Sinto que estou prestes a me reencontrar ou me perder de vez.


  4. Olá 🙂 deixei a parte profissional para trás há um ano quando a minha segunda filha nasceu. Mudamos de cidade. Pergunto-me se, a seu tempo, voltarei para o mesmo tipo de emprego ou se esta é a altura para arriscar…mas a fazer o quê? Será que me ajuda a descobrir qual o próximo passo? Grata


  5. Teu relato me cativou profundamente, tenho 30 anos e estou gestando meu terceiro filho (Ana Lua) e a pouco mudei de país… Tenho me sentido em metamorfose, tenho me sentido morrer, talvez seja o sentimento do parto que se aproxima, aprendi que ali morremos e nascemos… Mas toda a mudança que estou passando parece fazer parte de um todo do universo, aquela angustia do ser, esta vontade de distância do material, de querer o real, o simples e o verdeiro já me assola a uns poucos anos e sinto urgência de passar por esta transmutacao … Gostaria muito de ter estas seções como ajuda. Desde já grata…


  6. Gostaria imensamente, não sei se ainda há tempo. Mas acho que estou nesse momento crucial… Fui lendo seu texto e minhas certezas de não ter certeza foram sendo descritas. Não sei mais quem sou, o qie quero e com quero, meu casamento está na corda bamba.
    Minha vontade era esvaziar a cabeça, memória e rebootar a máquina, recomeçar do zero.
    Obrigada pelas palavras.
    Abraços, Silvia.


  7. Bom dia, Mariana! Gostaria muito de participar destas sessões contigo! Tenho 33 anos, e um Bernardo de 2 e a cada dia percebo o quanto eu mudei, e minha vida continua a mesma. É quase como estar presa em uma rotina que eu não amo mais. É o choro ao ter que levar o Bê doentinho pra escola, é uma empresa que não é mais uma paixão, é a situação financeira atual…


  8. Mariana, bom dia! Tudo bem?
    NAMASTÊ! (acabei de aprender o que é NAMASTE procurando no GOOGLE e gostei!)
    Hoje dia 15/06/2016 li seu texto “A vida começa quando morremos para o que não somos” pela indicação de 2 colegas de trabalho. Achei no mínimo INTERESSANTE!!!
    Bom, escrevo pelo seguinte: estou com 35 anos, quase 36, e cheia de dúvidas profissionais. Graças a Deus sou abençoada em relação a família que eu tenho e pela qual eu construi. Me orgulho disso! Eu, meu marido e meus 2 filhos é o motivo pelo qual eu vivo! AMO MINHA FAMILIA.
    Já cortei o cordão umbilical com meus pais e irmas, mas mantemos um relacionamento saudável e até um pouco distante (mais distante do que eu realmente gostaria que fosse).
    No ramo pessoal está tudo resolvido. O QUE ME AFLINGE É NO RAMO PROFISSIONAL. E É POR ISSO QUE ESTOU ENTRANDO EM CONTATO. Quem sabe você não consegue me ajudar né? Podemos conversar? Aguardo seu contato. OBRIGADA. Carolina


  9. Você descreveu minha vida no seu texto. Eu estou totalmente perdida, em todos os sentidos, eu nao sei quem sou, pq sou… nao sei no que acreditar, em que me apegar. Enfim, adorei seu texto.

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